29.11.04

Uma trabalheira

a vasculhar nos arquivos daqui da chafarica, para ver se encontrava um texto que prometi à Agatha aqui há uns dias.
Encontrei, finalmente! e cá vai ele em repost porque...olhem, porque sim. Porque gosto de vocês. E de muitos outros que não eram tecidos no fio naquela altura e que agora já o são. E porque de outros não gosto.

O fio que nos une

Tive saudades vossas.
Enquanto apanhei sol, olhei para o céu e vi, junto às árvores, pequenos fios brilhantes, unindo ramos distantes. Muito finos, quase transparentes, mas sólidos, fortes o suficiente para prender uma mosca ou outro incauto insecto, que ali vá embater durante um voo mais distraído. Achei que é um desses fios que nos une. A nós, que aqui estamos juntos, nos blogs uns dos outros, nos grupos de conversa, neste mundo virtual que é a net. É um fio muito fino, tanto, tanto que é quase invisível. Mas que nos une, um por um.
Sai daqui, a brilhar sob o sol quente e percorre quilómetros de planície até que tropeça no Oldman. Atravessa o rio e vai colar-se nos cabelos da Vertigem, no chapéu da Duende, enlaça uma pulseira da Gotika, e prende-se numa das flores do Azul Cobalto. Dali flutua, de leve que é, até chegar ao Outro lado da Lua, dá-lhe uma volta completa e desce a pique para acariciar, ao de leve, o ombro da Puta de Vida, que entretanto acha que afinal já nem é tanto. (É que o fio que nos une também é mágico e tem o poder de fazer felizes as pessoas em quem toca)...De repente ganha velocidade e segue para Norte, cada vez mais para cima, sobre o mapa, saltando penhascos e subindo montanhas com um pouco de neve no cume, passando pelo pórtico de um antigo convento onde se enrola no hábito de um Frei e lhe pede a benção. Depois, sai por uma das torres mais altas, voa ainda mais para Norte ao encontro de uma Gotinha de água, que corre sem parar, levando-o consigo até encalhar na linha de um pescador que se chama Xerxes e tem dotes para a culinária. ;-)))
Está cansado, o fio que nos une, mas ainda tem força para atravessar o Atlântico, luta contra ventos e marés até chegar a uma Memória Inventada que está em terras do Tio Sam. Cumprimenta-a num abraço e regressa, mais sossegado, desce e atravessa o Equador e deita-se numa rede da quente Ma-Shamba para descansar da longa viagem...que irá recomeçar de seguida. Este fio que nos une é persistente e teimoso. E muito forte. Nunca se parte embora por vezes estique tanto, mas tanto que dá a sensação de ir estoirar, desfazer-se ali em mil bocados. Mas não. Porque a vontade de nos unir é mais forte que todas as vontades que o tentam partir. E aqui estamos nós, longe mas perto, Amigos, unidos, num grande abraço, selado por um fio fino, tão fino que é quase invisível, mas que brilha quando lhe bate o sol.

BTW: sou mas é uma lírica do caraças...

28.11.04

Olhem

meus amigos, eu cá até nem sou de peixeiradas.
Mão na anca e vá de insultos a fazer rodar o peixe no ar é para aqueles mulherões do mercado da Ribeira que eu até sou assim pró franzino...
Mas se há coisa que me faz comichão é gente armada ao pingarelho, que se auto-promove sem o mínimo pudor e se intitula de aberto e democrático e é um espaço disto e daquilo e depois quando as opiniões já não são do agrado, pimba, toma lá com o lápis azul que é para aprenderes, que aqui mando eu e só dizem o que eu gosto!
A bem dizer eu própria até pratico o aqui mando eu e quem não gosta não come, agora não concebo é andar a bloquear IPs, porque não me agrada o que alguém me disse nos comentários. Coisa que certa gente aqui, pratica à brava, tal como apagar comentários cirúrgicamente. Juro que nunca vi isto nas centenas de blogues que visito há mais de dois anos...Olha que exemplo de democracia!
Por isso, caros amigos, garanto-vos que não irei transformar o meu canto num tanque de lavar roupa suja, mas como ao tentar exercer o meu democrático direito de responder a um senhor aqui da blogocoisa regional, me aparece isto :

Praça da República em Beja
Erro na submissão de comentário
A submissão do seu comentário falhou pelas seguintes razões:

You are not allowed to post comments.


