29.5.05

Considerações breves

sobre o sentido da vida.

Esta semana que passou, para além de ter sido composta de apenas 3 dias, coisa que deveria ser instituída como obrigatória daqui para a frente, já que parece que não adianta de nada a malta "achandrar" ali durante 5 dias seguidos, quépraveremoquébomprátosse, que não há retoma à vista, por isso, assim como assim, trabalhávamos só 3 ou até mesmo 2, que não fazia mal nenhum e tínhamos o IVA a 21% na mesma, pronto, mas dizia eu que, esta semana foi particulamente improdutiva a nível blogosférico.
(coisa que, transpondo daqui para a economia nacional também daria uma perspectiva de análise interessante, mas adiante...).

Fosse por saudades de alguns ausentes, ou por preguiça pura, ou ainda porque, meia dúzia de sortudos foram pôr os pés de molho num paraíso perdido junto ao mar, em qualquer recanto do planeta, certo é que a coisa andou particularmente morna durante estes dias.

Talvez fosse políticamente correcto dizer-vos que, senti a falta de andar por aqui e do ritmo alucinado de escrita que mantemos em épocas que não incluam feriados nacionais ou férias. (ritmo esse que só confirma a teoria de alguns, de que boa parte dos posts deste mundo virtual são escritos à custa do erário público, mas adiante outra vez...)

Mas a verdade é que não. Incluo-me nas categorias 1 e 2 que mencionei acima. Não fui pôr os pés de molho (a categoria 3, para os mais distraídos, caneco, leiam as coisas com atenção!) por estar a praticar, em concreto, a categoria 2. E não me apeteceu escrever, porque a categoria 1 é muito mais fácilmente ultrapassável com uma chamada telefónica do que com o texto lamechas que aqui escrevi há 3 posts atrás.

Não, não senti necessidade de andar muito por aqui, porque ouvi de viva voz, a toda a hora, ao longo de todos estes dias que, "A vida é bela e cada instante é precioso, porra!"
E é verdade. É a vida lá fora que é bela, não este rectângulo iluminado em que passamos alguns dos nossos momentos virtuais.
Momentos que são só um complemento dessa que é bela, a vida, nossa, que vamos fazendo lá fora a cada instante. Todos eles preciosos, sim.

28.5.05

Não é muito

comum eu sucumbir a experimentar os milhares de testes que circulam pela blogosfera fora.
Mas dado que este até produz umas imagens baris, lá fui eu ver o que é que o Random Art dizia do meu Espelho.
E, pelo menos, tinha uma desculpa para interromper a arrumação das roupas de Inverno, tarefa que mui me apetece neste momento (não se nota?).
Vai daí, depois de duas tentativas que não me convenceram, resolvi juntar as duas e resultou este "alucinogéneo", Espelho Mágico de Mar.

27.5.05

Olha, olha...

o que faz termos um fim-de-semana prolongado (roubado ao serviço mas pronto) para pôr leituras em dia e descobrir o regresso do Blog que Mais Bolos tem (que é como quem diz, sapatos e malas e coisas giríssimas assim), de toda a blogosfera!



Amiga Lili, enfim, venceste a apardalada, viva, viva!

Sopra

só uma breve aragem.
Ondulam as espigas inexistentes, apenas na minha memória.
A modorra da hora em que o sol vai alto, espalha-se em nós e leva-nos para longe o pensar, como quando, em tempos idos, a ceifeira limpava as gotas de suor que escorriam por debaixo do chapéu e do lenço preto que atava em redor do pescoço. E parava de cantar.
Apetece encostar à sombra da azinheira e deixar que a tarde caia e refresque o campo calcinado.
Mordiscando um caule de erva e ouvindo apenas o som do vento nos ramos das àrvores e o piar de um pássaro mais incauto que antecipou o entardecer.
Apetece deixar o tempo correr até que chegue a hora que nos falta, a hora de poisar a foice, lavar a cara na fonte, vestir o vestido de chita e deixar que o rapaz mais garboso da aldeia nos tire para dançar.
Até o dia nascer.

Estou longe do mar e os campos não têm verde que me valha.


aqui

25.5.05

Há coisas

que é difícil transmitir aqui, num blog.
Como o que sentimos ao ter nas mãos um livro que nos apeteceria copiar, na íntegra, para aqui.
Talvez que fosse essa a única forma de vos permitir ter também o previlégio de saborear o conjunto de sentimentos que ele nos desperta.

