31.10.04

Há blogs

que são simplesmente um achado precioso. E mais ainda quando existem apenas para dar prazer a quem os escreve e a quem tiver a sorte de os descobrir, não têm contadores, trackers, referrels e quejandos, estão-se nas tintas para se têm audiências ou não (e comentários...buááááá) e eu admiro-os imenso por serem assim. Por isso, tenho que os ter ali ao lado.
E mais não digo.

Pois tá

benzinho sim senhora, uma pessoa desaparece, diz que tá afónica e assim se vê a vossa preocupação, seus desnaturados que nem uma perguntinha de estás bem, já morreste ou essas coisas de circunstância que se dizem nestas alturas.
Tá muito bem, sim senhor, muito bem mesmo!
Em troca não vou contar nada, nadinha do que andei a fazer no fim-de-semana e que me deixou a garganta neste estado.
Ora tomem!

Honrosa excepção seja feita ao Faroleiro, ao Pedra e ao Eye,...os outros....Humpf! Duas vezes Humpf!

ihihihihih (rindo à sucapa)

29.10.04

Não posso

escrever hoje. Tou sem voz.

muito frio, a falar pelos cotovelos todo o dia, estava-se mesmo a ver...garganta toda arranhada, quase afónica.

28.10.04

E depois

tudo perde, de súbito, a importância e somos obrigados a relativizar estas merdas, conferindo-lhes o devido valor que elas têm - e que é nenhum - quando, ao longe, se ouve uma vozinha, abafada pelos cobertores "vá lá, despacha-te que ainda não me vieste dar o beijinho de boa-noite"...

vou ali chorar baba e ranho num instante e já volto.

Vinha

aqui escrever um post sobre uma treta qualquer de que me iria lembrar na hora, para encher chouriços, que é como quem diz, para vocês todos que ainda se dão ao trabalho de cá vir não pensarem que já não ligo nada a isto, o que é uma verdade inalienável mas não posso dizer porque senão sentem-se defraudados e nunca mais voltam e eu fico down se não tenho as vossas visitas e comentáriozitos que fazem o frete de deixar e ...mas eu ia dizer o quê?...perem aí que vou ler o que escrevi....ah pois, vinha aqui então, quando, antes de o fazer e sem me dar conta, eis que já estou perdida no meu mais recente passatempo que é, imaginem!, ler arquivos. Sim, os meus e os de outros. Que é uma coisa que a maioria de nós se esquece de fazer. Já se sabe, o costume, o stress, a falta de tempo, as outras mil desculpas e vamos actualizando - mal e porcamente, diga-se - os posts diários que os amigos produzem qual cogumelos depois da chuva (chiça! muito escreve esta gente!).
Enfim, ler arquivos é algo de muito transcendente, acreditem. Encontramos fases de amigos que conhecemos agora e que nos ajudam a conhecê-los melhor. Encontramos pérolas de verdade, escritas por desconhecidos que nos fazem ter a sensação de os conhecer há séculos.
E encontramos coisas nossas, umas bonitas, outras nem por isso, outras que nos fazem apetecer dizer "estúpida, estúpida, estúpida" vezes sem fim...

Acasos

de Letras que, de tanta intensidade quase nos sufocam, como um vento em fúria que nos atinja em cheio no rosto.
Acasos, em que acredito - e ele não ;-) - levaram à descoberta destas Letras que compõem algumas das Palavras mais bem escritas que vi até agora,

Se eu tivesse sabido antes que os corações eram feitos de todos os doces! Mas nunca o soube. Descobri-o contigo.

Ao Acaso, de link em link, de Letra em Letra surge um blog imperdível a partir de agora.

27.10.04

Aviso

aos mais distraídos:

O texto de título "O canário" só faz sentido se lido na sequência do anterior e dos respectivos comentários. Que querem, sou assim, gosto destes detalhes (mariquices, pois) e depois há comentários que fazem germinar a vontade de prolongar determinada história. Esta caso foi um desses.
Andei para dizer isto o dia todo mas o blogger não deixou...beijinhos, beijinhos que amanhã o dia é longo.

