Que a vida seja um eterno
31.12.04
30.12.04
A "espera"
Na revista DNa fala-se de espera, dizia-me um amigo na noite de Natal, lê se puderes.
Li.
Textos relatando esperas, todas elas angustiantes, ansiosas. Como todas as esperas, acho eu.
Com "a exaltação de todas as esperas" diz Sophia.
Textos de dor, em que se espera pela morte, pela vida, pelo regresso de um filho desaparecido. Mas em que à dor se mistura a esperança, em alguns casos. Poucos.
Testemunhos na primeira pessoa, escritos por quem sabe escrever muito bem.
Onde se diz que
A idéia de espera está naturalmente associada à transitoriedade(...)dos momentos, das horas, da vida.(...) Estar à espera é uma passagem para outro patamar qualquer. Esperar não é condição, é parte de um processo que se resolve. Mais cedo ou mais tarde.
(...)vivemos à espera. Às vezes chega quem esperamos. Às vezes não chega ninguém. Às vezes chega o que desejamos. Às vezes não chega nada. Não é claro que quem espera sempre alcança. Não é claro que a espera se associe à esperança. Pode ser. Pode não ser.
PRDuarte
Tenho pensado muito nestes textos mas agora, aqui, neste momento em que espero o sono e a seguir o dia que virá amanhã, e o novo ano que o dia de amanhã trará quando bater a meia-noite, concluo que todas as esperas têm um só fim:
sermos felizes.
Li.
Textos relatando esperas, todas elas angustiantes, ansiosas. Como todas as esperas, acho eu.
Com "a exaltação de todas as esperas" diz Sophia.
Textos de dor, em que se espera pela morte, pela vida, pelo regresso de um filho desaparecido. Mas em que à dor se mistura a esperança, em alguns casos. Poucos.
Testemunhos na primeira pessoa, escritos por quem sabe escrever muito bem.
Onde se diz que
A idéia de espera está naturalmente associada à transitoriedade(...)dos momentos, das horas, da vida.(...) Estar à espera é uma passagem para outro patamar qualquer. Esperar não é condição, é parte de um processo que se resolve. Mais cedo ou mais tarde.
(...)vivemos à espera. Às vezes chega quem esperamos. Às vezes não chega ninguém. Às vezes chega o que desejamos. Às vezes não chega nada. Não é claro que quem espera sempre alcança. Não é claro que a espera se associe à esperança. Pode ser. Pode não ser.
PRDuarte
Tenho pensado muito nestes textos mas agora, aqui, neste momento em que espero o sono e a seguir o dia que virá amanhã, e o novo ano que o dia de amanhã trará quando bater a meia-noite, concluo que todas as esperas têm um só fim:
sermos felizes.
28.12.04
Espaço publicitário
da exclusiva responsabilidade do blog Ruinas Circulares e seus representantes autorizados para a divulgação da nova linha de vestuário "ruinosa", em versão T-shirt.
(xi, é desta que apanho um processo...JP, se não gostares do nome tás á vontade pá)
Anuncia-se em segunda mão, a todos os leitores a versão espelhomágico de T-shirt, de produção exclusiva do João Pedro da Costa:
a qual pode ser admirada em modelo psicadélico um pouco mais acima, no respectivo local de produção.
(tá linda, linda, digam lá que não queriam?)
Para os mais distraídos recorda-se o processo através do qual Mar ficou sem respirar até conseguir que JP tivesse inspiração criativa para produzir esta magnífica obra do estilismo pós-moderno.
Este nono exemplar de colecção teve como antecessores o número zero, que podemos mesmo definir como sem ou 100 absolutamente nada e depois o exemplar afixe , com as suas linhas depuradas.
Já para o sharkinho o autor teve uma ténue tentação de introduzir um elemento lúdico, à qual acabou por resistir.
Elemento este que acabamos por vir a encontrar nas mangas, ainda que de forma discreta, da versão o vento lá fora .
O ponto de viragem na linha de produção dá-se, indubitávelmente, na concepção do modelo Renas e Veados o único que inclui o acessório cuecas (havia quem preferisse boxers), vá-se lá saber porquê...
A tendência das bolhinhas começa a delinear-se quando chega a vez do Um pouco mais de azul, influências nítidas de um certo imaginário infantil...
Em seguida, O autor produz, em auto-retrato, este maravilhoso modelo negro (claramente alusivo ao template do blog) que, segundo o próprio, remete para uma vivência ligeiramente heavy, a vários níveis...
Ainda tentanto manter uma certa linha original de sobriedade embora com recurso a imagens lúdicas, sai o exemplar primadesblog que dá, finalmente, origem ao modelo que vos apresento aqui em todo o seu esplendor, representando o amadurecimento criativo do autor, bem como o poder inspirativo de uma certa "influence" da qual não parece ter conseguido livrar-se...
Qualquer semelhança entre este post e a visita guiada à galeria dos coelhos suicidas é pura coincidência ou ilusão das vossas mentes perversas.
(xi, é desta que apanho um processo...JP, se não gostares do nome tás á vontade pá)
Anuncia-se em segunda mão, a todos os leitores a versão espelhomágico de T-shirt, de produção exclusiva do João Pedro da Costa:
a qual pode ser admirada em modelo psicadélico um pouco mais acima, no respectivo local de produção.
(tá linda, linda, digam lá que não queriam?)
Para os mais distraídos recorda-se o processo através do qual Mar ficou sem respirar até conseguir que JP tivesse inspiração criativa para produzir esta magnífica obra do estilismo pós-moderno.
Este nono exemplar de colecção teve como antecessores o número zero, que podemos mesmo definir como sem ou 100 absolutamente nada e depois o exemplar afixe , com as suas linhas depuradas.
Já para o sharkinho o autor teve uma ténue tentação de introduzir um elemento lúdico, à qual acabou por resistir.
Elemento este que acabamos por vir a encontrar nas mangas, ainda que de forma discreta, da versão o vento lá fora .
O ponto de viragem na linha de produção dá-se, indubitávelmente, na concepção do modelo Renas e Veados o único que inclui o acessório cuecas (havia quem preferisse boxers), vá-se lá saber porquê...
A tendência das bolhinhas começa a delinear-se quando chega a vez do Um pouco mais de azul, influências nítidas de um certo imaginário infantil...
Em seguida, O autor produz, em auto-retrato, este maravilhoso modelo negro (claramente alusivo ao template do blog) que, segundo o próprio, remete para uma vivência ligeiramente heavy, a vários níveis...
Ainda tentanto manter uma certa linha original de sobriedade embora com recurso a imagens lúdicas, sai o exemplar primadesblog que dá, finalmente, origem ao modelo que vos apresento aqui em todo o seu esplendor, representando o amadurecimento criativo do autor, bem como o poder inspirativo de uma certa "influence" da qual não parece ter conseguido livrar-se...
Qualquer semelhança entre este post e a visita guiada à galeria dos coelhos suicidas é pura coincidência ou ilusão das vossas mentes perversas.