Gostava mesmo que conhecessem o Pedro Ferro, ao longo das 322 páginas do seu "Artesão do Efémero".
O livro, publicado depois da sua morte pelos amigos jornalistas como ele, a sua família e várias instituições do Baixo Alentejo.

O livro "obrigatório". "Acto de justiça e de reconhecimento", nas palavras do seu amigo João Paulo Velez, ao longo do prefácio.

Pedro Ferro, o "maltês da escrita". Primeiro no Diário do Alentejo, depois em múltiplos outros jornais que fundou ou dirigiu, ou onde colaborou, como o Diário de Notícias ou o Público ou em revistas como a Grande Reportagem.
Depois de nos ter legado algumas das mais belas páginas jornalísticas escritas nas últimas décadas sobre o Alentejo. Sobre o Homem. Ao longo de 17 anos da sua vida, prematuramente terminada aos 40 anos de idade.
40 anos de vida de um homem "generoso e bom, que amou intensamente, por vezes doloridamente, a vida. E a quem o Alentejo fica devendo algumas das páginas mais exaltantes e profundamente sentidas que alguma vez nos foram dadas a ler. Páginas de dignidade e rebeldia".

De que deixo apenas um ínfimo exemplo, o que fala de mar, pelo simbolismo que lhe encontro hoje, dia em que o releio. Porque também eu gostaria de saber escrever assim:

"Na Rota da Espuma - pela mão de Helena

Em todos os lugares
Existe, nas ondas um esplendor e
Um brilho cristalinos, sendo
Certo que nas profundidades
Do mar as águas apresentam
Uma imagem azulada.

O mar é o rodapé azul das casas. Todo esse inquieto azul desceu dos montes, feito maltês, e veio aqui parar. No lado de cá da planície. As dobras da ondulação a lamber a areia, a chorar nas paredes rochosas, são como terra lavrada. E um campo semeado de espuma desenha os contornos deste Alentejo virado ao oceano.
O Alentejo começa no meio do Sado. No ponto exacto onde uma gaivota mergulha num voo picado, depois de pairar por momentos sobre o ferry-boat cansado, todo ele um estremeçao, que atravessa o estuário entre Setúbal e Tróia. Começa na água e na água acaba, lá muito a sul, num pego qualquer da ribeira de Odeceixe, cuja margem norte pisa o Alentejo e a outra o Algarve. Entre o Sado e Odeceixe a planura deita-se ao mar e nele se estende toda nua, num leito de sal e de espuma.(...)
Deve ser por estas bandas o país dos poetas. Poetas da palavra e da pintura. Da música e da pedra. Poetas da fotografia. Mas se é, nenhum está à vista. Tróia, ao sol posto de Maio, é uma cidadela sem gente. Ninguém neste braço de areia moreno repousado no estuário, a apontar para a Arrábida. Só mar e vento. Helenas, nem uma. E o cavalo foi roubado por uma lenda.
(...)
publicado originalmente in Imenso Sul, Julho/Setembro de 1995

24.5.05

Sempre

afirmei que uma das valias que mais encontro nos blogues é a interactividade. O complemento ao que escrevo, dado por vocês, que comentam.
A reflexão que obtemos quando lançamos qualquer idéia para debate. Que, tantas vezes, nos enriquece ao apresentar-nos vertentes do assunto em apreço que nunca equacionaríamos.
A simples convivência que se gera, as amizades que se constroem "ao contrário" como um dia afirmei e que pudémos consolidar nos encontros que já promovemos entre nós.

Por isso não me entusiamaria ter um blogue sem sistema de comentários. Preferiria, de longe, guardar em word as baboseiras que me apeteça escrever só para mim. Que também pode ser o caso, escrever apenas para guardar e não para obter feedback.
São pontos de vista e cada um tem o seu, como é óbvio e nem isto serve para contestar seja quem fôr.
Não. Serve apenas para constatar que, desde que perdi o sistema de comentários do CommentThis! e que, mais recentemente, descobri que o Haloscan "come" os comentários antigos, deixando posts que sabíamos ter mais de 20 ou 30 comentários, a zeros, me ando a aborrecer sériamente deste blog.

Eu sei, estou de mau humor e concedo que, para este facto possa estar também a contribuir a crise, o défice, o IVA a 21%, o calor, a seca, a lentidão do computador, a casa por arrumar, a mudança de instalações no trabalho e a ausência do meu blogger preferido!

