30.4.04

Era mentira

Como podem verificar, aquela do não me apetece fazer nada, foi só um desabafo inconsequente.
Aqui estou eu, sentadinha na minha cadeira, obedientemente, depois do horário de expediente a produzir para este país (tá bem, isto agora foi só um piqueno interregno, que também vocês pensam o quê? Uma mulher não é de ferro, também tem que arejar a cabeça e pintar as unhas e ir dar uma escovadela ao cabelo, para depois voltar a sentar-se em frente ao pc, com outra disposição, bolas). Dizia eu que continuo aqui a dar lucro ao patrão. Que é como quem diz a fazer um relatório, escrever um memorando e preparar uma sala para uma reunião na segunda-feira logo de manhã. Acham fácil? Qualquer dia só me falta é ir também aspirar o chão e lavar os copos da água...grrr.

A sorte é que amanhã não se trabalha...é o Dia Mundial do Trabalhador!

Não me apetece fazer nada



Aqui é que eu estava bem agora, sentadinha à beira do abismo, a respirar ar puro, carregando lentamente as baterias de mar e sol e vento e azul.
Acho que vou abrir a janela do gabinete...

Á falta de mar



Pelo menos tem peixinhos e água.

29.4.04

À noite

É quando vemos os detalhes que nos passam despercebidos durante a cegueira do dia, disseram-me.

Soou-me assim a Saramago...

Mas o certo é que sempre gostei da noite. A calma que se instala com o escuro é tranquila e repousa-me. E os detalhes são mesmo mais nítidos do que de dia. E os pensamentos.
Os ruidos são mais fácilmente perceptíveis, se estivermos atentos conseguimos ouvir os bichos roendo o interior de velhos móveis de madeira. Em miúda esse era um dos ruídos mais familiares nas minhas noites...

Há muito tempo que não o ouço. Seja porque adormeço tipo pedra, depois da canseira que são os meus dias, seja porque esses móveis moram hoje noutra casa, que não a minha.

Mas ouço as folhas da grande árvore que está junto à minha varanda, moverem-se ao sabor do vento. E os pássaros que nela fazem a sua cama, sobressaltarem-se, por vezes, quando um carro isolado passa na noite. E o piar solitário de uma coruja. E, ás vezes, ao longe, as cigarras, quando é Verão.

Há muito tempo que não ouço música à noite. Era um dos hábitos dos tempos de faculdade, a música a acompanhar baixinho as horas de estudo nocturno, a música, baixinho, no silêncio do quarto onde adormecia de madrugada, sem cansaço.

Mas ouço os meus filhos a respirar calmamente nos quartos lá ao fundo. E levanto-me quando ouço algo diferente, um gemido, início de choro de um deles, para os acalmar de um sonho mau ou para encontrar uma chucha perdida entre os lençóis...

Há muito tempo que não ouço o mar á noite.

Metade

da minha vida é passada a arrumar coisas que outros deixaram desarrumadas.
Tou farta!
Eu sei, eu sei, (lá estão vocês...) devia ter incutido mais disciplina aqui por estas bandas e blá, blá...
Eu bem que tento! Mas agora que a criatura, com 6 anos acha que é top-model e passa o tempo todo, nas minhas costas, a tirar tudo quanto é roupas (dela e dos outros) das partes mais altas dos armários, para experimentar e pergunta, "Mãe, já é Verão?", aparecendo-me ao pé com uma incrível mistura de camisola minha até ao chão (com lantejoulas, atenção), calções do irmão (de ciclista, porque são de lycra e vermelhos) sobre collants meus, tudo rematado com os sapatos de salto alto mais novos que tenho, querem que faça o quê?
Zangar-me?
Vocês estão a ver bem aquela figurinha a olhar para mim? Ainda por cima com um baton berrante e dois riscos azuis de cada lado da cara (era suporto ser nos olhos) a condizer?
Tenho é que me controlar para não rir!

Uma página em branco



Para a Cat.
Um recomeço é sempre assim como nascer de novo. Abre-se um mundo de possibilidades. Ainda desconhecido.
Não se recomeça sem dor. Também não se nasce sem dor.
Mas esta depressa passa e é esquecida, quando olhamos para a nova vida que temos ali defronte.
Mil promessas se antecipam quando uma vida nasce ou recomeça. Há que saboreá-las. E o que nasce traz sempre em si, um pouco de quem o deu à luz, de quem ficou para trás.
Ofereço-te uma folha em branco para que possas renascer.

Não me digam nada, hoje!

Que raiva!
Tou capaz de partir tudo!
Que injustiça tão grande! Não sei porquê, mas são sempre as pessoas boas que pagam. Sempre. Os erros nunca caem em cima dos sacanas e filhos da p***, é sempre sobre alguém que não tem culpa ou maldade ou inveja, que é uma pessoa linda, atenta, preocupada com os outros, bonita, bonita, bonita.
Não me apetece dizer mais nada hoje.
Muita força, Amiga!

28.4.04

E para comemorar

O record de comments ali em baixo vou contar uma história que não tem nada a ver com os 40:

Adoro música.
Dirão vocês: E que temos nós com isso? E será bem dito, concerteza.
Mas como diz a minha amiga Cat, o blog é meu e ponho aqui o que me apetecer e quem não quiser que se ponha a mexer e mainada (não é assim Cat? A malta parece que tem que os tratar mal, que eles gostam), vou contar a acabou a conversa aí desse lado, ok?

E repito, adoro música.
Talvez seja uma coisa que vem inscrita nos genes, algures lá por dentro daquele entrançado em código, mas acho que a grande maioria dos putos tem a coisa no sangue e eu não fui excepção, podendo depois alguns deles, dependendo das circunstâncias e da conjuntura que rodear o seu crescimento, nomeadamente "cheta" e pais e educadores presentes e incentivadores, vir a requintar o dito gosto transformando-o, nalguns casos, em mania (melo), noutros em verdadeira prática, nascida de alguma vocação escondida.

Isto para dizer o quê? Perguntarão vocês, apesar de já vos ter mandado calar!

Fiz parte duma banda de garagem! Pronto. Já disse!
Pois foi. Nos meus 14 aninhos, achando que tinha jeito para a coisa, depois de ter passado por umas aulas de viola e piano no FAOJ (Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis), o vetusto antecessor do actual IPJ, eu e mais uns quantos achámos que íamos ser músicos!

Como cantar nunca foi bem o meu forte, ainda tentaram pôr-me como vocalista mas, face á onda de protestos e ameaças de demissão dos restantes elementos todos, menos o que tinha tido a idéia, foi necessário encontrar uma nova estratégia.
Então desistiram da carinha laroca, passando-me para um confortável segundo plano com a minha viola ritmo, enquanto o "Jantareta" que até se safava mas não era tão bonito como eu, lá ficou o vocalista.

Agora o nome da banda era requintado..."Lutos D'Alma"...Acho que, na época, corresponderia áquilo que o meu filho hoje classifica de "dread"... Eu não sei, mas foi um sucesso! Pelo menos na garagem da vivenda de um dos membros da banda. E o facto de, na vizinhança já todos sermos conhecidos e de ficarem a comentar nas costas quando passávamos, envergando vestes de ganga negra e lenços à xutos, também deve ter querido dizer alguma coisa...

Bom, mas o certo é que a banda lá se desfez por razões que não vem agora ao caso explicar (seus cuscos!) e, anos mais tarde, já em Lisboa, por ironia do destino (ou não, não sei se o gajo existe), acabo por vir a conhecer de perto os elementos de uma banda hoje famosa e com um percurso musical já consolidado no nosso país.

