Que a vida seja um eterno
31.12.04
30.12.04
A "espera"
Na revista DNa fala-se de espera, dizia-me um amigo na noite de Natal, lê se puderes.
Li.
Textos relatando esperas, todas elas angustiantes, ansiosas. Como todas as esperas, acho eu.
Com "a exaltação de todas as esperas" diz Sophia.
Textos de dor, em que se espera pela morte, pela vida, pelo regresso de um filho desaparecido. Mas em que à dor se mistura a esperança, em alguns casos. Poucos.
Testemunhos na primeira pessoa, escritos por quem sabe escrever muito bem.
Onde se diz que
A idéia de espera está naturalmente associada à transitoriedade(...)dos momentos, das horas, da vida.(...) Estar à espera é uma passagem para outro patamar qualquer. Esperar não é condição, é parte de um processo que se resolve. Mais cedo ou mais tarde.
(...)vivemos à espera. Às vezes chega quem esperamos. Às vezes não chega ninguém. Às vezes chega o que desejamos. Às vezes não chega nada. Não é claro que quem espera sempre alcança. Não é claro que a espera se associe à esperança. Pode ser. Pode não ser.
PRDuarte
Tenho pensado muito nestes textos mas agora, aqui, neste momento em que espero o sono e a seguir o dia que virá amanhã, e o novo ano que o dia de amanhã trará quando bater a meia-noite, concluo que todas as esperas têm um só fim:
sermos felizes.
Li.
Textos relatando esperas, todas elas angustiantes, ansiosas. Como todas as esperas, acho eu.
Com "a exaltação de todas as esperas" diz Sophia.
Textos de dor, em que se espera pela morte, pela vida, pelo regresso de um filho desaparecido. Mas em que à dor se mistura a esperança, em alguns casos. Poucos.
Testemunhos na primeira pessoa, escritos por quem sabe escrever muito bem.
Onde se diz que
A idéia de espera está naturalmente associada à transitoriedade(...)dos momentos, das horas, da vida.(...) Estar à espera é uma passagem para outro patamar qualquer. Esperar não é condição, é parte de um processo que se resolve. Mais cedo ou mais tarde.
(...)vivemos à espera. Às vezes chega quem esperamos. Às vezes não chega ninguém. Às vezes chega o que desejamos. Às vezes não chega nada. Não é claro que quem espera sempre alcança. Não é claro que a espera se associe à esperança. Pode ser. Pode não ser.
PRDuarte
Tenho pensado muito nestes textos mas agora, aqui, neste momento em que espero o sono e a seguir o dia que virá amanhã, e o novo ano que o dia de amanhã trará quando bater a meia-noite, concluo que todas as esperas têm um só fim:
sermos felizes.
28.12.04
Espaço publicitário
da exclusiva responsabilidade do blog Ruinas Circulares e seus representantes autorizados para a divulgação da nova linha de vestuário "ruinosa", em versão T-shirt.
(xi, é desta que apanho um processo...JP, se não gostares do nome tás á vontade pá)
Anuncia-se em segunda mão, a todos os leitores a versão espelhomágico de T-shirt, de produção exclusiva do João Pedro da Costa:
a qual pode ser admirada em modelo psicadélico um pouco mais acima, no respectivo local de produção.
(tá linda, linda, digam lá que não queriam?)
Para os mais distraídos recorda-se o processo através do qual Mar ficou sem respirar até conseguir que JP tivesse inspiração criativa para produzir esta magnífica obra do estilismo pós-moderno.
Este nono exemplar de colecção teve como antecessores o número zero, que podemos mesmo definir como sem ou 100 absolutamente nada e depois o exemplar afixe , com as suas linhas depuradas.
Já para o sharkinho o autor teve uma ténue tentação de introduzir um elemento lúdico, à qual acabou por resistir.
Elemento este que acabamos por vir a encontrar nas mangas, ainda que de forma discreta, da versão o vento lá fora .
O ponto de viragem na linha de produção dá-se, indubitávelmente, na concepção do modelo Renas e Veados o único que inclui o acessório cuecas (havia quem preferisse boxers), vá-se lá saber porquê...
A tendência das bolhinhas começa a delinear-se quando chega a vez do Um pouco mais de azul, influências nítidas de um certo imaginário infantil...
Em seguida, O autor produz, em auto-retrato, este maravilhoso modelo negro (claramente alusivo ao template do blog) que, segundo o próprio, remete para uma vivência ligeiramente heavy, a vários níveis...
Ainda tentanto manter uma certa linha original de sobriedade embora com recurso a imagens lúdicas, sai o exemplar primadesblog que dá, finalmente, origem ao modelo que vos apresento aqui em todo o seu esplendor, representando o amadurecimento criativo do autor, bem como o poder inspirativo de uma certa "influence" da qual não parece ter conseguido livrar-se...
Qualquer semelhança entre este post e a visita guiada à galeria dos coelhos suicidas é pura coincidência ou ilusão das vossas mentes perversas.
(xi, é desta que apanho um processo...JP, se não gostares do nome tás á vontade pá)
Anuncia-se em segunda mão, a todos os leitores a versão espelhomágico de T-shirt, de produção exclusiva do João Pedro da Costa:
a qual pode ser admirada em modelo psicadélico um pouco mais acima, no respectivo local de produção.
(tá linda, linda, digam lá que não queriam?)
Para os mais distraídos recorda-se o processo através do qual Mar ficou sem respirar até conseguir que JP tivesse inspiração criativa para produzir esta magnífica obra do estilismo pós-moderno.
Este nono exemplar de colecção teve como antecessores o número zero, que podemos mesmo definir como sem ou 100 absolutamente nada e depois o exemplar afixe , com as suas linhas depuradas.
Já para o sharkinho o autor teve uma ténue tentação de introduzir um elemento lúdico, à qual acabou por resistir.
Elemento este que acabamos por vir a encontrar nas mangas, ainda que de forma discreta, da versão o vento lá fora .
O ponto de viragem na linha de produção dá-se, indubitávelmente, na concepção do modelo Renas e Veados o único que inclui o acessório cuecas (havia quem preferisse boxers), vá-se lá saber porquê...
A tendência das bolhinhas começa a delinear-se quando chega a vez do Um pouco mais de azul, influências nítidas de um certo imaginário infantil...
Em seguida, O autor produz, em auto-retrato, este maravilhoso modelo negro (claramente alusivo ao template do blog) que, segundo o próprio, remete para uma vivência ligeiramente heavy, a vários níveis...
Ainda tentanto manter uma certa linha original de sobriedade embora com recurso a imagens lúdicas, sai o exemplar primadesblog que dá, finalmente, origem ao modelo que vos apresento aqui em todo o seu esplendor, representando o amadurecimento criativo do autor, bem como o poder inspirativo de uma certa "influence" da qual não parece ter conseguido livrar-se...
Qualquer semelhança entre este post e a visita guiada à galeria dos coelhos suicidas é pura coincidência ou ilusão das vossas mentes perversas.
27.12.04
Reacção em cadeia
Vamos lendo as notícias, na TSF, neste caso e ficamos a saber que
Estupefactos, talvez mesmo um pouco atordoados, assim como se tivéssemos levado uma espécie de anestesia que nos deixa dormentes, com os sentidos ludibriados, fingindo que não dói.
No fundo, sabemos que é mentira e que a dor voltará, às vezes quando menos se espera, intensa quase intolerável, mas, naquele momento, quase nos sentimos bem, quase conseguimos esquecer que estamos mal.
Estas notícias deixam-nos quase assim.
E não sabemos como reagir.
É demasiado avassalador para que qualquer reacção que possamos ter não nos pareça ridícula, mesquinha, pequena.
Pequena perante toda aquela dor. Dor que, lá, não está anestesiada nem mascarada de nada, está na pele daquelas pessoas, em cada um dos seus poros, nos seus olhos desesperados.
Não sei o que dizer sobre isto. A não ser que nos sintamos todos culpados.
Porque a culpa maior é da Humanidade. É da forma como usa esta Terra que lhe está emprestada.
Se é certo que não se pode impedir a natureza de actuar, a forma como derretem as calotes polares, redistribuindo àgua e peso sobre os Oceanos, e a extracção em massa de grandes quantidades de petróleo, alteram a correlação de forças que existe na litosfera e intensificam estes fenómenos, explicava o especialista chamado a uma estação de TV para analisar a tragédia.
O que aconteceu não foi mais do que uma reacção em cadeia, da Terra, uma tentativa de atingir o equilíbrio, de novo.
Somos todos culpados.
E hoje
é esta:
Evanescence - Hello
(...)If I smile and don't believe
Soon I know I'll wake from this dream
Don't try to fix me
I'm not broken
(...)
Em repeat mode toda a manhã...
25.12.04
24.12.04
Fui ficando por aqui
longamente, a ler.
Nesta casa, agora silenciosa, que cheira a chão acabado de lavar e a brasas quentes...
Aqui, onde o bater das teclas ao mesmo ritmo que o do coração, são os únicos ruídos na noite serena.
Deste lado da janela que abri para aí. De onde me assomo para ver o mundo e me mostro um bocadinho a esse mesmo mundo. Troca por troca.
Foi uma janela generosa, esta. Num ano de descobertas.
De que se podia ler textos maravilhosos sem ser em folhas de papel.
De descobrir ser possível falar com as pessoas por detrás dos textos. E conhecê-las. Como se conhecem os Amigos. Com conversas e cumplicidades e segredos partilhados. E sorrisos, ainda que virtuais :-) :-) :-). E lágrimas.
Fui ficando por aqui, a lembrar-me.
De ter descoberto pessoas, que ainda não conhecia, neste pedacinho de terra que amo e a que chamo minha. Neste ano.
A lembrar-me, não em jeito de balanço, apesar de ser costume fazê-lo, quando subimos os últimos degraus que nos levam ao novo ano. Mas não. Não é um balanço mas sim um registo, algo que perdure, que não me deixe esquecer o que este ano significou para mim, as coisas que li, as emoções que aqui deixei e que descobri desse lado de lá, cada dia, até ao de hoje.
A magia e o mistério que fomos sendo capazes de transportar para este rectângulo branco.
Fiquei por aqui e concluí que não sei escrever.
Que as palavras não têm tamanho suficiente para descrever tanta coisa, não sabem dizer o que somos e sentimos e apenas sabemos como se sente e não como se conta. Não sabem como dizer do sangue que corre mais rápido sempre que me lembro de tantos momentos deste ano.
Não sei como se conta um brilho no olhar, um sorriso luminoso, um rio que sai dos olhos sem que o consigamos parar. Não se pára o rio. Escrevi isto neste ano que vai passar. Há coisas que não se explicam, foi também uma frase deste ano. Deste, e de nenhum outro.
Fui ficando e lembrando e pensando. Muito.
E tomando decisões. Que se tomam com a cabeça e não com o coração, porque senão rasgavam-no. E um coração rasgado não serve para nada. Tem que continuar inteiro para bater, saudável, e manter-nos de pé, para que possamos continuar. Há que continuar.
E nunca, nunca poderemos continuar, sabendo que foi à custa da felicidade de alguém.
Vou ficando por aqui.
Nesta casa, agora silenciosa, que cheira a chão acabado de lavar e a brasas quentes...
Aqui, onde o bater das teclas ao mesmo ritmo que o do coração, são os únicos ruídos na noite serena.
Deste lado da janela que abri para aí. De onde me assomo para ver o mundo e me mostro um bocadinho a esse mesmo mundo. Troca por troca.
Foi uma janela generosa, esta. Num ano de descobertas.
De que se podia ler textos maravilhosos sem ser em folhas de papel.
De descobrir ser possível falar com as pessoas por detrás dos textos. E conhecê-las. Como se conhecem os Amigos. Com conversas e cumplicidades e segredos partilhados. E sorrisos, ainda que virtuais :-) :-) :-). E lágrimas.
Fui ficando por aqui, a lembrar-me.
De ter descoberto pessoas, que ainda não conhecia, neste pedacinho de terra que amo e a que chamo minha. Neste ano.
A lembrar-me, não em jeito de balanço, apesar de ser costume fazê-lo, quando subimos os últimos degraus que nos levam ao novo ano. Mas não. Não é um balanço mas sim um registo, algo que perdure, que não me deixe esquecer o que este ano significou para mim, as coisas que li, as emoções que aqui deixei e que descobri desse lado de lá, cada dia, até ao de hoje.
A magia e o mistério que fomos sendo capazes de transportar para este rectângulo branco.
Fiquei por aqui e concluí que não sei escrever.
Que as palavras não têm tamanho suficiente para descrever tanta coisa, não sabem dizer o que somos e sentimos e apenas sabemos como se sente e não como se conta. Não sabem como dizer do sangue que corre mais rápido sempre que me lembro de tantos momentos deste ano.
Não sei como se conta um brilho no olhar, um sorriso luminoso, um rio que sai dos olhos sem que o consigamos parar. Não se pára o rio. Escrevi isto neste ano que vai passar. Há coisas que não se explicam, foi também uma frase deste ano. Deste, e de nenhum outro.
Fui ficando e lembrando e pensando. Muito.
E tomando decisões. Que se tomam com a cabeça e não com o coração, porque senão rasgavam-no. E um coração rasgado não serve para nada. Tem que continuar inteiro para bater, saudável, e manter-nos de pé, para que possamos continuar. Há que continuar.
E nunca, nunca poderemos continuar, sabendo que foi à custa da felicidade de alguém.
Vou ficando por aqui.
23.12.04
Sem tempo
para blogar, malta...
A preparar a casa para receber a família.
É o que tem de bom, isto do Natal, os cheiros que se espalham pela casa...
A preparar a casa para receber a família.
É o que tem de bom, isto do Natal, os cheiros que se espalham pela casa...
22.12.04
Já disse
que adoro velas?
Natal, lareira acesa, qualquer coisita para beber, tipo Möet & Chandom e velas, muitas, espalhadas pela casa. Parece-me bem.
Eu sei que está assim para o fútil e tal mas que querem, não me ocorre falar de Paz, Amor e Boa-Vontade entre os homens, e todos irmãos e ajudar o próximo e...com as coisas que vejo por aí...
Natal, lareira acesa, qualquer coisita para beber, tipo Möet & Chandom e velas, muitas, espalhadas pela casa. Parece-me bem.
Eu sei que está assim para o fútil e tal mas que querem, não me ocorre falar de Paz, Amor e Boa-Vontade entre os homens, e todos irmãos e ajudar o próximo e...com as coisas que vejo por aí...
21.12.04
Nós tentamos
e tentamos.
Fazemos um esforço enorme para ser fortes, ultrapassar mágoas e desilusões, enfrentar com garras de leoa os que nos querem fazer mal, porque são malformados, invejosos ou apenas uns tristes cuja vida tem que girar em função de outros porque não têm capacidade de conquistar o seu lugar no mundo de uma forma honesta e limpa.
Enfim, passamos por cima de tudo isto, até damos umas gargalhadas de valente gozo quando "Oni (ou honni??) soit qui mal y pense" aparece citado como tendo sido dito por Voltaire no Século das Luzes (LOL! um dia destes explico...), ignoramos esta gente e investimos em quem verdadeiramente gostamos e saboreamos as pequenas conquistas que cada dia nos traz, inesperadamente, ao entardecer, e fazemos por ser felizes.
Mas nunca somos tão fortes quanto pensamos e basta um gesto, um dia, um gesto súbito que nos toca de forma particular, para que rebentem os diques todos e os muros de betão e a enxurrada por tanto tempo contida se solte e arraste o que encontra pela frente e lave até ao último grão a poeira dos tempos, que nos cobre.
Hoje, ao abrir o mail, um amigo tinha-me deixado esta singela e espontânea frase:
"...E não pares de escrever. Tens um talento nato para exprimir emoções que são difíceis de ser descritas. Muda de blog, muda de nome, mas não percas isso! Sim?!"
E com ela tomei consciência de que não quero mudar de nada, que gosto de ser assim mesmo, com as minhas fragilidades e forças, que, se é assim que os outros me vêem é porque é isso que sou e não vou fingir que sou outra coisa qualquer.
Obrigado!
Fazemos um esforço enorme para ser fortes, ultrapassar mágoas e desilusões, enfrentar com garras de leoa os que nos querem fazer mal, porque são malformados, invejosos ou apenas uns tristes cuja vida tem que girar em função de outros porque não têm capacidade de conquistar o seu lugar no mundo de uma forma honesta e limpa.
Enfim, passamos por cima de tudo isto, até damos umas gargalhadas de valente gozo quando "Oni (ou honni??) soit qui mal y pense" aparece citado como tendo sido dito por Voltaire no Século das Luzes (LOL! um dia destes explico...), ignoramos esta gente e investimos em quem verdadeiramente gostamos e saboreamos as pequenas conquistas que cada dia nos traz, inesperadamente, ao entardecer, e fazemos por ser felizes.
Mas nunca somos tão fortes quanto pensamos e basta um gesto, um dia, um gesto súbito que nos toca de forma particular, para que rebentem os diques todos e os muros de betão e a enxurrada por tanto tempo contida se solte e arraste o que encontra pela frente e lave até ao último grão a poeira dos tempos, que nos cobre.
