31.3.04

Experiment...

Apdeites - blog1
Então não é que estes gaijos têm destas coisas fixes para a malta actualizar o blog? Ora deixa cá ver...

Sono

O descanso a descer sobre as minhas pernas, o meu corpo, como um rio de águas calmas e tépidas. O olhar que se nubla, desfocando aos poucos um raio de sol teimoso que entra pela fresta de uma persiana semi-cerrada.
O mundo do irreal insinua-se, devagarinho e deixo-me puxar, escorrego em direcção ao lugar de todos os sonhos, de todos os desejos, onde tudo é possível e existe. Onde o chão é de côr azul (porque é a minha favorita) e as nuvens cor-de-rosa (porque gosto de algodão doce). Onde o ar é perfumado de aromas de magia e especiarias.

E eu sou de novo criança e leve e sem matéria, porque sou só espírito. E sorrio, e rio e rio e rio. Como só as crianças sabem rir. Porque não sabem ainda o que significa carregar nas costas o peso do mundo, da vida, das muitas vidas que vivemos enquanto vivemos um dia atrás do outro. As nossas e as de outros. Porque, sendo crianças têm ainda o mundo por descobrir.
Quisera que nenhuma criança descobrisse os males do mundo...apenas o sol e o céu azul e os aromas de terra molhada e relva cortada e cães a rebolar e a ladrar e árvores e sombras e florestas sem troncos queimados. Mas com duendes e fadas escondidos nas raízes...fechar as cancelas dessa floresta encantada e nunca deixar entrar os maus.

Quem me dera acreditar em deuses para lhes pedir que não deixem morrer a inocência das crianças. Que as faz ver o mundo com a cor azul de uns olhos puros

E queria que persistisse aquela réstea que existe ainda, em cada um de nós, lá bem no fundo, escondida dentro de uma das gavetas do "Pássaro da Alma".

Agora tenho que acordar, são horas de ir deitar os miudos. Acho que lhes vou contar uma história...




Ontem à noite...

... na SIC Notícias:

"Portugal não tem qualquer peso na política internacional." "Não conta nada".
"O nosso Primeiro-Ministro, alugou a Base das Lages, como quem aluga um salão, uma associação qualquer, para realizar uma iniciativa. Alugou o espaço para receber o Presidente Americano, pensaria talvez que assim o país apareceria..."
"Só um tolo ou ingénuo, pensaria que isto serviria para algo e eu não tenho o Dr Durão Barroso por tolo. Mas também não me parece que seja ingénuo ao ponto de ter esperança de, por se oferecer aos americanos, Portugal seria reconhecido para algo..."

José Saramago dixit
No seu melhor. Aquele que tem idade e estatuto e nada a amarrá-lo, para poder dizer o que lhe der na gana. Mas com sabedoria.

Um verdadeiro "ensaio sobre a lucidez" com que se avalia um poder político e um Governo.

28.3.04

A propósito...

...de reflexos.

Arrumações

Ao invés de ser na casa, no blog. Isto tem lá algum jeito? Uma tarde inteira passada a fazer testes, mistura de cores na paleta virtual, na tentativa última de dar um ar mais arrumado a isto...Quando não se domina a técnica vai-se por eliminação de partes até que - héllas! - se obtém o resultado desejado.
Embora não saiba bem se vou manter estas cores, por agora fica assim. No mínimo, o ganho de ter conseguido espaços demarcados para arrumar cada coisinha ;-))
E agora vou aspirar a casa. The real one!

Espelho

Porque gosto de Mário Quintana:

Por acaso, surpreendo-me no espelho:
Quem é esse que me olha e é tão mais velho que eu?(...)
Parece meu velho pai - que já morreu!(...)
Nosso olhar duro interroga:
"O que fizeste de mim?" Eu, pai? Tu é que me invadiste.
Lentamente, ruga a ruga...Que importa?
Eu sou ainda aquele mesmo menino teimoso de sempre.
E os teus planos, enfim, lá se foram por terra,
Mas sei que vi, um dia - a longa, inútil guerra!
Vi sorrir nesses cansados olhos
Um orgulho triste...

27.3.04

Era a este tempo que me referia...


(Fotografia retirada do livro José Afonso - O Rosto da Utopia, de José Salvador;
edições Afrontamento, 1999.)


...no post anterior. O tempo do Zeca, o tempo de Abril, em que os ideais eram o pão que alimentava as almas e as vontades, destes e daqueles outros que, cantando, discursando inflamadamente em cima da galéria de um tractor, empunhando a espingarda (mas com um cravo na ponta), palmilhando caminhos ombro a ombro, fizeram chegar o tempo de hoje...o tempo da Liberdade.

26.3.04

E com um brilhozinho nos olhos...

...como se hoje fosse "o primeiro dia do resto da minha vida", Sérgio Godinho, 22 horas, na Ovibeja 2004.