Na altura eram apenas uns putos de 18, 19 anos, com jeito para a música (ao contrário dos anteriores, incluindo eu...) e que tinham tido a sorte de já ter feito alguns concertos, na Festa do Àvante e no Rock Rendez Vous. A verdadeira qualidade da sua música, encarregou-se depois, de fazer o resto.

Morando próximo (eu no Cacém, eles no Algueirão), através de um amigo comum, cedo nos começámos a relacionar com a regularidade normal de uma amizade entre pessoas da mesma idade. Escusado será dizer que eu passava a vida no Algueirão e lá ia mantendo as notas 16 na faculdade (não sei bem como, a bem dizer...).

Foram tempos bonitos. De utopia. Do acreditar num sonho e lutar por ele, à custa de muita provação mas que não matou a força e a vontade de continuar (lembras-te das casinhas de barro, Xana?)
Durante uns tempos fiz parte da vida deles e acompanhei-os em quase tudo, comíamos juntos, passávamos noites em claro juntos, eles tocavam em concertos que eu nunca perdia, sempre nos camarins a servir de apoio para o que fizesse falta, amanhecíamos juntos. Um grupo de putos com jeito para a música e os amigos do peito que os seguiam.

Há pouco tempo, 20 anos depois, tive a sorte de poder aceder de novo aos camarins, onde eles descansavam depois do concerto. E foi bonito recordar aqueles putos que fomos e que, como disse o Alex "envelhecemos juntos", embora separados no espaço, mas partilhando memórias e afectos.
Obrigado por terem feito de mim, nesse dia, uma míuda (com quase 40...grrrr) famosa por ter sido vossa amiga!
E por ainda permanecermos amigos, apesar da vossa fama. Há coisas que não mudam. Está prometido o jantar da próxima vez!




27.4.04

Aqui estão eles

Cadernos de viagem II

Percorrer a Marginal numa qualquer noite de 2004, perto de atingir os 40 anos de idade, não é, definitivamente, o mesmo que fazê-lo aos 18.

Uma chuva míuda caía sobre o carro, que deslizava em direcção ao Casino. Passava da meia-noite e o céu estava cinzento, carregado, prenhe de uma chuva prestes a rebentar, em torrente, como as águas de um parto.
Água a juntar-se a outra água, o mar, ali, ao lado da estrada, onde sempre esteve, a desfazer-se em espuma nas praias onde, aos 18 anos, apanhava sol depois da directa da noite anterior.

Agora, quase aos 40, não ia fazer nenhuma directa. Apenas uma passagem rápida pelo Casino, com amigos, com estatuto para o fazer. Um copo, uma volta nas máquinas e de regresso a Lisboa para mais um congresso no dia seguinte.
Estatutos...

Aos 18 anos, com as minhas calças de ganga e ténis desbotados, não tinha estatuto para entrar no Casino, ou para qualquer outra coisa semelhante. Ou melhor, tinha, de jovem inconsequente, estudante irreverente e pelintra.
Mas as curvas da Marginal, feitas nessa altura tinham outro sabor. O sabor da aventura, da descoberta. Da vertigem da velocidade, em picanço com os carros dos outros amigos do grupo. A inconsciência do perigo. Ou a idéia (errada) da imortalidade. Não sei, talvez fosse, apenas, a juventude.
A caminho da 2001 no Autódromo, ou apenas de um bar da moda em Cascais. Com o dinheiro no bolso, à conta para beber, não mais que duas imperiais. Não sei como, mas conseguia beber-se sempre mais que isso...

O dinheiro no bolso hoje, perto dos 40, chegava para comprar o barril inteiro da imperial...mas o sabor não era o mesmo.
A curva do Mónaco já parecia perigosa, a hora começava a adiantar-se demasiado, face aos compromissos marcados para o dia seguinte. O encanto da descoberta não existia, pura e simplesmente. Apenas o sono e o cansaço. Ou talvez a solidão, uma opção assumida, mas pesada em alturas como aquela. De recordações.

Lembranças de outras noites, de contar estrelas e molhar os pés no mar. De não existirem relógios, ou pressões, deveres, ou culpas. Só o disfrutar do momento, intensamente. Ver o sol nascer na linha do horizonte, elevar-se devagarinho sobre o mar, acordando as águas escuras que, em pouco tempo, se pintavam de um azul claro e limpo.
E o calor.
Depois da humidade fria da noite (por mais que fosse Verão), os raios laranja a espalhar um calor de conforto sobre os corpos cansados. E felizes.
E a simpatia dos naturais da zona, tantas vezes, oferecendo um pão quente e um café àquele grupo de jovens, olheirentos, pelintras mas sorridentes e inofensivos. Outros tempos. Ainda não eram os tempos da desconfiança e do individualismo.

Hoje, perto dos 40, depois da noite dormida num hotel, o pequeno-almoço tomado com requinte, na sala de refeições, de impecáveis toalhas de linho branco nas mesas e solícitos empregados, sabe a stress, hora marcada, agenda preenchida, falsos sorrisos em redor de nós, à medida do interesse que os suscita, sabe à aprendizagem da sacanice, do "jeito de cintura" necessário para sobreviver neste mundo.

Este mundo que já não é o local de utopia dos nossos 18 anos.

E amarga. Deixa um travo na boca, amargo, de saudade e sonhos perdidos.





26.4.04

E é azul!

Pensamento profundo do dia:

A busca da perfeição traz recompensas.
Pode é dar um trabalhão do caraças.

Agora

É que acertei de vez!
Que melhor imagem para este blog, que um espelho de uma sereia cuja descrição no site donde foi retirado, dizia:

Is there any place on earth more peaceful than sitting by the ocean on a quiet night, listening to the rhythm of the waves, with the stars overhead, and the wind blowing through your hair...

É mágico, é místico, é Mar, é a minha cara.

Tenho estado aqui a pensar

Que, afinal, parece-me que não gosto muito do espelho...
Vou ter que mudar.
Mas só depois de almoço, que isto de pensar de barriga vazia dá sempre mau resultado.
Até logo.

Parece

Que o raio do blog demora imenso tempo a abrir, devido à quantidade de tralha que tenho ido deitando para dentro do Template...
Assim, comecei a retirar mariquices, tais como o anjo e as estrelinhas e florzinhas e afins.(shiuff,,,)
Vamos ver se melhora.
Senão, torno a pôr as mariquices que eu quiser! Pronto.

25.4.04

A Gotinha

Chamou-me a atenção para este blog, que tem uma enormidade de coisas úteis para quem anda por aqui à descoberta a conta-gotas do que faz falta (é animar a malta...) para ter um blog em condições.
Obrigado ao seu autor/a.

Estou a ser atacada

pelo mais puro drama feminino.
Não saber que tempo fará amanhã!
Será que faz calor? Ou que arrefece de repente? Alguém viu as previsões?
Sou daquelas que geralmente nunca acerta...roupa de cores claras e sapatos sem calcanhar quando está um frio de rachar e camisola, casaco e botas quando todo o resto do mundo anda de t-shirt.

Não sei o que hei-de vestir!!

Foi só assim...

...uma ligeira lavagem de rosto.
Já tinha dito que ando sempre a mudar coisas?
Pois.
O quê? Inconstante, eu?! Nááá.

Faltava-me algo, sempre que abria o blog. E descobri que era a cor azul.
Pois se sou Mar e o meu espelho reflecte a superfìcie do Mar...
Agora acho que estou no meu elemento natural. Prometo que não mudo durante muito tempo (bem, talvez o espelho...), ou talvez sim.
A vida é um mistério insondável.