27.12.04
Reacção em cadeia
Vamos lendo as notícias, na TSF, neste caso e ficamos a saber que
Estupefactos, talvez mesmo um pouco atordoados, assim como se tivéssemos levado uma espécie de anestesia que nos deixa dormentes, com os sentidos ludibriados, fingindo que não dói.
No fundo, sabemos que é mentira e que a dor voltará, às vezes quando menos se espera, intensa quase intolerável, mas, naquele momento, quase nos sentimos bem, quase conseguimos esquecer que estamos mal.
Estas notícias deixam-nos quase assim.
E não sabemos como reagir.
É demasiado avassalador para que qualquer reacção que possamos ter não nos pareça ridícula, mesquinha, pequena.
Pequena perante toda aquela dor. Dor que, lá, não está anestesiada nem mascarada de nada, está na pele daquelas pessoas, em cada um dos seus poros, nos seus olhos desesperados.
Não sei o que dizer sobre isto. A não ser que nos sintamos todos culpados.
Porque a culpa maior é da Humanidade. É da forma como usa esta Terra que lhe está emprestada.
Se é certo que não se pode impedir a natureza de actuar, a forma como derretem as calotes polares, redistribuindo àgua e peso sobre os Oceanos, e a extracção em massa de grandes quantidades de petróleo, alteram a correlação de forças que existe na litosfera e intensificam estes fenómenos, explicava o especialista chamado a uma estação de TV para analisar a tragédia.
O que aconteceu não foi mais do que uma reacção em cadeia, da Terra, uma tentativa de atingir o equilíbrio, de novo.
Somos todos culpados.
E hoje
é esta:
Evanescence - Hello
(...)If I smile and don't believe
Soon I know I'll wake from this dream
Don't try to fix me
I'm not broken
(...)
Em repeat mode toda a manhã...
25.12.04
24.12.04
Fui ficando por aqui
longamente, a ler.
Nesta casa, agora silenciosa, que cheira a chão acabado de lavar e a brasas quentes...
Aqui, onde o bater das teclas ao mesmo ritmo que o do coração, são os únicos ruídos na noite serena.
Deste lado da janela que abri para aí. De onde me assomo para ver o mundo e me mostro um bocadinho a esse mesmo mundo. Troca por troca.
Foi uma janela generosa, esta. Num ano de descobertas.
De que se podia ler textos maravilhosos sem ser em folhas de papel.
De descobrir ser possível falar com as pessoas por detrás dos textos. E conhecê-las. Como se conhecem os Amigos. Com conversas e cumplicidades e segredos partilhados. E sorrisos, ainda que virtuais :-) :-) :-). E lágrimas.
Fui ficando por aqui, a lembrar-me.
De ter descoberto pessoas, que ainda não conhecia, neste pedacinho de terra que amo e a que chamo minha. Neste ano.
A lembrar-me, não em jeito de balanço, apesar de ser costume fazê-lo, quando subimos os últimos degraus que nos levam ao novo ano. Mas não. Não é um balanço mas sim um registo, algo que perdure, que não me deixe esquecer o que este ano significou para mim, as coisas que li, as emoções que aqui deixei e que descobri desse lado de lá, cada dia, até ao de hoje.
A magia e o mistério que fomos sendo capazes de transportar para este rectângulo branco.
Fiquei por aqui e concluí que não sei escrever.
Que as palavras não têm tamanho suficiente para descrever tanta coisa, não sabem dizer o que somos e sentimos e apenas sabemos como se sente e não como se conta. Não sabem como dizer do sangue que corre mais rápido sempre que me lembro de tantos momentos deste ano.
Não sei como se conta um brilho no olhar, um sorriso luminoso, um rio que sai dos olhos sem que o consigamos parar. Não se pára o rio. Escrevi isto neste ano que vai passar. Há coisas que não se explicam, foi também uma frase deste ano. Deste, e de nenhum outro.
Fui ficando e lembrando e pensando. Muito.
E tomando decisões. Que se tomam com a cabeça e não com o coração, porque senão rasgavam-no. E um coração rasgado não serve para nada. Tem que continuar inteiro para bater, saudável, e manter-nos de pé, para que possamos continuar. Há que continuar.
E nunca, nunca poderemos continuar, sabendo que foi à custa da felicidade de alguém.
Vou ficando por aqui.
Nesta casa, agora silenciosa, que cheira a chão acabado de lavar e a brasas quentes...
Aqui, onde o bater das teclas ao mesmo ritmo que o do coração, são os únicos ruídos na noite serena.
Deste lado da janela que abri para aí. De onde me assomo para ver o mundo e me mostro um bocadinho a esse mesmo mundo. Troca por troca.
Foi uma janela generosa, esta. Num ano de descobertas.
De que se podia ler textos maravilhosos sem ser em folhas de papel.
De descobrir ser possível falar com as pessoas por detrás dos textos. E conhecê-las. Como se conhecem os Amigos. Com conversas e cumplicidades e segredos partilhados. E sorrisos, ainda que virtuais :-) :-) :-). E lágrimas.
Fui ficando por aqui, a lembrar-me.
De ter descoberto pessoas, que ainda não conhecia, neste pedacinho de terra que amo e a que chamo minha. Neste ano.
A lembrar-me, não em jeito de balanço, apesar de ser costume fazê-lo, quando subimos os últimos degraus que nos levam ao novo ano. Mas não. Não é um balanço mas sim um registo, algo que perdure, que não me deixe esquecer o que este ano significou para mim, as coisas que li, as emoções que aqui deixei e que descobri desse lado de lá, cada dia, até ao de hoje.
A magia e o mistério que fomos sendo capazes de transportar para este rectângulo branco.
Fiquei por aqui e concluí que não sei escrever.
Que as palavras não têm tamanho suficiente para descrever tanta coisa, não sabem dizer o que somos e sentimos e apenas sabemos como se sente e não como se conta. Não sabem como dizer do sangue que corre mais rápido sempre que me lembro de tantos momentos deste ano.
Não sei como se conta um brilho no olhar, um sorriso luminoso, um rio que sai dos olhos sem que o consigamos parar. Não se pára o rio. Escrevi isto neste ano que vai passar. Há coisas que não se explicam, foi também uma frase deste ano. Deste, e de nenhum outro.
Fui ficando e lembrando e pensando. Muito.
E tomando decisões. Que se tomam com a cabeça e não com o coração, porque senão rasgavam-no. E um coração rasgado não serve para nada. Tem que continuar inteiro para bater, saudável, e manter-nos de pé, para que possamos continuar. Há que continuar.
E nunca, nunca poderemos continuar, sabendo que foi à custa da felicidade de alguém.
Vou ficando por aqui.
23.12.04
Sem tempo
para blogar, malta...
A preparar a casa para receber a família.
É o que tem de bom, isto do Natal, os cheiros que se espalham pela casa...
A preparar a casa para receber a família.