Issa!

chiça! "charenga"! C#$%$###! Porra, que é demais! Um dia inteiro a tentar abrir o pa&%$#/&#eiro do blogger e nada!
Andei a vasculhar o weblog, o sapo e palavra de honra que só me apeteceu pegar nas malas assim que isto abrisse e mudar-me de armas e bagagens!
se ele se portar bem daqui para a frente talvez pondere ficar (pronto, não é por nada, tão a ver o trabalhão que era e coiso e assim...)

26.10.04

O canário

Passa um algodão pelos olhos enquanto se observa no espelho.
Com cuidado, retira todos os vestígios de uma maquilhagem diligentemente aplicada por uma jovem, irredutível aos seus pedidos de "Já chega", "Não me ponha essa coisa gordurosa" "Era só uma coisa discreta..." e a resmunguice do costume. O que valia era o profissionalismo da miúda e o facto de já a conhecer, de outros carnavais...
Vai pensando nos últimos acontecimentos enquanto o rosto se despe de produtos e retoma a cor original, as olheiras, as pequenas sardas, algumas rugas, e só pára quando o espelho lhe devolve a imagem limpa e lavada e o olhar de sempre. Demora-se um bocado nesse olhar, o seu. Pensa que lhe parece menos brilhante, tenta comparar-se consigo própria há uns anos atrás e conclui que, apesar de tudo, gosta mais de si agora. Física e mentalmente mais velha, é certo, mas com uma serenidade conferida pela experiência de vida que parece envolvê-la numa luz suave. É uma luz que a cobre como um manto quase invisível, tecido com algum material misterioso, muito mais fino que a mais fina teia de aranha. E por isso nem todos a vêem. Convence-se que quem sabe disto é mesmo "O Principezinho" e que só alguém que veja com os olhos do coração descobrirá a luz. Pode nunca se cruzar com quem saiba ver assim. Pode até passar junto a esse alguém, a milímetros de distância, caminhando rápidamente em sentido oposto, ou retirar o seu carro de um estacionamento no minuto exacto em que essa pessoa estaciona ao seu lado. São escassos segundos de diferença que determinam o rumo de uma vida. E por isso acredita em acasos. O acaso contra o destino. Não aceita que lhe falem em destino, linhas escritas algures no nada, onde está previsto o que vai acontecer, ao minuto, a cada ser humano deste planeta. Já o acaso sim, a decisão repentina de virar por uma estrada diferente da habitual, o atraso que faz perder um último avião, os segundos a mais para pagar um café, por causa de uma carteira que se abre e espalha todo o seu conteúdo no chão, o carro que afinal não pega ao sair do estacionamento e alguém que estaciona ao lado se oferece para verificar...Não adianta lutar contra ele, o acaso.
Satisfeita com as conclusões vai apagando todas as luzes no último gesto de todos os dias enquanto na sua mente desfila um conjunto de decisões para o resto da sua vida.

Antes de se deitar, num gesto automático e irracional, abre a janela...

24.10.04

Eu sei

que venho tarde.
Que deveria ter sido logo no dia, como todo aquele que quer prestar homenagem que se preze.
Mas também sei que ela era daquelas que não ligava a essas coisas. E que largaria uma gargalhada de criança se lho dissessem, talvez respondendo que: "deixa lá, não te preocupes, depois de me semearem eu volto".

Por isso aqui fica. Hoje, como poderia ter sido ontem ou no próprio dia 13, ou daqui a uns meses.

Semeei o canário

Semeei o canário.
É talvez uma semente que tenha demorado um pouco mais a nascer, porque tem asas e as asas crescem devagar. Mas eu sei, tenho a certeza que ainda um dia, subitamente, no alto duma árvore qualquer, eu avistarei essa ave. Como os meus olhos começam a ficar míopes e já confundo, muitas vezes, canários com raios de sol, espero que alguém, que ainda acredita em asas, me ajude a descobri-lo. E que não desista nunca de esperar a ave. Mesmo que ela tarde. Porque ela virá, temos que acreditar, perfumada de flores de laranjeira, rasgando portas de luz e inaugurando, com o seu canto, os dias claros de ums Primavera tão desejada.
E virá para sempre.