25 de Abril também é...



O céu à meia-noite iluminado de mil estrelas de todas as cores.
Os olhos, virados para cima, brilhantes de luz e da esperança que dá estarmos ali e sermos muitos e sentirmo-nos unidos.
Os "Ohs" e "Ahs" nas bocas e nos olhos, redondos de espanto dos meninos.

Um cravo dado e recebido com um sorriso.

24.4.04

Aniversários...

...de putos, para mim, ao contrário das outras mães todas, pessoas normais e babadas pelos seus rebentos (eu também me babo pelos meus quando dizem coisas giras e não dão trabalho...), sempre foram momentos do mais puro terror, angustiadamente antecipados, várias semanas antes da data a assinalar, na altura em que "eles" começam a perguntar, Ó mãe e a festa é onde?
Entro em stress...

Imaginar hordas de miudos em estado de euforia a fazer do corredor em u, pista de rali, com a cadeira do computador(tem rodas), a ver qual o primeiro a chegar á parede do hall e assinalar devidamente o alcance da meta, com um sonoro chapão(de mão ou pé, tanto faz...).

Ou apenas, a repetir a história da pista de migalhas (de bolo, batatas fritas, pão, amendoins, tudo serve), que percorre toda a casa, ao encontro do seu produtor, devidamente espezinhadas pelos que vão a seguir.

Já para não falar dos ataques aos meus preciosos móveis, por lançamentos de beyblade ou choques frontais de viaturas dos actionman. Ah...e o enchimento do gritamonstro, que rebentou e aquela espécie de gelatina que o preenche passou para os azulejos do chão de onde levou horas a ser raspada...

Não! Definitivamente, não! Chamem-me o que quizerem, mãe desnaturada, paranóica, bruxa, enfim...festas de aniversário em casa, nunca mais!

Então, nesta última, o local eleito pelo homenageado foi o MacDonald's, para onde, feita motorista de taxi, transportei entre várias viagens, os convidados, deixando-os entregues à sua sorte, depois de ter negociado com o gerente o limite de bigmacs e sundaes, que lhes estava permitido pedir (miudos entre os 10 e os 16 anos têm um apetite, faxavor...).

O café que tomei sossegadamente no Modelo (a dois passos do local da festa) não podia ter-me sabido melhor...

Sol de pouca dura. Tive que fazer uma pequena cedência, dando autorização para virem para casa a seguir, jogar PC e Playstation até à hora de soprar as velas...

Bem...a única coisa que não se concretizou foi a corrida de cadeira de pc, pois a mesma esteve permanentemente disputada pelos convivas, em rotatividade para ver quem fazia mais pontos nas máquinas de flippers virtuais, de resto...ainda hoje ando a raspar chão e lavar paredes...








22.4.04

Luar

Nesta Lua, o amor anda no ar.
Mas mesmo antes do amor, a sensibilidade já lá morava. É por isso que vai passar a morar também aqui!

Um cheirinho a



Tentei, e não consegui, colocar um cravo pequenino junto à data dos posts (copiando a Cat e a Vi ).
Como sou teimosa fui colher este ao jardim mais próximo.

Abril, o dia era o 25

As rádios locais enlouqueceram com a proximidade da efeméride dos 30 anos da Revolução de Abril e debitam continuamente músicas dessa época, feitas com palavras escolhidas para significar outra coisa que não aquela que os censores da PIDE julgavam ouvir.
José Mário Branco, Zeca Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Paulo de Carvalho, Sérgio Godinho, Ary dos Santos, compunham poemas e músicas que só uns poucos entendiam, que traziam um sopro de esperança, que davam força para resistir a quem sabia que gaivota significava liberdade, estrela saudade, vampiros os ditadores, Grândola fraternidade.
Eram as “músicas da utopia” de quem sabia que “a cantiga também era uma arma”. E que tinham em comum, todas elas, a resistência, a esperança de mudar, o alento de continuar a organizar a revolta, “a bucha é dura, mais dura é a razão que a sustém”, dizia o Zeca, enquanto chamava para que viessem mais cinco. “Há sempre uma candeia, dentro da própria desgraça, há sempre alguém que semeia, canções no vento que passa”, gritava Manuel Alegre enquanto o Sérgio Godinho incitava “Não me digas que nunca sentiste, uma força crescer-te nos dedos, e uma raiva crescer-te nos dentes, não me digas que não me compreendes”.

Eu lembro-me de um dia em que uma menina de 10 anos, a meio de uma manhã de aula, foi mandada embora da escola, para casa, porque estava a passar-se algo.
Desci a rua a pé, no meio da estranha quietude nas ruas, até casa, passando pelas amoreiras onde enchia os bolsos de folhas para os bichos da seda, ou amoras que manchavam o bibe branco com monograma.
Em casa, os meus pais, conspiradores mas estranhamente alegres, ouviam rádio baixinho. Havia uma espécie de electricidade no ar. Mandavam-me estar quieta e não fazer barulho. A música era repetida muitas vezes, intercalada com vozes que eu não percebia. E o meu pai a transbordar, a sorrir, a emocionar-se, a brilhar como um raio de sol no momento em que não aguenta mais e resolve sair para a rua, dizendo-me: “ficas sempre junto ao rádio; assim que o senhor começar a falar carregas nestes dois botões, quando ele acabar, neste. Faz isso minha filha, não se engana?”, “não, pai”, com um sentimento de orgulho por sentir que uma grande responsabilidade me estava entregue.
E ali fiquei, gravando as notícias que chegavam, “Aqui posto de comando”, dando conta da prisão de Marcelo Caetano, da invasão das instalações da António Maria Cardoso, com ordem de prisão aos Pides, que queimavam documentos antes de tentar fugir.
Ainda hoje guardo comigo essa cassete de rádio, degradada, mas que contém, um pouco roufenha, a memória desse dia.
Devo aos meus pais, o espírito de Abril, que sempre pautou todos os outros dias da sua vida, o terem-me formado na pessoa que hoje sou, inconformada com a injustiça, solidária com os mais fracos, resistente aos aproveitadores e abusadores, combatente na construção de um mundo melhor e mais justo para os vindouros…

Nos dias seguintes viveu-se uma espécie de estado de graça, com toda a gente nas ruas, portas sempre abertas, com lágrimas e sorrisos ao mesmo tempo, com cravos, muitos cravos e conversas e abraços entre os vizinhos. E sempre a música…
Não sabia bem se estavam todos contentes por alguma coisa que eu tivesse feito…mas não importava muito porque estava feliz.

Hoje vesti um casaco de cabedal que pertenceu, nessa época ao meu pai e senti-me mais próximo dele, onde quer que esteja. Obrigado, pai.

20.4.04

É só para dizer

Que quando tiver um bocadinho de tempo e acabar de desfazer as malas, rever as roupas recém-adquiridas - lindo, para a nova estação, ai o fumo que saiu do cartão de crédito, só visto...- depois de ter acabado os cuidados de higiene e relaxamento, reafirmado a beleza, com os devidos cremes, máscaras, aromas e demais produtos de que uma girl não prescinde e que os gajos não têm nada que saber o que são, porque senão, como diz a minha amiga Cat, vêem-nos as cuecas e isso não convém mesmo nada, uma vez que se sabe e está científicamente comprovado, que o factor imaginação é fundamental para....ah....eu já disse isto?? Bom, ia eu dizer que, quando me der na mona, seguem-se os "Cadernos de Viagem II". ;-)))

18.4.04

Porque isto de escrever

dá uma grande trabalheira e a idade já não vai permitindo que a imaginação e criatividade floresçam como nenúfares num lago de águas calmas, aqui vai um enlatado fresquinho, embalado hoje mesmo, num newsgroup aqui próximo e que pretendeu explicar os estranhos acontecimentos que, desde há algum tempo, vinham sucedendo naquele espaço de pluralidade e liberdade.