É o que tem de bom, isto do Natal, os cheiros que se espalham pela casa...
22.12.04
Já disse
que adoro velas?
Natal, lareira acesa, qualquer coisita para beber, tipo Möet & Chandom e velas, muitas, espalhadas pela casa. Parece-me bem.
Eu sei que está assim para o fútil e tal mas que querem, não me ocorre falar de Paz, Amor e Boa-Vontade entre os homens, e todos irmãos e ajudar o próximo e...com as coisas que vejo por aí...
Natal, lareira acesa, qualquer coisita para beber, tipo Möet & Chandom e velas, muitas, espalhadas pela casa. Parece-me bem.
Eu sei que está assim para o fútil e tal mas que querem, não me ocorre falar de Paz, Amor e Boa-Vontade entre os homens, e todos irmãos e ajudar o próximo e...com as coisas que vejo por aí...
21.12.04
Nós tentamos
e tentamos.
Fazemos um esforço enorme para ser fortes, ultrapassar mágoas e desilusões, enfrentar com garras de leoa os que nos querem fazer mal, porque são malformados, invejosos ou apenas uns tristes cuja vida tem que girar em função de outros porque não têm capacidade de conquistar o seu lugar no mundo de uma forma honesta e limpa.
Enfim, passamos por cima de tudo isto, até damos umas gargalhadas de valente gozo quando "Oni (ou honni??) soit qui mal y pense" aparece citado como tendo sido dito por Voltaire no Século das Luzes (LOL! um dia destes explico...), ignoramos esta gente e investimos em quem verdadeiramente gostamos e saboreamos as pequenas conquistas que cada dia nos traz, inesperadamente, ao entardecer, e fazemos por ser felizes.
Mas nunca somos tão fortes quanto pensamos e basta um gesto, um dia, um gesto súbito que nos toca de forma particular, para que rebentem os diques todos e os muros de betão e a enxurrada por tanto tempo contida se solte e arraste o que encontra pela frente e lave até ao último grão a poeira dos tempos, que nos cobre.
Hoje, ao abrir o mail, um amigo tinha-me deixado esta singela e espontânea frase:
"...E não pares de escrever. Tens um talento nato para exprimir emoções que são difíceis de ser descritas. Muda de blog, muda de nome, mas não percas isso! Sim?!"
E com ela tomei consciência de que não quero mudar de nada, que gosto de ser assim mesmo, com as minhas fragilidades e forças, que, se é assim que os outros me vêem é porque é isso que sou e não vou fingir que sou outra coisa qualquer.
Obrigado!
Fazemos um esforço enorme para ser fortes, ultrapassar mágoas e desilusões, enfrentar com garras de leoa os que nos querem fazer mal, porque são malformados, invejosos ou apenas uns tristes cuja vida tem que girar em função de outros porque não têm capacidade de conquistar o seu lugar no mundo de uma forma honesta e limpa.
Enfim, passamos por cima de tudo isto, até damos umas gargalhadas de valente gozo quando "Oni (ou honni??) soit qui mal y pense" aparece citado como tendo sido dito por Voltaire no Século das Luzes (LOL! um dia destes explico...), ignoramos esta gente e investimos em quem verdadeiramente gostamos e saboreamos as pequenas conquistas que cada dia nos traz, inesperadamente, ao entardecer, e fazemos por ser felizes.
Mas nunca somos tão fortes quanto pensamos e basta um gesto, um dia, um gesto súbito que nos toca de forma particular, para que rebentem os diques todos e os muros de betão e a enxurrada por tanto tempo contida se solte e arraste o que encontra pela frente e lave até ao último grão a poeira dos tempos, que nos cobre.
Hoje, ao abrir o mail, um amigo tinha-me deixado esta singela e espontânea frase:
"...E não pares de escrever. Tens um talento nato para exprimir emoções que são difíceis de ser descritas. Muda de blog, muda de nome, mas não percas isso! Sim?!"
E com ela tomei consciência de que não quero mudar de nada, que gosto de ser assim mesmo, com as minhas fragilidades e forças, que, se é assim que os outros me vêem é porque é isso que sou e não vou fingir que sou outra coisa qualquer.
Obrigado!
19.12.04
As palavras dos outros
podem dizer tudo o que não soubemos ou não tivémos como dizer.
A rua onde te disse que era feliz
A minha felicidade é só o abismo que vai do passeio onde tu andas (de mão dada comigo) e a rua onde me arrasto. Cubro a tua sombra em passos tão curtos que não deixo nenhum pedacinho perder-se. Levantaste-te para ser feliz sem ninguém ter adormecido ao teu lado. Alinhei o bordo dos lençóis nos teus lábios e disse-te que ainda não tinham acordado ninguém tão bonito quanto tu, e que, agora sim, podiam abrir a janela que já não tinha medo do vento vir e interromper a minha falta de ar. Sabia que estava preparado para fazer desta a última noite das nossas vidas, e esse é o cúmulo da felicidade. Não porque faríamos tudo com medo de esquecer algo, a vida dos comuns é a lixeira onde se despejam os livros lidos e as rezas dos mosteiros isolados do mundo. Era a última porque ia esconder a fronteira dos nossos corpos na escuridão.
1:26 AM dq/dp.p/q=1
O dia, que foi fértil em descobertas, termina por aqui, agora, neste blog, onde fui parar pelo Altino Torres e que é, mesmo, uma revelação.
A rua onde te disse que era feliz
A minha felicidade é só o abismo que vai do passeio onde tu andas (de mão dada comigo) e a rua onde me arrasto. Cubro a tua sombra em passos tão curtos que não deixo nenhum pedacinho perder-se. Levantaste-te para ser feliz sem ninguém ter adormecido ao teu lado. Alinhei o bordo dos lençóis nos teus lábios e disse-te que ainda não tinham acordado ninguém tão bonito quanto tu, e que, agora sim, podiam abrir a janela que já não tinha medo do vento vir e interromper a minha falta de ar. Sabia que estava preparado para fazer desta a última noite das nossas vidas, e esse é o cúmulo da felicidade. Não porque faríamos tudo com medo de esquecer algo, a vida dos comuns é a lixeira onde se despejam os livros lidos e as rezas dos mosteiros isolados do mundo. Era a última porque ia esconder a fronteira dos nossos corpos na escuridão.
1:26 AM dq/dp.p/q=1
O dia, que foi fértil em descobertas, termina por aqui, agora, neste blog, onde fui parar pelo Altino Torres e que é, mesmo, uma revelação.
Há coisas assim
Descobrem-se blogs por tudo e por nada.
Desta vez foi a seguir o link para este post, que o João Pedro destacou no seu blog (e, depois disso já lhe fez uma T-shirt e a mim nada ainda, humpf!, e continuo sem respirar até ele a fazer e já estou azul) Azul, puxa azul e porque ela se enganou no meu nome num comentário nas Ruinas, fui lá ter e pronto. Rendida. Porque é azul, é mãe como eu, escreve bem e porque sim.