Hoje, ao abrir o mail, um amigo tinha-me deixado esta singela e espontânea frase:
"...E não pares de escrever. Tens um talento nato para exprimir emoções que são difíceis de ser descritas. Muda de blog, muda de nome, mas não percas isso! Sim?!"
E com ela tomei consciência de que não quero mudar de nada, que gosto de ser assim mesmo, com as minhas fragilidades e forças, que, se é assim que os outros me vêem é porque é isso que sou e não vou fingir que sou outra coisa qualquer.
Obrigado!
19.12.04
As palavras dos outros
podem dizer tudo o que não soubemos ou não tivémos como dizer.
A rua onde te disse que era feliz
A minha felicidade é só o abismo que vai do passeio onde tu andas (de mão dada comigo) e a rua onde me arrasto. Cubro a tua sombra em passos tão curtos que não deixo nenhum pedacinho perder-se. Levantaste-te para ser feliz sem ninguém ter adormecido ao teu lado. Alinhei o bordo dos lençóis nos teus lábios e disse-te que ainda não tinham acordado ninguém tão bonito quanto tu, e que, agora sim, podiam abrir a janela que já não tinha medo do vento vir e interromper a minha falta de ar. Sabia que estava preparado para fazer desta a última noite das nossas vidas, e esse é o cúmulo da felicidade. Não porque faríamos tudo com medo de esquecer algo, a vida dos comuns é a lixeira onde se despejam os livros lidos e as rezas dos mosteiros isolados do mundo. Era a última porque ia esconder a fronteira dos nossos corpos na escuridão.
1:26 AM dq/dp.p/q=1
O dia, que foi fértil em descobertas, termina por aqui, agora, neste blog, onde fui parar pelo Altino Torres e que é, mesmo, uma revelação.
A rua onde te disse que era feliz
A minha felicidade é só o abismo que vai do passeio onde tu andas (de mão dada comigo) e a rua onde me arrasto. Cubro a tua sombra em passos tão curtos que não deixo nenhum pedacinho perder-se. Levantaste-te para ser feliz sem ninguém ter adormecido ao teu lado. Alinhei o bordo dos lençóis nos teus lábios e disse-te que ainda não tinham acordado ninguém tão bonito quanto tu, e que, agora sim, podiam abrir a janela que já não tinha medo do vento vir e interromper a minha falta de ar. Sabia que estava preparado para fazer desta a última noite das nossas vidas, e esse é o cúmulo da felicidade. Não porque faríamos tudo com medo de esquecer algo, a vida dos comuns é a lixeira onde se despejam os livros lidos e as rezas dos mosteiros isolados do mundo. Era a última porque ia esconder a fronteira dos nossos corpos na escuridão.
1:26 AM dq/dp.p/q=1
O dia, que foi fértil em descobertas, termina por aqui, agora, neste blog, onde fui parar pelo Altino Torres e que é, mesmo, uma revelação.
Há coisas assim
Descobrem-se blogs por tudo e por nada.
Desta vez foi a seguir o link para este post, que o João Pedro destacou no seu blog (e, depois disso já lhe fez uma T-shirt e a mim nada ainda, humpf!, e continuo sem respirar até ele a fazer e já estou azul) Azul, puxa azul e porque ela se enganou no meu nome num comentário nas Ruinas, fui lá ter e pronto. Rendida. Porque é azul, é mãe como eu, escreve bem e porque sim.
Desta vez foi a seguir o link para este post, que o João Pedro destacou no seu blog (e, depois disso já lhe fez uma T-shirt e a mim nada ainda, humpf!, e continuo sem respirar até ele a fazer e já estou azul) Azul, puxa azul e porque ela se enganou no meu nome num comentário nas Ruinas, fui lá ter e pronto. Rendida. Porque é azul, é mãe como eu, escreve bem e porque sim.
É pá pessoal
estou susceptível, o que é que foi, e depois, não posso, é?? Dane-se...
Passo tempos e tempos sem ir ali abaixo verificar as tralhas todas de controladores que tenho e mais isto e mais aquilo, que metade nem sei usar, já o disse aqui e repeti e ninguém ligou pevas, nem houve quem me escrevesse a ensinar a mexer naquilo. Também não me chateio, tenho mais o que fazer. Mas hoje...hoje, pá...people, estou de lagriminha ao canto do olho...fui ao sitemeter e tenho lá 10 200 visitas!
10 200!! Perdão, parece que já são
Juro que fiquei emocionada! Só por isso passei a ter o número visível ali para baixo, todo pimpas, para que, quando por aqui passarem e virem o número acrescer mais um, saberem que são vocês. Pois é, também, graças a vocês que eu continuo aqui.
Agora a sério. Obrigada.
Passo tempos e tempos sem ir ali abaixo verificar as tralhas todas de controladores que tenho e mais isto e mais aquilo, que metade nem sei usar, já o disse aqui e repeti e ninguém ligou pevas, nem houve quem me escrevesse a ensinar a mexer naquilo. Também não me chateio, tenho mais o que fazer. Mas hoje...hoje, pá...people, estou de lagriminha ao canto do olho...fui ao sitemeter e tenho lá 10 200 visitas!
10 200!! Perdão, parece que já são
Juro que fiquei emocionada! Só por isso passei a ter o número visível ali para baixo, todo pimpas, para que, quando por aqui passarem e virem o número acrescer mais um, saberem que são vocês. Pois é, também, graças a vocês que eu continuo aqui.
Agora a sério. Obrigada.
18.12.04
O maior espectáculo do mundo
ou se a magia será para todos...
-Venham todos! Venham! É entrar, é entrar! O menino e a menina. O espectáculo vai começar! Venham ver os palhaços, os cães e gatos amestrados, a mulher barbada...É entrar! É entrar!!
E a malta lá foi, obedientes, com os ouvidos a estoirar da potente voz do "Director" e mais os apitos de um microfone fanhoso com o volume no máximo...
O circo cheio, a Festa de Natal para as crianças dos funcionários de uma entidade qualquer. Cheiro a pipocas a aguçar o apetite - mãe compra! e os pacotinhos nas mãos dos meninos, só de alguns...
Eram muitos, os meninos. Com as mães, os pais, outros com as avós, outros, ainda, com as irmãs mais velhas, meninas-mulheres, pouco mais altas que a minha cintura a tomar conta de um bando de irmãos por ordem descendente de tamanho, até ao último, que mal sabia andar mas acompanhava os demais, mercê de um qualquer instinto que carregamos em nós desde que nascemos e nos faz saber sermos pertença daquele grupo, daquela manada em particular e não de outra qualquer.
A magia do circo no ar, na música ambiente, muito alta para parecermos muitos, na equilibrista Vanessa, no malabarista António, nos animais exóticos (um camelo, dois cavalos e um pónei, que por sua vez serviram para, no intervalo, a família circense arrecadar mais uns euros, são duas voltas à pista, venham todos, meninos e meninas, venham, e eles foram...mas só alguns). A magia no brilho das lantejoulas do fato da trapezista Glória, tão corajosa, lá no alto, sem rede, a voar, voar...como alguns meninos gostariam de poder...voar.
As luzes, os brilhos, o maior de todos no olhar daquelas crianças, todas, por momentos (breves, muito breves) iguais, no encantamento com que olhavam para o alto, até os pescoços doerem de tanto admirar as voltas da Glória, tão linda...ou no gosto com que riram das asneiras dos palhaços - quem te mandou ser Parvo? Toma!, volta já aqui! toma!, numa ficção em que um é superior ao outro e o outro faz de conta que é palerma mas está é a comer por parvo o que lhe quer bater e nunca consegue acertar. Tão parecida com a realidade...
A magia a esgotar-se no momento em que as luzes se apagam e a irmã recolhe os pequeninos todos, com modos de mulher, de mãe, com modos de enfado por um papel que não lhe devia competir, com empurrões bruscos e muito pouco afecto, com uma palmada na cabeça do que ficou para trás porque a bota que calçava, sem cordões, lhe saiu do pé, Outra vez! és mesmo parvo!, não, não é ficção mas a vida de muitas famílias que hoje ali estavam e que, depois do maior espectáculo do mundo, recolheram de novo às casas degradadas onde moram, sem pipocas, sem balões e sem terem dado uma volta no pónei. Apenas com o coração ainda cheio de cores, brilhos e gargalhadas e quente, tão quente por lembrar a Glória lá no alto, tão alto, a voar, a voar...
No circo, como na vida, a magia é efémera e é só para alguns e se me disserem que estou amarga, pergunto-vos se o Natal não é suposto simbolizar a paz, justiça, fraternidade e igualdade entre os Homens?
-Venham todos! Venham! É entrar, é entrar! O menino e a menina. O espectáculo vai começar! Venham ver os palhaços, os cães e gatos amestrados, a mulher barbada...É entrar! É entrar!!
E a malta lá foi, obedientes, com os ouvidos a estoirar da potente voz do "Director" e mais os apitos de um microfone fanhoso com o volume no máximo...
O circo cheio, a Festa de Natal para as crianças dos funcionários de uma entidade qualquer. Cheiro a pipocas a aguçar o apetite - mãe compra! e os pacotinhos nas mãos dos meninos, só de alguns...
Eram muitos, os meninos. Com as mães, os pais, outros com as avós, outros, ainda, com as irmãs mais velhas, meninas-mulheres, pouco mais altas que a minha cintura a tomar conta de um bando de irmãos por ordem descendente de tamanho, até ao último, que mal sabia andar mas acompanhava os demais, mercê de um qualquer instinto que carregamos em nós desde que nascemos e nos faz saber sermos pertença daquele grupo, daquela manada em particular e não de outra qualquer.
A magia do circo no ar, na música ambiente, muito alta para parecermos muitos, na equilibrista Vanessa, no malabarista António, nos animais exóticos (um camelo, dois cavalos e um pónei, que por sua vez serviram para, no intervalo, a família circense arrecadar mais uns euros, são duas voltas à pista, venham todos, meninos e meninas, venham, e eles foram...mas só alguns). A magia no brilho das lantejoulas do fato da trapezista Glória, tão corajosa, lá no alto, sem rede, a voar, voar...como alguns meninos gostariam de poder...voar.
As luzes, os brilhos, o maior de todos no olhar daquelas crianças, todas, por momentos (breves, muito breves) iguais, no encantamento com que olhavam para o alto, até os pescoços doerem de tanto admirar as voltas da Glória, tão linda...ou no gosto com que riram das asneiras dos palhaços - quem te mandou ser Parvo? Toma!, volta já aqui! toma!, numa ficção em que um é superior ao outro e o outro faz de conta que é palerma mas está é a comer por parvo o que lhe quer bater e nunca consegue acertar. Tão parecida com a realidade...
A magia a esgotar-se no momento em que as luzes se apagam e a irmã recolhe os pequeninos todos, com modos de mulher, de mãe, com modos de enfado por um papel que não lhe devia competir, com empurrões bruscos e muito pouco afecto, com uma palmada na cabeça do que ficou para trás porque a bota que calçava, sem cordões, lhe saiu do pé, Outra vez! és mesmo parvo!, não, não é ficção mas a vida de muitas famílias que hoje ali estavam e que, depois do maior espectáculo do mundo, recolheram de novo às casas degradadas onde moram, sem pipocas, sem balões e sem terem dado uma volta no pónei. Apenas com o coração ainda cheio de cores, brilhos e gargalhadas e quente, tão quente por lembrar a Glória lá no alto, tão alto, a voar, a voar...
No circo, como na vida, a magia é efémera e é só para alguns e se me disserem que estou amarga, pergunto-vos se o Natal não é suposto simbolizar a paz, justiça, fraternidade e igualdade entre os Homens?
17.12.04
Há coisas e pessoas
que transportam em si uma ternura do tamanho do mundo e que nos toca e comove talvez porque a sentimos como verdadeira e genuina. É o caso deste blog , que me deixa um sorriso sempre que o leio. Para além que que o Dô é mesmo um Dôce ;-)
É por isso que vai ali para o lado.
É por isso que vai ali para o lado.
15.12.04
Estive
a ler os meus arquivos.
Constatei que metade das fotos que tenho a ilustrar os posts já não existem...
Ainda pude constatar que, escrevia bem melhor nos primeiros meses de blog, quando era uma incauta principiante, que ainda se dava ao luxo de poder escrever emoções, do que agora, em que isto se tornou assim uma espécie daqueles caixotes de reciclagem para onde vou deitando tretas - amarelo: posts sobre banalidades, verde: palavritas tiradas a ferros sobre paisagens e cenas afins, azul: ficção rasca.
Constatei que metade das fotos que tenho a ilustrar os posts já não existem...
Ainda pude constatar que, escrevia bem melhor nos primeiros meses de blog, quando era uma incauta principiante, que ainda se dava ao luxo de poder escrever emoções, do que agora, em que isto se tornou assim uma espécie daqueles caixotes de reciclagem para onde vou deitando tretas - amarelo: posts sobre banalidades, verde: palavritas tiradas a ferros sobre paisagens e cenas afins, azul: ficção rasca.
Bah! Não sei se perdi a capacidade de escrever ou se apenas me limito a engolir tudo o que poderia aqui dizer, só porque...porque.
Este blog está uma trampa.
Este blog está uma trampa.
Alguém
me disse há dias que "nunca somos a pessoa que toda a gente pensa que somos", uma frase proferida por Bob Dylan, melhor "God" Dylan, cujo sentido eu tenho andado desde então a tentar explorar, muito para além do simples facto de ser uma citação bonita. Mania que tenho de ir demasiado fundo nas questões...
Deixou-me foi a pensar que é quase sempre assim...há uma parte de nós, à qual só têm acesso, aqueles que mais íntimamente nos conhecem. E, ainda assim, creio que há sempre um lado que só nós conhecemos, nunca mostrámos a ninguém, está fechado a sete chaves na gaveta dos segredos dentro de nós. Bom ou mau, não interessa é só nosso.
Deixou-me foi a pensar que é quase sempre assim...há uma parte de nós, à qual só têm acesso, aqueles que mais íntimamente nos conhecem. E, ainda assim, creio que há sempre um lado que só nós conhecemos, nunca mostrámos a ninguém, está fechado a sete chaves na gaveta dos segredos dentro de nós. Bom ou mau, não interessa é só nosso.
14.12.04
Há uma
música do Brasil, de nome AQUARELA (Toquinho, Vinício de Moraes, Guido Morra e Maurizio Fabrizio) que, desde há muitos anos me acompanha, pela metáfora (já disse que adoro metáforas?) que encerra relativamente àquilo que é a vida.
Este excerto, em particular, baila-me na cabeça sempre que os acontecimentos do presente me fazem ter vontade de deixar de acreditar no futuro:
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
O menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave, que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe, conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe, bem ao certo, onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Hoje, especialmente, ela está presente.
Este excerto, em particular, baila-me na cabeça sempre que os acontecimentos do presente me fazem ter vontade de deixar de acreditar no futuro:
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
O menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave, que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe, conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe, bem ao certo, onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Hoje, especialmente, ela está presente.
12.12.04
Das
mil palavras a transformar em futuros posts, que me cruzaram o pensamento ontem à noite, durante uma insónia feita de frio e inquietações, sobrou apenas o vazio e cinzas...
11.12.04
Não resisti
a esta foto
farol
encontrada quando procurava no Google, uma que servisse para adequar o template à homenagem temporária a um farol que nos ilumina os caminhos já desde há algum tempo.
Vai ficar por aqui, a combater a escuridão, sob todas as formas que ela assume...
farol
encontrada quando procurava no Google, uma que servisse para adequar o template à homenagem temporária a um farol que nos ilumina os caminhos já desde há algum tempo.
Vai ficar por aqui, a combater a escuridão, sob todas as formas que ela assume...
Eu cá
nem sou do Sporting, mas aquele golo anulado foi claramente injusto! Fora de jogo o quê? Palhaço!!
devo estar doente...a comentar bola, pior, a ver bola...
devo estar doente...a comentar bola, pior, a ver bola...
8.12.04
6.12.04
Tenho
de vez em quando, umas tiradas com que me surpreendo a mim mesma depois de as reler, um ou dois dias mais tarde.
Escrevo com o coração na ponta dos dedos, um pouco como falo, com ele mesmo junto à garganta. Escrevo de uma assentada, em turbilhão quase como se tivesse medo de não conseguir agarrar as idéias, de não ir a tempo de passar para o papel (?éter...) os pensamentos.
E depois espanto-me. Com o que me sai do peito, principalmente sempre que escrevo com ele apertado por algum nó invisível...
A última tem andado aqui a moer de mansinho e saiu quando escrevia um email a alguém com quem gosto de conversar.
Para mim a amizade não se mede em tempo mas em acções.
Escrevo com o coração na ponta dos dedos, um pouco como falo, com ele mesmo junto à garganta. Escrevo de uma assentada, em turbilhão quase como se tivesse medo de não conseguir agarrar as idéias, de não ir a tempo de passar para o papel (?éter...) os pensamentos.
E depois espanto-me. Com o que me sai do peito, principalmente sempre que escrevo com ele apertado por algum nó invisível...