Maria Rosa Colaço, "Não quero ser grande"


Espero o canário Maria Rosa. Vou esperá-lo até ele vir é a melhor homenagem que me ocorre fazer-te. E que um raio de sol te ilumine lá onde estás.

Habituamo-nos

aos poucos, sem dar por isso, a ler sempre os mesmos blogs. Abrimos primeiro o nosso, vamos à listinha do lado direito, ou esquerdo, ou conforme e começamos por aquele de que mais gostamos, o favorito dos favoritos, actualizamos a leitura do post ou posts mais recentes do respectivo autor, mandamos umas bocas nos comentários - ou não - e partimos para o próximo. Depois, o tempo (sempre o tempo) urge e lemos mais dois ou três. Mesmo de pé, já de saída para uma outra terefa, ainda passamos os olhos por mais um ou dois. E assim, com falta de tempo, se passam os dias e se criam as rotinas.
Só que as rotinas fazem-nos perder tanta coisa.
Nem que seja o nascer do sol, porque há muito tempo não se faz uma directa ou porque o ritmo é tão acelerado que qualquer minuto a mais de descanso é uma bênção. Perdemos aos poucos a surpresa, o deslumbramento de nos acontecer o inesperado. Tudo passa a ser previsível, a rotina é previsível.

A rotina de leitura de blogs favoritos faz-nos perder o hábito de deambular ao acaso de um link para outro, de um título que nos derpertou a atenção para o seguinte e daí para outro ainda, completamente novo.
Foi assim que hoje descobri um blog, que entretanto acabou mas que nos deixou nos arquivos as suas maravilhosas pequenas histórias. Que pena não ter continuado.

23.10.04

Sim, o cante

Como tão bem se descreve aqui:

a moda tem certamente impregnadas na sua estrutura as marcas de um povo com certo sentir, os sons e as falas, os gestos e os sonhos duma gente antiga que aqui moirejava. E o cante temperou-se nas fornalhas dos restolhos, aveludou-se em primaveras coloridas, absorveu a imensidão do horizonte, captou os gemidos da solidão, ganhou formas próprias em lavouras custosas. Desse caldo de valores e referências se fez o cante e neste ambiente nasceram os mestres, seus intérpretes ímpares seus cultores maiores.

O cante

"Os ricos não cantavam"



Foi assim que o interlocutor do Grupo Coral Alentejano "Os Ganhões de Castro Verde" iniciou a apresentação deste grupo de vozes, exclusivamente masculinas, afinadíssimas, cadenciadas e dolentes, com quem foi ontem encerrada a sessão de apresentação da Revista Alentejo, publicação da Casa do Alentejo em Lisboa.

Os ricos não cantavam...frase simples que encerra toda a história de um povo, que de sol a sol, abrasador por sinal, trabalhou nos campos imensos, semeando e ceifando e enfardando e carregando os fardos. E eram estes, os pobres, que punham no cante a mais bela expressão de todos os seus sonhos, dos desejos por cumprir e os seus cantares transportavam-nos, "vogando como barcos nos mares de trigo", em direcção a outros mundos, a outra vida mais fácil que aquela...E assim enganavam o lento passar das horas e tornavam mais leve a labuta diária pela vida.

Os ricos não, esses não cantavam.

22.10.04

Conciliar

o cantar alentejano com um bom vinho - de preferência daquele tinto que só o Alentejo produz, digam lá o que disserem - já nós sabíamos ser possível.

Esta noite vamos confirmar que também se pode conciliar tudo isto com música clássica, à volta de conversas, livros e leituras.



Na Biblioteca Municipal José Saramago, 21.30h.

21.10.04

Pois...

Pá, desculpem lá não ter respondido ali em baixo aos vossos comentários individualmente, fui agora ver à página 2345465768, artigo 23099485765º, alínea 9587576868ª, do Regulamento da Ética Bloguística e Boas-Maneiras (a primeira das quais e básica é NÃO chamar tansos aos leitores!) e, de facto, lá está: "deve todo o que almeja a ser considerado na comunidade pelos seus pares, responder a todos e todos significa MESMO todos (até os chatos e melgas...), individual e personalizadamente, o que em linguagem psicanalítica significa ter por eles um enorme respeito e consideração, facto que despertará nos mesmos um reflexo condicionado (não, isto não se refere ao cão do Pavlov!) de vontade de retribuir tratando o bloguer em análise da mesma forma" sic.