Adenda ao post, escrita 2 minutos a seguir:

Eu juro.
Mas eu juro MESMO, que ando para escrever sobre a cena dos comentários há uma carrada de tempo.
Vou jogar no EuroMilhões.

Ao acabar de fazer publish ao post, olho incrédula e vejo o 0 à frente dos Reflexos (CommentThis). Vou aos Arquivos confirmar e eles estão de volta!

22.5.05

SLB!



CAMPEÕES!

20.5.05

Registo

destes minhas últimas semanas, um conjunto de fragmentos. Pedaços de momentos que fui vivendo com paixão, um fragmento feito de olhos, outro de palavras. Frases soltas, um sorriso, um gesto que calou mais fundo num cadinho de emoções a borbulhar.
O denominador comum é o Mar.
O Mar no nome e nos olhos, na cor do céu limpo que cobre os meus dias. O Mar como companhia num almoço tranquilo, com aromas de peixe e ervas aromáticas. O Mar como horizonte, num entardecer feito de espuma. O som do Mar como uma cantiga de embalar, sono e sonhos.

São peças de diferentes tamanhos e formas que coso umas às outras, como numa manta de retalhos e que, depois de dado o último ponto e de, com os dentes, cortar a linha e olhar a obra terminada, verifico que compõem um pedaço da minha História como pessoa.

Cada fragmento tem o seu valor, um peso próprio, um papel insubstituível e único. Uns mais importantes que outros, sem dúvida, mas todos parte de um todo, que tem sentido apenas assim e não de outra forma. Pois que, se de outra forma fosse, estaríamos agora a tratar de outra pessoa e não de mim.

E esta curva do caminho é tranquila, feita de consciências adormecidas a despertar, de certezas, de reencontro com traços de carácter que sempre lá estiveram mas não se empunhavam como bandeira. Por contigências várias.

Por vezes, é preciso sermos vistos pelos olhos dos outros. Que a força de outro alguém seja a alavanca que suporta o peso do nosso reerguer.
Por vezes, só se encontra o nosso destino com mapas, que nos ajudam a descobrir onde foi que ficámos perdidos em tempos idos, que nos são desenhados com lápis de carinho e respeito. Em que as coordenadas se definem por acordo mútuo, depois de muito andar, por sobre montes e vales para ver de que lado fica o Norte. O nosso Norte, que é determinado pelo que queremos ser enquanto pessoa, por valores inquestionáveis e que juramos nunca violar, pelas distinção entre as coisas que amamos e que detestamos. O nosso Norte, que pode não ser o mesmo que é determinado pela Estrela Polar. Que não é, certamente, o mesmo do parceiro do lado.



18.5.05

Tempestade

num copo de água.
(já agora, se não fosse pedir muito e tal e coiso, ó fáxavôr não podia antes ser assim num copo de algo alcoólico, q'isto de emoções fortes afogam-se é num ganda lago de vapores etílicos que a malta até fica é a flutuar e esquece-se logo, em menos que um fósforo, não, um fósforo não, que ainda pego fogo a esta merda toda, mais vale ser um palito, pois, num palito desaparecem logo as preocupações e, por isso, sei lá, um gin tónico, pois calhava muito bem agora, por obséquio, pede deferência e assim)

Sou uma gaja emotiva comó caneco.
Não há nada a fazer, quando, algures lá no meio do emaranhado da trança e daquelas bolinhas todas, azuis e vermelhas, um must, que determinam que temos os olhos assim e o cabelo assado e a pele frito e o sexo (pois, esse) cozido, ou melhor, o sexo, sexo e pronto, se encontra uma porra de um códigozito que diz que tu, desde que nasças até que os vermes te comam, hás-de dar um trabalhinho do caraças aos que, em primeiro lugar, coitados, os santos, te puseram cá, em cima desta esfera azul e depois, pelo caminho que, alegre e inconsequentemente percorras, nos anos todos que vivas, e oxalá sejam muitos, já agora, aos que tiverem a cruz de se atravessar, algures no meio do percurso, no teu caminho.