Não posso deixar de postar aqui, aquilo que lá fui impedida de responder, relativamente a este post :

Obrigado nikonman.
Ah mas eu venho muito aqui! Não me digas que não sabias??! Andas a falhar nisso dos IPs, andas, andas, tu que tão bem controlas quem te diz o que gostas e o que não gostas...E venho de cara destapada que xxxx, qualquer coisa, anónimos não é para mim. O que digo e faço sempre o assumi.
Agora, desilude-te que não venho para te massajar o teu já demasiado inchado ego, venho quando e porque quero, porque de algumas coisas gosto, com outras divirto-me à brava, como é o caso deste estilo anti-comunista que com tanto carinho cultivas... e olha, convites para entrar...batatas, filho, não gostas põe à borda do prato. Ou então fecha a porta que a blogosfera ainda é livre.


Pois é, enquanto ele não a fechar, continuarei a lá ir quando me der na real gana, embora...de boca amordaçada, meus amigos.
O exemplo do "grande" Nikonman, tão prestigiado no weblog.com...
E agora chega, que para publicidade gratuita já foi demais!

Não sei porquê, mas agora qualquer coisa me fez lembrar a fábula do sapo que queria ser boi...

27.11.04

Hoje

regressei a uma terra onde não ia há alguns meses.
Uma terra onde fui durante um tempo, de olhos brilhantes e mãos abertas, tal como o peito.
Onde vi o mar vazio de gente, num dia de Inverno que pareceu Verão. E do alto do Miradouro contemplei o rio e a outra margem. E ouvi contar histórias de fábricas abandonadas há muitos anos, hoje guardadoras de memórias em cada pedra antiga, em cada pedaço de muro caído. Memórias de gritos e ruídos, de fome e lágrimas, de partidas e chegadas, de gente lutadora e honesta.
É uma terra que para mim estará sempre associada àqueles dias. Dias bonitos de descoberta e partilha, de um Caffe Di Roma palco de cumplicidades que forjam o que de melhor há na vida: a amizade.
Hoje regressei e reconheci ruas e esquinas como quem cumprimenta um velho amigo. Estacionei o carro nas traseiras de um prédio de varandas azuis, contornei a rotunda das àrvores, desta vez a pé e, caminhando, cheguei, enfim, ao sítio onde as fontes são pilares e o ruído da água abafa todas as conversas.
Senti-me bem, de novo, naquela terra. Engalanada de bandeiras vermelhas como nos dias de Festa. Porque foi disso que se tratou, de uma Festa. Festa de reencontro, de emoção, de decisões e canções, de convicção e ideais. Festa de amigos e camaradas, de esperança e luta. Festa do Futuro, pelo Futuro. Que acreditamos poder ser melhor que o presente. Para todos.

26.11.04

Estava aqui a pensar

em como é engraçado que, quando gostamos de um blogue porque o que essa pessoa escreve nos tocou de alguma forma - porque é sensível, ou lúcida, ou tem sentido de humor, ou é honesta nas posturas que adopta, ou, ou ,ou... - normalmente, descobrimos em muitos dos blogs que essa pessoa linka, o mesmo conjunto de características que nos atraiu no seu. Um pouco como aquela do "o amigo do meu amigo...", entendendo-se aqui amigo no sentido mais lato de pessoa que nos cativa por qualquer motivo.
Hoje, mais uma vez, confirmei este pressuposto, quando, a partir do 100norte enquanto ponte, fui até uma outra margem , que me cativou de imediato. Um blogue mantido por três autores, que não conhecia mas que faço questão de passar a ter ali ao lado.