Prometo que assim que vocês se esqueçam desta argolada (ou sucessão delas...er...) e sintam vontade de me comentar de novo, vos responderei condignamente (Frei, penso que podes absolver-me dos pecados já cometidos e por cometer com esta minha demonstração de fé e humildade bloguística...de cabeça levemente curvada para o tronco e olhos púdicamente semicerrados...)

Para manter

a malta na ilusão da pseudo-intelectualidade...

aqui

e também porque Degas me fascina de verdade...

20.10.04

Este blog

diz muito menos do que aquilo que parece dizer.
Ou então, não...

Tentando mais uma vez:

Este blog diz muitíssimo mais do aquilo que vocês pensam que ele vos esteve a dizer.
Não se bem se será assim...

Baralha e dá de novo;

Este blog pensa que diz tudo o que quer dizer e que vocês não percebem metade daquilo que vos é dito.
Assim parece mal aos que ainda passam por aqui...

Última tentativa;

Este blog não sabe o que diz mas quer fazer-se passar por intelectual, daqueles verdadeiros, de óculos redondos de massa, cachimbo ao canto da boca e cachecol à volta do pescoço, assim com uns enigmas baris que é para vocês, tansos, ficarem a pensar que o que está aqui é a sério e ficarem uma noite inteira a matutar no que diabos é que seria que o gajo quis dizer com aquilo (neste caso eu, a gaja) e agora vai-se mas é deitar porque está a tornar-se ininteligível (xi, Kalvin, outra das tais...) até para ele próprio...

Foi desta que afugentei o resto da clientela...

Chateia-me

que sejamos obrigados, por vezes, a fazer a desconstrução daquilo que levámos o que parece uma eternidade a erigir, com cimento de emoções a fazer de argamassa e mágoas como pedras ou tijolos que empilhámos cuidadosamente numa tentativa vã de evitar que caissem.

Da

roupa para vestir amanhã, pensavam que era o quê??

diabos, já não pode uma gaija vir aqui confidenciar estas coisas importantíssimas, fica logo tudo com os orelhas à escuta...tsc, tsc...

A parte de baixo

já tenho, agora só falta a de cima...

19.10.04

Alguém

me atirou em tom zombeteiro, à hora da saída:
"Ouve lá, quando é que postas alguma coisa de jeito?". Questão esta a que respondi que pois pá, sim senhor, não tem dado e tal e treta!
É certo o intenso período de actividade profissional que atravessamos. É sempre assim, o mês de Outubro, estendendo-se por Novembro e abrandando um pouco lá mais para final de Dezembro (a malta aproveita para meter os dias de férias que ficaram a faltar e com um feriado ou dois, pimbas, belas férias! Ooops...acham que devia escrever isto?? Vai daí o Santana lê este Beloguinho e fica c'umas idéias assim brilhantes de cortar nos feriados do Natal e essas cenas q'é p'á malta axandrar, c'um camandro! (isto escreve-se assim??) Bem, mas adiante que eu quero mais é que este Governo não eleito vá lev...er...pois...não se pode, é....este post até era para ser sério e agora já vai nisto, ora agora também não apago porque não quero!
Pois mas ia eu a contar que a malta anda aqui assoberbada (esta existe e digam lá que não fica aqui uma bela palavra? Xi, caneco, orgulho-me mesmo de mim...adiante que logo estou como o Kalvin...) de trabalho, ele é Jornadas, ele é Seminários, ele são Interfaces e a gente sem tempo nem para ir ao espelho retocar a maquilhagem quanto mais vir ligar pcs e ler desvarios de uma cambada de gajos que não tem o que fazer e passa aqui os dias e muito menos inventar qualquer coisa decente para vir aqui fingir que se escreveu, que isto de procurar umas imagens baris assim pr'o pseudo-intelectual, tipo uns Matisse, uns Gaudi ou o desgraçado do Munch (isto é assim? faz-me lembrar Brunch aquela invenção fixe dos ingleses p'ró gajego que passa a night na borga e depois levanta-se tarde e a más horas e fica mal a um gajo inglês daqueles todos fleugmáticos dizer "Pás, ménes, tou feito num oito das caipirinhas que emborquei ontem, filhos-da-p dos brasileiros que inventaram uma bomba daquelas..." e "tenho a boca f***** ménes, nem me apetece almoçar", vai daí a idéia do brunch que é assim uma cena híbrida não dizem que são 4 da tarde e tás a tomar o pequeno-almoço méne? mas sim vou tomar o brunch,...captaram? Não? Pois...adiante que já nem sei bem do que estávamos a falar...) já sei, dá um trabalhão do caraças.
Bem, moral da história, não tenho tempo Ponto Parágrafo Quebra de Linha
E também não me apetece muito, tenham lá paciência, logo volto quando estiver assim pr'ó inspirada...