Sou assim e pronto.
Alguém que fala com o coração ao pé da boca como soi (xi, soi é mesmo in, fantástico diria eu, já viram as palavras que eu sei?) dizer-se, alguém capaz de, no meio da explosão de uma qualquer emoção, deixar sair num repente tudo o que lhe enche o peito e a alma.
É claro que, isto tanto dá para o bem como para o mal.
Pois tá claro, o reverso, sempre o reverso da medalha (também, quem é que se lembraria de inventar esta treta da medalha e dar a outra face e estas cenas amaricadas de, no meio é que está a virtude e a moderação e o caraças? um gajo tem é que desabafar o que lhe apetece e pedir desculpa depois e o resto é conversa)

No caso do Bem, uma gaja que diz na cara de outra pessoa que é a mais linda do mundo, e que a adora, e que aos meus olhos és inexcedível, e o olhar incendeia-se no meio destas declarações todas e, já se sabe, olhar incendiado dá logo azo a outras coisas que se põem logo de orelha arrebitada, eu também quero, eu também quero, coméqueé, só o olhar é que pode, vou já fazer uma birra que eu também gosto de incêndios, e pronto, lá fica o caldo todo entornado porque, claro, se há fogo tem que se apagar e aí, como nem sempre há bombeiros nos arredores, a malta tem que se amanhar como pode e depois, pronto, ele é, ai tá aqui mais um bocadinho a arder!, olha, agora é mais ali em cima, depressa, não, não, ali ao lado, traz cá a mangueira, isso, aí mesmo e...er...pois...se calhar é melhor mudar de assunto.

Ora, dizia eu então que, no caso do Bem a coisa até nem corre mal de todo.
O pior é quando dá para o torto.
Uma gaja vê qualquer coisa de que não gosta ou acha que aquilo que ali está até pode nem ser aquilo que parece que ali está, e há logo uma reacção qualquer, que os meus escassos conhecimentos anatómico-fisiológicos não permitem ter a capacidade de aqui explicar, e pimba, lá está o sangue a ferver, uma tragédia do caraças, lágrimas à beirinha da pálpebra de baixo, o que vale ainda são as pestanas, e um chorrilho de impropérios a sair dos castos, puros, carnudos lábios. (quem é que aí há tempos falava na cena do abuso de adjectivos? Não devia ser comigo, adiante)

Não é fácil.
Hipoteca-se uma série de coisas com este raio deste feitio.
E, das duas uma, ou os outros gostam de nós o suficiente para encaixar os nossos disparates, amuar um bocado porque não são de ferro, claro, mas depois passar-lhes depressa e enquanto fingem que não vêem o nosso arrependimento e a luta que travamos com o parvo do código, viste o que fizeste e agora? pois, lá tenho eu que pedir desculpa, é sempre assim, tu fazes a asneira e depois sobra é para mim, também, que diabo de código me havia de calhar, não podia ter sido ali o do vizinho do 4º direito, tão calmo, nem se ouve, mal se dá por ele, um senhor, aquilo é que é, ó diabo, a cruz que eu tenho que carregar a vida toda contigo código parvalhão, já me perdi, ah, dizia que os que gostam mesmo de nós ficam tão ansiosos por fazer as pazes quanto nós, ou então, e esta hipótese é que me lixa, não gostam assim tanto e pensam que não têm nada que aturar isto e viram-nos as costas enquanto pensam, vou-me já embora procurar outro/a amigo/a que não me dê tantas dores de cabeça, tipo ali assim o vizinho do 7º direito, que a minha vida não é isto e assim não vivo 100 anos.

É isto. Mais ou menos. Quer dizer, se é que se percebeu alguma coisa do que está para trás. Não é fácil.

Mas, ainda assim, prefiro mil vezes ser uma gaja que sente as coisas ao extremo, lágrimas e risos em profusão, volume no máximo e ala que aí vamos nós, voando quilómetros de alcatrão fora, até ao objectivo final, do que ser o vizinho do 9º esquerdo. Ou seria direito?

(se tiveram paciência de ler este monte de atoardas sem nexo até aqui, é pá, é porque são meus amigos de verdade!)

16.5.05

Na


flores Posted by Hello

simplicidade das flores silvestres, encontro o retrato, num paralelismo simbólico, do que são, na sua essência, os homens e mulheres desta terra em que orgulhosamente me incluo. Os tais que vivem e morrem de pé, como as árvores. Os Alentejanos.

A resistência às agruras do clima, à seca e calor extremos, ao Suão, que trazem entranhado na pele àspera e queimada do rosto, as rugas como pergaminho da sua História.

A persistência de florescer sempre, ano após ano, com renovada força, em despique com aquilo que os tenta vergar, mesmo que sem adubos, mesmo que exista apenas uma pequena gota de água, no subsolo profundo.