Desta vez foi a seguir o link para este post, que o João Pedro destacou no seu blog (e, depois disso já lhe fez uma T-shirt e a mim nada ainda, humpf!, e continuo sem respirar até ele a fazer e já estou azul) Azul, puxa azul e porque ela se enganou no meu nome num comentário nas Ruinas, fui lá ter e pronto. Rendida. Porque é azul, é mãe como eu, escreve bem e porque sim.
É pá pessoal
estou susceptível, o que é que foi, e depois, não posso, é?? Dane-se...
Passo tempos e tempos sem ir ali abaixo verificar as tralhas todas de controladores que tenho e mais isto e mais aquilo, que metade nem sei usar, já o disse aqui e repeti e ninguém ligou pevas, nem houve quem me escrevesse a ensinar a mexer naquilo. Também não me chateio, tenho mais o que fazer. Mas hoje...hoje, pá...people, estou de lagriminha ao canto do olho...fui ao sitemeter e tenho lá 10 200 visitas!
10 200!! Perdão, parece que já são
Juro que fiquei emocionada! Só por isso passei a ter o número visível ali para baixo, todo pimpas, para que, quando por aqui passarem e virem o número acrescer mais um, saberem que são vocês. Pois é, também, graças a vocês que eu continuo aqui.
Agora a sério. Obrigada.
Passo tempos e tempos sem ir ali abaixo verificar as tralhas todas de controladores que tenho e mais isto e mais aquilo, que metade nem sei usar, já o disse aqui e repeti e ninguém ligou pevas, nem houve quem me escrevesse a ensinar a mexer naquilo. Também não me chateio, tenho mais o que fazer. Mas hoje...hoje, pá...people, estou de lagriminha ao canto do olho...fui ao sitemeter e tenho lá 10 200 visitas!
10 200!! Perdão, parece que já são
Juro que fiquei emocionada! Só por isso passei a ter o número visível ali para baixo, todo pimpas, para que, quando por aqui passarem e virem o número acrescer mais um, saberem que são vocês. Pois é, também, graças a vocês que eu continuo aqui.
Agora a sério. Obrigada.
18.12.04
O maior espectáculo do mundo
ou se a magia será para todos...
-Venham todos! Venham! É entrar, é entrar! O menino e a menina. O espectáculo vai começar! Venham ver os palhaços, os cães e gatos amestrados, a mulher barbada...É entrar! É entrar!!
E a malta lá foi, obedientes, com os ouvidos a estoirar da potente voz do "Director" e mais os apitos de um microfone fanhoso com o volume no máximo...
O circo cheio, a Festa de Natal para as crianças dos funcionários de uma entidade qualquer. Cheiro a pipocas a aguçar o apetite - mãe compra! e os pacotinhos nas mãos dos meninos, só de alguns...
Eram muitos, os meninos. Com as mães, os pais, outros com as avós, outros, ainda, com as irmãs mais velhas, meninas-mulheres, pouco mais altas que a minha cintura a tomar conta de um bando de irmãos por ordem descendente de tamanho, até ao último, que mal sabia andar mas acompanhava os demais, mercê de um qualquer instinto que carregamos em nós desde que nascemos e nos faz saber sermos pertença daquele grupo, daquela manada em particular e não de outra qualquer.
A magia do circo no ar, na música ambiente, muito alta para parecermos muitos, na equilibrista Vanessa, no malabarista António, nos animais exóticos (um camelo, dois cavalos e um pónei, que por sua vez serviram para, no intervalo, a família circense arrecadar mais uns euros, são duas voltas à pista, venham todos, meninos e meninas, venham, e eles foram...mas só alguns). A magia no brilho das lantejoulas do fato da trapezista Glória, tão corajosa, lá no alto, sem rede, a voar, voar...como alguns meninos gostariam de poder...voar.
As luzes, os brilhos, o maior de todos no olhar daquelas crianças, todas, por momentos (breves, muito breves) iguais, no encantamento com que olhavam para o alto, até os pescoços doerem de tanto admirar as voltas da Glória, tão linda...ou no gosto com que riram das asneiras dos palhaços - quem te mandou ser Parvo? Toma!, volta já aqui! toma!, numa ficção em que um é superior ao outro e o outro faz de conta que é palerma mas está é a comer por parvo o que lhe quer bater e nunca consegue acertar. Tão parecida com a realidade...
A magia a esgotar-se no momento em que as luzes se apagam e a irmã recolhe os pequeninos todos, com modos de mulher, de mãe, com modos de enfado por um papel que não lhe devia competir, com empurrões bruscos e muito pouco afecto, com uma palmada na cabeça do que ficou para trás porque a bota que calçava, sem cordões, lhe saiu do pé, Outra vez! és mesmo parvo!, não, não é ficção mas a vida de muitas famílias que hoje ali estavam e que, depois do maior espectáculo do mundo, recolheram de novo às casas degradadas onde moram, sem pipocas, sem balões e sem terem dado uma volta no pónei. Apenas com o coração ainda cheio de cores, brilhos e gargalhadas e quente, tão quente por lembrar a Glória lá no alto, tão alto, a voar, a voar...
No circo, como na vida, a magia é efémera e é só para alguns e se me disserem que estou amarga, pergunto-vos se o Natal não é suposto simbolizar a paz, justiça, fraternidade e igualdade entre os Homens?
-Venham todos! Venham! É entrar, é entrar! O menino e a menina. O espectáculo vai começar! Venham ver os palhaços, os cães e gatos amestrados, a mulher barbada...É entrar! É entrar!!
E a malta lá foi, obedientes, com os ouvidos a estoirar da potente voz do "Director" e mais os apitos de um microfone fanhoso com o volume no máximo...
O circo cheio, a Festa de Natal para as crianças dos funcionários de uma entidade qualquer. Cheiro a pipocas a aguçar o apetite - mãe compra! e os pacotinhos nas mãos dos meninos, só de alguns...
Eram muitos, os meninos. Com as mães, os pais, outros com as avós, outros, ainda, com as irmãs mais velhas, meninas-mulheres, pouco mais altas que a minha cintura a tomar conta de um bando de irmãos por ordem descendente de tamanho, até ao último, que mal sabia andar mas acompanhava os demais, mercê de um qualquer instinto que carregamos em nós desde que nascemos e nos faz saber sermos pertença daquele grupo, daquela manada em particular e não de outra qualquer.
A magia do circo no ar, na música ambiente, muito alta para parecermos muitos, na equilibrista Vanessa, no malabarista António, nos animais exóticos (um camelo, dois cavalos e um pónei, que por sua vez serviram para, no intervalo, a família circense arrecadar mais uns euros, são duas voltas à pista, venham todos, meninos e meninas, venham, e eles foram...mas só alguns). A magia no brilho das lantejoulas do fato da trapezista Glória, tão corajosa, lá no alto, sem rede, a voar, voar...como alguns meninos gostariam de poder...voar.