Então é assim:

Quando m'alevantei do chão, daquela terra de pecado, descobri que várias
fendas rasgavam a pedra e transformaram-na numa jangada à deriva pelo mar.

Ainda pensei levantar um convento mas o padre Bartolomeu achou melhor
construir uma passarola, que assim sempre podíamos voar dali para fora.
Depois de procurar os nomes, nos arquivos empoeirados da conservatória, uma
cegueira branca atacou-me e a todos os que me acompanhavam, com excepção de
uma.

De qualquer das formas não interessava muito, estando todos nós numa
caverna, mesmo que víssemos, não veríamos, tal como os cegos. O único
problema seria tropeçar e partirmos os bonecos de barro que, aos milhares,
todos os dias saiam da olaria do Cipriano Algor, em direcção ao Centro.

Foi então que o Ricardo Reis, antes de morrer, teve uma idéia. Com Fernando
Pessoa sentado aos pés da cama, disse a todos que o culpado era Jesus Cristo
que se enganara ao escrever o Evangelho e ainda por cima dormiu com Maria de
Magdala.

Aí intervíu o Presidente da Câmara Municipal, eleito do pê dê dê, apelando à
lucidez de todos os presentes. O que era necessário, era organizar uma
votação, sentir o exercício da democracia, desde que não votando em branco,
para que se tomasse a decisão certa, escolhida pela maioria.

Mas o principal, a prioridade naquele momento, era que todos os cães lá
fora, parassem de uivar.

E foi isto que aconteceu.
~~Mar~~

Post scriptum: Atenção, que estes foram os principais acontecimentos, aqui relatados
sucintamente.
Não haveria tempo nem espaço, para duplicar todos os cadernos de Lanzarote
ou ensinar aqui Pintura e Caligrafia.
Para mais esclarecimentos, dirijam-se à biblioteca mais próxima.

pt.conversa
18 de Abril de 2004



Dedicado a todos os apreciadores de Saramago. ;-)))

17.4.04

Bem, mas o post anterior

tinha por finalidade dizer-vos que, neste mundo da escrita, há coisas que me deixam com uma dualidade de sensações à qual quase nunca consigo resistir.
Assim, acho que há nos blogs, textos tão bem escritos que, de lindos que são, devem sair deste mundo virtual para as páginas impressas de papel, seja em livro ou revista. para que muito mais gente a eles possa ter acesso.
É claro que, se bem o achei, melhor o fiz, desafiando alguns amigos que estão prestes a receber o resultado da experiência em mãos ;-))).

Mas, no reverso da medalha, encontro em livros, de amigos também, coisas tão sublimes, que tenho que pôr aqui, para que, vocês todos, meus improváveis leitores, delas possam também disfrutar. Foi o que aconteceu com este texto que vos deixo, a nota do autor, do qual tenho a honra de ser amiga, que prefacia um pequeno livro de poesia. Um beijinho para ti Francisco P.!

Luena. Depois das gigantescas rochas cinzentas que nascem da terra como plantas pré-históricas, muito para além do planalto do Huambo, ficam as terras dos Quiokos, das enormes chanas (planícies) maiores que o alcance do olhar, muito para além do além que se avista.

O Alentejo das planícies ao lado das chanas do leste de Angola, apenas é comparável na planura e nos tons dos verdes da vegetação rasteira e de médio porte que nos cerca por todos os lados.

A noite na chana é espectacular, até esmagadora.

A intensidade da luz das estrelas parece cair do céu e emergir da terra, parece estar ali, mesmo à mão!

Os milhares de estrelas confundem-se com os milhares de olhos que reflectiam as luzes dos projectores das Berliets em noites de caçada (olhos de zebras, gnous, leopardos, pacaças, nunces, leões, cabras, gazelas, onças, hienas...eu sei lá...simplesmente...único, inimitável, irreproduzível...intransplantável...

Terras de poucas gentes, de poucos Quimbos, de muitos quilómetros e de muitos rios:- o Cazage, o Luembe, o Dala, o Lumege, o Cassai...e o Luena.

Luena, o rio que significa eim Quioko, princesa.

Em terras do Luena escrevi alguns dos poemas deste livro, já lá vão uns bons anos.

(...) explicar aos leitores o significado da Luena da Praia.

Luena - Princesa angolana das Chanas do leste que a guerra colonial me fez conhecer e sentir.

Luena - enquanto metáfora atribuída a várias princesas da minha vida, pessoal e comunitária (colectiva).

Luena da Praia - a princesa da praia é Sines, a minha Terra, a minha gente, as minhas raízes, fundas e simultâneamente à superfície, expostas à vista de todos aqueles que compreendem as coisas simples da vida.

Afinal, todos temos as nossas Luenas.

Luena da Praia
Edição de Autor


Já dizia a minha avó

que eu tinha que me decidir. Coitada, ela bem teimava, "filha, mas tens que saber o que é que queres, não se pode ter tudo, a vida custa muito, e blá, blá. blá", enquanto, na soleira da porta do monte, sentada numa cadeira de buinho, desembaraçava os longos cabelos branco-acinzentados, até os enrolar graciosamente na parte de trás da nuca, com ganchos finos de arame preto que, como por milagre, ela fazia desaparecer, ficando à mostra apenas um rolo de cabelo. Sempre me maravilhou aquela espécie de magia...

Eu, é claro, fazia ouvidos moucos, enquanto brincava com um boneco, para, logo a seguir, o desprezar em prol de um pássaro que debicava o chão da horta e, esquecê-lo logo que, mais além, me chamava o ribeiro que fazia escadinhas de água onde, com pedrinhas e paus, eu construía casas e pontes.

Tudo isto para vos dizer que sou uma eterna construtora de opções. E que, há sempre algo, que me faz mudar de vontade de fazer uma coisa, para passar a fazer outra.
Bela retórica para me chamar a mim própria de indecisa e e insatisfeita...

16.4.04

Passo a explicar

Já diz um amigo meu, alentejano, que "ovelhas não se fizeram pr'ó mato", que é como quem diz que, certas pessoas não se deviam meter em certas coisas. Melhor ainda: que mulheres não servem para fazer certas tarefas, não quero saber que refilem comigo, suas feministas radicais, eu cá uso soutien mas acho que lavar o carro é coisa que os homens sabem e gostam de fazer e não tenho que ser eu, que odeio, e mainada!

É por isso que, cá por casa, para além de uma persiana completamente avariada, que não fecha (e logo no quarto...), problema engenhosamente ultrapassado com uma cortina escura a tapar o cortinado, na hora de dormir, até ao dia em que venha cá a casa o faz-tudo, mantém-se por aplicar um candeeiro de tecto, há um autoclismo que funciona depois de aberta a tampa e puxado manualmente, e um animal com várias patas apoderou-se definitivamente da arrecadação, até que alguém me entre lá dentro para o exterminar.

Mas quando estou neura (e isso é muitas vezes) dá-me para as mudanças.

E desta, foi para reconverter um móvel, usualmente designado sapateira, que, nunca tendo cumprido a função para a qual foi concebido - guardar sapatos - se transformou no poço sem fundo de tudo quanto é tralha indesejada mas não passível de deitar fora (por enquanto). O dito, três gavetas em cima, três portas em baixo, uma prateleira horizontal no interior, na minha tortuosa mente, transformou-se no sítio ideal para armazenar livros (as dezenas que não têm lugar de honra na estante da sala, mas não deixam de andar por aqui aos montes). O único senão era retirar-lhe as portas, o que transformaria aquilo em mini-estante, que ficaria a matar ali no corredor central...