A última tem andado aqui a moer de mansinho e saiu quando escrevia um email a alguém com quem gosto de conversar.
Para mim a amizade não se mede em tempo mas em acções.
Citação
cujo autor desconheço.
Mas que ouvi há uns tempos, na boca de alguém que, sentado numa cadeira de rodas devido a um acidente que o deixou paraplégico, discursava perante uma plateia de pessoas que não tinham qualquer handicap visível e que, só depois de o ouvirem se deram conta da sorte que tinham.
"A diferença entre o possível e o impossível depende da determinação de cada um."
Mas que ouvi há uns tempos, na boca de alguém que, sentado numa cadeira de rodas devido a um acidente que o deixou paraplégico, discursava perante uma plateia de pessoas que não tinham qualquer handicap visível e que, só depois de o ouvirem se deram conta da sorte que tinham.
"A diferença entre o possível e o impossível depende da determinação de cada um."
4.12.04
Eu tentei
pelo menos posso afirmar que tentei, li 45 páginas, ao fim das quais, igual a quando tinha começado (isto é, sem perceber pevas...), resolvi folhear ao acaso o raio do livro. Este foi o resultado:
Da página 44, este excerto, para ilustrar as anteriores 43, igualzinho, sem mudança alguma de ritmo, ou sem que se conseguisse perceber o fio à meada da história, que me parece vagamente, referir-se à ausencia de um pai
(um dos castiçais quebrado)
que não tocava, a enfeitar, a cunhada para a filha(a máquina de costura imóvel, um vultozito entre portas)
-O Casimiro é assim
o vultozito evaporou-se das portas e a máquina de costura a suturar-lhe a alegria
-o Casimiro é assim
unindo-a a uma bainha, uma fronha, escutava a cunhada da sua tia mastigando de palma sob o queixo a amparar as migalhas
Tentei lá mais para a frente, podia ser que a coisa se tivesse composto, mas lá para a página 375, era isto
-Tem até ao fim do mês para sair de cá
porque não era este segundo andar do jardim Constantino que ele queria, era um combóio voltando de França, um gesto nem que fosse a enxotá-lo
-Trambolho
e o pimpolho que você diz ser seu pai contente, sossegado, a trotar na direcção do capacho quando alguém se aproxima (...)
Já semi-desesperada, tento, no final, perceber algum desenlace, o culminar daquela verborreia toda e depois de ler 3 páginas sem sucesso, até à página 587
o meu pai a chamar-nos
-cumprimentem o senhor coronel rapazinhos
(não pulhas, que engraçado)
o coronel dedos vagaroso, breves, as rédeas da mula atadas na cancela, não consigo calar-me, a sobrinha hoje corcunda, de bengala, e a entrar na igreja, num internato em Viseu, um queixal escuro meditando
-O Arquimedes quem era?
desisto.
todos têm direito aos seus delírios. Até o Lobo Antunes.
Da página 44, este excerto, para ilustrar as anteriores 43, igualzinho, sem mudança alguma de ritmo, ou sem que se conseguisse perceber o fio à meada da história, que me parece vagamente, referir-se à ausencia de um pai
(um dos castiçais quebrado)
que não tocava, a enfeitar, a cunhada para a filha(a máquina de costura imóvel, um vultozito entre portas)
-O Casimiro é assim
o vultozito evaporou-se das portas e a máquina de costura a suturar-lhe a alegria
-o Casimiro é assim
unindo-a a uma bainha, uma fronha, escutava a cunhada da sua tia mastigando de palma sob o queixo a amparar as migalhas
Tentei lá mais para a frente, podia ser que a coisa se tivesse composto, mas lá para a página 375, era isto
-Tem até ao fim do mês para sair de cá
porque não era este segundo andar do jardim Constantino que ele queria, era um combóio voltando de França, um gesto nem que fosse a enxotá-lo
-Trambolho
e o pimpolho que você diz ser seu pai contente, sossegado, a trotar na direcção do capacho quando alguém se aproxima (...)
Já semi-desesperada, tento, no final, perceber algum desenlace, o culminar daquela verborreia toda e depois de ler 3 páginas sem sucesso, até à página 587
o meu pai a chamar-nos
-cumprimentem o senhor coronel rapazinhos
(não pulhas, que engraçado)
o coronel dedos vagaroso, breves, as rédeas da mula atadas na cancela, não consigo calar-me, a sobrinha hoje corcunda, de bengala, e a entrar na igreja, num internato em Viseu, um queixal escuro meditando
-O Arquimedes quem era?
desisto.
todos têm direito aos seus delírios. Até o Lobo Antunes.
3.12.04
Porque me orgulho
de ser quem sou.
Título com destinatário.
As ruas quase desertas da cidade, têm neste final de tarde de Verão, um encanto especial.
As ruas quase desertas da cidade, têm neste final de tarde de Verão, um encanto especial.
É aquela hora em que o sol tinge de fogo o azul límpido do céu, antes de desaparecer aos poucos no horizonte, lá para os lados da estrada para o Penedo Gordo. Gosto de ir até aí de vez em quando, parar o carro no desvio que leva a Pisões e sair, só para ver um pôr-do-sol único e deslumbrante.
É também a hora em que uma brisa fresca começa a entrar pelas janelas do carro, trazendo aromas de terra, árvores e flores à medida que se avança pela cidade, esta hora em que os pássaros parecem enlouquecidos, ébrios de liberdade, tal é o barulho e o remoinho de asas e os voos picados.
Dou por mim a pensar em como é bela esta cidade. Na sua evolução desde há cerca de 20 anos, quando a deixei, para seguir o rumo que alguns jovens de 18 anos seguiam nessa altura: a entrada na universidade.
Não existia, nesse tempo, nenhuma construção no espaço adjacente à mata.
Havia apenas a mata e mato.
Circulando ao longo da variante, avalio o empenho e vontade necessários para fazer com que tudo aquilo nascesse. Por parte de autarcas e empresários. Com investimentos públicos e de privados, o mato deu lugar a uma zona habitacional consolidada, ao campus Universitário, um Complexo Desportivo de grande qualidade, tudo emoldurado, até final deste ano, pela extensa área verde de lazer, o Parque da Cidade, desde há muito projectada nos nossos corações e nos planos de desenvolvimento da autarquia e agora em construção ao abrigo do Programa Polis.
Aliás, era interessante que os bejenses que amam Beja tanto quanto eu (ou pelo menos alguns, que o bradam aos sete ventos, onde quer que encontrem tempo de antena, seja ele em páginas de jornal, de blogues, nas rádios locais ou no Luís da Rocha), mas mais não fazem que cultivar a maledicência, soubessem que, estes projectos e obras que, de forma acintosa e irónica criticam, estavam previstos há muito, existiam em estudos prévios e concretizar-se-iam com ou sem Polis, de forma natural, gradual, tal como aconteceu nestes anos, com todos os outros projectos que cresceram nesta cidade. Dependendo, evidentemente, da obtenção de financiamentos do Estado para poder constar em Plano de Actividades. São pequenas coisas que toda a gente devia saber. E saberia, caso se interessasse em participar na vida da cidade, lesse os documentos que são públicos, assistisse ás reuniões, em suma, procurasse informação em vez de despejar patacoadas.
É que, dá ideia que, quem pratica o desporto local da má-língua (os tais que não têm “inconfessáveis intenções políticas” mas foram candidatos às últimas eleições autárquicas, pelas forças políticas actualmente na oposição), pensa que todas estas obras nasceram de repente, do nada, que não foram discutidas, amadurecidas, desejadas, durante anos de trabalho, por aqueles, nos quais orgulhosamente me incluo, que têm sido capazes de levar a cabo a difícil tarefa que foi fazer crescer esta terra. Aqueles que entendem e aceitam legítimas discordâncias, afinal não podemos gostar todos do mesmo, mas que também sabem reconhecer de longe os que lançam mão da demagogia barata e teatral e destilam falácias sem pudor, para atingir objectivos, sejam eles quais forem.
Passo o cemitério, admiro a escultura do Jorge Vieira, a mesma que em 1964 ganhou o 1º prémio do Concurso para a valorização plástica do maciço norte da ponte sobre o Tejo, onde nunca chegaria a ser colocada pois o escultor, ao ser convidado para conceber a placa com o nome da ponte, perguntou ao Secretário de Estado do regime o dito nome e, ao saber que seria Ponte de Oliveira Salazar, virou costas e deixou-os a falar sozinhos. É claro que, a seguir, foi despedido.
Em boa hora o fez para que, 35 anos mais tarde, viesse enfim a criar esta escultura que hoje possuímos, todos os bejenses, agora valorizada pelo arranjo paisagístico da principal entrada da cidade.
Dá-me vontade de parar o carro, sentar-me um pouco num dos bancos junto à Ermida de Santo André, ou na relva fresca salpicada de “aloendros” coloridos e seguir depois, a pé, pelo “corredor” da Rua de Lisboa, até às Portas de Mértola, o circuito que será possível percorrer, logo que esteja concluído o parque subterrâneo da Avenida Miguel Fernandes.
E torno a pensar nos que bradam contra o executivo Municipal, que procurou a melhor solução para criar caminhos pedonais, com a pretensão de devolver a cidade às pessoas, de reduzir o tráfego automóvel no centro histórico, de incutir de novo o gosto, tão antigo no Alentejo, das longas caminhadas em família, ao fim da tarde, pela fresca ( na Rua António Sardinha as faixas de rodagem estão um pouco estreitas e também eu eliminaria aquele separador central que me parece desnecessário, mas já repararam como estão bonitos os passeios?).
Este executivo que concebeu a Biblioteca Municipal, trazendo-a para aquele que foi o edifício e o projecto de referência das Bibliotecas Nacionais de Leitura Pública, em 1993.
Lembrar-se-ão da biblioteca antiga, junto ao Estádio Flávio Santos onde, respeitosamente, no silêncio obrigatório do espaço, ao balcão, pedíamos ao saudoso senhor Martins que nos emprestasse o cobiçado livro dos Cinco, ali da estante, inatingível? A memória é curta e esse tempo e esse silêncio são difíceis de recordar hoje, quando, no amplo átrio de entrada da Biblioteca os livros nos dizem “Leve-me para casa” e podemos pegar-lhes, levá-los até à cafetaria e cheirá-los, saboreá-los, como ao café que ali tomamos.
O executivo que criou o sistema de transportes públicos urbanos e construiu ligações viárias entre os bairros periféricos, outrora “ilhas”, quase isoladas da cidade ou que comprou autocarros de piso rebaixado para fácil acesso de pessoas com mobilidade reduzida.
E que foi responsável pelo nascimento da AMALGA, em conjunto com mais sete municípios geridos por outras forças políticas, num verdadeiro exercício de democracia que é pôr de lado as “tricas” partidárias, em prol do desenvolvimento comum. Assim nasceu um parque ambiental considerado inovador no nosso país (seriam os maldizentes tão democráticos, estando no poder? Pela recente experiência na gestão da Associação de Municípios do Distrito de Beja, parece-me que não...).
Mas o objectivo desta crónica era dizer-vos do passeio, Domingo, ao final da tarde.
No Jardim do Bacalhau, acerco-me do Monumento ao Prisioneiro Político Desconhecido e recordo, novamente, o Jorge Vieira. O amor que tinha a esta cidade, nascido e consolidado em relações de amizade que aqui manteve até ao final.
Foi a Beja que doou posteriormente a sua obra e foi aqui, na “sua” Casa-Museu que recebeu das mãos do Presidente Jorge Sampaio a Condecoração com a Grã - Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Parece que o vejo, nesse dia, humilde, com os seus suspensórios vermelhos, dizendo com embaraço que não ligava muito àquelas coisas, como se achasse que precisava de se justificar por tamanho reconhecimento do seu mérito, e sorrio, passo a mão na escultura, agora acessível a toda a população que deseje admirá-la de perto e lembro-me da conversa que tive um destes dias com alguém que me dizia que, os que sempre despejam fluente verborreia contra tudo o que se faz e tudo o que não se faz, tinham, é claro, estado contra a mudança desta escultura. Não entendiam o conceito de arte urbana, a arte ao alcance da mão, literalmente. Ou simplesmente, queriam era dizer mal. Mas, sobretudo, desconheciam que fora esse o desejo do Jorge Vieira, e que os seus amigos o puderam, finalmente, concretizar.
Quase a anoitecer, passando pela obra da Noémia Cruz ( e a arte não se discute, ou se gosta ou não), no Largo de São João, observo o pormenor que a muitos passará despercebido, da simulação da sombra dos edifícios construída na calçada, em pedra mais escura, anseio pela reabertura do Pax-Júlia, espreito as obras do futuro Espaço Museológico da Rua do Sembrano e mal consigo esperar para me sentar na ampla praça que será a entrada do Museu e deixar os meus filhos brincar com os repuxos de água, projectados pelo arquitecto numa tarde de Agosto, enquanto passeava pela cidade e magicava numa solução para refrescar o ambiente sufocante que se sentia.
Sorrio a um par de namorados muito jovem que, em breve, poderá trocar as suas juras de amor eterno, passeando no alto da muralha da cidade, ao longo da Rua Capitão João Francisco de Sousa, com a planície e o pôr-de-sol como pano de fundo, num entardecer parecido com o de hoje...
E não consigo evitar uma ponta de orgulho por pertencer a esta cidade, por ter tido o privilégio de participar, modestamente, na sua construção, por saber que os seus responsáveis durante estes anos, quiseram, acima de tudo, fazer por ela o melhor que puderam e souberam. Ignoraram críticas destrutivas mas recolheram o apoio de muitas opiniões construtivas e idealizaram, discutiram, projectaram investimentos para transformar Beja numa terra onde valha a pena viver. De onde os jovens não tenham que sair para prosseguir estudos superiores. E onde possam permanecer depois de formados e contribuir para o seu progresso e desenvolvimento.
Decerto houve coisas erradas, escolhas menos conseguidas, não é de deuses iluminados
que falamos mas apenas de homens, comuns, que erram e aprendem e tornam a tentar.
Anoiteceu, entretanto. A magia, agora, é a da luz amarelada dos antigos candeeiros de parede, projectada nas calçadas de laje antiga, polida pelos tempos e pelos passos de quem cá viveu, e por cá permanece.
Apresso o passo, está quase na hora de assistir a mais uma das ofertas culturais do Município, um espectáculo de teatro.
Entro na Casa da Cultura e ainda penso, de relance, que nunca tive o prazer de ver aqui os senhores da má-língua, nem em qualquer outra das iniciativas promovidas pela Câmara Municipal de Beja. Apetece-me chamá-los, talvez se vissem com os seus olhos aquilo que criticam do “ouvi dizer”, a sua postura fosse um pouco mais inteligente.
Mas logo os esqueço…a luz baixa de intensidade, uma música suave brota do palco, escutemos, o espectáculo vai começar.
Texto publicado num jornal local, a propósito das intervenções do Programa Polis na cidade.
2.12.04
Impossível
ficar indiferente.
Procurava vivamente englobar-te na circularidade imparável tentando construir e desconstruir verdade e aparência.
(um dia destes escrevo sobre as más línguas, que interpretam estas chamadas de atenção como uma forma de atingir não sei que objectivos inconfessáveis, relacionados com estatísticas e cenas afins e não, apenas, como aquilo que são, efectivamente: alertar para quem escreve muitíssimo bem neste mundo virtual)
Procurava vivamente englobar-te na circularidade imparável tentando construir e desconstruir verdade e aparência.
(um dia destes escrevo sobre as más línguas, que interpretam estas chamadas de atenção como uma forma de atingir não sei que objectivos inconfessáveis, relacionados com estatísticas e cenas afins e não, apenas, como aquilo que são, efectivamente: alertar para quem escreve muitíssimo bem neste mundo virtual)
1.12.04
Pronto!
Vou começar a ler Eu hei-de amar uma pedra, do Lobo Antunes.
A ver vamos...(reticências simbolizando a minha cara, com a pulga atrás da orelha, que só me pronuncio depois do raio das 616 páginas estarem consumidas, euzinha, a indefectível do Saramago e do não-não-acho-nada-que-devesse-ter-sido-o-Lobo-Antunes-a-ganhar-o-Nobel-ponto-final).
A ver vamos...(reticências simbolizando a minha cara, com a pulga atrás da orelha, que só me pronuncio depois do raio das 616 páginas estarem consumidas, euzinha, a indefectível do Saramago e do não-não-acho-nada-que-devesse-ter-sido-o-Lobo-Antunes-a-ganhar-o-Nobel-ponto-final).
Já há tanto tempo
que não coloco aqui uma imagem baril...
leia-se, bolas que f da p de dia, quem é que pode sair de casa com um temporal deste tamanho, só espero que aquele ramo mais pesado ali da árvore não me caia em cima do carro, que isto o vento deve estar com rajadas de não sei quantos kms hora, ai, ai, isto de não ter cá os putos dá-me uma neura, e que diabos irei eu almoçar se não me apetece comer nada (hummm, Haagen Daz com molho quente, marchava...), também, estúpida quem é que te mandou beber um café ao meio-dia e meia? Boa! olha que receita para emagrecer, talvez não coma mais nada e vá ali beber outro café, deixa cá ver se já parou de chover.
