5.5.22

Fantasma

De vez em quando voltas-me como se um bando de andorinhas em migração para o sul. Quase nunca te espero, entretida que estou em te esquecer, enredada na vida morna de trabalho casa trabalho. Apareces na esquina da tarde, quando o fulgor do céu não me deixa evitar-te, iludindo as fugas que costumo inventar para que não me assalte a tua voz macia. Fintas-me o engenho com que te enterrei, morto em vida de corpo ausente. Nas madrugadas de insónia ou quando, numa razia arriscada, sem eu querer nem ter como te escapar, me invades olhos e sentidos enquanto disfarço e finjo que me interessa o preço do dólar ou aquele artigo tão importante na prateleira do supermercado.
E só quando me rendo, suspiro e deixo que me invadas, nesse momento breve que passa como um sopro de Verão, reclamas de novo esse estatuto de fantasma e regressas ao mundo onde não pertenço.
Nessa altura volta a vida morna, de trabalho casa trabalho e apenas a memória de um dia de Verão perdura como se nunca tivesse desaguado no Inverno.


28.4.06

Ora então

reformulando uma coisita aqui, actualizando uma outra acoli.

É uma porra. Ao que parece, há cada vez mais gente neste fabuloso mundo blogosférico, que nunca me viu mais gorda, com a mania que conhece a Mar e que sabe e afirma e testemunha e assina em baixo, que eu é que sei, é assim sim senhor, vi eu com estes dois que a terra há-de comer, era um animal peludo, com três braços, duas cabeças e babava-se, por Nosso Senhor Jesus Cristo, ámen.
Ponhamos as coisas nestes termos, ricos: enchi. Saturei. Transbordei de enfado, bocejei.
Não há mesmo pontinha de pachorra nenhuma, como saberiam, se fosse verdade que me conhecem.
Posto isto, quem quiser mesmo muito ver o fenómeno ao vivo, no seu habitat natural, sabe onde me encontrar. O que não faltam, espalhadas para aí, são referências e coordenadas geográficas. Cá estou, para quem quiser conferir.
Saravah. Continuem a divertir-se muito. Eu garanto que farei o mesmo.
Tá declarado oficialmente o óbito, a hora certa é que é difícil precisar.

Mar

27.4.06

Post Prévio

porque, mesmo nos fins, há sempre o gozo que nos dá fazer o que apetece. E, a mim, sempre deu, garanto-vos.

Cabeças No Ar - A Seita Tem Um Radar
by Vários


No meio dos amigos, aprende-se muito mais;
Do que em todos os manuais, histórias de fazer corar;
Coisas da vida reais, que nos querem ocultar
Quando os dias incertos, franzem o seu sobre-olho
E ate os céus mais abertos, nos correm o seu forrolho
Quem é que não nos enjeita,
só a seita, so a seita

Refrão
A seita tem um radar, que apanha tudo no ar,
Na seita não ha papão, tudo tem explicação

No meio das amigas, aprende-se ainda mais
Vai- se mais longe que os sonhos e que a imaginação
As ciencias naturais, cabem na palma da mão

Refrão
A seita tem um radar, que apanha tudo no ar,
Na seita não ha papão, tudo tem explicação


E ei-los, enfim, todos juntos, saltitando alegremente de nenúfar em nenúfar...

20.4.06

Post it

escrita da vida



Todos os dias há posts a ser escritos, a cada minuto, lá fora.

19.4.06

E, afinal

por detrásaqui

o segredo é deixar os pés pendurados, como uma criança ao sabor do vagar do tempo, enquanto se fazem juras aos deuses:
Serei uma mulher melhor, prometo que não me excedo, estou decidida a mudar.
Sim, também darei a outra face.

E, afinal, a vida é tão simples como os seixos que brilham no leito da enseada. Mas nós insistimos em passá-la a tentar decifrar mistérios inexistentes.