25.11.04

O que me chateia

a sério nisto tudo, é que os anormais que conceberam a pergunta consigam atingir precisamente o objectivo que pretendem alcançar: que a malta fique tão f***** que deixe de ir votar porque não lhes queremos dar o gosto de nos terem gozado.
E depois, a abstenção joga a favor de quem, de quem?? Um chupa-chupa para quem acertar...

Passar palavra

para denunciar aqueles que nos querem comer a todos por parvos. Somos Portuguezinhos e tudo menos estúpidos

Apelo à indignação cívica: a favor da Europa ou contra a Europa, mas jamais de cócoras...
Uma certa classe política em Portugal, talvez por se contemplar excessivamente ao espelho, continua a agir na aparente pressuposição de que os portugueses, rebanho fácil, aceitam tudo e são estruturalmente incapazes de um gesto colectivo de denúncia da estupidez e de revolta cívica.
Os deputados dos partidos da maioria conjuntural que nos vai desgovernando, aliados aos do principal partido da oposição, decidiram desafiar, com uma pergunta idiota para um referendo faz-de-conta, a inteligência dos portugueses.
Se, perante a ofensa, não nos indignarmos, a nossa cumplicidade pelo silêncio será seguramente interpretada como a definitiva confirmação de que, neste país, vale tudo e que os portugueses são, de facto, um povo que não merece mais do que um açaime e uma coleira.
Como me recuso a figurar na fotografia dos idiotas, apelo a todos os bloguistas e a todos os concidadãos que ainda não se deixaram sepultar em vida que, colectivamente, digam NÃO a quem persiste em querer tratar-nos, politicamente, abaixo de cão.
Apelo apenas, por isso, à indignação. Cada um saberá exprimi-la à sua maneira e da forma que entender mais adequada. Milhares de vozes a dizerem NÃO terão, seguramente, um impacto avassalador sobre a trafulhice referendária que nos espreita.
Esta não é uma causa de esquerda ou de direita. É uma causa da inteligência e do bom senso, os derradeiros atributos que nos restam.
A favor da Europa ou contra a Europa, mas jamais de cócoras.
Conto consigo para passar a palavra e o testemunho.

19 de Novembro de 2004
Ademar Santos, português por extenso

24.11.04

Como

não tenho tempo, nem sequer para coçar a ponta do nariz mas não quero que, os que ainda mantêm um grau de insanidade suficiente para virem aqui de vez em quando ver o que escrevo, caiam em si e me mandem mas é dar uma volta ao bilhar grande, com tanto blogue bonito, académico, excelente, cheio de style e qualidade literária que por aí anda, ando eu aqui a perder tempo com esta fulana que só enche chouriços e por aí fora, resolvi entrar numa muito zen de contar histórias que vou ouvindo por aí, nas conferências e seminários por onde tenho andado, e que, ao menos, sempre dão para isto aparecer actualizado, com pouco trabalho e esforço dos neurónios que, nos tempos que correm, são um bem quase trão precioso como uma conta num off-shore qualquer... (é claro que eu não disse isto, é apenas uma ilusão provocada pelo número de horas que já gastaram hoje com os olhos enfiados no monitor e depois queixem-se!..., fazem favor de "portantes", esfregar os olhos e adiante)

Ora bem, mas então ia eu contar a história do

Sábio e do Pássaro

Há muito, muito tempo, havia um sábio muito sábio, num sítio muito, muito longínquo, que agora não sei onde é, mas também não interessa muito...
Dois garotos traquinas resolveram testar a "sapiência" do sábio e, apanhando um pardal, decidiram ir com ele escondido atrás das costas perguntar ao sábio muito sábio, se o pobre do bicho estava vivo ou morto.
É claro que os sacanas dos putos tinham tudo previsto e, se o sábio respondesse que estava vivo, torciam o garganhol ao pobre e mostravam-no morto, se a resposta do sábio fosse que o bicho estava morto então, triunfalmente, exibiriam o bichinho vivo e de saúde (onde é que as crianças daquele tempo iam buscar estas idéias é que eu não sei, vocês lembrem-se que nem havia NET!!...)
Lá foram eles, os venenos dos monstrozinhos, rindo desavergonhadamente (onde andariam aquelas mães, umas palmadas é o que era!), antecipando a figura de urso do outro e, chegando ao pé dele, perguntaram:
- Ó tu que és sábio (naquele tempo não fazia mal tratar por tu os sábios, ainda não havia Ministério da Criança e da Família e nem cenas de Educação e Boas Maneiras - Desenvolvimento Pessoal e Cívico, ou lá o que é - nem Casas de Correcção, nem nada...), se és assim tão sábio, diz-nos lá se és capaz de adivinhar se o pássaro que temos atrás das costas está vivo ou morto?