A beleza da cor, sem artifícios, pura, que transparece o despojamento do que é genuíno e honesto. E também altivo, orgulhoso de assim ser, belo por ser verdadeiro e não por ostentar um qualquer arranjo cheio de laços e papel celofane.

As que me ofereceram e que aqui partilho, porque as coisas belas não são para esconder, exibem estas características.
Mas, para além disso, adquirem o significado profundo de simbolizarem o dia dos meus 41 anos, marco de uma vida que inicia um novo ciclo.


15.5.05

E hoje

és tu a estrela!



Um beijo enorme de Parabéns!
Que tenhas um dia feliz, mais os que virão daqui para a frente.
E bem-vindo ao clube, esta idade é um marco. :-)

14.5.05

Ofereceram-me

um presente. Ou melhor, ofereceram muitos, em forma de palavras e carinho. E agradeci-os todos da melhor forma que pude e soube fazer.
Mas há um ou outro que tenho que destacar.
E tenho que vos falar de um presente à beira-mar. O mar como penhor de sentimentos e promessas. Semi-deserto, azul-chumbo e azul-prata, a diferença entre o antes e o depois. Do presente. Um presente com suave marulhar de ondas e pios de gaivota. Com brisa salgada e areia nos pés, cabelos a voar e olhos brilhantes, a competir com o sol. E o forte de outros tempos, guardião de segredos e outros presentes iguais ao meu, que por ali terão passado em épocas distantes. Sob a mesma luz e as mesmas cores.
E o azul-turqueza lá no fundo, ao longe, sempre, a representar a imagem de mim. Mar. O nome que escolhi para me mostrar a vocês, o elemento que não dissocio de mim, da minha vida toda e dos meus melhores momentos. O nome premonitório, o elemento natural de outra forma de vida.
Nunca o Mar, como ontem, fez tanto sentido.

E ofereceram-me outro presente. Em forma de Mar. Que trago para aqui com um imenso obrigado, por ele e pela história que o embrulha, Hipatia. Com um beijo.


As cores do mar Posted by Hello

1998
100 x 60 cms
Acrílico sobre tela.
Da Isabel Magalhães, no seu À Rédea Solta

12.5.05

As cartas na mesa


o meu rio Posted by Hello

Há pessoas que nos prendem. Que se instalam em nós, com a força de um vendaval, como parte integrante do que somos, e nos tornam pessoas melhores, porque mais completas.
Pessoas que não passam em claro pela vida, que emanam luminosidade, que carregam e espalham entre os outros energia positiva. "Boa onda". :-)
São pessoas que despertam ódios e paixões. Sentimentos extremos, sempre, porque não é possível ficar-lhes indiferente. Pelo seu olhar firme e o seu riso, a nobreza de carácter, a solidariedade com os outros, a Paixão com que vivem e com que amam, atraem para seu redor pessoas parecidas, amigos eternos.

Na blogosfera como na vida, sou pela verdade. E da transparência e franqueza. Se fôr essa a forma de fazer as coisas certas num determinado processo, como disse eu, algures por tantas caixas de comentários. E também sou adepta do Amor. A única explicação. Que faz com que todos os riscos valham a pena.

"...os riscos existem para aprendermos a enfrentá-los. Precisamente na medida dos valores em causa, da nossa coragem ou da nossa determinação."

11.5.05

O (encontro) Ilegal

Começo pelos pés.
Que são, afinal, o suporte de tudo, a base de sustentação. O que, para o caso em apreço, poderá traduzir-se pelo aspecto físico. O nosso, dos bloggers que já conhecem a alma uns dos outros e que, um belo dia, decidem torná-la corpórea e marcam um encontro.
Os pés são uma componente importante, do ponto de vista anatómico, suportam o peso do corpo.
Aqui, o aspecto físico de cada um de nós tem essa mesma função: dá-nos o suporte, o envólucro de onde saem aquelas letras pretas que lemos no monitor. Associamos, então, a essência da pessoa que conhecemos, a um conjunto de características físicas. Mais altos ou menos, magros ou rechonchudos, olhos claros, escuros, pouco importa. Ao fim de uns minutos de conversa, identificamos por completo aquele com quem conversámos virtualmente durante meses. E é esse o papel do aspecto físico nesta história toda. Nem mais nem menos.