Mas porque é que será que quando temos tempo, a casa silenciosa, uma manta quente e lá fora frio, é quando precisamente, não nos apetece fazer o milhão de coisas que andamos contínuamente a lamentar-nos não poder fazer quando não temos tempo, os miúdos andam à nossa volta a pedir comida a toda a hora ou nós à volta deles, desliga já essa Playstation! que ainda tens que tomar banho, jantar, fazer os trabalhos de casa, estudar para o teste e deitar-te a horas normais, como é suposto numa família equilibrada (suspiro...)!!
Acho que estou com Síndroma de Mãe-Galinha...shiuffff...
leia-se, bolas que f da p de dia, quem é que pode sair de casa com um temporal deste tamanho, só espero que aquele ramo mais pesado ali da árvore não me caia em cima do carro, que isto o vento deve estar com rajadas de não sei quantos kms hora, ai, ai, isto de não ter cá os putos dá-me uma neura, e que diabos irei eu almoçar se não me apetece comer nada (hummm, Haagen Daz com molho quente, marchava...), também, estúpida quem é que te mandou beber um café ao meio-dia e meia? Boa! olha que receita para emagrecer, talvez não coma mais nada e vá ali beber outro café, deixa cá ver se já parou de chover.
Mas porque é que será que quando temos tempo, a casa silenciosa, uma manta quente e lá fora frio, é quando precisamente, não nos apetece fazer o milhão de coisas que andamos contínuamente a lamentar-nos não poder fazer quando não temos tempo, os miúdos andam à nossa volta a pedir comida a toda a hora ou nós à volta deles, desliga já essa Playstation! que ainda tens que tomar banho, jantar, fazer os trabalhos de casa, estudar para o teste e deitar-te a horas normais, como é suposto numa família equilibrada (suspiro...)!!
Acho que estou com Síndroma de Mãe-Galinha...shiuffff...
Manifesto
O Governo caiu (há-de cair, digamos que vai descendo a rampa neste momento em alta velocidade, sem travões e com um muro de betão lá em baixo...)e não são horas para andar aqui.
Ao contrário de muitos que agora aparecerão a fazer análise política, ainda não me esqueci do Guterres e do estado em que deixou o que entregou de mão beijada aos que agora vão a descer em velocidade turbo, até se esborracharem no muro o que leva a que, enquanto os gajos se recompõem, se tenha que arranjar alguém que pague a factura e nos aumente a porra dos 2,2 % em 2005 e tá-se mesmo a ver quem vai ser...
Este é um manifesto de intenção. Não sei é muito bem de quê...mas deve ser do sono.
Ao contrário de muitos que agora aparecerão a fazer análise política, ainda não me esqueci do Guterres e do estado em que deixou o que entregou de mão beijada aos que agora vão a descer em velocidade turbo, até se esborracharem no muro o que leva a que, enquanto os gajos se recompõem, se tenha que arranjar alguém que pague a factura e nos aumente a porra dos 2,2 % em 2005 e tá-se mesmo a ver quem vai ser...
Este é um manifesto de intenção. Não sei é muito bem de quê...mas deve ser do sono.
29.11.04
Uma trabalheira
a vasculhar nos arquivos daqui da chafarica, para ver se encontrava um texto que prometi à Agatha aqui há uns dias.
Encontrei, finalmente! e cá vai ele em repost porque...olhem, porque sim. Porque gosto de vocês. E de muitos outros que não eram tecidos no fio naquela altura e que agora já o são. E porque de outros não gosto.
O fio que nos une
Tive saudades vossas.
Enquanto apanhei sol, olhei para o céu e vi, junto às árvores, pequenos fios brilhantes, unindo ramos distantes. Muito finos, quase transparentes, mas sólidos, fortes o suficiente para prender uma mosca ou outro incauto insecto, que ali vá embater durante um voo mais distraído. Achei que é um desses fios que nos une. A nós, que aqui estamos juntos, nos blogs uns dos outros, nos grupos de conversa, neste mundo virtual que é a net. É um fio muito fino, tanto, tanto que é quase invisível. Mas que nos une, um por um.
Sai daqui, a brilhar sob o sol quente e percorre quilómetros de planície até que tropeça no Oldman. Atravessa o rio e vai colar-se nos cabelos da Vertigem, no chapéu da Duende, enlaça uma pulseira da Gotika, e prende-se numa das flores do Azul Cobalto. Dali flutua, de leve que é, até chegar ao Outro lado da Lua, dá-lhe uma volta completa e desce a pique para acariciar, ao de leve, o ombro da Puta de Vida, que entretanto acha que afinal já nem é tanto. (É que o fio que nos une também é mágico e tem o poder de fazer felizes as pessoas em quem toca)...De repente ganha velocidade e segue para Norte, cada vez mais para cima, sobre o mapa, saltando penhascos e subindo montanhas com um pouco de neve no cume, passando pelo pórtico de um antigo convento onde se enrola no hábito de um Frei e lhe pede a benção. Depois, sai por uma das torres mais altas, voa ainda mais para Norte ao encontro de uma Gotinha de água, que corre sem parar, levando-o consigo até encalhar na linha de um pescador que se chama Xerxes e tem dotes para a culinária. ;-)))
Está cansado, o fio que nos une, mas ainda tem força para atravessar o Atlântico, luta contra ventos e marés até chegar a uma Memória Inventada que está em terras do Tio Sam. Cumprimenta-a num abraço e regressa, mais sossegado, desce e atravessa o Equador e deita-se numa rede da quente Ma-Shamba para descansar da longa viagem...que irá recomeçar de seguida. Este fio que nos une é persistente e teimoso. E muito forte. Nunca se parte embora por vezes estique tanto, mas tanto que dá a sensação de ir estoirar, desfazer-se ali em mil bocados. Mas não. Porque a vontade de nos unir é mais forte que todas as vontades que o tentam partir. E aqui estamos nós, longe mas perto, Amigos, unidos, num grande abraço, selado por um fio fino, tão fino que é quase invisível, mas que brilha quando lhe bate o sol.
BTW: sou mas é uma lírica do caraças...
Encontrei, finalmente! e cá vai ele em repost porque...olhem, porque sim. Porque gosto de vocês. E de muitos outros que não eram tecidos no fio naquela altura e que agora já o são. E porque de outros não gosto.
O fio que nos une
Tive saudades vossas.
Enquanto apanhei sol, olhei para o céu e vi, junto às árvores, pequenos fios brilhantes, unindo ramos distantes. Muito finos, quase transparentes, mas sólidos, fortes o suficiente para prender uma mosca ou outro incauto insecto, que ali vá embater durante um voo mais distraído. Achei que é um desses fios que nos une. A nós, que aqui estamos juntos, nos blogs uns dos outros, nos grupos de conversa, neste mundo virtual que é a net. É um fio muito fino, tanto, tanto que é quase invisível. Mas que nos une, um por um.
Sai daqui, a brilhar sob o sol quente e percorre quilómetros de planície até que tropeça no Oldman. Atravessa o rio e vai colar-se nos cabelos da Vertigem, no chapéu da Duende, enlaça uma pulseira da Gotika, e prende-se numa das flores do Azul Cobalto. Dali flutua, de leve que é, até chegar ao Outro lado da Lua, dá-lhe uma volta completa e desce a pique para acariciar, ao de leve, o ombro da Puta de Vida, que entretanto acha que afinal já nem é tanto. (É que o fio que nos une também é mágico e tem o poder de fazer felizes as pessoas em quem toca)...De repente ganha velocidade e segue para Norte, cada vez mais para cima, sobre o mapa, saltando penhascos e subindo montanhas com um pouco de neve no cume, passando pelo pórtico de um antigo convento onde se enrola no hábito de um Frei e lhe pede a benção. Depois, sai por uma das torres mais altas, voa ainda mais para Norte ao encontro de uma Gotinha de água, que corre sem parar, levando-o consigo até encalhar na linha de um pescador que se chama Xerxes e tem dotes para a culinária. ;-)))
Está cansado, o fio que nos une, mas ainda tem força para atravessar o Atlântico, luta contra ventos e marés até chegar a uma Memória Inventada que está em terras do Tio Sam. Cumprimenta-a num abraço e regressa, mais sossegado, desce e atravessa o Equador e deita-se numa rede da quente Ma-Shamba para descansar da longa viagem...que irá recomeçar de seguida. Este fio que nos une é persistente e teimoso. E muito forte. Nunca se parte embora por vezes estique tanto, mas tanto que dá a sensação de ir estoirar, desfazer-se ali em mil bocados. Mas não. Porque a vontade de nos unir é mais forte que todas as vontades que o tentam partir. E aqui estamos nós, longe mas perto, Amigos, unidos, num grande abraço, selado por um fio fino, tão fino que é quase invisível, mas que brilha quando lhe bate o sol.
BTW: sou mas é uma lírica do caraças...
28.11.04
Olhem
meus amigos, eu cá até nem sou de peixeiradas.
Mão na anca e vá de insultos a fazer rodar o peixe no ar é para aqueles mulherões do mercado da Ribeira que eu até sou assim pró franzino...
Mas se há coisa que me faz comichão é gente armada ao pingarelho, que se auto-promove sem o mínimo pudor e se intitula de aberto e democrático e é um espaço disto e daquilo e depois quando as opiniões já não são do agrado, pimba, toma lá com o lápis azul que é para aprenderes, que aqui mando eu e só dizem o que eu gosto!
A bem dizer eu própria até pratico o aqui mando eu e quem não gosta não come, agora não concebo é andar a bloquear IPs, porque não me agrada o que alguém me disse nos comentários. Coisa que certa gente aqui, pratica à brava, tal como apagar comentários cirúrgicamente. Juro que nunca vi isto nas centenas de blogues que visito há mais de dois anos...Olha que exemplo de democracia!
Por isso, caros amigos, garanto-vos que não irei transformar o meu canto num tanque de lavar roupa suja, mas como ao tentar exercer o meu democrático direito de responder a um senhor aqui da blogocoisa regional, me aparece isto :
Praça da República em Beja
Erro na submissão de comentário
A submissão do seu comentário falhou pelas seguintes razões:
You are not allowed to post comments.
Não posso deixar de postar aqui, aquilo que lá fui impedida de responder, relativamente a este post :
Obrigado nikonman.
Ah mas eu venho muito aqui! Não me digas que não sabias??! Andas a falhar nisso dos IPs, andas, andas, tu que tão bem controlas quem te diz o que gostas e o que não gostas...E venho de cara destapada que xxxx, qualquer coisa, anónimos não é para mim. O que digo e faço sempre o assumi.
Agora, desilude-te que não venho para te massajar o teu já demasiado inchado ego, venho quando e porque quero, porque de algumas coisas gosto, com outras divirto-me à brava, como é o caso deste estilo anti-comunista que com tanto carinho cultivas... e olha, convites para entrar...batatas, filho, não gostas põe à borda do prato. Ou então fecha a porta que a blogosfera ainda é livre.
Pois é, enquanto ele não a fechar, continuarei a lá ir quando me der na real gana, embora...de boca amordaçada, meus amigos.
O exemplo do "grande" Nikonman, tão prestigiado no weblog.com...
E agora chega, que para publicidade gratuita já foi demais!
Não sei porquê, mas agora qualquer coisa me fez lembrar a fábula do sapo que queria ser boi...
Mão na anca e vá de insultos a fazer rodar o peixe no ar é para aqueles mulherões do mercado da Ribeira que eu até sou assim pró franzino...
Mas se há coisa que me faz comichão é gente armada ao pingarelho, que se auto-promove sem o mínimo pudor e se intitula de aberto e democrático e é um espaço disto e daquilo e depois quando as opiniões já não são do agrado, pimba, toma lá com o lápis azul que é para aprenderes, que aqui mando eu e só dizem o que eu gosto!
A bem dizer eu própria até pratico o aqui mando eu e quem não gosta não come, agora não concebo é andar a bloquear IPs, porque não me agrada o que alguém me disse nos comentários. Coisa que certa gente aqui, pratica à brava, tal como apagar comentários cirúrgicamente. Juro que nunca vi isto nas centenas de blogues que visito há mais de dois anos...Olha que exemplo de democracia!
Por isso, caros amigos, garanto-vos que não irei transformar o meu canto num tanque de lavar roupa suja, mas como ao tentar exercer o meu democrático direito de responder a um senhor aqui da blogocoisa regional, me aparece isto :
Praça da República em Beja
Erro na submissão de comentário
A submissão do seu comentário falhou pelas seguintes razões:
You are not allowed to post comments.
Não posso deixar de postar aqui, aquilo que lá fui impedida de responder, relativamente a este post :
Obrigado nikonman.
Ah mas eu venho muito aqui! Não me digas que não sabias??! Andas a falhar nisso dos IPs, andas, andas, tu que tão bem controlas quem te diz o que gostas e o que não gostas...E venho de cara destapada que xxxx, qualquer coisa, anónimos não é para mim. O que digo e faço sempre o assumi.
Agora, desilude-te que não venho para te massajar o teu já demasiado inchado ego, venho quando e porque quero, porque de algumas coisas gosto, com outras divirto-me à brava, como é o caso deste estilo anti-comunista que com tanto carinho cultivas... e olha, convites para entrar...batatas, filho, não gostas põe à borda do prato. Ou então fecha a porta que a blogosfera ainda é livre.
Pois é, enquanto ele não a fechar, continuarei a lá ir quando me der na real gana, embora...de boca amordaçada, meus amigos.
O exemplo do "grande" Nikonman, tão prestigiado no weblog.com...
E agora chega, que para publicidade gratuita já foi demais!
Não sei porquê, mas agora qualquer coisa me fez lembrar a fábula do sapo que queria ser boi...
27.11.04
Hoje
regressei a uma terra onde não ia há alguns meses.
Uma terra onde fui durante um tempo, de olhos brilhantes e mãos abertas, tal como o peito.
Onde vi o mar vazio de gente, num dia de Inverno que pareceu Verão. E do alto do Miradouro contemplei o rio e a outra margem. E ouvi contar histórias de fábricas abandonadas há muitos anos, hoje guardadoras de memórias em cada pedra antiga, em cada pedaço de muro caído. Memórias de gritos e ruídos, de fome e lágrimas, de partidas e chegadas, de gente lutadora e honesta.
É uma terra que para mim estará sempre associada àqueles dias. Dias bonitos de descoberta e partilha, de um Caffe Di Roma palco de cumplicidades que forjam o que de melhor há na vida: a amizade.
Hoje regressei e reconheci ruas e esquinas como quem cumprimenta um velho amigo. Estacionei o carro nas traseiras de um prédio de varandas azuis, contornei a rotunda das àrvores, desta vez a pé e, caminhando, cheguei, enfim, ao sítio onde as fontes são pilares e o ruído da água abafa todas as conversas.
Senti-me bem, de novo, naquela terra. Engalanada de bandeiras vermelhas como nos dias de Festa. Porque foi disso que se tratou, de uma Festa. Festa de reencontro, de emoção, de decisões e canções, de convicção e ideais. Festa de amigos e camaradas, de esperança e luta. Festa do Futuro, pelo Futuro. Que acreditamos poder ser melhor que o presente. Para todos.
Uma terra onde fui durante um tempo, de olhos brilhantes e mãos abertas, tal como o peito.
Onde vi o mar vazio de gente, num dia de Inverno que pareceu Verão. E do alto do Miradouro contemplei o rio e a outra margem. E ouvi contar histórias de fábricas abandonadas há muitos anos, hoje guardadoras de memórias em cada pedra antiga, em cada pedaço de muro caído. Memórias de gritos e ruídos, de fome e lágrimas, de partidas e chegadas, de gente lutadora e honesta.
É uma terra que para mim estará sempre associada àqueles dias. Dias bonitos de descoberta e partilha, de um Caffe Di Roma palco de cumplicidades que forjam o que de melhor há na vida: a amizade.
Hoje regressei e reconheci ruas e esquinas como quem cumprimenta um velho amigo. Estacionei o carro nas traseiras de um prédio de varandas azuis, contornei a rotunda das àrvores, desta vez a pé e, caminhando, cheguei, enfim, ao sítio onde as fontes são pilares e o ruído da água abafa todas as conversas.
Senti-me bem, de novo, naquela terra. Engalanada de bandeiras vermelhas como nos dias de Festa. Porque foi disso que se tratou, de uma Festa. Festa de reencontro, de emoção, de decisões e canções, de convicção e ideais. Festa de amigos e camaradas, de esperança e luta. Festa do Futuro, pelo Futuro. Que acreditamos poder ser melhor que o presente. Para todos.
26.11.04
Estava aqui a pensar
em como é engraçado que, quando gostamos de um blogue porque o que essa pessoa escreve nos tocou de alguma forma - porque é sensível, ou lúcida, ou tem sentido de humor, ou é honesta nas posturas que adopta, ou, ou ,ou... - normalmente, descobrimos em muitos dos blogs que essa pessoa linka, o mesmo conjunto de características que nos atraiu no seu. Um pouco como aquela do "o amigo do meu amigo...", entendendo-se aqui amigo no sentido mais lato de pessoa que nos cativa por qualquer motivo.