O sábio sorriu paternalmente (cá comigo é que havia de ser, era logo umas valentes lambadas nos fundilhos de cada um e vai-te mas é perguntar ao teu pai comé q'os passarinhos nascem e as abelhinhas e essas coisas e o mano saiu por aonde, que é muito mais pedagógico e educativo...), sábio verdadeiro que era, disse:

- Está nas vossas mãos...

Tal como está nas vossas, continuarem aqui a ler blogues em vez de irem mas é beber um copo à roda de lume e tirar um petisco de chouriço assado e pão caseiro...

22.11.04

No filme

Scent of a Woman, de que já falei algures lá atrás, nas catacumbas deste blog, há uma cena em que o Al Pacino, cego, dança um tango com uma jovem que descobriu pelo perfume, simples de sabonete. A cena é altamente emocionante, muito pela intensidade daquela música. Que está aqui, e embora não sendo tão bonita quanto a original, vale a pena ouvir.

21.11.04

Ainda acredito

no abraço que entra para dentro do peito, como um turbilhão de águas revoltas que, finalmente, desagua num lago sereno.
Tão diferente do abraço que se dá ou recebe sem paixão. Nesse, dá-se apenas o encontro dos corpos o toque simples e fugaz, para logo se dar de novo, o afastamento que fende e separa.
No outro, não. Os corpos dos dois apaixonados como que se fundem no abraço, em completa simbiose de sentimentos em exaltação. Há uma parte que chega, enfim, para completar a outra. E mesmo quando se afastam, um continua a preencher o outro como mais um órgão que dele faça naturalmente parte.
Não, não ando a ler Alberoni, só pus as memórias a funcionar...

Preguiça, ou não

Um gajo tem que sair por uns dias. Chora-se e lamenta-se e faz festinhas no monitor porque não pensa conseguir sobreviver tanto tempo longe do seu bloguinho querido, dos mails, dos blogs dos amigos, da rotinazinha diária que tanta falta lhe faz...
Lá longe, no primeiro dia ainda sai um suspirozinho de saudade, mas nessa noite, a conversa, as pessoas novas, o restaurante, preenchem de tal forma que, caindo na cama do hotel já de madrugada, nem dá para lembrar do blog mas sim reviver alguns dos momentos da noite. Nos outros dias, o ritmo, os acontecimentos tão diferentes da vidinha normal, o cansaço, a viagem de regresso, o dormir até tarde para recuperar, ocupam o resto do tempo.
Um gajo acaba por estar 4 dias sem escrever. E depois já não sabe como se faz para chegar aqui e recomeçar. Ou afinal não lhe apetece.

Sempre se pode viver sem blogar...

20.11.04

Desentusiasmem-se

que eu não fui ali ao Harrods fazer umas comprinhas.
Nopes, nada de tão interessante, apenas uma viagem de trabalho que foi ir num dia (num pé) e vir no outro.
Isto é, se não considerarem interessante o facto de ter almoçado com o Presidente Narciso Miranda, himself, num restaurante fabuloso em Matosinhos pois havia de ser onde e de ter comido o leite-creme mais maravilhoso que alguma vez na minha vida haverei de provar (com frutas, alguém se lembraria duma coisa destas?) e, como bónus, ainda ter tido o Dr. Mário Soares de passagem na nossa mesa, para dois dedos de conversa. Cousa pouca.