Depois vem o corpo. O corpo do meu post ali de baixo. Ao qual, aqui, darei o papel dos comportamentos e atitudes. É a partir deles que se constrói o resto da impressão sobre os outros. Que se fazem as constatações ou as desilusões, como se referia no Eufigénio. Este corpo feito de comportamentos, de gestos e sinais revela-nos como pessoas. É da observação mútua, durante a conversa amena enquanto se janta, ou no meio da gargalhada geral do grupo, ou em pequenos sub-grupos enquanto se toma um pequeno-almoço, ou ainda, a dois, que resultam as grandes conclusões (ou constatações) sobre o outro.
E, aqui, eu defendo que não há lugar a desilusões. Não, enquanto não levamos "expectativas mal-direccionadas" como dizia a maria_árvore. Não, se formos de peito aberto, em busca de risos e amizades, sem outro interesse que não o de encontrar pessoas de quem já gostávamos antes. Que já achávamos bonitas. Só poderá haver desilusões, talvez, se encontrarmos alguém radicalmente diferente do que mostrou no seu blog. Se descobrirmos que estivémos, afinal, a observar um personagem criado pelo seu autor, que a pessoa não corresponde de todo ao que escrevia. A ser assim, admito a possibilidade de desilusão. Não quando a pessoa se revela igualzinha ao que escreve, genuína, alta, magra ou gorda, mas autêntica. Aí, o sentimento é de quem cola uma peça de um puzzle ao último espaço em branco que faltava preencher. E vocês foram peças com recortes perfeitinhos que encaixei nos vossos blogs. Tal como já havia feito antes, com os restantes, no Encontro das Mantas.

Guardo para o final a cabeça.
O principal elemento na equação. Que, aqui, representa as emoções.
As emoções que vivemos juntos constituem o centro nevrálgico, onde tudo acontece e se prepara o que há-de acontecer no futuro. Há, sem dúvida, emoções de variadas categorias, gostos e sabores. Há olhos rasos de lágrimas quando se trocam impressões sobre a dureza da vida. E da beleza indissociável dessa mesma dureza. E festinhas no cabelo que significam "és uma gaja do caraças e admiro-te a força com que enfrentas isso tudo".
Depois, há abraços sentidos e há cumplicidades que já vêem de trás. Outras que acabam por se criar quando menos esperamos.
E há o beijo que se dá com amizade e aquele que se dá com paixão, com a força do Mar ou a doçura do rio numa baía serena do caminho. A empatia e a sintonia e a alegria de descobrir que afinal somos homens e mulheres com pele e olhos, mais corações a bater como asas da liberdade.
A liberdade que fazemos porque queremos e assim o escolhemos.

As emoções não são todas iguais. Nem os sentimentos que delas se geram e que derramamos sobre os outros. É assim na vida cá fora, e é natural que, com o repetir dos contactos que vamos mantendo uns com os outros, venha a ser assim também, nesta amizade que começámos numa caixinha de comentários. São assim as relações humanas, desde que o mundo é mundo.

Sem merdas, como diria alguém que eu conheço.

10.5.05

Tenho andado

a ver se consigo escrever aqui algo com pés e cabeça. (e, já agora, parafraseando alguém que eu conheço, com corpo pelo meio...).
Como ainda não consegui, calo-me.

6.5.05

De quando

a inocente expressão de um desejo, calado, impedido por condicionantes de espaço e tempo, e, por isso, apenas sonhado, se torna numa realidade feliz.

4.5.05

Existe

qualquer coisa de tangível num livro, capa de cartão mais grosso, cheiro a tinta fresca, papel impresso, letras pretas em fundo branco, encarreiradas umas nas outras, um livro enquanto objecto de culto, que não é possível reproduzir por qualquer outro meio.
É por isso que não há nada como termos o previlégio de ler o que escrevem as pessoas que gostamos de ler, nesse suporte físico, palpável.
Estou muito contente, João Pedro.

Por ti, pelo que isso representa em termos de reconhecimento "público" das tuas imensas capacidades. (e por mim porque vou poder tê-lo na minha estante para te ler a qualquer hora, mesmo com o computador desligado) ;-)
Parabéns!