As luzes, os brilhos, o maior de todos no olhar daquelas crianças, todas, por momentos (breves, muito breves) iguais, no encantamento com que olhavam para o alto, até os pescoços doerem de tanto admirar as voltas da Glória, tão linda...ou no gosto com que riram das asneiras dos palhaços - quem te mandou ser Parvo? Toma!, volta já aqui! toma!, numa ficção em que um é superior ao outro e o outro faz de conta que é palerma mas está é a comer por parvo o que lhe quer bater e nunca consegue acertar. Tão parecida com a realidade...
A magia a esgotar-se no momento em que as luzes se apagam e a irmã recolhe os pequeninos todos, com modos de mulher, de mãe, com modos de enfado por um papel que não lhe devia competir, com empurrões bruscos e muito pouco afecto, com uma palmada na cabeça do que ficou para trás porque a bota que calçava, sem cordões, lhe saiu do pé, Outra vez! és mesmo parvo!, não, não é ficção mas a vida de muitas famílias que hoje ali estavam e que, depois do maior espectáculo do mundo, recolheram de novo às casas degradadas onde moram, sem pipocas, sem balões e sem terem dado uma volta no pónei. Apenas com o coração ainda cheio de cores, brilhos e gargalhadas e quente, tão quente por lembrar a Glória lá no alto, tão alto, a voar, a voar...
No circo, como na vida, a magia é efémera e é só para alguns e se me disserem que estou amarga, pergunto-vos se o Natal não é suposto simbolizar a paz, justiça, fraternidade e igualdade entre os Homens?
17.12.04
Há coisas e pessoas
que transportam em si uma ternura do tamanho do mundo e que nos toca e comove talvez porque a sentimos como verdadeira e genuina. É o caso deste blog , que me deixa um sorriso sempre que o leio. Para além que que o Dô é mesmo um Dôce ;-)
É por isso que vai ali para o lado.
É por isso que vai ali para o lado.
15.12.04
Estive
a ler os meus arquivos.
Constatei que metade das fotos que tenho a ilustrar os posts já não existem...
Ainda pude constatar que, escrevia bem melhor nos primeiros meses de blog, quando era uma incauta principiante, que ainda se dava ao luxo de poder escrever emoções, do que agora, em que isto se tornou assim uma espécie daqueles caixotes de reciclagem para onde vou deitando tretas - amarelo: posts sobre banalidades, verde: palavritas tiradas a ferros sobre paisagens e cenas afins, azul: ficção rasca.
Constatei que metade das fotos que tenho a ilustrar os posts já não existem...
Ainda pude constatar que, escrevia bem melhor nos primeiros meses de blog, quando era uma incauta principiante, que ainda se dava ao luxo de poder escrever emoções, do que agora, em que isto se tornou assim uma espécie daqueles caixotes de reciclagem para onde vou deitando tretas - amarelo: posts sobre banalidades, verde: palavritas tiradas a ferros sobre paisagens e cenas afins, azul: ficção rasca.
Bah! Não sei se perdi a capacidade de escrever ou se apenas me limito a engolir tudo o que poderia aqui dizer, só porque...porque.
Este blog está uma trampa.
Este blog está uma trampa.
Alguém
me disse há dias que "nunca somos a pessoa que toda a gente pensa que somos", uma frase proferida por Bob Dylan, melhor "God" Dylan, cujo sentido eu tenho andado desde então a tentar explorar, muito para além do simples facto de ser uma citação bonita. Mania que tenho de ir demasiado fundo nas questões...
Deixou-me foi a pensar que é quase sempre assim...há uma parte de nós, à qual só têm acesso, aqueles que mais íntimamente nos conhecem. E, ainda assim, creio que há sempre um lado que só nós conhecemos, nunca mostrámos a ninguém, está fechado a sete chaves na gaveta dos segredos dentro de nós. Bom ou mau, não interessa é só nosso.
Deixou-me foi a pensar que é quase sempre assim...há uma parte de nós, à qual só têm acesso, aqueles que mais íntimamente nos conhecem. E, ainda assim, creio que há sempre um lado que só nós conhecemos, nunca mostrámos a ninguém, está fechado a sete chaves na gaveta dos segredos dentro de nós. Bom ou mau, não interessa é só nosso.
14.12.04
Há uma
música do Brasil, de nome AQUARELA (Toquinho, Vinício de Moraes, Guido Morra e Maurizio Fabrizio) que, desde há muitos anos me acompanha, pela metáfora (já disse que adoro metáforas?) que encerra relativamente àquilo que é a vida.
Este excerto, em particular, baila-me na cabeça sempre que os acontecimentos do presente me fazem ter vontade de deixar de acreditar no futuro:
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
O menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave, que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe, conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe, bem ao certo, onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Hoje, especialmente, ela está presente.
Este excerto, em particular, baila-me na cabeça sempre que os acontecimentos do presente me fazem ter vontade de deixar de acreditar no futuro:
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
O menino caminha e caminhando chega no muro
E ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave, que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade, nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida
E depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe, conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe, bem ao certo, onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Hoje, especialmente, ela está presente.
12.12.04
Das
mil palavras a transformar em futuros posts, que me cruzaram o pensamento ontem à noite, durante uma insónia feita de frio e inquietações, sobrou apenas o vazio e cinzas...
11.12.04
Não resisti
a esta foto
farol
encontrada quando procurava no Google, uma que servisse para adequar o template à homenagem temporária a um farol que nos ilumina os caminhos já desde há algum tempo.
Vai ficar por aqui, a combater a escuridão, sob todas as formas que ela assume...
farol
encontrada quando procurava no Google, uma que servisse para adequar o template à homenagem temporária a um farol que nos ilumina os caminhos já desde há algum tempo.
Vai ficar por aqui, a combater a escuridão, sob todas as formas que ela assume...
Eu cá
nem sou do Sporting, mas aquele golo anulado foi claramente injusto! Fora de jogo o quê? Palhaço!!
devo estar doente...a comentar bola, pior, a ver bola...
devo estar doente...a comentar bola, pior, a ver bola...
8.12.04
6.12.04
Tenho
de vez em quando, umas tiradas com que me surpreendo a mim mesma depois de as reler, um ou dois dias mais tarde.
Escrevo com o coração na ponta dos dedos, um pouco como falo, com ele mesmo junto à garganta. Escrevo de uma assentada, em turbilhão quase como se tivesse medo de não conseguir agarrar as idéias, de não ir a tempo de passar para o papel (?éter...) os pensamentos.
E depois espanto-me. Com o que me sai do peito, principalmente sempre que escrevo com ele apertado por algum nó invisível...
A última tem andado aqui a moer de mansinho e saiu quando escrevia um email a alguém com quem gosto de conversar.
Para mim a amizade não se mede em tempo mas em acções.
Escrevo com o coração na ponta dos dedos, um pouco como falo, com ele mesmo junto à garganta. Escrevo de uma assentada, em turbilhão quase como se tivesse medo de não conseguir agarrar as idéias, de não ir a tempo de passar para o papel (?éter...) os pensamentos.