Hoje, mais uma vez, confirmei este pressuposto, quando, a partir do 100norte enquanto ponte, fui até uma outra margem , que me cativou de imediato. Um blogue mantido por três autores, que não conhecia mas que faço questão de passar a ter ali ao lado.
Hoje, mais uma vez, confirmei este pressuposto, quando, a partir do 100norte enquanto ponte, fui até uma outra margem , que me cativou de imediato. Um blogue mantido por três autores, que não conhecia mas que faço questão de passar a ter ali ao lado.
25.11.04
O que me chateia
a sério nisto tudo, é que os anormais que conceberam a pergunta consigam atingir precisamente o objectivo que pretendem alcançar: que a malta fique tão f***** que deixe de ir votar porque não lhes queremos dar o gosto de nos terem gozado.
E depois, a abstenção joga a favor de quem, de quem?? Um chupa-chupa para quem acertar...
E depois, a abstenção joga a favor de quem, de quem?? Um chupa-chupa para quem acertar...
24.11.04
Como
não tenho tempo, nem sequer para coçar a ponta do nariz mas não quero que, os que ainda mantêm um grau de insanidade suficiente para virem aqui de vez em quando ver o que escrevo, caiam em si e me mandem mas é dar uma volta ao bilhar grande, com tanto blogue bonito, académico, excelente, cheio de style e qualidade literária que por aí anda, ando eu aqui a perder tempo com esta fulana que só enche chouriços e por aí fora, resolvi entrar numa muito zen de contar histórias que vou ouvindo por aí, nas conferências e seminários por onde tenho andado, e que, ao menos, sempre dão para isto aparecer actualizado, com pouco trabalho e esforço dos neurónios que, nos tempos que correm, são um bem quase trão precioso como uma conta num off-shore qualquer... (é claro que eu não disse isto, é apenas uma ilusão provocada pelo número de horas que já gastaram hoje com os olhos enfiados no monitor e depois queixem-se!..., fazem favor de "portantes", esfregar os olhos e adiante)
Ora bem, mas então ia eu contar a história do
Sábio e do Pássaro
Há muito, muito tempo, havia um sábio muito sábio, num sítio muito, muito longínquo, que agora não sei onde é, mas também não interessa muito...
Dois garotos traquinas resolveram testar a "sapiência" do sábio e, apanhando um pardal, decidiram ir com ele escondido atrás das costas perguntar ao sábio muito sábio, se o pobre do bicho estava vivo ou morto.
É claro que os sacanas dos putos tinham tudo previsto e, se o sábio respondesse que estava vivo, torciam o garganhol ao pobre e mostravam-no morto, se a resposta do sábio fosse que o bicho estava morto então, triunfalmente, exibiriam o bichinho vivo e de saúde (onde é que as crianças daquele tempo iam buscar estas idéias é que eu não sei, vocês lembrem-se que nem havia NET!!...)
Lá foram eles, os venenos dos monstrozinhos, rindo desavergonhadamente (onde andariam aquelas mães, umas palmadas é o que era!), antecipando a figura de urso do outro e, chegando ao pé dele, perguntaram:
- Ó tu que és sábio (naquele tempo não fazia mal tratar por tu os sábios, ainda não havia Ministério da Criança e da Família e nem cenas de Educação e Boas Maneiras - Desenvolvimento Pessoal e Cívico, ou lá o que é - nem Casas de Correcção, nem nada...), se és assim tão sábio, diz-nos lá se és capaz de adivinhar se o pássaro que temos atrás das costas está vivo ou morto?
Ora bem, mas então ia eu contar a história do
Sábio e do Pássaro
Há muito, muito tempo, havia um sábio muito sábio, num sítio muito, muito longínquo, que agora não sei onde é, mas também não interessa muito...
Dois garotos traquinas resolveram testar a "sapiência" do sábio e, apanhando um pardal, decidiram ir com ele escondido atrás das costas perguntar ao sábio muito sábio, se o pobre do bicho estava vivo ou morto.
É claro que os sacanas dos putos tinham tudo previsto e, se o sábio respondesse que estava vivo, torciam o garganhol ao pobre e mostravam-no morto, se a resposta do sábio fosse que o bicho estava morto então, triunfalmente, exibiriam o bichinho vivo e de saúde (onde é que as crianças daquele tempo iam buscar estas idéias é que eu não sei, vocês lembrem-se que nem havia NET!!...)
Lá foram eles, os venenos dos monstrozinhos, rindo desavergonhadamente (onde andariam aquelas mães, umas palmadas é o que era!), antecipando a figura de urso do outro e, chegando ao pé dele, perguntaram:
- Ó tu que és sábio (naquele tempo não fazia mal tratar por tu os sábios, ainda não havia Ministério da Criança e da Família e nem cenas de Educação e Boas Maneiras - Desenvolvimento Pessoal e Cívico, ou lá o que é - nem Casas de Correcção, nem nada...), se és assim tão sábio, diz-nos lá se és capaz de adivinhar se o pássaro que temos atrás das costas está vivo ou morto?
O sábio sorriu paternalmente (cá comigo é que havia de ser, era logo umas valentes lambadas nos fundilhos de cada um e vai-te mas é perguntar ao teu pai comé q'os passarinhos nascem e as abelhinhas e essas coisas e o mano saiu por aonde, que é muito mais pedagógico e educativo...), sábio verdadeiro que era, disse:
- Está nas vossas mãos...
Tal como está nas vossas, continuarem aqui a ler blogues em vez de irem mas é beber um copo à roda de lume e tirar um petisco de chouriço assado e pão caseiro...
22.11.04
No filme
Scent of a Woman, de que já falei algures lá atrás, nas catacumbas deste blog, há uma cena em que o Al Pacino, cego, dança um tango com uma jovem que descobriu pelo perfume, simples de sabonete. A cena é altamente emocionante, muito pela intensidade daquela música. Que está aqui, e embora não sendo tão bonita quanto a original, vale a pena ouvir.
21.11.04
Ainda acredito
no abraço que entra para dentro do peito, como um turbilhão de águas revoltas que, finalmente, desagua num lago sereno.
Tão diferente do abraço que se dá ou recebe sem paixão. Nesse, dá-se apenas o encontro dos corpos o toque simples e fugaz, para logo se dar de novo, o afastamento que fende e separa.
Tão diferente do abraço que se dá ou recebe sem paixão. Nesse, dá-se apenas o encontro dos corpos o toque simples e fugaz, para logo se dar de novo, o afastamento que fende e separa.
No outro, não. Os corpos dos dois apaixonados como que se fundem no abraço, em completa simbiose de sentimentos em exaltação. Há uma parte que chega, enfim, para completar a outra. E mesmo quando se afastam, um continua a preencher o outro como mais um órgão que dele faça naturalmente parte.
Não, não ando a ler Alberoni, só pus as memórias a funcionar...
Preguiça, ou não
Um gajo tem que sair por uns dias. Chora-se e lamenta-se e faz festinhas no monitor porque não pensa conseguir sobreviver tanto tempo longe do seu bloguinho querido, dos mails, dos blogs dos amigos, da rotinazinha diária que tanta falta lhe faz...
Lá longe, no primeiro dia ainda sai um suspirozinho de saudade, mas nessa noite, a conversa, as pessoas novas, o restaurante, preenchem de tal forma que, caindo na cama do hotel já de madrugada, nem dá para lembrar do blog mas sim reviver alguns dos momentos da noite. Nos outros dias, o ritmo, os acontecimentos tão diferentes da vidinha normal, o cansaço, a viagem de regresso, o dormir até tarde para recuperar, ocupam o resto do tempo.
Um gajo acaba por estar 4 dias sem escrever. E depois já não sabe como se faz para chegar aqui e recomeçar. Ou afinal não lhe apetece.
Sempre se pode viver sem blogar...
Um gajo acaba por estar 4 dias sem escrever. E depois já não sabe como se faz para chegar aqui e recomeçar. Ou afinal não lhe apetece.
Sempre se pode viver sem blogar...
20.11.04
Desentusiasmem-se
que eu não fui ali ao Harrods fazer umas comprinhas.
Nopes, nada de tão interessante, apenas uma viagem de trabalho que foi ir num dia (num pé) e vir no outro.
Isto é, se não considerarem interessante o facto de ter almoçado com o Presidente Narciso Miranda, himself, num restaurante fabuloso em Matosinhos pois havia de ser onde e de ter comido o leite-creme mais maravilhoso que alguma vez na minha vida haverei de provar (com frutas, alguém se lembraria duma coisa destas?) e, como bónus, ainda ter tido o Dr. Mário Soares de passagem na nossa mesa, para dois dedos de conversa. Cousa pouca.
Nopes, nada de tão interessante, apenas uma viagem de trabalho que foi ir num dia (num pé) e vir no outro.
Isto é, se não considerarem interessante o facto de ter almoçado com o Presidente Narciso Miranda, himself, num restaurante fabuloso em Matosinhos pois havia de ser onde e de ter comido o leite-creme mais maravilhoso que alguma vez na minha vida haverei de provar (com frutas, alguém se lembraria duma coisa destas?) e, como bónus, ainda ter tido o Dr. Mário Soares de passagem na nossa mesa, para dois dedos de conversa. Cousa pouca.
17.11.04
Globalização
Nem anti, nem pró, antes assim-assim...
Uma Conferência num qualquer hotel de Lisboa, não digo qual, por causa da publicidade mas era ali para os lados das Olaias...e, por entre assistentes sociais, sociólogos, representantes de autarquias e de outros organismos públicos e privados, eis que se senta a meu lado uma senhora, passando por mim entre sorrisos delicados, como quem pede desculpa por incomodar. Gostei logo dela e sorri de volta. Alta, magra, cabelos louros naturais, na casa dos 50. E o sorriso polido, educado, very british. Tinha um pas de quoi indefinível, que, nesse momento, não consegui explicar...
Mais tarde, olhando distraídamente para o saco onde ela guardava, com naturalidade, as pastas com a documentação, percebi o que a destacava de entre os outros participantes. Num normalíssimo plástico branco, podia ler-se, em letras azuis uma pequena palavra:
Harrods.
vou ali num instante, vou num pé e venho no outro, fazer umas comprinhas, coisa pouca e já volto, tá?
Uma Conferência num qualquer hotel de Lisboa, não digo qual, por causa da publicidade mas era ali para os lados das Olaias...e, por entre assistentes sociais, sociólogos, representantes de autarquias e de outros organismos públicos e privados, eis que se senta a meu lado uma senhora, passando por mim entre sorrisos delicados, como quem pede desculpa por incomodar. Gostei logo dela e sorri de volta. Alta, magra, cabelos louros naturais, na casa dos 50. E o sorriso polido, educado, very british. Tinha um pas de quoi indefinível, que, nesse momento, não consegui explicar...
Mais tarde, olhando distraídamente para o saco onde ela guardava, com naturalidade, as pastas com a documentação, percebi o que a destacava de entre os outros participantes. Num normalíssimo plástico branco, podia ler-se, em letras azuis uma pequena palavra:
Harrods.
vou ali num instante, vou num pé e venho no outro, fazer umas comprinhas, coisa pouca e já volto, tá?
15.11.04
Por acaso
há por aí alguém que não se importe muito de me dizer se a barra do lado direito, agora transformada em quadro a laranja, vos aparece GORDA a ocupar metade do monitor, ou é só comigo?
E, se sim, porque raios isso acontece se no preview, estava tudo direitinho?? E o smilie aparece ou, tal como aqui (grrrr...), não??
A gerência agradece.
E, se sim, porque raios isso acontece se no preview, estava tudo direitinho?? E o smilie aparece ou, tal como aqui (grrrr...), não??
A gerência agradece.
O sentido da vida
não, não é dos Monty Python mas poderia muito bem ser...
1. Para a vida ter sentido é preciso estar vivo. Um gajo morto não deve ter muito jeito para achar sentidos, sejam eles quais forem.
2. Pressupondo então que se está vivo, é importante saber o sentido para onde se vai. Se não se souber, o mais certo é ir parar a um beco qualquer onde se acaba por encontrar um bando que assalta um gajo e o esfaqueia, o que nos leva de volta ao pressuposto 1.
3. Isto implica que também se devem ter todos os sentidos álerta. Nota: no caso dos gajos estes são 5, já as gajas terão que activar os 6.
4. Sentidos significa sentir. Um gajo deve então estar preparado para não gritar se tiver que andar sobre carvões em brasa, ou passar por um bosque de cactos em roupa interior, consoante o local do planeta onde viva. Estas provas são muito importantes para se poder dizer que a vida foi sentida.
5. Finalmente...eu sei, nada disto faz o mínimo sentido, mas que querem, também me posso dar ao luxo de alucinar de vez em quando, não??
E eu juro que nada disto foi copiado daqui nem daqui.
1. Para a vida ter sentido é preciso estar vivo. Um gajo morto não deve ter muito jeito para achar sentidos, sejam eles quais forem.
2. Pressupondo então que se está vivo, é importante saber o sentido para onde se vai. Se não se souber, o mais certo é ir parar a um beco qualquer onde se acaba por encontrar um bando que assalta um gajo e o esfaqueia, o que nos leva de volta ao pressuposto 1.
3. Isto implica que também se devem ter todos os sentidos álerta. Nota: no caso dos gajos estes são 5, já as gajas terão que activar os 6.
4. Sentidos significa sentir. Um gajo deve então estar preparado para não gritar se tiver que andar sobre carvões em brasa, ou passar por um bosque de cactos em roupa interior, consoante o local do planeta onde viva. Estas provas são muito importantes para se poder dizer que a vida foi sentida.
5. Finalmente...eu sei, nada disto faz o mínimo sentido, mas que querem, também me posso dar ao luxo de alucinar de vez em quando, não??
E eu juro que nada disto foi copiado daqui nem daqui.
14.11.04
Estava mesmo
a apetecer-me, dar uma volta a este raio deste template.
Camião de mudanças e toca de passar de um r/c ranhoso para uma cobertura duplex.
Mas não estou com pachorra.
Fosga-se, este blog está a ficar cá de um enjoo...Vou mas é passear ao sol LINDO para ver se me passa
Camião de mudanças e toca de passar de um r/c ranhoso para uma cobertura duplex.
Mas não estou com pachorra.
Fosga-se, este blog está a ficar cá de um enjoo...Vou mas é passear ao sol LINDO para ver se me passa
Constatações
Primeiro - Beja descobriu o sistema de entrega de pizzas ao domicílio.
Segundo - Infelizmente não é o Pizza Hut, ou quejandos.
Terceiro - Apesar de não terem sabor, são a salvação de qualquer Domingo.
Segundo - Infelizmente não é o Pizza Hut, ou quejandos.
Terceiro - Apesar de não terem sabor, são a salvação de qualquer Domingo.
13.11.04
Porque é correcto
e justo.
E porque uma das formas que temos de nos expressar junto do poder é através de mecanismos de participação cívica, de todo o género.
Os blogs são um deles.
Por isso, ali a partir da Cat , cá vai:
Dispenso receber a explicação do OE para 2005 por carta. O valor do meu selo que seja entregue a uma Cerci.
12.11.04
11.11.04
Palavras
de que queremos apropriar-nos.
Que poderiam muito bem ter sido escritas por nós.
Em blogs de uma rara beleza, que se descobrem de vez em quando
Soubesses tu tudo o que guardo cá dentro.
Soubesses tu há quanto tempo me persegues, sempre sem saires do teu mundo.
Soubesses tu o quanto...
Que poderiam muito bem ter sido escritas por nós.
Em blogs de uma rara beleza, que se descobrem de vez em quando
Soubesses tu tudo o que guardo cá dentro.
Soubesses tu há quanto tempo me persegues, sempre sem saires do teu mundo.
Soubesses tu o quanto...
Arafat
Do lado israelita
ouviu-se da boca de altos responsáveis políticos "ainda bem que ele desapareceu deste mundo", os meios de comunicação social, subliminarmente vão passando a mensagem de Arafat enquanto responsável por atentados, terrorismo e mortes.
Em resposta a isto uma imagem e três palavras:
Quem começou o conflito não foram os que, com fundas e fisgas lançam pedras contra tanques.
Quem, com lágrimas de crocodilo, condena as manifestação radicais palestinas é o mesmo que lhes deu a origem e é quem tem que recuar.
Quem, cheio de hipocrisia justifica a ocupação militar de um território é quem adia os passos necessários para a construção de um mundo que reconheça o respeito por todos os povos e o seu direito à independência e autodeterminação.
No momento em que morre Arafat e o mundo aguarda o passo seguinte, só me ocorre uma frase, lida há uns anos numa edição da Festa do Ávante, em que foi erigido na Praça Central um memorial ao povo Palestino, uma réplica de um lenço palestino aos quadrados pretos e brancos - o "keffia" - em tamanho gigante com um monte de pedras brancas mais alto que um homem, por cima.