3.5.05

É

uma foto antiga. A preto e branco. Não que seja assim tão antiga que não houvesse possibilidade de ter sido tirada com cores. O preto e branco foi uma opção estética. A assinatura do fotógrafo, no canto inferior direito, relembra a sua tendência para a produção artística, a criação de coisas belas - P Lopes.
O papel está envelhecido, o cinza, comido pelo tempo, já se transformou, em gradientes de cor que vão quase até ao branco sujo. Amarelado.
Tem um chapéu preto de abas largas na cabeça e um rosto de menina.
A foto foi tirada enquanto se encostava a um espelho que, atrás, reflete o que se encontrava na parede à sua frente: uma moldura vazia, sem tela ao meio. Só um rectângulo de madeira trabalhada. No centro do vazio, desenhado pelas ripas de madeira, um busto de homem. Antigo, uma estátua de um cavalheiro qualquer do sec. XVIII ou XIX, nota-se pela representação do vestuário esculpido, o laço a apertar o colarinho alto, a jaqueta por cima. Recorda-se de uma moldura siamesa, noutra parede, essa com o busto feminino, da mesma época.
Sorri para a câmara enquanto segura com ambas as mãos as abas do chapéu. Em pose de conquistadora do pico da mais alta montanha.
Parece querer dizer, fixem este momento, não esqueçam, X esteve aqui, como se faz nas portas dos wcs. Como se, captando aquele momento e congelando-o, se pudesse parar a história ali, naquele dia e naquele local. E ali fosse possível regressar sempre que a vontade o sugerisse.
Teria uns 20 e poucos anos, não mais. O rosto afilado, fresco, os cabelos compridos, recém-aparados, o olhar semicerrado, por algum efeito secundário do Four Roses. Deverá ter sido uma noite igual a tantas outras. Quando ainda era possível subir de madrugada a Rua da Rosa sem ser assaltado, para apanhar um táxi na D. Pedro V ou então amanhecer numa mercearia do Bairro, a comprar pão e sumos para o pequeno-almoço, que se comia com gosto, sentados num qualquer degrau de uma loja de arte moderna. Era o tempo de dar os bons dias aos moradores que, convivendo com aquela fauna há tanto tempo, os consideravam como mais um vizinho.
Mas voltemos à fotografia. O espelho não reflecte mais nada nem ninguém. Poderia estar alguém a passar por debaixo da moldura com o busto de homem, mas não. Era apenas ela e o espelho. Naquele momento que parou o tempo. Provávelmente teria estado a dançar, ritmos tropicais, um copo de bourbon numa mão, noutra o inevitável cigarro. Teria, talvez, pensado muito nessa noite. A tradicional mania das introspecções, dos recém-saídos da adolescência, que ainda perdem tempo a tentar entender o mundo. Que fazia ali? Para onde desejaria ir? Estaria realizada, feliz? O sorriso parece indicar que sim mas sabemos que é fácil pintar sorrisos num rosto de menina como aquele. Já nos olhos...mas a fotografia está velha e não é perceptível esse lampejo, no brilho semi-apagado daquele olhar.
Há, no entanto, algo que se derrama dele com nitidez, um quase grito, a ausência de paixão. Transpira do retrato para a pele de quem o observa com atenção, uma sensação quase física, aquele não é um olhar apaixonado. Não tem a força dos que se sentem capazes de virar o mundo do avesso, de galgar quilómetros de estrada para passar umas horas nos braços quentes de alguém muito amado, de enfrentar papões e dragões cuspidores de fogo, por uns minutos de felicidade.
Não reflecte o infinito e a eternidade, o espanto, a grandeza dos espaços, os rios que abraçam mares, o mistério das florestas encantadas. Falta-lhe a cor da auroras boreais, não esconde a jura secreta dos amantes.

O fotógrafo terá tentado prender a frescura e a juventude naquele papel em tons sépia. Registar para sempre o sopro de ar que nesse momento embaciaria a lente e o rosado daquela face.
Só não conseguiu inventar o brilho do Amor onde ele não existia.
E ficou apenas mais uma rapariga, a sorrir, encostada a um espelho, num passado sem data numa noite de Lisboa.

2.5.05

Não há volta a dar

É uma verdade inquestionável: quando gostamos daquilo que fazemos, tornamo-nos nuns eternos insatisfeitos a querer procurar sempre mais, mais longe, cada vez melhor.
E se há coisa que eu gosto, sem a menor margem para dúvida, é de trabalhar onde tenho a sorte de estar há já oito anos, desempenhar as funções que me têm atribuído ao longo deste tempo (que agora estão prestes a mudar ligeiramente, mas adiante...) e "contracenar" com pessoas tão criativas e determinadas como as que compõem a equipa que põe no mapa de Portugal a Biblioteca Municipal de José Saramago.
Evidentemente, sempre com a chancela de superiores hierárquicos com uma visão plural e aberta da responsabilidade e autonomia que devem ter os diferentes serviços que chefiam. Só assim se conseguem os grandes feitos.