E depois espanto-me. Com o que me sai do peito, principalmente sempre que escrevo com ele apertado por algum nó invisível...
A última tem andado aqui a moer de mansinho e saiu quando escrevia um email a alguém com quem gosto de conversar.
Para mim a amizade não se mede em tempo mas em acções.
Citação
cujo autor desconheço.
Mas que ouvi há uns tempos, na boca de alguém que, sentado numa cadeira de rodas devido a um acidente que o deixou paraplégico, discursava perante uma plateia de pessoas que não tinham qualquer handicap visível e que, só depois de o ouvirem se deram conta da sorte que tinham.
"A diferença entre o possível e o impossível depende da determinação de cada um."
Mas que ouvi há uns tempos, na boca de alguém que, sentado numa cadeira de rodas devido a um acidente que o deixou paraplégico, discursava perante uma plateia de pessoas que não tinham qualquer handicap visível e que, só depois de o ouvirem se deram conta da sorte que tinham.
"A diferença entre o possível e o impossível depende da determinação de cada um."
4.12.04
Eu tentei
pelo menos posso afirmar que tentei, li 45 páginas, ao fim das quais, igual a quando tinha começado (isto é, sem perceber pevas...), resolvi folhear ao acaso o raio do livro. Este foi o resultado:
Da página 44, este excerto, para ilustrar as anteriores 43, igualzinho, sem mudança alguma de ritmo, ou sem que se conseguisse perceber o fio à meada da história, que me parece vagamente, referir-se à ausencia de um pai
(um dos castiçais quebrado)
que não tocava, a enfeitar, a cunhada para a filha(a máquina de costura imóvel, um vultozito entre portas)
-O Casimiro é assim
o vultozito evaporou-se das portas e a máquina de costura a suturar-lhe a alegria
-o Casimiro é assim
unindo-a a uma bainha, uma fronha, escutava a cunhada da sua tia mastigando de palma sob o queixo a amparar as migalhas
Tentei lá mais para a frente, podia ser que a coisa se tivesse composto, mas lá para a página 375, era isto
-Tem até ao fim do mês para sair de cá
porque não era este segundo andar do jardim Constantino que ele queria, era um combóio voltando de França, um gesto nem que fosse a enxotá-lo
-Trambolho
e o pimpolho que você diz ser seu pai contente, sossegado, a trotar na direcção do capacho quando alguém se aproxima (...)
Já semi-desesperada, tento, no final, perceber algum desenlace, o culminar daquela verborreia toda e depois de ler 3 páginas sem sucesso, até à página 587
o meu pai a chamar-nos
-cumprimentem o senhor coronel rapazinhos
(não pulhas, que engraçado)
o coronel dedos vagaroso, breves, as rédeas da mula atadas na cancela, não consigo calar-me, a sobrinha hoje corcunda, de bengala, e a entrar na igreja, num internato em Viseu, um queixal escuro meditando
-O Arquimedes quem era?
desisto.
todos têm direito aos seus delírios. Até o Lobo Antunes.
Da página 44, este excerto, para ilustrar as anteriores 43, igualzinho, sem mudança alguma de ritmo, ou sem que se conseguisse perceber o fio à meada da história, que me parece vagamente, referir-se à ausencia de um pai
(um dos castiçais quebrado)
que não tocava, a enfeitar, a cunhada para a filha(a máquina de costura imóvel, um vultozito entre portas)
-O Casimiro é assim
o vultozito evaporou-se das portas e a máquina de costura a suturar-lhe a alegria
-o Casimiro é assim
unindo-a a uma bainha, uma fronha, escutava a cunhada da sua tia mastigando de palma sob o queixo a amparar as migalhas
Tentei lá mais para a frente, podia ser que a coisa se tivesse composto, mas lá para a página 375, era isto
-Tem até ao fim do mês para sair de cá
porque não era este segundo andar do jardim Constantino que ele queria, era um combóio voltando de França, um gesto nem que fosse a enxotá-lo
-Trambolho
e o pimpolho que você diz ser seu pai contente, sossegado, a trotar na direcção do capacho quando alguém se aproxima (...)
Já semi-desesperada, tento, no final, perceber algum desenlace, o culminar daquela verborreia toda e depois de ler 3 páginas sem sucesso, até à página 587
o meu pai a chamar-nos
-cumprimentem o senhor coronel rapazinhos
(não pulhas, que engraçado)
o coronel dedos vagaroso, breves, as rédeas da mula atadas na cancela, não consigo calar-me, a sobrinha hoje corcunda, de bengala, e a entrar na igreja, num internato em Viseu, um queixal escuro meditando
-O Arquimedes quem era?
desisto.
todos têm direito aos seus delírios. Até o Lobo Antunes.
3.12.04
Porque me orgulho
de ser quem sou.
Título com destinatário.
As ruas quase desertas da cidade, têm neste final de tarde de Verão, um encanto especial.
As ruas quase desertas da cidade, têm neste final de tarde de Verão, um encanto especial.
É aquela hora em que o sol tinge de fogo o azul límpido do céu, antes de desaparecer aos poucos no horizonte, lá para os lados da estrada para o Penedo Gordo. Gosto de ir até aí de vez em quando, parar o carro no desvio que leva a Pisões e sair, só para ver um pôr-do-sol único e deslumbrante.
É também a hora em que uma brisa fresca começa a entrar pelas janelas do carro, trazendo aromas de terra, árvores e flores à medida que se avança pela cidade, esta hora em que os pássaros parecem enlouquecidos, ébrios de liberdade, tal é o barulho e o remoinho de asas e os voos picados.
Dou por mim a pensar em como é bela esta cidade. Na sua evolução desde há cerca de 20 anos, quando a deixei, para seguir o rumo que alguns jovens de 18 anos seguiam nessa altura: a entrada na universidade.
Não existia, nesse tempo, nenhuma construção no espaço adjacente à mata.
Havia apenas a mata e mato.
Circulando ao longo da variante, avalio o empenho e vontade necessários para fazer com que tudo aquilo nascesse. Por parte de autarcas e empresários. Com investimentos públicos e de privados, o mato deu lugar a uma zona habitacional consolidada, ao campus Universitário, um Complexo Desportivo de grande qualidade, tudo emoldurado, até final deste ano, pela extensa área verde de lazer, o Parque da Cidade, desde há muito projectada nos nossos corações e nos planos de desenvolvimento da autarquia e agora em construção ao abrigo do Programa Polis.
