
flores

simplicidade das flores silvestres, encontro o retrato, num paralelismo simbólico, do que são, na sua essência, os homens e mulheres desta terra em que orgulhosamente me incluo. Os tais que vivem e morrem de pé, como as árvores. Os Alentejanos.
A resistência às agruras do clima, à seca e calor extremos, ao Suão, que trazem entranhado na pele àspera e queimada do rosto, as rugas como pergaminho da sua História.
A persistência de florescer sempre, ano após ano, com renovada força, em despique com aquilo que os tenta vergar, mesmo que sem adubos, mesmo que exista apenas uma pequena gota de água, no subsolo profundo.
A beleza da cor, sem artifícios, pura, que transparece o despojamento do que é genuíno e honesto. E também altivo, orgulhoso de assim ser, belo por ser verdadeiro e não por ostentar um qualquer arranjo cheio de laços e papel celofane.
As que me ofereceram e que aqui partilho, porque as coisas belas não são para esconder, exibem estas características.
Mas, para além disso, adquirem o significado profundo de simbolizarem o dia dos meus 41 anos, marco de uma vida que inicia um novo ciclo.
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