17.11.04

Globalização

Nem anti, nem pró, antes assim-assim...

Uma Conferência num qualquer hotel de Lisboa, não digo qual, por causa da publicidade mas era ali para os lados das Olaias...e, por entre assistentes sociais, sociólogos, representantes de autarquias e de outros organismos públicos e privados, eis que se senta a meu lado uma senhora, passando por mim entre sorrisos delicados, como quem pede desculpa por incomodar. Gostei logo dela e sorri de volta. Alta, magra, cabelos louros naturais, na casa dos 50. E o sorriso polido, educado, very british. Tinha um pas de quoi indefinível, que, nesse momento, não consegui explicar...
Mais tarde, olhando distraídamente para o saco onde ela guardava, com naturalidade, as pastas com a documentação, percebi o que a destacava de entre os outros participantes. Num normalíssimo plástico branco, podia ler-se, em letras azuis uma pequena palavra:
Harrods.

vou ali num instante, vou num pé e venho no outro, fazer umas comprinhas, coisa pouca e já volto, tá?

15.11.04

Por acaso

há por aí alguém que não se importe muito de me dizer se a barra do lado direito, agora transformada em quadro a laranja, vos aparece GORDA a ocupar metade do monitor, ou é só comigo?

E, se sim, porque raios isso acontece se no preview, estava tudo direitinho?? E o smilie aparece ou, tal como aqui (grrrr...), não??

A gerência agradece.

O sentido da vida

não, não é dos Monty Python mas poderia muito bem ser...

1. Para a vida ter sentido é preciso estar vivo. Um gajo morto não deve ter muito jeito para achar sentidos, sejam eles quais forem.

2. Pressupondo então que se está vivo, é importante saber o sentido para onde se vai. Se não se souber, o mais certo é ir parar a um beco qualquer onde se acaba por encontrar um bando que assalta um gajo e o esfaqueia, o que nos leva de volta ao pressuposto 1.

3. Isto implica que também se devem ter todos os sentidos álerta. Nota: no caso dos gajos estes são 5, já as gajas terão que activar os 6.

4. Sentidos significa sentir. Um gajo deve então estar preparado para não gritar se tiver que andar sobre carvões em brasa, ou passar por um bosque de cactos em roupa interior, consoante o local do planeta onde viva. Estas provas são muito importantes para se poder dizer que a vida foi sentida.

5. Finalmente...eu sei, nada disto faz o mínimo sentido, mas que querem, também me posso dar ao luxo de alucinar de vez em quando, não??

E eu juro que nada disto foi copiado daqui nem daqui.

14.11.04

Estava mesmo

a apetecer-me, dar uma volta a este raio deste template.
Camião de mudanças e toca de passar de um r/c ranhoso para uma cobertura duplex.
Mas não estou com pachorra.

Fosga-se, este blog está a ficar cá de um enjoo...Vou mas é passear ao sol LINDO para ver se me passa

Constatações

Primeiro - Beja descobriu o sistema de entrega de pizzas ao domicílio.

Segundo - Infelizmente não é o Pizza Hut, ou quejandos.

Terceiro - Apesar de não terem sabor, são a salvação de qualquer Domingo.

13.11.04

Porque é correcto



e justo.
E porque uma das formas que temos de nos expressar junto do poder é através de mecanismos de participação cívica, de todo o género.
Os blogs são um deles.

Por isso, ali a partir da Cat , cá vai:

Dispenso receber a explicação do OE para 2005 por carta. O valor do meu selo que seja entregue a uma Cerci.

12.11.04

De neura

para que conste.

11.11.04

Palavras

de que queremos apropriar-nos.
Que poderiam muito bem ter sido escritas por nós.
Em blogs de uma rara beleza, que se descobrem de vez em quando

Soubesses tu tudo o que guardo cá dentro.
Soubesses tu há quanto tempo me persegues, sempre sem saires do teu mundo.
Soubesses tu o quanto...