Em frente, numa pequena tabuleta, lia-se:
"Em nome de todas as pedras
que compõem a tua pequena casa
Resiste, resiste"
ouviu-se da boca de altos responsáveis políticos "ainda bem que ele desapareceu deste mundo", os meios de comunicação social, subliminarmente vão passando a mensagem de Arafat enquanto responsável por atentados, terrorismo e mortes.
Em resposta a isto uma imagem e três palavras:
Quem começou o conflito não foram os que, com fundas e fisgas lançam pedras contra tanques.
Quem, com lágrimas de crocodilo, condena as manifestação radicais palestinas é o mesmo que lhes deu a origem e é quem tem que recuar.
Quem, cheio de hipocrisia justifica a ocupação militar de um território é quem adia os passos necessários para a construção de um mundo que reconheça o respeito por todos os povos e o seu direito à independência e autodeterminação.
No momento em que morre Arafat e o mundo aguarda o passo seguinte, só me ocorre uma frase, lida há uns anos numa edição da Festa do Ávante, em que foi erigido na Praça Central um memorial ao povo Palestino, uma réplica de um lenço palestino aos quadrados pretos e brancos - o "keffia" - em tamanho gigante com um monte de pedras brancas mais alto que um homem, por cima.
Em frente, numa pequena tabuleta, lia-se:
"Em nome de todas as pedras
que compõem a tua pequena casa
Resiste, resiste"
10.11.04
E a seguir
este blog tem que referir que este homem
faz hoje 91 anos.
E que se lixem, com f as más línguas.
Álvaro Cunhal foi e será sempre uma figura incontornável da nossa História. Uma instituição, um líder político carismático como nenhum outro.
Escolhi-o nesta foto, a preto e branco, nesta época, porque é assim que considero que devemos homenageá-lo. Um homem simples apesar da sua cultura, enérgico, lutador, irreverente, de peito e sorriso abertos nesta foto, como em tantas e tantas ocasiões em que nos cruzámos, nos caminhos de numa luta comum.
Por isso estarei hoje no jantar em sua homenagem, organizado por comunistas, anti-fascistas e outros democratas.
Até sempre, Álvaro!
faz hoje 91 anos.
E que se lixem, com f as más línguas.
Álvaro Cunhal foi e será sempre uma figura incontornável da nossa História. Uma instituição, um líder político carismático como nenhum outro.
Escolhi-o nesta foto, a preto e branco, nesta época, porque é assim que considero que devemos homenageá-lo. Um homem simples apesar da sua cultura, enérgico, lutador, irreverente, de peito e sorriso abertos nesta foto, como em tantas e tantas ocasiões em que nos cruzámos, nos caminhos de numa luta comum.
Por isso estarei hoje no jantar em sua homenagem, organizado por comunistas, anti-fascistas e outros democratas.
Até sempre, Álvaro!
E agora
para algo completamente diferente. Vamos a coisas verdadeiramente sérias que isto posts p'ó pseudo-poéticourbanosocialdepressivo não tão é com nada! Por isso, declaro:
Não há pachorra para aturar certas aventesmas, Santíssimo Sacramento, Nossa Senhora d'Agrela!!(não sabem quem é? Eu também não)
Não há pachorra para aturar certas aventesmas, Santíssimo Sacramento, Nossa Senhora d'Agrela!!(não sabem quem é? Eu também não)
9.11.04
Caminhava
sem rumo, com passos lentos sobre as lajes seculares, que acordavam ecos nas ruas desertas àquela hora. Sem rumo, apreciando apenas o perfume da noite, uma janela antiga, os candeeiros de parede derramando a sua luz amarelada no caminho. As ruelas e becos com mais de vinte séculos tinham, áquela hora um encanto especial nunca perceptível à luz fria e crua do dia.
Deixava o pensamento voar, solto, por entre aquelas paredes de taipa, os telhados onde o musgo se formava entre as telhas, as árvores (tílias?) que desenhavam sombras fantasmagóricas no chão.
E olhava, furtivamente, para dentro de algumas janelas semiabertas, mesmo de noite, mercê de antigos hábitos de confiar, de afirmar hospitalidade, há sempre lugar para mais um, venham mais cinco, será benvindo quem vier por bem. Nunca fora de outra forma, ao longo dos tempos, em terras onde a pobreza era a lei mas apesar disso, ou talvez por isso, sempre se conseguia com engenho e arte enganar o estômago, fosse acrescentando umas fatias de pão escuro à àgua perfumada de coentros e alho, ou cozendo mais umas couves com batatas, apanhadas da horta à hora a que chegara, sem avisar, o visitante.
Deixava o pensamento voar, solto, por entre aquelas paredes de taipa, os telhados onde o musgo se formava entre as telhas, as árvores (tílias?) que desenhavam sombras fantasmagóricas no chão.
E olhava, furtivamente, para dentro de algumas janelas semiabertas, mesmo de noite, mercê de antigos hábitos de confiar, de afirmar hospitalidade, há sempre lugar para mais um, venham mais cinco, será benvindo quem vier por bem. Nunca fora de outra forma, ao longo dos tempos, em terras onde a pobreza era a lei mas apesar disso, ou talvez por isso, sempre se conseguia com engenho e arte enganar o estômago, fosse acrescentando umas fatias de pão escuro à àgua perfumada de coentros e alho, ou cozendo mais umas couves com batatas, apanhadas da horta à hora a que chegara, sem avisar, o visitante.
Olhava, por entre as cortinas de linho, sentindo-se como que a roubar pedaços daquelas vidas, onde havia luzes, e calor de lareiras acesas e sons de risos e conversas. Aspirava com sofreguidão, quase com volúpia, aromas de refeição quente acabada de colocar sobre a mesa, cheiros de azinho a queimar, café fresco que adivinhava fumegante na caneca de barro.
E caminhava. Desfiando sonhos e memórias como contas de um rosário em ladainha domingueira. Memórias de outro tempo, outras ruas e outras casas com os mesmos cheiros, os mesmos sons. Outros tempos em que, do lado de dentro, se sentava a outras mesas e sorvia o café forte, fumegante, em goles pequenos da caneca de barro e estendia as pernas para o lume e alguém lhe acariciava o cabelo, de passagem, por entre sorrisos.
Caminhava. Sem rumo.
A igreja, branca, estratégicamente iluminada por neons de um branco-amarelado. Olhou-a como quem cumprimenta um velho amigo, o coração cheio de ternura e orgulho por estar ali e aquela igreja também, testemunhas da cidade. Céus, como amava aquela cidade! Que sempre fora a sua, má mãe diriam uns, melhor madrasta, apregoariam outros, não lhe interessava, era sua e melhor que todas as outras que tinha conhecido ou aquelas que nem conseguia imaginar.
Quase no fim da rua, sem se anunciar, no desembocar de uma curva, ali estava, imponente, o castelo. Personagem de outras histórias, de batalhas e conquistas, miséria e glória, de amores e traições e sangue derramado em lavagens de honra ofendida. Sorriu-lhe, cúmplice. Os cartões que arrumara no recanto escondido junto à muralha, debaixo de uma velha oliveira, continuavam no lugar. Estendeu-os e deitou-se com as estrelas como tecto. Felizmente não chovia. Tirou do bolso do casaco esburacado uma velha fotografia amarelecida e amarrotada e ficou ali, a contemplar-se garboso e sorridente no retrato, a mulher sentada com o filho mais novo no colo. A miúda, crescida, muito séria à sua frente, as suas mãos sobre os ombros pequenos num gesto inconsciente de protecção. Adormeceu a sorrir, feliz.
Quem passou por ali naquela noite, apenas viu mais um vagabundo, velho, sujo, talvez bêbado e apressou o passo, deviando o olhar.
7.11.04
Cartas nunca escritas
"...para que tudo isto adormeça e se esconda dentro de mim, num cantinho muito fundo de onde nunca mais possa sair. Ficarás sempre lá, mesmo que eu te diga que é mentira."
Descobertas
O meu filho, após ter colado o seu primeiro mapa-mundo na parede do quarto (cheira-me que vem por aí um longo período negro de paredes forradas a posters de cantores rap e gajas semi-nuas...)
- Mãe, sabias que o planeta é constituído por 71% de água e apenas 29% de terra?
- Sabia, filho...
(praguejando entredentes que gostava de saber é porque é que metade dos 29% se encontra em cima dos móveis da minha sala...grrrr)
- Mãe, sabias que o planeta é constituído por 71% de água e apenas 29% de terra?
- Sabia, filho...
(praguejando entredentes que gostava de saber é porque é que metade dos 29% se encontra em cima dos móveis da minha sala...grrrr)
De
ruinas nascem palavras como estas.
A solidão é esta tarde quente, tranquila de inocência, em que me disseco e escrevo, é a súmula das mãos que os outros não nos estendem nas horas de aperto, o eu mais profundo de nós onde um dia receberemos a benção inalcançável dos infinitos. A solidão é tudo isso e muito mais. Ou uma coisa assim, parecida.
A solidão é esta tarde quente, tranquila de inocência, em que me disseco e escrevo, é a súmula das mãos que os outros não nos estendem nas horas de aperto, o eu mais profundo de nós onde um dia receberemos a benção inalcançável dos infinitos. A solidão é tudo isso e muito mais. Ou uma coisa assim, parecida.
6.11.04
Só mesmo
porque aproveitei um minuto para vir aqui dar uma vista de olhos em dois ou três dos meus blogues favoritos e encontrei metade sem terem nada de posts actualizados e fiquei logo neura porque gosto de chegar lá e ter sempre coisas novas para me rir ou chorar ou eternecer embora saiba que é Sábado e está um sol lindo e eu própria vá aproveitar para sair agorinha mesmo e passear e sei lá quando volto, ou sequer se voltarei, só mesmo por isso é que vim aqui escrever isto para não vos acontecer a vocês, queridos leitores, o que acabou de me acontecer a mim. Não vos quero neuras num dia tão bonito, ok??
Beijinhos
Beijinhos
5.11.04
Isto
é algo de horrível, admito, altamente traumatizante ou como diria um Inglês, disgusting!.
Mas atendendo ao interesse despertado, ilustro desta forma o monstro que eliminei da face da Terra.
Algo parecido com isto, se substituirem essa tonalidade de verde das asas, por preto. Brrrrr....Cruzes!
Mas atendendo ao interesse despertado, ilustro desta forma o monstro que eliminei da face da Terra.
Algo parecido com isto, se substituirem essa tonalidade de verde das asas, por preto. Brrrrr....Cruzes!
4.11.04
Matei
um escaravelho.
A bem dizer até pode nem ter sido bem um escaravelho, certo é que era um espécime couraçado preto, daqueles que fazem crrrssshhhh quando se esmagam (bléarghh!), tinha várias patas (peludas!) de ambos os lados da dita couraça e movia-se a uma velocidade razoável, por detrás dos móveis.
Escusado será dizer que foi o caos...bichos rastejantes são coisas com quem nunca gostei de socializar...
Armei-me de esfregona, sacudi os putos para fora da sala e montei uma estratégia de ataque em três frentes:
- A primeira foi pôr uma cadeira à frente, entre mim e o monstro. Sim, porque estão a ver o que era se aquilo se lembrasse de subir pelos meus pés acima??
- Depois foi tentar enganar o bicho como se faz nos filmes, em que o herói manda uma pedra para um lado, o inimigo ouve o barulho e - tanso - vai para esse lado enquanto o outro lhe aparece por detrás e pimba! Mas o animal não parecia ter visto muitos filmes, vai daí nem se moveu quando atirei as minhas preciosas conchas para o espaço entre a estante e a lareira, esperando-o do outro lado.
- Ainda pensei utilizar a táctica do fumo para fazer o sacana sair da toca mas, considerando que corria o risco de ter os vizinhos a chamar a polícia julgando que eu tinha incendiado a casa (pela segunda vez...), achei melhor estar quieta.
Não restou mais alternativa que arrastar a estante, sempre controlando o local onde, alapado, o monstro esperava que eu desistisse. Depois de ter a estante no meio da sala, com poucos danos, se exceptuarmos a queda de vários livros em cima da PS2 do puto e o facto de ter ficado com os fios dos vários aparelhos electrónicos todos desligados e a tomada semi-arrancada da parede, iniciei o ataque final. Bem...quase. Porque nesse preciso momento o bicho resolve dar uma corrida rápida, rasando os meus pés o que fez com que algumas palavras menos próprias saissem dos meus castos lábios, enquanto pulava para cima da cadeira aos gritos (histérica, eu??) e desferia vários golpes, ou estocadas, se quiserem, de esfregona em cima do horroroso, produzindo finalmente o característico ruído já descrito. Que nojo!! Não devia ser permitido a existência destes animais! Onde já se viu?
A bem dizer até pode nem ter sido bem um escaravelho, certo é que era um espécime couraçado preto, daqueles que fazem crrrssshhhh quando se esmagam (bléarghh!), tinha várias patas (peludas!) de ambos os lados da dita couraça e movia-se a uma velocidade razoável, por detrás dos móveis.
Escusado será dizer que foi o caos...bichos rastejantes são coisas com quem nunca gostei de socializar...
Armei-me de esfregona, sacudi os putos para fora da sala e montei uma estratégia de ataque em três frentes:
- A primeira foi pôr uma cadeira à frente, entre mim e o monstro. Sim, porque estão a ver o que era se aquilo se lembrasse de subir pelos meus pés acima??
- Depois foi tentar enganar o bicho como se faz nos filmes, em que o herói manda uma pedra para um lado, o inimigo ouve o barulho e - tanso - vai para esse lado enquanto o outro lhe aparece por detrás e pimba! Mas o animal não parecia ter visto muitos filmes, vai daí nem se moveu quando atirei as minhas preciosas conchas para o espaço entre a estante e a lareira, esperando-o do outro lado.
- Ainda pensei utilizar a táctica do fumo para fazer o sacana sair da toca mas, considerando que corria o risco de ter os vizinhos a chamar a polícia julgando que eu tinha incendiado a casa (pela segunda vez...), achei melhor estar quieta.
Não restou mais alternativa que arrastar a estante, sempre controlando o local onde, alapado, o monstro esperava que eu desistisse. Depois de ter a estante no meio da sala, com poucos danos, se exceptuarmos a queda de vários livros em cima da PS2 do puto e o facto de ter ficado com os fios dos vários aparelhos electrónicos todos desligados e a tomada semi-arrancada da parede, iniciei o ataque final. Bem...quase. Porque nesse preciso momento o bicho resolve dar uma corrida rápida, rasando os meus pés o que fez com que algumas palavras menos próprias saissem dos meus castos lábios, enquanto pulava para cima da cadeira aos gritos (histérica, eu??) e desferia vários golpes, ou estocadas, se quiserem, de esfregona em cima do horroroso, produzindo finalmente o característico ruído já descrito. Que nojo!! Não devia ser permitido a existência destes animais! Onde já se viu?
Depois ainda tive que limpar a a porcaria dos restos mortais do animal, amarelos! e desinfectar-me dos pés à cabeça com álcool! Que nojo!
Finally!
Foi só ir ali ao weblog, pesquisar os termos do serviço! A ver se o menino não entrou logo na linha! respeitinho, é bonito não é senhor blogger?
Eu sei que
isto é recorrente mas a verdade é que me chateia não ter tempo ou inspiração, chamem-lhe o que quiserem, para vir aqui todos os dias comme il faut (é assim??), postar um texto todo bonito, poético, reflexivo, assertivo, inteligente, mais ou menos político, actual, como vejo noutros blogs que admiro. Mas não tenho condições e pronto! E também sei que também ninguém me pede explicações nem eu tenho que as dar mas incomoda-me não dizer nada e virem aqui pessoas (40 por dia? chiça!)à procura das minhas parvoíces e baterem com o nariz na porta, que é como quem diz no éter, porque sua excelência não teve um minuto para dar uma satisfaçãozinha. É uma questão de delicadeza, parece-me.
Resumindo, este post é para pedir desculpas por uma ausência que pode tornar-se rotineira.
Resumindo, este post é para pedir desculpas por uma ausência que pode tornar-se rotineira.
3.11.04
1.11.04
É impressão minha
ou esta treta de blog está a demorar um tempão do caraças para abrir?
Será que está demasiado cheio de cenas sem interesse?
Ou será só aqui no meu pc e tem a ver com o raio da ligação à net?
Ai, ai estas questões existenciais cansam-me...
Ou será só aqui no meu pc e tem a ver com o raio da ligação à net?
Ai, ai estas questões existenciais cansam-me...
Informo
a quem possa interessar, que hoje o lanche foi isto
embora num modelo sem pauzinho e assim espalmado entre duas folhas de bolacha crocante, estão a ver como é? Pois. Não encontrei foto desses online mas deve ser porque são novos...claro que tinha que experimentar, ora...o quê...ah, a garganta? O frio faz bem, é ou não é? Não é? E quando a malta era operada às amigdalas e só podia comer gelados, hein?
embora num modelo sem pauzinho e assim espalmado entre duas folhas de bolacha crocante, estão a ver como é? Pois. Não encontrei foto desses online mas deve ser porque são novos...claro que tinha que experimentar, ora...o quê...ah, a garganta? O frio faz bem, é ou não é? Não é? E quando a malta era operada às amigdalas e só podia comer gelados, hein?