Armada de chaves de fenda e alicate, iniciei o combate. E quando meto uma na cabeça...O pior foi que os gonzos das portas estavam, digamos, um pouco, calcinados, presos com pregos! onde já se viu, e não com parafusos.

As portas sairam.
Os livros ficaram lindos, arrumados, finalmente visíveis nas suas brilhantes lombadas, com espaço de sobra ainda para mais umas dezenas...

Os bocados de madeira que entretanto saltaram junto com as portas, foram colados com cola-tudo e uma pincelada de verniz. Nem se nota nadinha!

O bocado de estuque, que caiu quando o alicate se desprendeu do prego que puxava e saltou, rasando uma jarra de cristal para aterrar em cheio na parede oposta, será tapado no fim-de-semana. Dizem que com um bocado de gesso e água aquilo fica um mimo.

O facto de a vizinha de baixo ter deixado de me falar e começar, desde então, a martelar metódicamente, todos os dias, às 8 da manhã, não deve ter nada que ver com este episódio.

Declaro

Guerra à bricolage!

Estava a precisar

assim...de um bocadinho de descanso.
Campos verdes, uma manta debaixo de uma árvore, brisa suave, canto de pássaros.
Solidão. Não de estar só mas de estar temporáriamente ausente dos outros.
O ruído da vida, às vezes, é insuportável.

Antes, costumava praticar a solidão como um culto. Tinha regras, era sistemática e periódica, como num ritual. Uma cura do mundo, sózinha comigo. E com os meus livros e as minhas coisas. Funcionava. Regressava limpa, pronta para mais um período intenso da difícil arte de viver.

Há muito tempo que não o tenho podido fazer. E acho que começo a ressentir-me disso.
Começo a não saber o que fazer desta vida que tenho comigo, em mim, da qual tenho que disfrutar, enquanto a tenho. E é tão pouco tempo que ela dura...Mal damos por nós e, puff, regressamos ao pó.

Não sei se é a consciência de estar em contagem decrescente que me faz sentir hoje esta urgência. De viver, mas de antes me limpar. De fazer, como antes, uma retirada do mundo, para a ele regressar, depois disso, nova.
Só que isso nunca é completamente possível...carregamos connosco as nossas memórias e as nossas opções. O baú com os restos da vida passada é inseparável de nós, está encastrado nos nossos pertences. E, por isso, poderemos ser, apenas, parcialmente, novos.
Apetecia-me uma almofada e lencóis brancos com cheiro de alfazema.





15.4.04

Como fui acusada de consumista

E em atenção ao eventual público masculino que leia este blog e não perceba muito de jóias, adianto que, não tendo encontrado no Google nenhuma parecida à que comprei, a mesma é assim ao estilo original e discreto que eu própria pratico, visto que não sou uma Lili (vou fazendo uns esforços e tal, mas nada que se compare ainda chegar-lhe aos calcanhares, das mules, salto agulha, que ela, certamente já usará, em cores garridas, pois que são a última tendência da moda e a Lili nisso não perdoa, mas estou a desviar-me do assunto).
Sendo que, para não deixar muito espaço à imaginação masculina que, como se sabe, é por demais fértil em visualizar jóias, roupas, collants e demais artefactos que cobrem o corpo feminino com uma clareza e nitidez superiores às de uma Nikon último modelo, resolvi apresentar-vos um modelo de jóia assim para o semelhante mas em versão colar. É claro que, em mim, ficaria muito melhor que nesta foto que vos ofereço, não é, mas lógico, não podem querer tudo de uma vez...


P.s: Se alguém estiver interessado no site de onde a foto foi roubada, eu forneço.

Lilices...

Não há nada que faça melhor ao ego de uma mulher (e mais mal à carteira...), que aparecerem-lhe gabinete dentro com uma peça de bijuteria exclusiva, lindíssima, (cara), e, após intensiva terapia de auto e hetero-convencimento, passar a ostentá-la "ostensivamente" no pulso esquerdo, neste preciso momento.
Vou para casa, que já fiz estragos demais por hoje...

Grande celeuma

Hoje em torno das reacções que muitos de nós, aqui deste lado do reino, tivémos ao discurso do Saramago.

Os mais radicais, chamam-lhe nomes, dizem que o homem está tótó, não diz coisa com coisa, é dos que critica mas não faz nada por mudar.

Quando outros respondem que, o simples facto de ter aí o livro, é um acto de mudar, ficam histéricos, respondem incoerências, vermelhos de raiva.

Tudo porque o homem diz o que lhe dá na gana. Manda recados a forças políticas responsáveis por "uivar" e que soltam apenas uns latidos baixos, de há uns anos para cá. E ninguém lhe pode dizer que ele não tem razão.
Então, a melhor defesa é o ataque (já diz a gíria futebolística e nós sabemos que, nisto de combates, o futebol, é perito).

Eu, pela minha parte, repito-lhes a todos: O homem foi lúcido e brilhante. E está-se lixando para isso ou seja para o que fôr. Quem me dera lá chegar: à idade, mas sobretudo ao estado.




14.4.04

Estou melhor

Obrigadinho por perguntarem (o tanas).
Para além de chegar a casa e ter o móvel no pátio do prédio, obedientemente colocado pelo atrasado senhor que só me ligou às 19.20!, cheguei mais leve. Isto sem contar que tive que arrastar, sózinha, o móvel, pesadíssimo, art-déco, anos 50 tão a ver, para dentro de casa.
Mas, dizia eu, mais leve, sim.
Como que emergida dum grande lago, desprendendo de mim enquanto caminhava, pingos de um líquido purificante, chamado cultura.

A cave da biblioteca como um lago, imenso, profundo, escuro, silencioso.
Uma única voz, no silêncio.
Um homem debaixo do foco (que ele repudiou logo de início), fala.
De democracia, de Abril, o povo, a ditadura, hipocrisia, críticos que criticam sem ter lido aquilo que foram ali chamados a criticar.
Diz que os Governos não governam, são governados.
O povo vota, elege o Governo. E este, eleito, o que faz a seguir?
Submete-se às regras que governam o mundo, ao FMI e sua "draconiana" repartição dos dinheiros de todos nós.
E o povo, que faz?
Não pode dizer ao FMI, vamos lá conversar, isto assim tá mal, a malta vive mal.
Nem o Governo que esse povo elegeu o pode fazer.
Porque o FMI não foi eleito por ninguém. Nem presta contas. A ninguém.

A voz é baixa, serena, pausada. O homem que assim fala tem 84 anos e um raciocínio límpido, nem um papel à frente, ele sabe o que quer dizer. O que tem para dizer. No meio do discurso um humor impávido mas mordaz, ácido, certeiro, arranca risos na plateia, sem que ele precise de sorrir.

Termina: "Façam com as minhas palavras o que quiserem. Mas como eu digo na contracapa do livro, numa citação que faço do Livro das Vozes (são livros que não existem e eu invento): Uivemos, diz o cão. Temos sido sempre cães que ladramos, mas já lá diz o povo que, cão que ladra não morde. Ou ainda, os cães ladram e a caravana passa.
Agora, imaginem um cão a uivar, ali, sempre, ao lado, mete mais medo, leva a fazer qualquer coisa".

Foi mais ou menos esta a mensagem.
José Saramago, goste-se ou odeie-se, lúcido.

Hoje estou...