Quando eu estiver de novo na categoria de pó, quero que quem me ame na altura pegue em mim e caminhe até ao fim do pontão.
Depois, numa moldura de malmequeres e giestas, faça do meu corpo oferenda às águas.
É aí que quero guardar o meu lugar.
Estes - lugares - que ocupo provisoriamente, limito-me a saboreá-los sempre que o olfacto desperta e a luz me enche a retina e o coração.

18.4.06

São

ao cheiro.jpg

uns bichos sui generis, estes.
Com algum porte, ou "cabedal", o seu arcaboiço até faria prever alguma força, luta renhida com a presa de eleição, o exercício da caça na sua verdadeira acepção, vitória no final, por entre penas perdidas mas, ainda assim, o gozo da conquista.
Mas não.
Idiotas e cobardes dentro daquele corpanzil e muita garganta, optam pela espera.
E é vê-los, soturnos e agoirentos a assistir aos estertores do que lhes pareça vagamente comestível.
Com paciência, criando água no bico, até que pressentem a carcaça tombada. É aqui que se lançam sobre ela, na avidez de conseguir um bom pedaço. Mesmo que já em avançado estado de decomposição. Depois de outros terem disfrutado da vida e da alegria, do calor e do amor daquele cadáver. A estes bicharocos, chegam-lhes os restos mortais.

É que eles comem tudo, eles comem mesmo tudo.

17.3.06

Dos destaques

e outras disfunções cirurgicamente removidas.

Amor com Apagador se paga.

18.2.06

Há coisas

contra as quais não podemos lutar.
É, para mim, incompreensível que ainda haja quem continue a visitar este Espelho.
E ainda mais que, seja a partir daqui que parta para visitar outros blogues.

Quando o fechei, há sete meses atrás, para mim foi mesmo um fim. Ponto final, a morte de algo que ficou para trás, visível apenas porque não seria nunca capaz de carregar no delete.
E seria normal, inevitável, até, que gradualmente este espaço caisse no esquecimento. Quase caiu, no meu, aliás. Não regresso quase nunca aqui, não consulto as estatísticas do sitemeter que, aliás, são enviadas para um email antigo, que há muito tempo não abro.

E hoje, descobri, por acaso, que há pessoas que partem daqui para visitar outros blogues.
Descobri-o no blogue que me justificou um único regresso breve ao Espelho - o Proximizade - regresso esse apenas para manifestar aqui solidariedade com um projecto que movimentou, na altura, uma boa parte de bloggers, pela sua originalidade, pelo espírito de que esteve, e está, imbuído. Pela validade dessa acção.

Hoje descobri, no Proximizade, 46 visitas, efectuadas a partir do Espelho Mágico.
E não fui eu que as fiz.
E isso tocou-me.
Tornou-me consciente de que ainda há um valor que atribuem a este espaço, que eu própria nunca quis acreditar que ele tivesse.

E, apenas por isso, conferiu-me a responsabilidade de passar por aqui.
De vez em quando. Sem compromisso. Sempre que apeteça.
Cá estou. Não prometo nada.

2.11.05

Porque

para reabrir este Espelho, ainda que temporariamente, sómente por uma boa causa...
Agradeço a todos quantos ainda continuam a vir aqui, depois de 3 meses de ausência da minha parte e endereço-vos um pedido: Passem a ir aqui, ao que vos mostro em seguida. E não só: passem a ir lá todos os dias e a dar um pouco da vossa experiência pessoal, do vosso tempo, da vontade que encontrem de ajudar mais uma criança a sorrir. Eu e muitos outros, já lá estamos.


Proximizade


Proximidade e mão amiga. "Proximizade", feita do entusiasmo voluntário de quem quer ajudar a combater a apatia, a dispersão e a insensibilidade que nos ameaça se continuarmos indiferentes ao que se sabe e ao que se vê.
Aqui, já está a acontecer.


21.7.05

O caminho ali de baixo...

...acaba aqui.

Gostei muito. Obrigada a todos.
Mar

(...)

e partiu porque tinha
um destino; coisa simples
e pouca, mas destino:

crescer como árvore, resistir
ao vento, ao rigor da invernia,

e certa manhã sentir os passos
de abril

(...)

Eugénio de Andrade