Arafat

Do lado israelita



ouviu-se da boca de altos responsáveis políticos "ainda bem que ele desapareceu deste mundo", os meios de comunicação social, subliminarmente vão passando a mensagem de Arafat enquanto responsável por atentados, terrorismo e mortes.
Em resposta a isto uma imagem e três palavras:



Quem começou o conflito não foram os que, com fundas e fisgas lançam pedras contra tanques.
Quem, com lágrimas de crocodilo, condena as manifestação radicais palestinas é o mesmo que lhes deu a origem e é quem tem que recuar.
Quem, cheio de hipocrisia justifica a ocupação militar de um território é quem adia os passos necessários para a construção de um mundo que reconheça o respeito por todos os povos e o seu direito à independência e autodeterminação.

No momento em que morre Arafat e o mundo aguarda o passo seguinte, só me ocorre uma frase, lida há uns anos numa edição da Festa do Ávante, em que foi erigido na Praça Central um memorial ao povo Palestino, uma réplica de um lenço palestino aos quadrados pretos e brancos - o "keffia" - em tamanho gigante com um monte de pedras brancas mais alto que um homem, por cima.
Em frente, numa pequena tabuleta, lia-se:

"Em nome de todas as pedras
que compõem a tua pequena casa
Resiste, resiste"


10.11.04

E a seguir

este blog tem que referir que este homem



faz hoje 91 anos.
E que se lixem, com f as más línguas.
Álvaro Cunhal foi e será sempre uma figura incontornável da nossa História. Uma instituição, um líder político carismático como nenhum outro.

Escolhi-o nesta foto, a preto e branco, nesta época, porque é assim que considero que devemos homenageá-lo. Um homem simples apesar da sua cultura, enérgico, lutador, irreverente, de peito e sorriso abertos nesta foto, como em tantas e tantas ocasiões em que nos cruzámos, nos caminhos de numa luta comum.
Por isso estarei hoje no jantar em sua homenagem, organizado por comunistas, anti-fascistas e outros democratas.
Até sempre, Álvaro!

E agora

para algo completamente diferente. Vamos a coisas verdadeiramente sérias que isto posts p'ó pseudo-poéticourbanosocialdepressivo não tão é com nada! Por isso, declaro:

Não há pachorra para aturar certas aventesmas, Santíssimo Sacramento, Nossa Senhora d'Agrela!!(não sabem quem é? Eu também não)