Aliás, era interessante que os bejenses que amam Beja tanto quanto eu (ou pelo menos alguns, que o bradam aos sete ventos, onde quer que encontrem tempo de antena, seja ele em páginas de jornal, de blogues, nas rádios locais ou no Luís da Rocha), mas mais não fazem que cultivar a maledicência, soubessem que, estes projectos e obras que, de forma acintosa e irónica criticam, estavam previstos há muito, existiam em estudos prévios e concretizar-se-iam com ou sem Polis, de forma natural, gradual, tal como aconteceu nestes anos, com todos os outros projectos que cresceram nesta cidade. Dependendo, evidentemente, da obtenção de financiamentos do Estado para poder constar em Plano de Actividades. São pequenas coisas que toda a gente devia saber. E saberia, caso se interessasse em participar na vida da cidade, lesse os documentos que são públicos, assistisse ás reuniões, em suma, procurasse informação em vez de despejar patacoadas.
É que, dá ideia que, quem pratica o desporto local da má-língua (os tais que não têm “inconfessáveis intenções políticas” mas foram candidatos às últimas eleições autárquicas, pelas forças políticas actualmente na oposição), pensa que todas estas obras nasceram de repente, do nada, que não foram discutidas, amadurecidas, desejadas, durante anos de trabalho, por aqueles, nos quais orgulhosamente me incluo, que têm sido capazes de levar a cabo a difícil tarefa que foi fazer crescer esta terra. Aqueles que entendem e aceitam legítimas discordâncias, afinal não podemos gostar todos do mesmo, mas que também sabem reconhecer de longe os que lançam mão da demagogia barata e teatral e destilam falácias sem pudor, para atingir objectivos, sejam eles quais forem.
Passo o cemitério, admiro a escultura do Jorge Vieira, a mesma que em 1964 ganhou o 1º prémio do Concurso para a valorização plástica do maciço norte da ponte sobre o Tejo, onde nunca chegaria a ser colocada pois o escultor, ao ser convidado para conceber a placa com o nome da ponte, perguntou ao Secretário de Estado do regime o dito nome e, ao saber que seria Ponte de Oliveira Salazar, virou costas e deixou-os a falar sozinhos. É claro que, a seguir, foi despedido.
Em boa hora o fez para que, 35 anos mais tarde, viesse enfim a criar esta escultura que hoje possuímos, todos os bejenses, agora valorizada pelo arranjo paisagístico da principal entrada da cidade.
Dá-me vontade de parar o carro, sentar-me um pouco num dos bancos junto à Ermida de Santo André, ou na relva fresca salpicada de “aloendros” coloridos e seguir depois, a pé, pelo “corredor” da Rua de Lisboa, até às Portas de Mértola, o circuito que será possível percorrer, logo que esteja concluído o parque subterrâneo da Avenida Miguel Fernandes.
E torno a pensar nos que bradam contra o executivo Municipal, que procurou a melhor solução para criar caminhos pedonais, com a pretensão de devolver a cidade às pessoas, de reduzir o tráfego automóvel no centro histórico, de incutir de novo o gosto, tão antigo no Alentejo, das longas caminhadas em família, ao fim da tarde, pela fresca ( na Rua António Sardinha as faixas de rodagem estão um pouco estreitas e também eu eliminaria aquele separador central que me parece desnecessário, mas já repararam como estão bonitos os passeios?).
Este executivo que concebeu a Biblioteca Municipal, trazendo-a para aquele que foi o edifício e o projecto de referência das Bibliotecas Nacionais de Leitura Pública, em 1993.
Lembrar-se-ão da biblioteca antiga, junto ao Estádio Flávio Santos onde, respeitosamente, no silêncio obrigatório do espaço, ao balcão, pedíamos ao saudoso senhor Martins que nos emprestasse o cobiçado livro dos Cinco, ali da estante, inatingível? A memória é curta e esse tempo e esse silêncio são difíceis de recordar hoje, quando, no amplo átrio de entrada da Biblioteca os livros nos dizem “Leve-me para casa” e podemos pegar-lhes, levá-los até à cafetaria e cheirá-los, saboreá-los, como ao café que ali tomamos.
O executivo que criou o sistema de transportes públicos urbanos e construiu ligações viárias entre os bairros periféricos, outrora “ilhas”, quase isoladas da cidade ou que comprou autocarros de piso rebaixado para fácil acesso de pessoas com mobilidade reduzida.
E que foi responsável pelo nascimento da AMALGA, em conjunto com mais sete municípios geridos por outras forças políticas, num verdadeiro exercício de democracia que é pôr de lado as “tricas” partidárias, em prol do desenvolvimento comum. Assim nasceu um parque ambiental considerado inovador no nosso país (seriam os maldizentes tão democráticos, estando no poder? Pela recente experiência na gestão da Associação de Municípios do Distrito de Beja, parece-me que não...).
Mas o objectivo desta crónica era dizer-vos do passeio, Domingo, ao final da tarde.
No Jardim do Bacalhau, acerco-me do Monumento ao Prisioneiro Político Desconhecido e recordo, novamente, o Jorge Vieira. O amor que tinha a esta cidade, nascido e consolidado em relações de amizade que aqui manteve até ao final.
Foi a Beja que doou posteriormente a sua obra e foi aqui, na “sua” Casa-Museu que recebeu das mãos do Presidente Jorge Sampaio a Condecoração com a Grã - Cruz da Ordem do Infante D. Henrique.
Parece que o vejo, nesse dia, humilde, com os seus suspensórios vermelhos, dizendo com embaraço que não ligava muito àquelas coisas, como se achasse que precisava de se justificar por tamanho reconhecimento do seu mérito, e sorrio, passo a mão na escultura, agora acessível a toda a população que deseje admirá-la de perto e lembro-me da conversa que tive um destes dias com alguém que me dizia que, os que sempre despejam fluente verborreia contra tudo o que se faz e tudo o que não se faz, tinham, é claro, estado contra a mudança desta escultura. Não entendiam o conceito de arte urbana, a arte ao alcance da mão, literalmente. Ou simplesmente, queriam era dizer mal. Mas, sobretudo, desconheciam que fora esse o desejo do Jorge Vieira, e que os seus amigos o puderam, finalmente, concretizar.
Quase a anoitecer, passando pela obra da Noémia Cruz ( e a arte não se discute, ou se gosta ou não), no Largo de São João, observo o pormenor que a muitos passará despercebido, da simulação da sombra dos edifícios construída na calçada, em pedra mais escura, anseio pela reabertura do Pax-Júlia, espreito as obras do futuro Espaço Museológico da Rua do Sembrano e mal consigo esperar para me sentar na ampla praça que será a entrada do Museu e deixar os meus filhos brincar com os repuxos de água, projectados pelo arquitecto numa tarde de Agosto, enquanto passeava pela cidade e magicava numa solução para refrescar o ambiente sufocante que se sentia.
Sorrio a um par de namorados muito jovem que, em breve, poderá trocar as suas juras de amor eterno, passeando no alto da muralha da cidade, ao longo da Rua Capitão João Francisco de Sousa, com a planície e o pôr-de-sol como pano de fundo, num entardecer parecido com o de hoje...
