21.12.04

Nós tentamos

e tentamos.
Fazemos um esforço enorme para ser fortes, ultrapassar mágoas e desilusões, enfrentar com garras de leoa os que nos querem fazer mal, porque são malformados, invejosos ou apenas uns tristes cuja vida tem que girar em função de outros porque não têm capacidade de conquistar o seu lugar no mundo de uma forma honesta e limpa.
Enfim, passamos por cima de tudo isto, até damos umas gargalhadas de valente gozo quando "Oni (ou honni??) soit qui mal y pense" aparece citado como tendo sido dito por Voltaire no Século das Luzes (LOL! um dia destes explico...), ignoramos esta gente e investimos em quem verdadeiramente gostamos e saboreamos as pequenas conquistas que cada dia nos traz, inesperadamente, ao entardecer, e fazemos por ser felizes.

Mas nunca somos tão fortes quanto pensamos e basta um gesto, um dia, um gesto súbito que nos toca de forma particular, para que rebentem os diques todos e os muros de betão e a enxurrada por tanto tempo contida se solte e arraste o que encontra pela frente e lave até ao último grão a poeira dos tempos, que nos cobre.

Hoje, ao abrir o mail, um amigo tinha-me deixado esta singela e espontânea frase:

"...E não pares de escrever. Tens um talento nato para exprimir emoções que são difíceis de ser descritas. Muda de blog, muda de nome, mas não percas isso! Sim?!"

E com ela tomei consciência de que não quero mudar de nada, que gosto de ser assim mesmo, com as minhas fragilidades e forças, que, se é assim que os outros me vêem é porque é isso que sou e não vou fingir que sou outra coisa qualquer.
Obrigado!

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