17.10.04

E assim

decidi fazer como aqui o Filipe, ser muito pragmática...

Não é

uma homenagem póstuma ao Quino, é só porque gosto mesmo muito da Mafalda.

16.10.04

Não sei bem

se sou eu que ando zen, o certo é que estou numa fase em que citações ou excertos de textos sobre coisas da vida me fazem refectir e extrapolar deles para outra realidade. A minha.
Um amigo enviou-me um excerto que me tocou particularmente. Nada que me surpreenda pois o MST é, de há muito, um dos homens do nosso tempo que leio e admiro.

Mas este texto encerra, quanto a mim, uma beleza particular:

E de novo acredito que nada do que é importante se perde verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre.

Miguel Sousa Tavares, Eternamente

14.10.04

Colocou

a mão fora da janela do carro, como sempre fazia, abrindo-a muito, os dedos bem afastados, como se quisesse agarrar o mundo ou apenas sentir o ar fresco da manhã.
Cheirava a asfalto molhado e relva cortada e o ar frio batia-lhe no rosto, despertando-a. Gostava de fazer isto, fosse Verão ou Inverno, enquanto percorria o caminho que a afastava de casa e a conduzia a outros destinos.
O dia, brilhante, convidava a passeio, pés descalços à beira-mar, amêijoas ao natural numa esplanada de onde se pudesse admirar as ondas e as gaivotas. Lembrou-se de outros dias, antigos, onde o cenário fora esse. E das pessoas com quem os tinha vivido. Pareceram-lhe muito longe, numa vida que não fosse a sua, como um cenário de filme que nos lembramos de ver passar à nossa frente mas do qual não fazemos parte. Resmundou um palavrão entredentes quando se lembrou do mais recente. Tinha jurado a si mesma, numa jura a cruzar o coração que nunca tornaria a acontecer. E ali estava. Depois de ter rasgado o último guião que escrevera em cima de uma nuvem branca, fofa, efémera como todas as nuvens. Que anormal! Não aprenderia nunca?
Riu-se quando constatou que toda a sua vida assim fora. Cenários de filmes em que tinha entrado e que, como era normal nos filmes, tinham tido o seu "the end".
Travou, por instinto, quando vislumbrou, no meio dos pensamentos, a luz amarela do semáforo. O olhar perdeu-se no infinito durante a breve espera e não reparou no peão que, insistentemente, a olhava e sorria.

Havia muito tempo que dissera a alguém uma frase:
"Há momentos na vida que podem ser a única oportunidade que temos, seja para o que fôr. É necessário estar atentos e agarrá-los nessa altura pois poderá nunca existir outra"

13.10.04

Com a devida vénia

a um dos blogues que conheço desde que entrei por acaso numa coisa onde se escrevia blogspot.com e que visito muitas vezes em busca de um pouco da serenidade que transmite a Ana nos seus textos e nas imagens que selecciona, aqui reproduzo um post que dedico a um amigo. Ele sabe.