Digam lá o que disserem, aquele tom de voz e aquelas letras têm o condão de me transportar a um mundo de utopia, com cheiro a revolução no ar e cravos nas mãos. Onde ainda havia a ilusão de que a democracia era possível. Que o Sonho comandava a vida.

E, no mínimo, essas sensações, a nós que as vivemos, ainda que alguns sem idade para saber interpretar aquele clima de euforia, mas sentindo-se parte de algo maior que eles, as tenham saboreado pela mão dos pais, fizeram de nós as pessoas que hoje somos. E isso não nos tirarão. Isso e a Liberdade.

25.3.04

Um Abraço a Picasso

Foi este o tema de uma exposição animada, organizada em 1998, pela equipa Sócio-Educativa de um Município deste País.
Que pelo amor com que sempre preparou as actividades para as crianças, merece que esta saia do mofo dos dossiers e seja trazida para aqui, para que muitos e muitas a ela possam ter acesso.

"Sabes que Picasso dizia que a pintura não foi feita para decorar salões! Estamos de acordo e acrescentamos que nem foi feita para estar fechada nos museus, nem só para alguns...Por isso trouxemos a Arte para o Jardim e convidamos-te a fazer, como Picasso, umas "Picassagens".

Como não podias viajar por todo o mundo, a "Casa do Lago" mandou vir fotografias de Espanha, Paris, América, Rússia, para tu veres algumas das suas obras.
É como se Picasso, com as suas mãos fortes e rápidas, te levasse pela mão ou às cavalitas ao seu atelier e te tornasses, de repente, do tamanho de uma pulga para pulares da sua sobrancelha para o seu ouvido, para veres e ouvires melhor e dançares no cabo dos seus pincéis, enquanto ele mistura as cores na paleta...ou molda o barro...Mas se quiseres, podes escolher andar por lá como uma borboleta pequenina, para te tingires de todas as cores, sem nada te sujar.

Entra e observa...Vê o pombo à espera que o desenhes e fotografes. Olha aquele menino que leva pela mão o cavalo, e o cão que faz companhia àquele outro que parece muito só e ambos, vestidos de azul, se acompanham! De vez em quando, Picasso põe-te no chão ou saltas tu e, no teu tamanho normal, agarras os instrumentos que vão tocar no espectáculo. Que sons! Espera!

Entra no corredor dos medos, ouve as bombas, os gritos, o rouco dos aviões e por fim, o chilreio dos pássaros ou o arrulhar das pombas que trazem a PAZ.

Agora entra no circo e veste-te de bailarina, arlequim, pintor poeta, macaco ou pombo e faz de conta que estás no palco! Ah! Vês os teus amigos a olhar para a personagem que escolheste. Estalam os aplausos, os risos, a FESTA!

Terminada a viagem podes fazer nascer no papel, no barro, nas cartolinas, tudo o que quiseres. E volta, volta sempre, e traz os teus amigos para conhecer, num grande abraço, Picasso".

Adaptação do texto de Ana Franco
Centro de Arte Infantil-Fundação Calouste Gulbenkian


Este era um dos textos que convidava os meninos a percorrer os cenários ali descritos,que existiam de verdade, construídos em papel, cartão e tintas, com apoio audio-visual, nas salas da Ludoteca "Casa do Lago". E onde os técnicos, animadores, educadores conduziam as crianças na descoberta da Arte, de um modo tão natural como se de respirar se tratasse! É de gente desta que as nossas escolas precisam - para eles um grande abraço...também a Picasso.

24.3.04

Conversa com a fada dos dentes...

-Fada?
-Hiiiim? (voz do outro lado do telefone, no móvel, disfarçada na
medida do possível...)
-És invisível?
-siii...
-Se eu estiver a dormir na minha cama vens cá?
-si, si...
-"estransformas-te" em quê?
-...luzinha...
-E trazes uma moeda?
-si...
-Ouve lá, achas que podem ser duas??
-...!

23.3.04

Ode ao Serviço Nacional de Saúde...

...Pasme-se! Mas eu sou daquelas que defendo que se deve criticar e dizer mal com o fim de denunciar e corrigir os erros e males deste país, mas quando é de elogiar, então que se elogie, estimule, se atirem foguetes, atribuam medalhas, distribuam bandeirolas e até, porque não, beijinhos! e foi isso que aconteceu mesmo, hoje. A minha filhota de 6 anos a distribuir beijinhos pelas senhoras enfermeiras e senhora doutora do SNS, que duma forma exemplar, funcionou!