9.11.04

Caminhava

sem rumo, com passos lentos sobre as lajes seculares, que acordavam ecos nas ruas desertas àquela hora. Sem rumo, apreciando apenas o perfume da noite, uma janela antiga, os candeeiros de parede derramando a sua luz amarelada no caminho. As ruelas e becos com mais de vinte séculos tinham, áquela hora um encanto especial nunca perceptível à luz fria e crua do dia.
Deixava o pensamento voar, solto, por entre aquelas paredes de taipa, os telhados onde o musgo se formava entre as telhas, as árvores (tílias?) que desenhavam sombras fantasmagóricas no chão.
E olhava, furtivamente, para dentro de algumas janelas semiabertas, mesmo de noite, mercê de antigos hábitos de confiar, de afirmar hospitalidade, há sempre lugar para mais um, venham mais cinco, será benvindo quem vier por bem. Nunca fora de outra forma, ao longo dos tempos, em terras onde a pobreza era a lei mas apesar disso, ou talvez por isso, sempre se conseguia com engenho e arte enganar o estômago, fosse acrescentando umas fatias de pão escuro à àgua perfumada de coentros e alho, ou cozendo mais umas couves com batatas, apanhadas da horta à hora a que chegara, sem avisar, o visitante.
Olhava, por entre as cortinas de linho, sentindo-se como que a roubar pedaços daquelas vidas, onde havia luzes, e calor de lareiras acesas e sons de risos e conversas. Aspirava com sofreguidão, quase com volúpia, aromas de refeição quente acabada de colocar sobre a mesa, cheiros de azinho a queimar, café fresco que adivinhava fumegante na caneca de barro.
E caminhava. Desfiando sonhos e memórias como contas de um rosário em ladainha domingueira. Memórias de outro tempo, outras ruas e outras casas com os mesmos cheiros, os mesmos sons. Outros tempos em que, do lado de dentro, se sentava a outras mesas e sorvia o café forte, fumegante, em goles pequenos da caneca de barro e estendia as pernas para o lume e alguém lhe acariciava o cabelo, de passagem, por entre sorrisos.
Caminhava. Sem rumo.
A igreja, branca, estratégicamente iluminada por neons de um branco-amarelado. Olhou-a como quem cumprimenta um velho amigo, o coração cheio de ternura e orgulho por estar ali e aquela igreja também, testemunhas da cidade. Céus, como amava aquela cidade! Que sempre fora a sua, má mãe diriam uns, melhor madrasta, apregoariam outros, não lhe interessava, era sua e melhor que todas as outras que tinha conhecido ou aquelas que nem conseguia imaginar.
Quase no fim da rua, sem se anunciar, no desembocar de uma curva, ali estava, imponente, o castelo. Personagem de outras histórias, de batalhas e conquistas, miséria e glória, de amores e traições e sangue derramado em lavagens de honra ofendida. Sorriu-lhe, cúmplice. Os cartões que arrumara no recanto escondido junto à muralha, debaixo de uma velha oliveira, continuavam no lugar. Estendeu-os e deitou-se com as estrelas como tecto. Felizmente não chovia. Tirou do bolso do casaco esburacado uma velha fotografia amarelecida e amarrotada e ficou ali, a contemplar-se garboso e sorridente no retrato, a mulher sentada com o filho mais novo no colo. A miúda, crescida, muito séria à sua frente, as suas mãos sobre os ombros pequenos num gesto inconsciente de protecção. Adormeceu a sorrir, feliz.
Quem passou por ali naquela noite, apenas viu mais um vagabundo, velho, sujo, talvez bêbado e apressou o passo, deviando o olhar.

7.11.04

Cartas nunca escritas

"...para que tudo isto adormeça e se esconda dentro de mim, num cantinho muito fundo de onde nunca mais possa sair. Ficarás sempre lá, mesmo que eu te diga que é mentira."

Descobertas

O meu filho, após ter colado o seu primeiro mapa-mundo na parede do quarto (cheira-me que vem por aí um longo período negro de paredes forradas a posters de cantores rap e gajas semi-nuas...)

- Mãe, sabias que o planeta é constituído por 71% de água e apenas 29% de terra?
- Sabia, filho...

(praguejando entredentes que gostava de saber é porque é que metade dos 29% se encontra em cima dos móveis da minha sala...grrrr)

De

6.11.04

Só mesmo

porque aproveitei um minuto para vir aqui dar uma vista de olhos em dois ou três dos meus blogues favoritos e encontrei metade sem terem nada de posts actualizados e fiquei logo neura porque gosto de chegar lá e ter sempre coisas novas para me rir ou chorar ou eternecer embora saiba que é Sábado e está um sol lindo e eu própria vá aproveitar para sair agorinha mesmo e passear e sei lá quando volto, ou sequer se voltarei, só mesmo por isso é que vim aqui escrever isto para não vos acontecer a vocês, queridos leitores, o que acabou de me acontecer a mim. Não vos quero neuras num dia tão bonito, ok??
Beijinhos

5.11.04

Isto

é algo de horrível, admito, altamente traumatizante ou como diria um Inglês, disgusting!.
Mas atendendo ao interesse despertado, ilustro desta forma o monstro que eliminei da face da Terra.



Algo parecido com isto, se substituirem essa tonalidade de verde das asas, por preto. Brrrrr....Cruzes!