Zangada!
Mesmo, muito, do estilo a apetecer partir algo, (para não partir alguém...).
Detesto que marquem coisas e horas e depois não apareçam e não dêem cavaco.
Estou há meia-hora e um minuto à espera de um senhor que vem descarregar um móvel (dos verdadeiros, não é para o blog), "ás 17.30 sem falta". Tão a ver?

E eu mortinha por sair daqui, que ás 18.30 tenho cá o Saramago, todinho só para mim (mais os outros 100) na Biblioteca, a falar sobre o novo romance.
Já deve estar tudo cheio!!
E o raio do homem que não m'aparece. Acho que me vou embora e deixá-lo pendurado.
Não....depois pendurada fico eu, que fico sem móvel hoje...
Grrr...estou furiosa, andam-m'a falhar com'as notas de mil (já não é de mil pode ser de 10 euros). Vou tentar encontrar o telefone e dizer-lhe que venha JÀ ou......(melhor contar até 50).

13.4.04

Que vida esta

Que nem um niquinho de tempo me sobra para a minha nova paixão, e esta, meus amigos, é daquelas assolapadas, em que se pensa (quase) 24 horas por dia, o meu bloguinho!
Não! Pensavam que era o quê? Ia agora pôr-me aqui, a revelar os meus mais íntímos pensamentos, para ficarem a saber mais que eu! Não pode ser. Devagar, devagarinho, a seu tempo saberão alguns dos mais terríveis segredos, jamais publicados num blog ( houve alguém que me disse que eu era boa em publicidade e promoção...pode ser que resulte..., vou ali ver o contador).

Mas não vai ser hoje, que estou de fugida para mais uma reunião (maldita isenção de horário!).



12.4.04

Dia de Praia

Hoje.
Bonito, muito sol. Não fosse umas rajadas de vento frio (não tarda isto
parece o Boletim Meteorológico...) e estaria perfeito.

Rajadas de vento no Mar (eu). Muita areia nos neurónios. E nos ténis, e calças, e tapetes do carro, baldes e pás e chão de cozinha, casas-de-banho, por TODO o lado!(afinal isto era para passear ou ter trabalho a dobrar?).

E amanhã é dia de trabalhar. E não sei o que hei-de vestir.

Conclusão: areia nos neurónios faz mal ao raciocínio. E o sooooooono também.

Cadernos de Viagem I

- Mãe, porque é que aqueles carros estão todos a acender e apagar as luzes, se é de dia?
- È para avisar os outros carros que lá mais à frente está a Polícia. Não se deve fazer, porque assim, os senhores que vão muito depressa, quando passam perto da policia fazem tudo certinho, mas depois, voltam a fazer as coisas mal e podem provocar acidentes.
- Então porque é que eles estão a fazer??
- Porque...(são tugas?...melhor não), como eles não gostam de apanhar multas e assim, avisam os outros para eles também não apanharem.
- Mas as multas não são só para quem faz tudo errado na estrada e provoca acidentes?
- São, filho.
- Então esses que vão depressa demais deviam apanhar multas, mas como estes os avisam, assim não apanham, não é?
- É.
- Gandas def's!! (traduzindo, deficientes; sentido depreciativo)
- Filho, isso também não se deve dizer, porque...
- Ó mãe, mas já viste, são mesmo, não são?
- ...

Meu Deus, quão difícil é educar uma criança nos dias de hoje...

11.4.04

Um passeio no campo

Afinal, quem é que disse que as máquinas fotográficas dos telemóveis não serviam para nada?

Corrijo: As máquinas fotográficas dos telemóveis servem para tirar fotografias lindas a campos floridos de papoilas e malmequeres, mas que não dão para pôr aqui. Ou eu ainda não descobri como. Prometo que vou investigar e voltar com as cenas dos próximos capítulos.

Domingo do Páscoa

Saio de casa e está uma manhã gloriosa.
Fresca, o céu límpido, o verde das árvores parece acabado de lavar, folha por folha. O mundo irradia luz e paz. (era tão bom que assim fosse...).

Mas o que me agrada ainda mais, no meio disto tudo, é que quase não há niguém nas ruas. Um ou dois carros, silêncio quebrado apenas pelo piar dos pássaros que disfrutam do mesmo que eu.

Com os vidros do carrro abertos, ouvindo Sade, vou pensando na reconfortante taça de café (king size) a fumegar e o pão com manteiga estaladiço, de todas as manhãs de Domingo.
O sítio do costume...fechado.
A manhã continua linda e nada me fará ficar de mau-humor. Dou a volta para o café alternativo...fechado.

Para cúmulo, descubro onde anda metade da população desta cidade (a metade que não foi de mini-férias): no "calçadão", fatos desportivos, bicicletas, famílias inteiras em alegre convívio...risos, exercício físico, faces rosadas, jogging, ar saudável...

Vou debitando palavrões, enquanto penso sériamente que deve haver algo de errado com as minhas opções de vida...mas só consigo ver um jornal e uma enorme chávena de café à frente...Como é que esta gente consegue ser feliz a fazer exercício logo pela manhã?

Antes de começar sériamente a "ressacar", lembro-me de uma esplanada (da qual, por acaso, raramente me lembro e não percebo porquê, uma vez que é das melhorzinhas que por aqui temos...) e, já em síndroma de privação, viro a direcção do carro nesse sentido.

Benditos ateus ou seja lá o que fôr. As mesas estão reluzentes, cheias de chávenas vazias, dois ou três viciados como eu, lêem calmamente o jornal, a fonte debita alguns hectolitros de jactos de água, um repousante ruído de falsa cascata, numa qualquer floresta tropical... Em suma, o Paraíso.
Uma boa Páscoa para vocês.



10.4.04

Mimos

No blog da Du, descobri agora mesmo uma dica inestimável para nós, mamãs que muito mimamos os nossos meninos: um sítio onde encontrar uma história infantil por dia!. Mil obrigados a quem nos presta tão importante serviço. Sabiam que a promoção do livro e da leitura se deve fazer desde bébés? Quando ainda não sabem o que é um livro mas o manuseiam, mordem, cheiram e veem, os nosso bébés estão a transformar-se em potenciais leitores.
É por isso que algumas bibliotecas, com equipas mais sensíveis (ou inteligentes), já criaram as Bébétecas, cantinhos deliciosos, onde só entra quem tem menos de três anos...

Mau-olhado

Não percebo porque é que os meus anjinhos e estrelinhas só se movem durante uns minutos...depois páram. Que raio! Deve haver alguma coisa mal feita no meio disto...ou então é mau-olhado. Por isso é que os anjos deviam ser resistentes a essas coisas. Alguém tem firewall para anjos?

Mãe Galinha

-Mãe...estou a deitar sangue do nariz.
-(pânico, hérculeamente disfarçado)...Sim? Vamos lá ver isso...Cabeça para trás? Sim. Álcool?(Oh Meu Deus, será, será? Acho que não...) É melhor não, olha vamos para a torneira, limpar com água (água fria, contrai os vasos, boa!).
Não te preocupes, filho, isto é normal, passa logo.
-...
-Algodão molhado...(mas onde c****** está a m**** do algodão nesta casa??) Por acaso mexeste no algodão?
-Estive a limpar o pc...
-(corrida desesperada até ao quarto...Meu Deus, mas donde é que sai tanto sangue??) Ok, não há problema nenhum, mantém a cabeça para trás.
Cá está!(molhar algodão, aplicar "tampão" na narina que parece um cano rebentado, ir dizendo palavrões em surdina).
-Mãe...já estou tonto de ter a cabeça para trás...
-Só mais um bocadinho.
-Dói-me o pescoço.
-Deita-te um bocadinho no sofá, até passar.
-Já passou!
-Não, ainda não...(retirar tampão e verificar que efectivamente passou...mas, será que recomeça??)
-Mãe...
-Sim?
Do alto dos seus (quase) onze anos:
-Numa nice, sem stresse...posso ir brincar?
-....