31.10.04
Há blogs
que são simplesmente um achado precioso. E mais ainda quando existem apenas para dar prazer a quem os escreve e a quem tiver a sorte de os descobrir, não têm contadores, trackers, referrels e quejandos, estão-se nas tintas para se têm audiências ou não (e comentários...buááááá) e eu admiro-os imenso por serem assim. Por isso, tenho que os ter ali ao lado.
E mais não digo.
E mais não digo.
Pois tá
benzinho sim senhora, uma pessoa desaparece, diz que tá afónica e assim se vê a vossa preocupação, seus desnaturados que nem uma perguntinha de estás bem, já morreste ou essas coisas de circunstância que se dizem nestas alturas.
Tá muito bem, sim senhor, muito bem mesmo!
Em troca não vou contar nada, nadinha do que andei a fazer no fim-de-semana e que me deixou a garganta neste estado.
Ora tomem!
Tá muito bem, sim senhor, muito bem mesmo!
Em troca não vou contar nada, nadinha do que andei a fazer no fim-de-semana e que me deixou a garganta neste estado.
Ora tomem!
Honrosa excepção seja feita ao Faroleiro, ao Pedra e ao Eye,...os outros....Humpf! Duas vezes Humpf!
ihihihihih (rindo à sucapa)
29.10.04
Não posso
escrever hoje. Tou sem voz.
muito frio, a falar pelos cotovelos todo o dia, estava-se mesmo a ver...garganta toda arranhada, quase afónica.
muito frio, a falar pelos cotovelos todo o dia, estava-se mesmo a ver...garganta toda arranhada, quase afónica.
28.10.04
E depois
tudo perde, de súbito, a importância e somos obrigados a relativizar estas merdas, conferindo-lhes o devido valor que elas têm - e que é nenhum - quando, ao longe, se ouve uma vozinha, abafada pelos cobertores "vá lá, despacha-te que ainda não me vieste dar o beijinho de boa-noite"...
vou ali chorar baba e ranho num instante e já volto.
vou ali chorar baba e ranho num instante e já volto.
Vinha
aqui escrever um post sobre uma treta qualquer de que me iria lembrar na hora, para encher chouriços, que é como quem diz, para vocês todos que ainda se dão ao trabalho de cá vir não pensarem que já não ligo nada a isto, o que é uma verdade inalienável mas não posso dizer porque senão sentem-se defraudados e nunca mais voltam e eu fico down se não tenho as vossas visitas e comentáriozitos que fazem o frete de deixar e ...mas eu ia dizer o quê?...perem aí que vou ler o que escrevi....ah pois, vinha aqui então, quando, antes de o fazer e sem me dar conta, eis que já estou perdida no meu mais recente passatempo que é, imaginem!, ler arquivos. Sim, os meus e os de outros. Que é uma coisa que a maioria de nós se esquece de fazer. Já se sabe, o costume, o stress, a falta de tempo, as outras mil desculpas e vamos actualizando - mal e porcamente, diga-se - os posts diários que os amigos produzem qual cogumelos depois da chuva (chiça! muito escreve esta gente!).
Enfim, ler arquivos é algo de muito transcendente, acreditem. Encontramos fases de amigos que conhecemos agora e que nos ajudam a conhecê-los melhor. Encontramos pérolas de verdade, escritas por desconhecidos que nos fazem ter a sensação de os conhecer há séculos.
E encontramos coisas nossas, umas bonitas, outras nem por isso, outras que nos fazem apetecer dizer "estúpida, estúpida, estúpida" vezes sem fim...
Enfim, ler arquivos é algo de muito transcendente, acreditem. Encontramos fases de amigos que conhecemos agora e que nos ajudam a conhecê-los melhor. Encontramos pérolas de verdade, escritas por desconhecidos que nos fazem ter a sensação de os conhecer há séculos.
E encontramos coisas nossas, umas bonitas, outras nem por isso, outras que nos fazem apetecer dizer "estúpida, estúpida, estúpida" vezes sem fim...
Acasos
de Letras que, de tanta intensidade quase nos sufocam, como um vento em fúria que nos atinja em cheio no rosto.
Acasos, em que acredito - e ele não ;-) - levaram à descoberta destas Letras que compõem algumas das Palavras mais bem escritas que vi até agora,
Se eu tivesse sabido antes que os corações eram feitos de todos os doces! Mas nunca o soube. Descobri-o contigo.
Ao Acaso, de link em link, de Letra em Letra surge um blog imperdível a partir de agora.
Acasos, em que acredito - e ele não ;-) - levaram à descoberta destas Letras que compõem algumas das Palavras mais bem escritas que vi até agora,
Se eu tivesse sabido antes que os corações eram feitos de todos os doces! Mas nunca o soube. Descobri-o contigo.
Ao Acaso, de link em link, de Letra em Letra surge um blog imperdível a partir de agora.
27.10.04
Aviso
aos mais distraídos:
O texto de título "O canário" só faz sentido se lido na sequência do anterior e dos respectivos comentários. Que querem, sou assim, gosto destes detalhes (mariquices, pois) e depois há comentários que fazem germinar a vontade de prolongar determinada história. Esta caso foi um desses.
O texto de título "O canário" só faz sentido se lido na sequência do anterior e dos respectivos comentários. Que querem, sou assim, gosto destes detalhes (mariquices, pois) e depois há comentários que fazem germinar a vontade de prolongar determinada história. Esta caso foi um desses.
Andei para dizer isto o dia todo mas o blogger não deixou...beijinhos, beijinhos que amanhã o dia é longo.
Issa!
chiça! "charenga"! C#$%$###! Porra, que é demais! Um dia inteiro a tentar abrir o pa&%$#/&#eiro do blogger e nada!
Andei a vasculhar o weblog, o sapo e palavra de honra que só me apeteceu pegar nas malas assim que isto abrisse e mudar-me de armas e bagagens!
se ele se portar bem daqui para a frente talvez pondere ficar (pronto, não é por nada, tão a ver o trabalhão que era e coiso e assim...)
26.10.04
O canário
Passa um algodão pelos olhos enquanto se observa no espelho.
Com cuidado, retira todos os vestígios de uma maquilhagem diligentemente aplicada por uma jovem, irredutível aos seus pedidos de "Já chega", "Não me ponha essa coisa gordurosa" "Era só uma coisa discreta..." e a resmunguice do costume. O que valia era o profissionalismo da miúda e o facto de já a conhecer, de outros carnavais...
Vai pensando nos últimos acontecimentos enquanto o rosto se despe de produtos e retoma a cor original, as olheiras, as pequenas sardas, algumas rugas, e só pára quando o espelho lhe devolve a imagem limpa e lavada e o olhar de sempre. Demora-se um bocado nesse olhar, o seu. Pensa que lhe parece menos brilhante, tenta comparar-se consigo própria há uns anos atrás e conclui que, apesar de tudo, gosta mais de si agora. Física e mentalmente mais velha, é certo, mas com uma serenidade conferida pela experiência de vida que parece envolvê-la numa luz suave. É uma luz que a cobre como um manto quase invisível, tecido com algum material misterioso, muito mais fino que a mais fina teia de aranha. E por isso nem todos a vêem. Convence-se que quem sabe disto é mesmo "O Principezinho" e que só alguém que veja com os olhos do coração descobrirá a luz. Pode nunca se cruzar com quem saiba ver assim. Pode até passar junto a esse alguém, a milímetros de distância, caminhando rápidamente em sentido oposto, ou retirar o seu carro de um estacionamento no minuto exacto em que essa pessoa estaciona ao seu lado. São escassos segundos de diferença que determinam o rumo de uma vida. E por isso acredita em acasos. O acaso contra o destino. Não aceita que lhe falem em destino, linhas escritas algures no nada, onde está previsto o que vai acontecer, ao minuto, a cada ser humano deste planeta. Já o acaso sim, a decisão repentina de virar por uma estrada diferente da habitual, o atraso que faz perder um último avião, os segundos a mais para pagar um café, por causa de uma carteira que se abre e espalha todo o seu conteúdo no chão, o carro que afinal não pega ao sair do estacionamento e alguém que estaciona ao lado se oferece para verificar...Não adianta lutar contra ele, o acaso.
Com cuidado, retira todos os vestígios de uma maquilhagem diligentemente aplicada por uma jovem, irredutível aos seus pedidos de "Já chega", "Não me ponha essa coisa gordurosa" "Era só uma coisa discreta..." e a resmunguice do costume. O que valia era o profissionalismo da miúda e o facto de já a conhecer, de outros carnavais...
Vai pensando nos últimos acontecimentos enquanto o rosto se despe de produtos e retoma a cor original, as olheiras, as pequenas sardas, algumas rugas, e só pára quando o espelho lhe devolve a imagem limpa e lavada e o olhar de sempre. Demora-se um bocado nesse olhar, o seu. Pensa que lhe parece menos brilhante, tenta comparar-se consigo própria há uns anos atrás e conclui que, apesar de tudo, gosta mais de si agora. Física e mentalmente mais velha, é certo, mas com uma serenidade conferida pela experiência de vida que parece envolvê-la numa luz suave. É uma luz que a cobre como um manto quase invisível, tecido com algum material misterioso, muito mais fino que a mais fina teia de aranha. E por isso nem todos a vêem. Convence-se que quem sabe disto é mesmo "O Principezinho" e que só alguém que veja com os olhos do coração descobrirá a luz. Pode nunca se cruzar com quem saiba ver assim. Pode até passar junto a esse alguém, a milímetros de distância, caminhando rápidamente em sentido oposto, ou retirar o seu carro de um estacionamento no minuto exacto em que essa pessoa estaciona ao seu lado. São escassos segundos de diferença que determinam o rumo de uma vida. E por isso acredita em acasos. O acaso contra o destino. Não aceita que lhe falem em destino, linhas escritas algures no nada, onde está previsto o que vai acontecer, ao minuto, a cada ser humano deste planeta. Já o acaso sim, a decisão repentina de virar por uma estrada diferente da habitual, o atraso que faz perder um último avião, os segundos a mais para pagar um café, por causa de uma carteira que se abre e espalha todo o seu conteúdo no chão, o carro que afinal não pega ao sair do estacionamento e alguém que estaciona ao lado se oferece para verificar...Não adianta lutar contra ele, o acaso.
Satisfeita com as conclusões vai apagando todas as luzes no último gesto de todos os dias enquanto na sua mente desfila um conjunto de decisões para o resto da sua vida.
Antes de se deitar, num gesto automático e irracional, abre a janela...
24.10.04
Eu sei
que venho tarde.
Que deveria ter sido logo no dia, como todo aquele que quer prestar homenagem que se preze.
Mas também sei que ela era daquelas que não ligava a essas coisas. E que largaria uma gargalhada de criança se lho dissessem, talvez respondendo que: "deixa lá, não te preocupes, depois de me semearem eu volto".
Por isso aqui fica. Hoje, como poderia ter sido ontem ou no próprio dia 13, ou daqui a uns meses.
Semeei o canário
Semeei o canário.
É talvez uma semente que tenha demorado um pouco mais a nascer, porque tem asas e as asas crescem devagar. Mas eu sei, tenho a certeza que ainda um dia, subitamente, no alto duma árvore qualquer, eu avistarei essa ave. Como os meus olhos começam a ficar míopes e já confundo, muitas vezes, canários com raios de sol, espero que alguém, que ainda acredita em asas, me ajude a descobri-lo. E que não desista nunca de esperar a ave. Mesmo que ela tarde. Porque ela virá, temos que acreditar, perfumada de flores de laranjeira, rasgando portas de luz e inaugurando, com o seu canto, os dias claros de ums Primavera tão desejada.
E virá para sempre.
Maria Rosa Colaço, "Não quero ser grande"
Espero o canário Maria Rosa. Vou esperá-lo até ele vir é a melhor homenagem que me ocorre fazer-te. E que um raio de sol te ilumine lá onde estás.
Que deveria ter sido logo no dia, como todo aquele que quer prestar homenagem que se preze.
Mas também sei que ela era daquelas que não ligava a essas coisas. E que largaria uma gargalhada de criança se lho dissessem, talvez respondendo que: "deixa lá, não te preocupes, depois de me semearem eu volto".
Por isso aqui fica. Hoje, como poderia ter sido ontem ou no próprio dia 13, ou daqui a uns meses.
Semeei o canário
Semeei o canário.
É talvez uma semente que tenha demorado um pouco mais a nascer, porque tem asas e as asas crescem devagar. Mas eu sei, tenho a certeza que ainda um dia, subitamente, no alto duma árvore qualquer, eu avistarei essa ave. Como os meus olhos começam a ficar míopes e já confundo, muitas vezes, canários com raios de sol, espero que alguém, que ainda acredita em asas, me ajude a descobri-lo. E que não desista nunca de esperar a ave. Mesmo que ela tarde. Porque ela virá, temos que acreditar, perfumada de flores de laranjeira, rasgando portas de luz e inaugurando, com o seu canto, os dias claros de ums Primavera tão desejada.
E virá para sempre.
Maria Rosa Colaço, "Não quero ser grande"
Espero o canário Maria Rosa. Vou esperá-lo até ele vir é a melhor homenagem que me ocorre fazer-te. E que um raio de sol te ilumine lá onde estás.
Habituamo-nos
aos poucos, sem dar por isso, a ler sempre os mesmos blogs. Abrimos primeiro o nosso, vamos à listinha do lado direito, ou esquerdo, ou conforme e começamos por aquele de que mais gostamos, o favorito dos favoritos, actualizamos a leitura do post ou posts mais recentes do respectivo autor, mandamos umas bocas nos comentários - ou não - e partimos para o próximo. Depois, o tempo (sempre o tempo) urge e lemos mais dois ou três. Mesmo de pé, já de saída para uma outra terefa, ainda passamos os olhos por mais um ou dois. E assim, com falta de tempo, se passam os dias e se criam as rotinas.
Só que as rotinas fazem-nos perder tanta coisa.
Nem que seja o nascer do sol, porque há muito tempo não se faz uma directa ou porque o ritmo é tão acelerado que qualquer minuto a mais de descanso é uma bênção. Perdemos aos poucos a surpresa, o deslumbramento de nos acontecer o inesperado. Tudo passa a ser previsível, a rotina é previsível.
A rotina de leitura de blogs favoritos faz-nos perder o hábito de deambular ao acaso de um link para outro, de um título que nos derpertou a atenção para o seguinte e daí para outro ainda, completamente novo.
Foi assim que hoje descobri um blog, que entretanto acabou mas que nos deixou nos arquivos as suas maravilhosas pequenas histórias. Que pena não ter continuado.

Só que as rotinas fazem-nos perder tanta coisa.
Nem que seja o nascer do sol, porque há muito tempo não se faz uma directa ou porque o ritmo é tão acelerado que qualquer minuto a mais de descanso é uma bênção. Perdemos aos poucos a surpresa, o deslumbramento de nos acontecer o inesperado. Tudo passa a ser previsível, a rotina é previsível.
A rotina de leitura de blogs favoritos faz-nos perder o hábito de deambular ao acaso de um link para outro, de um título que nos derpertou a atenção para o seguinte e daí para outro ainda, completamente novo.
Foi assim que hoje descobri um blog, que entretanto acabou mas que nos deixou nos arquivos as suas maravilhosas pequenas histórias. Que pena não ter continuado.
23.10.04
O cante
"Os ricos não cantavam"
Foi assim que o interlocutor do Grupo Coral Alentejano "Os Ganhões de Castro Verde" iniciou a apresentação deste grupo de vozes, exclusivamente masculinas, afinadíssimas, cadenciadas e dolentes, com quem foi ontem encerrada a sessão de apresentação da Revista Alentejo, publicação da Casa do Alentejo em Lisboa.
Os ricos não cantavam...frase simples que encerra toda a história de um povo, que de sol a sol, abrasador por sinal, trabalhou nos campos imensos, semeando e ceifando e enfardando e carregando os fardos. E eram estes, os pobres, que punham no cante a mais bela expressão de todos os seus sonhos, dos desejos por cumprir e os seus cantares transportavam-nos, "vogando como barcos nos mares de trigo", em direcção a outros mundos, a outra vida mais fácil que aquela...E assim enganavam o lento passar das horas e tornavam mais leve a labuta diária pela vida.
Os ricos não, esses não cantavam.
Foi assim que o interlocutor do Grupo Coral Alentejano "Os Ganhões de Castro Verde" iniciou a apresentação deste grupo de vozes, exclusivamente masculinas, afinadíssimas, cadenciadas e dolentes, com quem foi ontem encerrada a sessão de apresentação da Revista Alentejo, publicação da Casa do Alentejo em Lisboa.
Os ricos não cantavam...frase simples que encerra toda a história de um povo, que de sol a sol, abrasador por sinal, trabalhou nos campos imensos, semeando e ceifando e enfardando e carregando os fardos. E eram estes, os pobres, que punham no cante a mais bela expressão de todos os seus sonhos, dos desejos por cumprir e os seus cantares transportavam-nos, "vogando como barcos nos mares de trigo", em direcção a outros mundos, a outra vida mais fácil que aquela...E assim enganavam o lento passar das horas e tornavam mais leve a labuta diária pela vida.