4.11.04

Matei

um escaravelho.
A bem dizer até pode nem ter sido bem um escaravelho, certo é que era um espécime couraçado preto, daqueles que fazem crrrssshhhh quando se esmagam (bléarghh!), tinha várias patas (peludas!) de ambos os lados da dita couraça e movia-se a uma velocidade razoável, por detrás dos móveis.
Escusado será dizer que foi o caos...bichos rastejantes são coisas com quem nunca gostei de socializar...
Armei-me de esfregona, sacudi os putos para fora da sala e montei uma estratégia de ataque em três frentes:
- A primeira foi pôr uma cadeira à frente, entre mim e o monstro. Sim, porque estão a ver o que era se aquilo se lembrasse de subir pelos meus pés acima??
- Depois foi tentar enganar o bicho como se faz nos filmes, em que o herói manda uma pedra para um lado, o inimigo ouve o barulho e - tanso - vai para esse lado enquanto o outro lhe aparece por detrás e pimba! Mas o animal não parecia ter visto muitos filmes, vai daí nem se moveu quando atirei as minhas preciosas conchas para o espaço entre a estante e a lareira, esperando-o do outro lado.
- Ainda pensei utilizar a táctica do fumo para fazer o sacana sair da toca mas, considerando que corria o risco de ter os vizinhos a chamar a polícia julgando que eu tinha incendiado a casa (pela segunda vez...), achei melhor estar quieta.
Não restou mais alternativa que arrastar a estante, sempre controlando o local onde, alapado, o monstro esperava que eu desistisse. Depois de ter a estante no meio da sala, com poucos danos, se exceptuarmos a queda de vários livros em cima da PS2 do puto e o facto de ter ficado com os fios dos vários aparelhos electrónicos todos desligados e a tomada semi-arrancada da parede, iniciei o ataque final. Bem...quase. Porque nesse preciso momento o bicho resolve dar uma corrida rápida, rasando os meus pés o que fez com que algumas palavras menos próprias saissem dos meus castos lábios, enquanto pulava para cima da cadeira aos gritos (histérica, eu??) e desferia vários golpes, ou estocadas, se quiserem, de esfregona em cima do horroroso, produzindo finalmente o característico ruído já descrito. Que nojo!! Não devia ser permitido a existência destes animais! Onde já se viu?
Depois ainda tive que limpar a a porcaria dos restos mortais do animal, amarelos! e desinfectar-me dos pés à cabeça com álcool! Que nojo!

Finally!

Foi só ir ali ao weblog, pesquisar os termos do serviço! A ver se o menino não entrou logo na linha! respeitinho, é bonito não é senhor blogger?

Eu sei que

isto é recorrente mas a verdade é que me chateia não ter tempo ou inspiração, chamem-lhe o que quiserem, para vir aqui todos os dias comme il faut (é assim??), postar um texto todo bonito, poético, reflexivo, assertivo, inteligente, mais ou menos político, actual, como vejo noutros blogs que admiro. Mas não tenho condições e pronto! E também sei que também ninguém me pede explicações nem eu tenho que as dar mas incomoda-me não dizer nada e virem aqui pessoas (40 por dia? chiça!)à procura das minhas parvoíces e baterem com o nariz na porta, que é como quem diz no éter, porque sua excelência não teve um minuto para dar uma satisfaçãozinha. É uma questão de delicadeza, parece-me.
Resumindo, este post é para pedir desculpas por uma ausência que pode tornar-se rotineira.

3.11.04

Fui

a Torres Vedras.
Voltei.
Muito trabalho, muito trabalho.

Fim do bloco noticioso

1.11.04

Halloween

não é?



Aqui há mais.

É impressão minha

ou esta treta de blog está a demorar um tempão do caraças para abrir?
Será que está demasiado cheio de cenas sem interesse?
Ou será só aqui no meu pc e tem a ver com o raio da ligação à net?

Ai, ai estas questões existenciais cansam-me...

Informo

a quem possa interessar, que hoje o lanche foi isto



embora num modelo sem pauzinho e assim espalmado entre duas folhas de bolacha crocante, estão a ver como é? Pois. Não encontrei foto desses online mas deve ser porque são novos...claro que tinha que experimentar, ora...o quê...ah, a garganta? O frio faz bem, é ou não é? Não é? E quando a malta era operada às amigdalas e só podia comer gelados, hein?