Acho que ser mãe-galinha vem inscrito no código genético de tudo quanto é fêmea.



9.4.04

The Italian who went to Malta

Must be read with an Italian accent...

One day ima gonna Malta to bigga hotel. Ina morning I go down to eat breakfast. I tella waitress I wanna two pissis toast. She brings me only one piss. I tella her I want two piss. She say go to the toilet. I say you no understand, I wanna piss onna my plate. She say you better no piss onna plate, you sonna ma bitch. I don't know the lady and she call me sonna ma bittch.

Later I go to eat at the bigga restaurant. The waitress brings me a spoon and knife but no fock. I tella her I wanna fock. She tell me everyone wanna fock. I tell her you no understand. I wanna fock on the table. She say you better not fock on the table, you sonna ma bitch.
So I go back to my room inna hotel and there is no shits onna my bed. Call the manager and tella him I wanna shit. He tell me go to the toillet. I say you don't understand, I wanna shit on my bed. He say you better not shit onna bed, you sonna ma bitch.

I go to the checkout and the man at the desk say: "Peace on you". I say piss on you too, you sonna ma bitch. I gonna back to Italy.

É duro ser Italiano em Malta...

P.S: É lógico que não fui eu que escrevi isto. Com tantos erros de Inglês, acham que sim? Aliás, quem o escreveu na porta da casa-de-banho do McDonald's também não se quis identificar...não sei porquê.

Protestantes

Foi esta a categoria em que o blog Balta-zar incluiu o Espelho Mágico.
Espero que tenha sido apenas devido ao facto de eu estar sempre a protestar contra alguma coisa - escrevo, não escrevo; continuo, não continuo; template duma côr, template doutra; este Governo existe?; e coisas afins.

Bem, sempre devo dizer que é melhor fazer parte dos protestantes, que dos revisionistas...

Poema de Liberdade

De Luis Rogelio Nogueras

No rompas el hechizo de esta tarde de verano
Trágate tu amor impossible
Amalo libre
Ama el modo en que ignora que tú existes
Ama al cisne salvage.

8.4.04

Serei Mar?

Mudo de côr com frequência.
Ás vezes nada, aparentemente, se move, à superfície. Mas o interior fervilha.
Vou e volto. Sempre. Haverá um dia em que vou e já não volto? (Quando morrer, sim).
Engulo os incautos que se aventuram mais que o devido. Depois devolvo-os...exangues.
E tenho dias em que mil brilhos se reflectem de mim, ao sabor do sol e da brisa...

7.4.04

Ovos

Apesar de ter lido no ng uma interessante teoria sobre ovos de Páscoa e porque diabo é que um coelho há-de pôr ovos, nessa altura, achei que esta montanha deles ficava aqui muito bem, dava um colorido assim muito...superbem, tão a ver?...

6.4.04

Santos de Pau (ôco??)

Quando disse que sempre gostei de anjos, não referi que esta preferência já não se estende assim muito a santos. Aquela coisa do pau, depois a possibilidade do mesmo ser ôco, o caruncho a roer, o bafio que se desprende das vestes (maioritáriamente devido à falta de arejamento das igrejas onde os pobres se encontram enclausurados, lá saindo de quando em vez, apenas por altura da procissão), enfim, aquilo é uma coisa que, para mim, não tem nada de celestial.
Já os anjos sim. As transparências, o suave roçar das asas numa carícia que podemos atribuir ao vento que passa, a decisão inexplicável de voltar atrás de repente, como se uma mão nos puxasse, quando no passeio que íamos atravessar passa um camião desgovernado, isto sim tem uma mão do divino e desconhecido!
No entanto, há uma excepção que tenho que abrir neste meu modus pensante. É para um Santo muito especial. É que este, é de pau, e fala!
Obrigado pela força, pai Agnus e nem penses que sou narcisista. Sou a pior crítica de mim própria. Ás vezes até fujo! De mim.

Brazelton

É o nome do "pai da pediatria moderna", Berry Braselton, que baptiza o Centro, hoje inaugurado com pompa e circunstância pelo nosso Primeiro (ministro, entenda-se...), na Unidade de Pediatria do Hospital de Santa Maria em Lisboa.
Este especialista congratulava-se com o facto de ser o primeiro centro a ser inaugurado fora dos Estados Unidos da América - e logo em Portugal!

O nosso Primeiro, dizia que este centro representava o "pilar importante para uma verdadeira política de apoio à infância"...

E o que faz o dito (Centro, entenda-se), perguntarão alguns de vós??

Pois, estuda.
Nem mais. Estuda os recém-nascidos "a 100 por cento", com os pais dos ditos, tentando desta forma evitar que, destes bébés, 700 por ano (dados referentes a 2003) sejam abandonados pelos seus progenitores.
E, portanto, estuda-se.
Não todos, é claro, que não haveria financiamento para tanto, estudam-se os que, por sorte, calharem a nascer naquela unidade hospitalar, pois claro.

Assustador, não é?
Num país onde as leis da adopção são as mais burocratizantes da Europa, onde as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, ao abrigo da actual Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, numa qualquer cidade de província, têm entre mãos mais de 150 processos de situações de perigo real de menores.
Assustador que estas Comissões, nos seus relatórios de avaliação, desde 2000, supliquem ao Governo mais meios, mais técnicos a tempo inteiro, que lhes permitam o acompanhamento destes menores e destas famílias, onde se deve, sempre priveligiar a manutenção, intervindo no sentido da eliminação do risco, ou seja, educando a família.

Num país onde não se combate o que leva à situação de risco do menor, fatalmente, em 90% dos casos a falta de emprego de ambos os pais, que arrasta para situações de marginalidade, cujo fim último, irónicamente, tantas vezes, é encontrar um meio para que aquele mesmo menor subsista, sobreviva (não, não estou a fazer a apologia do roubo, estou sim a dizer que devem ser criadas as condições de emprego e desenvolvimento neste país, que levem à redução do roubo e da marginalidade).
Onde estes bébés abandonados são, em larga percentagem, fruto de uma gravidez adolescente, escondida dos pais, porque essa jovem não teve acesso à educação sexual na escola ou ao planeamento familiar, ou a uma interrupção voluntária da gravidez em condições de legalidade e segurança, porque este Governo e o anterior assim o decidiram!

Assustador, reafirmo.
Que, para o primeiro-ministro, "o pilar para uma verdadeira política de apoio à infância", seja este centro de estudos.