Os ricos não, esses não cantavam.
22.10.04
Conciliar
o cantar alentejano com um bom vinho - de preferência daquele tinto que só o Alentejo produz, digam lá o que disserem - já nós sabíamos ser possível.
Esta noite vamos confirmar que também se pode conciliar tudo isto com música clássica, à volta de conversas, livros e leituras.
Na Biblioteca Municipal José Saramago, 21.30h.
Esta noite vamos confirmar que também se pode conciliar tudo isto com música clássica, à volta de conversas, livros e leituras.
Na Biblioteca Municipal José Saramago, 21.30h.
21.10.04
Pois...
Pá, desculpem lá não ter respondido ali em baixo aos vossos comentários individualmente, fui agora ver à página 2345465768, artigo 23099485765º, alínea 9587576868ª, do Regulamento da Ética Bloguística e Boas-Maneiras (a primeira das quais e básica é NÃO chamar tansos aos leitores!) e, de facto, lá está: "deve todo o que almeja a ser considerado na comunidade pelos seus pares, responder a todos e todos significa MESMO todos (até os chatos e melgas...), individual e personalizadamente, o que em linguagem psicanalítica significa ter por eles um enorme respeito e consideração, facto que despertará nos mesmos um reflexo condicionado (não, isto não se refere ao cão do Pavlov!) de vontade de retribuir tratando o bloguer em análise da mesma forma" sic.
Prometo que assim que vocês se esqueçam desta argolada (ou sucessão delas...er...) e sintam vontade de me comentar de novo, vos responderei condignamente (Frei, penso que podes absolver-me dos pecados já cometidos e por cometer com esta minha demonstração de fé e humildade bloguística...de cabeça levemente curvada para o tronco e olhos púdicamente semicerrados...)
Prometo que assim que vocês se esqueçam desta argolada (ou sucessão delas...er...) e sintam vontade de me comentar de novo, vos responderei condignamente (Frei, penso que podes absolver-me dos pecados já cometidos e por cometer com esta minha demonstração de fé e humildade bloguística...de cabeça levemente curvada para o tronco e olhos púdicamente semicerrados...)
20.10.04
Este blog
diz muito menos do que aquilo que parece dizer.
Ou então, não...
Tentando mais uma vez:
Este blog diz muitíssimo mais do aquilo que vocês pensam que ele vos esteve a dizer.
Não se bem se será assim...
Baralha e dá de novo;
Este blog pensa que diz tudo o que quer dizer e que vocês não percebem metade daquilo que vos é dito.
Assim parece mal aos que ainda passam por aqui...
Última tentativa;
Este blog não sabe o que diz mas quer fazer-se passar por intelectual, daqueles verdadeiros, de óculos redondos de massa, cachimbo ao canto da boca e cachecol à volta do pescoço, assim com uns enigmas baris que é para vocês, tansos, ficarem a pensar que o que está aqui é a sério e ficarem uma noite inteira a matutar no que diabos é que seria que o gajo quis dizer com aquilo (neste caso eu, a gaja) e agora vai-se mas é deitar porque está a tornar-se ininteligível (xi, Kalvin, outra das tais...) até para ele próprio...
Foi desta que afugentei o resto da clientela...
Ou então, não...
Tentando mais uma vez:
Este blog diz muitíssimo mais do aquilo que vocês pensam que ele vos esteve a dizer.
Não se bem se será assim...
Baralha e dá de novo;
Este blog pensa que diz tudo o que quer dizer e que vocês não percebem metade daquilo que vos é dito.
Assim parece mal aos que ainda passam por aqui...
Última tentativa;
Este blog não sabe o que diz mas quer fazer-se passar por intelectual, daqueles verdadeiros, de óculos redondos de massa, cachimbo ao canto da boca e cachecol à volta do pescoço, assim com uns enigmas baris que é para vocês, tansos, ficarem a pensar que o que está aqui é a sério e ficarem uma noite inteira a matutar no que diabos é que seria que o gajo quis dizer com aquilo (neste caso eu, a gaja) e agora vai-se mas é deitar porque está a tornar-se ininteligível (xi, Kalvin, outra das tais...) até para ele próprio...
Foi desta que afugentei o resto da clientela...
Chateia-me
que sejamos obrigados, por vezes, a fazer a desconstrução daquilo que levámos o que parece uma eternidade a erigir, com cimento de emoções a fazer de argamassa e mágoas como pedras ou tijolos que empilhámos cuidadosamente numa tentativa vã de evitar que caissem.
Da
roupa para vestir amanhã, pensavam que era o quê??
diabos, já não pode uma gaija vir aqui confidenciar estas coisas importantíssimas, fica logo tudo com os orelhas à escuta...tsc, tsc...
diabos, já não pode uma gaija vir aqui confidenciar estas coisas importantíssimas, fica logo tudo com os orelhas à escuta...tsc, tsc...
19.10.04
Alguém
me atirou em tom zombeteiro, à hora da saída:
"Ouve lá, quando é que postas alguma coisa de jeito?". Questão esta a que respondi que pois pá, sim senhor, não tem dado e tal e treta!
É certo o intenso período de actividade profissional que atravessamos. É sempre assim, o mês de Outubro, estendendo-se por Novembro e abrandando um pouco lá mais para final de Dezembro (a malta aproveita para meter os dias de férias que ficaram a faltar e com um feriado ou dois, pimbas, belas férias! Ooops...acham que devia escrever isto?? Vai daí o Santana lê este Beloguinho e fica c'umas idéias assim brilhantes de cortar nos feriados do Natal e essas cenas q'é p'á malta axandrar, c'um camandro! (isto escreve-se assim??) Bem, mas adiante que eu quero mais é que este Governo não eleito vá lev...er...pois...não se pode, é....este post até era para ser sério e agora já vai nisto, ora agora também não apago porque não quero!
Pois mas ia eu a contar que a malta anda aqui assoberbada (esta existe e digam lá que não fica aqui uma bela palavra? Xi, caneco, orgulho-me mesmo de mim...adiante que logo estou como o Kalvin...) de trabalho, ele é Jornadas, ele é Seminários, ele são Interfaces e a gente sem tempo nem para ir ao espelho retocar a maquilhagem quanto mais vir ligar pcs e ler desvarios de uma cambada de gajos que não tem o que fazer e passa aqui os dias e muito menos inventar qualquer coisa decente para vir aqui fingir que se escreveu, que isto de procurar umas imagens baris assim pr'o pseudo-intelectual, tipo uns Matisse, uns Gaudi ou o desgraçado do Munch (isto é assim? faz-me lembrar Brunch aquela invenção fixe dos ingleses p'ró gajego que passa a night na borga e depois levanta-se tarde e a más horas e fica mal a um gajo inglês daqueles todos fleugmáticos dizer "Pás, ménes, tou feito num oito das caipirinhas que emborquei ontem, filhos-da-p dos brasileiros que inventaram uma bomba daquelas..." e "tenho a boca f***** ménes, nem me apetece almoçar", vai daí a idéia do brunch que é assim uma cena híbrida não dizem que são 4 da tarde e tás a tomar o pequeno-almoço méne? mas sim vou tomar o brunch,...captaram? Não? Pois...adiante que já nem sei bem do que estávamos a falar...) já sei, dá um trabalhão do caraças.
"Ouve lá, quando é que postas alguma coisa de jeito?". Questão esta a que respondi que pois pá, sim senhor, não tem dado e tal e treta!
É certo o intenso período de actividade profissional que atravessamos. É sempre assim, o mês de Outubro, estendendo-se por Novembro e abrandando um pouco lá mais para final de Dezembro (a malta aproveita para meter os dias de férias que ficaram a faltar e com um feriado ou dois, pimbas, belas férias! Ooops...acham que devia escrever isto?? Vai daí o Santana lê este Beloguinho e fica c'umas idéias assim brilhantes de cortar nos feriados do Natal e essas cenas q'é p'á malta axandrar, c'um camandro! (isto escreve-se assim??) Bem, mas adiante que eu quero mais é que este Governo não eleito vá lev...er...pois...não se pode, é....este post até era para ser sério e agora já vai nisto, ora agora também não apago porque não quero!
Pois mas ia eu a contar que a malta anda aqui assoberbada (esta existe e digam lá que não fica aqui uma bela palavra? Xi, caneco, orgulho-me mesmo de mim...adiante que logo estou como o Kalvin...) de trabalho, ele é Jornadas, ele é Seminários, ele são Interfaces e a gente sem tempo nem para ir ao espelho retocar a maquilhagem quanto mais vir ligar pcs e ler desvarios de uma cambada de gajos que não tem o que fazer e passa aqui os dias e muito menos inventar qualquer coisa decente para vir aqui fingir que se escreveu, que isto de procurar umas imagens baris assim pr'o pseudo-intelectual, tipo uns Matisse, uns Gaudi ou o desgraçado do Munch (isto é assim? faz-me lembrar Brunch aquela invenção fixe dos ingleses p'ró gajego que passa a night na borga e depois levanta-se tarde e a más horas e fica mal a um gajo inglês daqueles todos fleugmáticos dizer "Pás, ménes, tou feito num oito das caipirinhas que emborquei ontem, filhos-da-p dos brasileiros que inventaram uma bomba daquelas..." e "tenho a boca f***** ménes, nem me apetece almoçar", vai daí a idéia do brunch que é assim uma cena híbrida não dizem que são 4 da tarde e tás a tomar o pequeno-almoço méne? mas sim vou tomar o brunch,...captaram? Não? Pois...adiante que já nem sei bem do que estávamos a falar...) já sei, dá um trabalhão do caraças.
Bem, moral da história, não tenho tempo Ponto Parágrafo Quebra de Linha
E também não me apetece muito, tenham lá paciência, logo volto quando estiver assim pr'ó inspirada...
17.10.04
16.10.04
Não sei bem
se sou eu que ando zen, o certo é que estou numa fase em que citações ou excertos de textos sobre coisas da vida me fazem refectir e extrapolar deles para outra realidade. A minha.
Um amigo enviou-me um excerto que me tocou particularmente. Nada que me surpreenda pois o MST é, de há muito, um dos homens do nosso tempo que leio e admiro.
Mas este texto encerra, quanto a mim, uma beleza particular:
E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.
Miguel Sousa Tavares, Eternamente
Um amigo enviou-me um excerto que me tocou particularmente. Nada que me surpreenda pois o MST é, de há muito, um dos homens do nosso tempo que leio e admiro.
Mas este texto encerra, quanto a mim, uma beleza particular:
E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.
Miguel Sousa Tavares, Eternamente
14.10.04
Colocou
a mão fora da janela do carro, como sempre fazia, abrindo-a muito, os dedos bem afastados, como se quisesse agarrar o mundo ou apenas sentir o ar fresco da manhã.
Cheirava a asfalto molhado e relva cortada e o ar frio batia-lhe no rosto, despertando-a. Gostava de fazer isto, fosse Verão ou Inverno, enquanto percorria o caminho que a afastava de casa e a conduzia a outros destinos.
O dia, brilhante, convidava a passeio, pés descalços à beira-mar, amêijoas ao natural numa esplanada de onde se pudesse admirar as ondas e as gaivotas. Lembrou-se de outros dias, antigos, onde o cenário fora esse. E das pessoas com quem os tinha vivido. Pareceram-lhe muito longe, numa vida que não fosse a sua, como um cenário de filme que nos lembramos de ver passar à nossa frente mas do qual não fazemos parte. Resmundou um palavrão entredentes quando se lembrou do mais recente. Tinha jurado a si mesma, numa jura a cruzar o coração que nunca tornaria a acontecer. E ali estava. Depois de ter rasgado o último guião que escrevera em cima de uma nuvem branca, fofa, efémera como todas as nuvens. Que anormal! Não aprenderia nunca?
Riu-se quando constatou que toda a sua vida assim fora. Cenários de filmes em que tinha entrado e que, como era normal nos filmes, tinham tido o seu "the end".
Travou, por instinto, quando vislumbrou, no meio dos pensamentos, a luz amarela do semáforo. O olhar perdeu-se no infinito durante a breve espera e não reparou no peão que, insistentemente, a olhava e sorria.
Havia muito tempo que dissera a alguém uma frase:
"Há momentos na vida que podem ser a única oportunidade que temos, seja para o que fôr. É necessário estar atentos e agarrá-los nessa altura pois poderá nunca existir outra"
Cheirava a asfalto molhado e relva cortada e o ar frio batia-lhe no rosto, despertando-a. Gostava de fazer isto, fosse Verão ou Inverno, enquanto percorria o caminho que a afastava de casa e a conduzia a outros destinos.
O dia, brilhante, convidava a passeio, pés descalços à beira-mar, amêijoas ao natural numa esplanada de onde se pudesse admirar as ondas e as gaivotas. Lembrou-se de outros dias, antigos, onde o cenário fora esse. E das pessoas com quem os tinha vivido. Pareceram-lhe muito longe, numa vida que não fosse a sua, como um cenário de filme que nos lembramos de ver passar à nossa frente mas do qual não fazemos parte. Resmundou um palavrão entredentes quando se lembrou do mais recente. Tinha jurado a si mesma, numa jura a cruzar o coração que nunca tornaria a acontecer. E ali estava. Depois de ter rasgado o último guião que escrevera em cima de uma nuvem branca, fofa, efémera como todas as nuvens. Que anormal! Não aprenderia nunca?
Riu-se quando constatou que toda a sua vida assim fora. Cenários de filmes em que tinha entrado e que, como era normal nos filmes, tinham tido o seu "the end".
Travou, por instinto, quando vislumbrou, no meio dos pensamentos, a luz amarela do semáforo. O olhar perdeu-se no infinito durante a breve espera e não reparou no peão que, insistentemente, a olhava e sorria.
Havia muito tempo que dissera a alguém uma frase:
"Há momentos na vida que podem ser a única oportunidade que temos, seja para o que fôr. É necessário estar atentos e agarrá-los nessa altura pois poderá nunca existir outra"
13.10.04
Com a devida vénia
a um dos blogues que conheço desde que entrei por acaso numa coisa onde se escrevia blogspot.com e que visito muitas vezes em busca de um pouco da serenidade que transmite a Ana nos seus textos e nas imagens que selecciona, aqui reproduzo um post que dedico a um amigo. Ele sabe.
Da desilusão
A desilusão total pode ser redentora, mesmo apesar de alguma mágoa antiga que ainda possa agitar; de facto, é uma espécie de missa de trigésimo dia por alma de alguém que afinal, nunca existiu, a não ser na nossa imaginação criadora. E a partir daí nem a memória pode ficar.
- Ana, 6:45 PM
Um obrigado à Ana, pedindo-lhe que me desculpe este pequeno "roubo".
Estas palavras são, elas sim, redentoras.
Da desilusão
A desilusão total pode ser redentora, mesmo apesar de alguma mágoa antiga que ainda possa agitar; de facto, é uma espécie de missa de trigésimo dia por alma de alguém que afinal, nunca existiu, a não ser na nossa imaginação criadora. E a partir daí nem a memória pode ficar.
- Ana, 6:45 PM
Um obrigado à Ana, pedindo-lhe que me desculpe este pequeno "roubo".
Estas palavras são, elas sim, redentoras.
Uma palavra
de realce que me ocorre agora, para o trabalho de cada vez maior qualidade das rádios locais. Para o seu papel insubstituível ao dar voz aos actores locais em programas de análise e opinião. Para a tentativa notória de condução deste trabalho com a isenção possível (e repito, possível, pois que não somos ingénuos e, como ouvi alguém dizer ainda agora, citando um sociólogo francês "a imprensa é livre mas os jornalistas não").
Mas sobretudo, para a "carolice" dos que desde há cerca de 20 anos se lançaram nessa aventura que foi criar uma rádio local e que são responsáveis pelo percurso feito até hoje.
Uma palavra: Parabéns!
Mas sobretudo, para a "carolice" dos que desde há cerca de 20 anos se lançaram nessa aventura que foi criar uma rádio local e que são responsáveis pelo percurso feito até hoje.
Uma palavra: Parabéns!
11.10.04
Qualquer dia destes
faço aqui um completo e complexo ensaio sobre como me sinto quando abro esta janela para despejar tudo o que me apetece e vai nesta cabeça em determinadas alturas do dia e da noite e de repente os dedos páram no teclado, bloqueados pelo pensamento que os comanda e que diz "Não!", não dá, não pode ser.
Qualquer dia terei que decidir.
O que fazer com um espaço que é hoje, em simultâneo, de uma enorme intimidade e uma total exposição.
O que fazer. Se continuar a debitar trivialidades não podendo ser verdadeiramente eu, se acabar, de vez.
Qualquer dia. Ainda não vai ser hoje esse dia.
Qualquer dia terei que decidir.
O que fazer com um espaço que é hoje, em simultâneo, de uma enorme intimidade e uma total exposição.
O que fazer. Se continuar a debitar trivialidades não podendo ser verdadeiramente eu, se acabar, de vez.
Qualquer dia. Ainda não vai ser hoje esse dia.
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