Da desilusão

A desilusão total pode ser redentora, mesmo apesar de alguma mágoa antiga que ainda possa agitar; de facto, é uma espécie de missa de trigésimo dia por alma de alguém que afinal, nunca existiu, a não ser na nossa imaginação criadora. E a partir daí nem a memória pode ficar.
- Ana, 6:45 PM


Um obrigado à Ana, pedindo-lhe que me desculpe este pequeno "roubo".
Estas palavras são, elas sim, redentoras.

Uma palavra

de realce que me ocorre agora, para o trabalho de cada vez maior qualidade das rádios locais. Para o seu papel insubstituível ao dar voz aos actores locais em programas de análise e opinião. Para a tentativa notória de condução deste trabalho com a isenção possível (e repito, possível, pois que não somos ingénuos e, como ouvi alguém dizer ainda agora, citando um sociólogo francês "a imprensa é livre mas os jornalistas não").
Mas sobretudo, para a "carolice" dos que desde há cerca de 20 anos se lançaram nessa aventura que foi criar uma rádio local e que são responsáveis pelo percurso feito até hoje.
Uma palavra: Parabéns!

11.10.04

Qualquer dia destes

faço aqui um completo e complexo ensaio sobre como me sinto quando abro esta janela para despejar tudo o que me apetece e vai nesta cabeça em determinadas alturas do dia e da noite e de repente os dedos páram no teclado, bloqueados pelo pensamento que os comanda e que diz "Não!", não dá, não pode ser.

Qualquer dia terei que decidir.
O que fazer com um espaço que é hoje, em simultâneo, de uma enorme intimidade e uma total exposição.
O que fazer. Se continuar a debitar trivialidades não podendo ser verdadeiramente eu, se acabar, de vez.
Qualquer dia. Ainda não vai ser hoje esse dia.

10.10.04

Histórias com final feliz

não vou contar nenhuma, nem sequer vou contar absolutamente nada mas pareceu-me, não sei porquê, que esta seria uma frase catita para terminar o dia por aqui.

Não me sai da cabeça...

esta música,

De Frente

Se quiser tentar
Descobrir quem eu sou
Passe lentamente sua lente
Pela luz dos meus olhos
Que é de frente
Que você vai me entender

Mas se for tentar
Resistir à tentação
Desviar do meu raio de visão
Feche os olhos
E no sonho vou estar

E se ao fim tentar
Confirmar a impressão
Não é fácil dizer
O que está pra nascer
E o que está pra morrer
Ao se entregar
A um olhar
De mulher


desta mulher,

9.10.04

Pois pá...

eu sei, isto não são horas de uma gaija, que é suposto ter um lar harmonioso, mãe de família, ainda por cima que "desempenha certos cargos"...LOL! adiante...regressar aqui, depois de há bocado...

Mas é que não vale a pena pensar em dormir depois do que vi, eu e mais os outros, quê? aí uns 500?...não sei, mas não interessa muito.

O que interessa é termos tido o previlégio de assistir a um espectáculo lindíssimo, os Adiafa



mais os seus convidados, Rui Veloso, Paulo de Carvalho, os Alentejanos de Serpa, Gaiteiros de Lisboa e Bardoada (do Pinhal Novo) naquela que foi a noite alta da RuralBeja, sem qualquer margem para dúvida...

Extraordináriamente bem conseguido, este concerto, com a sucessiva entrada desta malta em palco e o seu posterior "abancar" numa mesa montada no palco, onde, em amena cavaqueira, continuavam a assistir às cantigas dos amigos que se seguiam e a levantar-se para cantar uma estrofre ou duas quando apetecia.

Nem sabem a pena que tenho de não ter fotos para vos mostrar mas tentem imaginar os Adiafa em plena actuação e ali ao lado, no palco, o Rui Veloso a partir à mão um bocado de pão alentejano (até aposto que o queijo era de Serpa e o vinho de Pias...) enquanto trocava impressões com o Paulo de Carvalho, perante uma assistência deliciada...Lindo, sem palavras para vos explicar, só mesmo assistindo.