Serve isto tudo para vos dizer que, logo após se ter feito o balanço das iniciativas do Dia Mundial do Livro, toda esta gente, que não pode estar quieta muito tempo, começou a "congeminar" uma forma de dar ainda maior visibilidade ao fenómeno dos Blogues em Portugal. Com a credibilidade dada por convidados de grande craveira intelectual do nosso país, um dia inteiro de trabalho científico sério, de debate, de reflexão, de troca de idéias, de informação, sem deixar de dar lugar à tertúlia e ao convívio que nos juntaram já por mais de uma vez e que são uma componente fortíssima desta actividade que nos une: Blogar.
Fazendo jus ao que foi dito por alguém que designou Beja de capital mundial dos blogues.

Assim, delineou-se uma estrutura provisória para aquele que irá ser o

Encontro Nacional de Blogues
Setembro de 2005

Biblioteca Municipal de Beja

Sábado - manhã

Palestras:

- Os blogues, um novo paradigma da informação/comunicação;

- No divã, ou a psicanálise do blogger;

- Os blogues, que futuro?

Sábado - tarde

A prática:

- Feira das tecnologias de informação;

- Oficinas de criação de blogues;

- Eu blogo, Tu blogas, Ele bloga II - a tertúlia.

Jantar com animação cultural.

* A organização está já a encetar contactos com especialistas das diferentes disciplinas de abordagem ao fenómeno bloguer.

Reservem, para já, os Sábados de Setembro, até à divulgação da data definitiva. Isto supondo que os que estiveram e os que leram o que foi escrito por aí, se sentem motivados a vir cá, uns para repetir a dose, os outros para experimentarem ao vivo as emoções que vos descrevemos. ;-)

1.5.05

Hoje

apanhaste joaninhas que guardaste dentro de uma caixa com terra e folhas verdes e deixei-te brincar com os cães serra da estrela mesmo sabendo que és alérgica e poderias ficar com o nariz um pouco mais entupido. Mas em compensação, a tua alegria por entre correrias e festinhas e dentadas a brincar, valeu tanto a pena que não há-de ser nada que uma colher de xarope não cure. E tu até gostas dele porque sabe a chupa-chupa.
Assisto maravilhada à forma como cresces de dia para dia. A banheira a cujo bordo mal conseguias chegar - sempre foste minúscula - já não é obstáculo ao sair do banho. Observo a forma como passas a perna por cima e atinges o chão sem precisar da minha ajuda. Até me custa a acreditar que um dia te tirava ao colo lá de dentro e, embrulhada até aos pés com um enorme toalhão, brincávamos aos sacos de batatas. Mas a tua gargalhada feliz ainda é a mesma, embora agora com um espaço ao meio, onde antes estavam dentes.
Tal como é o mesmo esse cheirinho de bébé, uma mistura de bolachas de leite e algodão doce, que vou sentindo sempre que passo o nariz na tua face e nos teus cabelos tal como uma leoa faria aos seus filhotes, enquanto te ensino a limpar bem o pescoço atrás das orelhas. E lembro o dia em que te puseram em cima da minha barriga, dorida, e esse cheirinho me chegou, redentor, enquanto te beijava com suavidade todos os pedacinhos da tua pele sedosa de recém-nascido.
Hoje falas pelos cotovelos (sairás a quem?) e estás cada vez mais autónoma, já não me cabes nas duas mãos, virada para mim em cima dos antebraços, como nesses dias. Perguntas-me como se lê "o petiz" e escreves-me em letra redonda como um rebuçado "Mãe, gosto muito de ti", num vasinho feito de barro e pedrinhas pintadas da mesma tinta com que sujaste as calças novas que te comprei.
Amo-te intensamente enquanto te olho e te vejo crescer e te sei mulher e te quero ensinar que o mundo é lindo mas tem coisas más. Queria que nunca tivesses que descobrir a dor da morte de alguém querido e evitar as tuas lágrimas quando te destroçarem o coração pela primeira vez.
Mas sei que não vou conseguir.
Passarás pela vida como uma mulher linda, terás amores e desamores, talvez filhos um dia. Apenas te posso dar o melhor de mim para que esse percurso seja feito de poucos espinhos e muitas flores. O meu papel é o de te ajudar a estares preparada para o percorrer. É uma tarefa mínima, esta, comprada com aquela que tiveste tu, há uma mão-cheia de anos para me tornares naquilo que sou hoje - tua MÃE.