E não consigo evitar uma ponta de orgulho por pertencer a esta cidade, por ter tido o privilégio de participar, modestamente, na sua construção, por saber que os seus responsáveis durante estes anos, quiseram, acima de tudo, fazer por ela o melhor que puderam e souberam. Ignoraram críticas destrutivas mas recolheram o apoio de muitas opiniões construtivas e idealizaram, discutiram, projectaram investimentos para transformar Beja numa terra onde valha a pena viver. De onde os jovens não tenham que sair para prosseguir estudos superiores. E onde possam permanecer depois de formados e contribuir para o seu progresso e desenvolvimento.
Decerto houve coisas erradas, escolhas menos conseguidas, não é de deuses iluminados
que falamos mas apenas de homens, comuns, que erram e aprendem e tornam a tentar.
Anoiteceu, entretanto. A magia, agora, é a da luz amarelada dos antigos candeeiros de parede, projectada nas calçadas de laje antiga, polida pelos tempos e pelos passos de quem cá viveu, e por cá permanece.
Apresso o passo, está quase na hora de assistir a mais uma das ofertas culturais do Município, um espectáculo de teatro.
Entro na Casa da Cultura e ainda penso, de relance, que nunca tive o prazer de ver aqui os senhores da má-língua, nem em qualquer outra das iniciativas promovidas pela Câmara Municipal de Beja. Apetece-me chamá-los, talvez se vissem com os seus olhos aquilo que criticam do “ouvi dizer”, a sua postura fosse um pouco mais inteligente.
Mas logo os esqueço…a luz baixa de intensidade, uma música suave brota do palco, escutemos, o espectáculo vai começar.
Texto publicado num jornal local, a propósito das intervenções do Programa Polis na cidade.
2.12.04
Impossível
ficar indiferente.
Procurava vivamente englobar-te na circularidade imparável tentando construir e desconstruir verdade e aparência.
(um dia destes escrevo sobre as más línguas, que interpretam estas chamadas de atenção como uma forma de atingir não sei que objectivos inconfessáveis, relacionados com estatísticas e cenas afins e não, apenas, como aquilo que são, efectivamente: alertar para quem escreve muitíssimo bem neste mundo virtual)
Procurava vivamente englobar-te na circularidade imparável tentando construir e desconstruir verdade e aparência.
(um dia destes escrevo sobre as más línguas, que interpretam estas chamadas de atenção como uma forma de atingir não sei que objectivos inconfessáveis, relacionados com estatísticas e cenas afins e não, apenas, como aquilo que são, efectivamente: alertar para quem escreve muitíssimo bem neste mundo virtual)
1.12.04
Pronto!
Vou começar a ler Eu hei-de amar uma pedra, do Lobo Antunes.
A ver vamos...(reticências simbolizando a minha cara, com a pulga atrás da orelha, que só me pronuncio depois do raio das 616 páginas estarem consumidas, euzinha, a indefectível do Saramago e do não-não-acho-nada-que-devesse-ter-sido-o-Lobo-Antunes-a-ganhar-o-Nobel-ponto-final).
A ver vamos...(reticências simbolizando a minha cara, com a pulga atrás da orelha, que só me pronuncio depois do raio das 616 páginas estarem consumidas, euzinha, a indefectível do Saramago e do não-não-acho-nada-que-devesse-ter-sido-o-Lobo-Antunes-a-ganhar-o-Nobel-ponto-final).
Já há tanto tempo
que não coloco aqui uma imagem baril...
leia-se, bolas que f da p de dia, quem é que pode sair de casa com um temporal deste tamanho, só espero que aquele ramo mais pesado ali da árvore não me caia em cima do carro, que isto o vento deve estar com rajadas de não sei quantos kms hora, ai, ai, isto de não ter cá os putos dá-me uma neura, e que diabos irei eu almoçar se não me apetece comer nada (hummm, Haagen Daz com molho quente, marchava...), também, estúpida quem é que te mandou beber um café ao meio-dia e meia? Boa! olha que receita para emagrecer, talvez não coma mais nada e vá ali beber outro café, deixa cá ver se já parou de chover.
Mas porque é que será que quando temos tempo, a casa silenciosa, uma manta quente e lá fora frio, é quando precisamente, não nos apetece fazer o milhão de coisas que andamos contínuamente a lamentar-nos não poder fazer quando não temos tempo, os miúdos andam à nossa volta a pedir comida a toda a hora ou nós à volta deles, desliga já essa Playstation! que ainda tens que tomar banho, jantar, fazer os trabalhos de casa, estudar para o teste e deitar-te a horas normais, como é suposto numa família equilibrada (suspiro...)!!
Acho que estou com Síndroma de Mãe-Galinha...shiuffff...
leia-se, bolas que f da p de dia, quem é que pode sair de casa com um temporal deste tamanho, só espero que aquele ramo mais pesado ali da árvore não me caia em cima do carro, que isto o vento deve estar com rajadas de não sei quantos kms hora, ai, ai, isto de não ter cá os putos dá-me uma neura, e que diabos irei eu almoçar se não me apetece comer nada (hummm, Haagen Daz com molho quente, marchava...), também, estúpida quem é que te mandou beber um café ao meio-dia e meia? Boa! olha que receita para emagrecer, talvez não coma mais nada e vá ali beber outro café, deixa cá ver se já parou de chover.
Mas porque é que será que quando temos tempo, a casa silenciosa, uma manta quente e lá fora frio, é quando precisamente, não nos apetece fazer o milhão de coisas que andamos contínuamente a lamentar-nos não poder fazer quando não temos tempo, os miúdos andam à nossa volta a pedir comida a toda a hora ou nós à volta deles, desliga já essa Playstation! que ainda tens que tomar banho, jantar, fazer os trabalhos de casa, estudar para o teste e deitar-te a horas normais, como é suposto numa família equilibrada (suspiro...)!!
Acho que estou com Síndroma de Mãe-Galinha...shiuffff...
Manifesto
O Governo caiu (há-de cair, digamos que vai descendo a rampa neste momento em alta velocidade, sem travões e com um muro de betão lá em baixo...)e não são horas para andar aqui.
Ao contrário de muitos que agora aparecerão a fazer análise política, ainda não me esqueci do Guterres e do estado em que deixou o que entregou de mão beijada aos que agora vão a descer em velocidade turbo, até se esborracharem no muro o que leva a que, enquanto os gajos se recompõem, se tenha que arranjar alguém que pague a factura e nos aumente a porra dos 2,2 % em 2005 e tá-se mesmo a ver quem vai ser...
Este é um manifesto de intenção. Não sei é muito bem de quê...mas deve ser do sono.
Ao contrário de muitos que agora aparecerão a fazer análise política, ainda não me esqueci do Guterres e do estado em que deixou o que entregou de mão beijada aos que agora vão a descer em velocidade turbo, até se esborracharem no muro o que leva a que, enquanto os gajos se recompõem, se tenha que arranjar alguém que pague a factura e nos aumente a porra dos 2,2 % em 2005 e tá-se mesmo a ver quem vai ser...
Este é um manifesto de intenção. Não sei é muito bem de quê...mas deve ser do sono.
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