Com uma mão cheia de estrelas no olhar, a música a aquecer a alma e o coração numa noite fria e mágica me despeço de todos vós, com a certeza que é destes momentos que se faz a vida e é assim que vale a pena..até amanhã ;-)

8.10.04

Eu já tinha dito

noutra encarnação, que é como quem diz, algures lá para trás nos arquivos disto, que este rapaz era um manancial inesgotável de dicas e cenas fixes.

Pois agora repito e vou colocá-lo ali ao lado para as eventualidades...

e agora vou ali e não sei se volto que a minha vida não é isto. Inté.

Deu-me para

distraídamente, clicar no link que dizia Março/2004.
Engraçado que vamos lendo o que escrevemos nos dois, três dias anteriores, respondemos aos comentários que nos deixam, lemos o que os blogs favoritos publicaram também nos dois, três dias anteriores, investigamos um ou outro blog novo, mas coisa rara é lermos os arquivos quer do nosso, quer de outros blogs.
E esquecemo-nos de coisas como esta

Por isso me tem custado tanto começar um blog. Porque não sou boa em planos, nem em compromissos.
E um blog é, de certa forma, um compromisso, acima de tudo connosco próprios, mas também, com aqueles que, por um acaso, aqui vieram parar e vão voltando.
Não sei se conseguirei honrar este compromisso. Ou sequer se quererei fazê-lo, amanhã.
Mas disseram-me para escrever, como uma libertação.
E, pelo menos hoje, parece que funcionou.

Março/2004


Depois, é assim uma espécie de reencontro connosco próprios...
O espanto de quem já não recordava ter dito tanta coisa.
A nostalgia do tempo das primeiras descobertas e do encantamento (como sempre acontece, com todas as paixões...).
Tenho pena de já não ser livre como era naquele tempo.

7.10.04

Este é

o post número 400.
Ufa! Muita fruta para quem anda sempre a resmungar que não tem vida para isto, que tá farta e que não sabe o que há-de escrever (sim, já sei que a maior parte são parvoíces, não é preciso lembrarem-se logo, bolas...).

Mas 400 posts são muitas palavras, muitas letrinhas todas juntas em carreirinha como nos ensinam na escola primária. Muita baboseira para alguém que "desempenha certos cargos" andar para a aqui a debitar...ora, que se lixe!

O que eu queria mesmo dizer agora até nem era nada disto mas fui abrir o blogger num impulso e até foi bom ter visto o 399 que me deu para escrever isto e aguentar os cavais ao que ia dizer inicialmente.

Sabem, é que acabei de concluir que, se as coisas boas são para compartilhar com as pessoas de quem gostamos, as coisas muito boas devem ficar só para nós e aquecer-nos o coração. ;-)

6.10.04

Tá bem ó melga

isto é com o Blogger...

Só te safas com mais um postezito porque eu é assim - amor com amor se paga - e por isso vim aqui agora, expressamente, para lhe desejar Boas Noites, sonha com os anjos.
e MAINADA!

A última frase é outra vez com o Blogger...

Uma pessoa

bem tenta enganar-se a si própria dizendo que agora é que elas mordem, ná, não há tempo nem pachorra para isto, que agora é com regras, as crianças na escola (finalmente!) assim o exigem, lanches e roupas e tudo na perfeição até às 9 da noite, jantados e lavados e muito comportados nos respectivos quartos a dormir que no outro dia, de madrugada (de novo, cruzes, tirem-me deste filme...) upa, tudo a pé e música em altos berros para distrair o barulhinho do sono dentro da cabeça a chamar algures de dentro dos lençóis "vem...vem...tá tão quentinho..." e que não, não pode ser - mas ainda é de noite, caneco! - mas e o pequeno almoço e acordá-los - mas estão a dormir como uns anjos... - e vê lá se queres passar a vergonha de os teus serem os atrasados lá da escola, abre já esses olhos que tu é que tens a culpa, quem te mandou andar a ler blogs até às 2 da manhã? e xiça que não há café em casa! e vá de ir antes das 8 da matina ver se o café da esquina já abriu e...bem! Onde é que eu ia??

