27.12.04

Reacção em cadeia


Vamos lendo as notícias, na TSF, neste caso e ficamos a saber que

Estupefactos, talvez mesmo um pouco atordoados, assim como se tivéssemos levado uma espécie de anestesia que nos deixa dormentes, com os sentidos ludibriados, fingindo que não dói.
No fundo, sabemos que é mentira e que a dor voltará, às vezes quando menos se espera, intensa quase intolerável, mas, naquele momento, quase nos sentimos bem, quase conseguimos esquecer que estamos mal.
Estas notícias deixam-nos quase assim.

E não sabemos como reagir.
É demasiado avassalador para que qualquer reacção que possamos ter não nos pareça ridícula, mesquinha, pequena.
Pequena perante toda aquela dor. Dor que, lá, não está anestesiada nem mascarada de nada, está na pele daquelas pessoas, em cada um dos seus poros, nos seus olhos desesperados.

Não sei o que dizer sobre isto. A não ser que nos sintamos todos culpados.
Porque a culpa maior é da Humanidade. É da forma como usa esta Terra que lhe está emprestada.
Se é certo que não se pode impedir a natureza de actuar, a forma como derretem as calotes polares, redistribuindo àgua e peso sobre os Oceanos, e a extracção em massa de grandes quantidades de petróleo, alteram a correlação de forças que existe na litosfera e intensificam estes fenómenos, explicava o especialista chamado a uma estação de TV para analisar a tragédia.
O que aconteceu não foi mais do que uma reacção em cadeia, da Terra, uma tentativa de atingir o equilíbrio, de novo.

Somos todos culpados.

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