5.4.04

Digam lá

Que as cores não ficaram lindas? Tudo a condizer, a cortina com a côr do "títalo" e os risquinhos por debaixo da data e assim? Está aqui, está um blog de Lili, olá se está.
Sem ofensa à verdadeira Lili que essa, além de bolos, é mais Pink! (E ela iria logo dizer também que é outra classe, nada destas coisas de parolitas que veem isto de belogues e querem armar-se aos cucos a pensar que sabem fazer também e depois combinam assim umas coisas pirosérrimas e...oopss, eu sei que não era nada disto que a verdadeira Lili diria, prontes)

Tou a ver

Que este blog corre sérios riscos de se tornar num enorme amontoado de lugares-comuns, coisa que, declaro desde já e a partir de agora não admitirei que se torne. Mas não há nada que não tenha já sido feito!
Escrever sobre o que (não) se faz para o jantar, tem lá algum jeito?
Ou escrever sobre a lua e estender roupa? Daqui a pouco estou aqui a discutir se o melhor detergente para máquina é o Tide "branco mais branco não há" (ou seria Skip??).
Ele já há blogs que só falam da vida doméstica! E das depressões existenciais que se atravessam à nossa frente como raios destruidores? Também. Ou aqueles que fazem a análise sócio-político-económica-moralista-mais-ou-menos-xenófoba-ou-assistencialista dos fenómenos da actualidade, que a querida comunicação social nos despeja aos hectolitros portas dentro? Também! E ele há os poéticos, os intimistas, os mais bolos, sobre arte, os de ficção (mais ou menos científica), de mães, de pais, de homens banais, os musicais, literários, sobre cinema, banalidades, filosofia ou o Dia do Juízo Final.. Vou falar sobre quê? Hein?

Agradecimento

Ao inventor dos douradinhos Capitão Iglo e arroz branco, para situações de emergência! (estão a ver as horas que são? Viam alguma outra alternativa que não passasse por Macdonald's, considerando idades compreendidas entre os 6 e os 10 anos?)
Então, agradeçam comigo.

4.4.04

Esconderijo

Seria lugar-comum dizer que está uma noite espectacular. Sempre gostei de estender roupa à noite. Manias. Mas a verdade é que, na varanda, em silêncio, com o cheiro de roupa lavada no ar, aproveito sempre para olhar a lua e pensar. Podem ser breves minutos mas, por vezes, a cumplicidade da lua traz pensamentos importantes.
E hoje foi sobre esconderijos.
Acusaram-me há pouco (acusar de afirmar, atenção, não no sentido recriminatório), de me estar a esconder. E olhando agora a lua, com a sua leitosa luz, difusa, escondida hoje detrás de um manto de nuvens pareceu-me um pouco verdade.

Sabemos que ela está lá, a luz espalha-se suavemente em redor de si própria, mas há algo que a tapa. Um véu pouco visível para uns, mais fácil de detectar para outros.
E, no entanto, ela não fez nada por isso. Por se esconder. Apenas os ventos lhe colocaram aquelas nuvens entre si e os outros. E os ventos as tornarão a levar. Quando? Isso são mistérios da Natureza. Não os queiramos decifrar.

Primavera

Malmequeres
Papoilas
Abelhas
Campos verdes a perder de vista
Alergias (atchim, atchim)
Sol, Sol, Sol,
Crianças "embezerradas" (na minha terra quer dizer coradíssimas) a pedir - Mãe, posso despir a camisola e ficar de t-shirt?
Botas, mãos, calças, tudo de cor indefinida devido aos quilos de terra e verde de erva espezinhada que têm em cima.
Sede, litros de - Quero àààgua!!

Um molho de flores sivestres - Para ti, mãe!

Ou muito me engano, ou a Primavera chegou para ficar...

3.4.04

Porque não estou inspirada

...but I could use um pouco de ânimo neste momento,
um poema que um amigo me dedicou há muito, cujo lema
é a esperança:

"Um dia destes
o sopro brando do tempo
do tempo de colher malmequeres
há-de vir do lado do paraíso
claro, decisivo, sem tu saberes
até ao hino do teu sorriso"

2.4.04

Igualdades...

Temos direito a ser iguais
Quando a diferença nos inferioriza
É imperativo sermos diferentes
Quando a igualdade nos descaracteriza

Boaventura de Sousa Santos

A propósito de um colóquio promovido hoje, por uma associação de deficientes em conjunto com uma delegação de um sindicato da Fenprof. O tema era o ante-projecto de decreto-lei para a Educação Especial a par da futura Lei de Bases "da Educação" como o querido Ministro lhe chama.
As conclusões?
Por estes gajos, a escola vai voltar a ser de elites, mantém-se no sistema quem consegue e tem dinheiro, os outros vão à vida (os míudos com necessidades educativas especiais, vulgo, algum grau de deficiência, podem entrar no mercado de trabalho mais cedo! que todos os outros), privatiza-se o mais que se puder, transfere-se o ensino pré-escolar para a tutela da Segurança Social, diminuindo cada vez mais o sistema público em prol do particular e cooperativo, deixando o ME de ser responsável por este nível de ensino. Os alunos com deficiência é que têm que se deslocar a uma escola que "lhes ofereça as condições" de ter um ensino especializado e não são as escolas que devem ser apetrechadas de recursos humanos e técnicos, que permitam acolher todos os que estejam em idade escolar. Os iguais e os diferentes. A escola, ao invés de inclusiva, torna-se selectiva.
Cereja em cima do bolo: tudo isto gerido por gestores, nomeados pela tutela.
Não há ninguém que ponha cobro a isto!?

Não percebo

Porque é que, quando faço "view blog", de umas vezes me aparece o título do blog a negro e das outras de um vermelho tijolo, que é a cor que eu, efectivamente, escolhi!! O Template tem lá a cor certa gravada...que raio...mistérios (de debutante, eu disse)

Post de debutante

Com os vosso comentários, ali em baixo, vocês, os veteranos, meus amigos, sinto-me assim como uma espécie de debutante, que vai entrar no seu primeiro baile, de apresentação formal à "sociedade". O maior cuidado será na escolha do vestido, depois os vários detalhes, nada pode falhar, a apresentação terá que ser um êxito, marcar o início da vida "social", o ritual de passagem que faz de alguém que não existia, alguém que passa a existir. (este post está a ficar um bocado para o piroso...). É de analogias que se trata mas todos sabemos que era assim que funcionava.

Por isso, a todos os que me leram enquanto eu "não existi", um abraço apertado.

E agora, ao trabalho! Eu sabia que viriam dicas importantes para a coisa correr melhor e, além disso, este é um sítio em construção. Eu diria, até, que acho que ele vai estar em construção e desconstrução permanente. Ou não fosse eu uma insatisfeita ;-)) Vou mudar coisas!

Parabéns Cat

Por teres 40 anos.
Por seres a Amiga que nasceu da empatia.
Que já ai estava sem eu ou tu sabermos mas estava.
Porque foi precisa para mim a desculpa de te dar um presente, para ultrapassar a timidez de te convidar a entrar aqui.
Porque este sítio estava incompleto sem te ter aqui.

1.4.04

Arco-Íris

Hoje vi um



quase tão lindo como este. As cores perfeitas, tão nítidas que apetecia tocar.

Ai, ai...

...o trabalho que dão estas arrumações! Andei a pintar a casa, arejei as letras e os fundos, e os links e tudo, que isto não se pode deixar entrar o mofo nestes espaços.

E tudo porque amanhã uma Amiga muito especial faz anos. E o aniversário é dela mas uma festa é sempre um bom motivo para abrir as portas de casa aos Amigos , não acham?

Eu acho, embora esteja assim um bocadinho nervosa. Mas gosto tanto dela que não posso deixar de lhe dar um presente.
E eu não sou daquelas que dá prendas de pechisbeque, só porque se tem que dar e pronto. Não. Quando dou um presente, ele tem que ser primeiro saboreado por mim, escolhido de propósito para a pessoa a quem se destina, antecipando uma por uma as reacções: o brilho nos olhos, o sorriso de expectativa enquanto se rasga o papel, o arredondar de espanto dos olhos e da boca quando se vê finalmente...e o abraço no fim, sentido, apertado, porque se gostou mesmo a sério. Só assim vale a pena dar presentes.
E ficar ansiosos para que chegue a hora de o dar. A ti, minha Amiga. Mais logo.