Ah, dizer que uma gaja bem tenta não se lembrar que tem aqui esta coisa de boca escancarada a pedir alimento todos os dias...passa-se de lado, ignora-se ostensivamente a claridade leitosa, feita sonsa, que se derrama porta fora à nossa passagem, vezes sem conta, ali pelo corredor, ainda falta arrumar as roupas, deixa-me lá ir ver se há trabalhos de casa, as batatas já estarão fritas, telemóvel, fixe, quem será? e por aí fora...e o gajo aqui, insidioso...o sacana, insistente a chamar baixinho que vá lá, é só um postezinho, mesmo pequeno, daqueles parvos - é o costume - não sou muito exigente, só uns minutinhos e pronto, fico feliz, hoje até nem estou lento prometo que assim que fizeres publish, PliM! aparece logo, vá lá... e o caraças mais o diabo a quatro que eu bem o ouço mesmo quando ponho a Norah Jones ali aos berros...Não há volta a dar, nem se dá conta já aqui estamos, ok é só ver se há comentários...olha, três! isto é rápido, deixa cá ver, e o x hoje terá escrito o quê? e a y? olha que giro deixa lá dizer-lhe qualquer coisa, já agora vou só ali ver o z...e entretanto está tudo lixado, batatas queimadas, miúdos aos gritos com fome e uma gaja que é só mais um minuto e lá se vai a pedagogia que levas uma lambada se não me deixas acabar isto!

Conclusão profundamente filosófica: ter um blogue prejudica gravemente a harmonia familiar de um lar equilibrado e o desempenho da maternidade responsável, consciente, atenta e carinhosa por parte de uma gaja.
Tenho que acabar com esta m****...

4.10.04

Já tinham ouvido

falar de
aqui
autos-de-fé bloguísticos?

Eu também não, mas depois de um mail que hoje recebi de um amigo, e reflectindo bem sobre o caso, então não é que quer-me parecer que eles existem?

Esclareço que este post não tem a ver com os dois anteriores mas sim com outros acontecimentos estranhos dos últimos tempos...

Vejam bem

que foi preciso terem descoberto quem eu sou, aqui na blogocoisa regional, para começar a receber mails anónimos no email deste blog e - espante-se! - ameaçadores, a saber:

Cara Kaai
Melhor não rir, senão arrisca levar uma valente picada.
Não nos provoque!
Prudência é boa para quem desempenha certos cargos.


Pois eu tenho a informar, senhores futureworlds <nobody@mail.futureworlds.it>, que rio-me quando muito bem quiser e me apetecer e este tipo de cena ainda me dá maior vontade de rir, senhores e senhoras "picosos" que julgam que o seu pseudo-anonimato lhes dá o poder de intimidar (é a única maneira que têm de se imaginar com poder diga-se de passagem, o resto é só frustação...).
Patéticos, "tadinhos", continuem pois se é a única maneira que têm de se sentir realizados...
A minha vida hein? Era só o que me faltava agora...

3.10.04

Lisboa contada pelos dedos


É o título do livro que ganhou o Grande Prémio da Crónica, atribuído pela Associação Portuguesa de Escritores em conjunto com a Câmara Municipal de Beja.

Baptista Bastos, aos setenta anos, a dizer-nos que "o autor é um homem carenciado de afectos" e quem escolhe o ofício da escrita é quem quer partilhar esses afectos, deixar que o conheçam e conhecer os outros, sempre, sempre "vivendo em voz alta". encontrando a felicidade no prazer de comunicar.

Prémio merecido o deste lutador pela liberdade. Parabéns!

2.10.04

Tinha que ser...

...Eugénio de Andrade.
A pretexto do silêncio.

Sobre Flancos e Barcos

Havia ainda outro jardim o da minha vida
exíguo é certo mas o do meu olhar
são talvez dois pássaros que se amam
um sobre o outro ou dois cães de pé
é sempre a mesma inquietação

este delírio branco ou o rumor
da chuva sobre flancos e barcos
o inverno vai chegar
sobre a palha ainda quente a mão
uma doçura de abelha muito jovem

era o sopro distante das manhãs sobre o mar
e eu disse sentindo os seus passos nos pátios do
coração
é o silêncio é por fim o silêncio
vai desabar