Começou por ser com o envio de carta atempada, há mais de uma semana, a convocar a criança a apresentar-se hoje, pelas 14h no Centro de Saúde da sua àrea, para efeito de exame prévio à entrada para o ensino básico.
Lá chegadas, à hora marcada (!), sem ordem de chegada, sem crianças aos gritos, exaustas de espera, sem confusão, facto para o qual muito contribuiu a instalação de uma casinha gigante em que as ditas se entretinham, num canto da sala de espera, entramos para o exame feito pela enfermeira: doce, delicada, cheia de paciência lá verificou olhos, nariz, ouvidos, tensão, sempre com um sorriso.
Segue-se a vacinação (busílis da questão, para a mãe, ansiosa, com as dores da cria...): outra enfermeira, atenta, sorridente, explicando os quês e os porquês à pequenota que lá gemeu e disse que doía, mas ofereceu o outro braço porque "era preciso".
De regresso, desta vez para a médica de família, esta sim um espécime a destacar no seio desse estranho universo que são os médicos que atendem nos Centros de Saúde e SAPs. Uma senhora, com linguagem adequada à idade da petiz, formas pedagógicas de "tirar nabos da púcara" quanto aos gostos e hábitos da dita e ainda paciência para contar histórias. Um luxo!

Resultado: Beijinhos a todas, menos de uma hora depois mãe aliviada e criança satisfeita e orgulhosa da "dor que vai já passar, porque vou para a escola". Um exemplo a seguir!

22.3.04

De volta...

...do Template. Com tempo e estudo descobrem-se coisas que tornam este cantinho cada vez mais aconchegante. Uma delas foi este espelho vitoriano que escolhi como cartão de visita para a entrada neste mundo mágico, de imagens e reflexos. Qual deles será real? A quem o descobrir, espera o prémio final...

É interessante pensar no estímulo que nos dão os comentários. Apesar de se escrever maioritáriamente para nós, saber que há pessoas que podem ler isto e sentir-se estimuladas a ponto de comentar, dá um friozinho na barriga...de receio de desiludir mas ao mesmo tempo de vontade de encantar. Obrigado.

21.3.04

"Do outro lado do espelho"

Com a devida vénia a uma Amiga:

"Um texto é assim como um espelho. Mas só o consigo verdadeiramente ler, se usar todos os meus sentidos e construir os instrumentos que me permitam essa tal leitura. Não basta descodificar. Só o consigo ler se o viver. Se experimentar o prazer de contar e ouvir contar. De ler nas imagens e nas palavras que alguém um dia escreveu, o reflexo e o eco das minhas mais profundas emoções. Se reaprender a leitura como uma festa de sentidos, com sabores, cheiros e cores.
...assim posso inventar, exprimir e imitar...agora sou um escritor de verdade!"
CT

18.3.04

Estarei lá

Esta noite, na Casa da Palavra. Suspensa dos olhos de quem conta. Unida por um fio mágico aos corações dos outros que, como eu, ouvem.

17.3.04

"Mil e uma noites mil e uma histórias"

Amanhã, 22.00, numa biblioteca da rede de bilbiotecas de leitura pública
deste país, acontece um serão de contos na Cafetaria,


"Dizem que nestas noites a Casa da Palavra se enche de vozes e de memórias.
Vozes que iluminam as palavras e lhes dão vida. Memórias, que acordam na
boca dos contadores e vivem no coração de todos aqueles que, suspensos no
silêncio, as ouvem.
Em roda, como se uma fogueira imaginária ali estivesse, o círculo mágico
liga gente de todas as idades para ouvir, ver e sonhar.
Ouvir as palavras dentro do silêncio, ver o espanto nos olhos deslumbrados
de quem conta e de quem ouve. Sonhar com as cores, os sons, as imagens e as pessoas que saem dos contos, para se abrigarem nos nossos corações.
Nessas noites, na Casa das Palavras, depois de se ouvir "Era uma vez...",
todos sabem que, a partir daquele momento, a porta do mistério e da fantasia
está aberta e dela, durante mil e uma noites, sairão mil e uma histórias".


O que acontece por este país fora e que passa despercebido a tanta gente...Como dizia o nosso Presidente da República, entre estupecfacto e deliciado, num 10 de Junho, numa cidade do nosso país, 5 horas da tarde e bailarinos do Bolchoi ensaiavam num espaço improvisado de palco, ao som de uma lindíssima música clássica, no meio de um calor sufocante, com sorrisos nos lábios e um profissionalismo perfeito, "Mas isto está mesmo a acontecer aqui, neste momento?"


15.3.04

fonts...

...family, size e por aí fora. O tipo de letra já está, agora o tamanho é que não há meio de eu descobrir como alterar...O do título é fácil, agora o do body! Mas se há coisa que assumo que sou, é teimosa!

Pé de Página

Correndo o risco de estar a subir a passos largos a escada que conduz ao fim do anonimato e desagua no patamar de cima, o da exposição nua e crua, mas porque a A. pediu, aqui vai:

Era uma vez uma rodapé e um pé de página que viviam dentro de um livro, que é o lugar onde geralmente vivem os rodapés e os pés de página. Pelo menos a maioria. Uma estava na página 212 e o outro na página 213. Assim, estavam sempre juntos. Aos poucos, foram descobrindo que qualquer coisa nascia dentro deles. A princípio, não ligaram. Afinal eram amigos desde que nasceram e sempre tinham estado juntos.. Mas, um dia, alguém folheou o livro numa livraria e eles, por momentos, ficaram separados. E foi nesse instante em que sentiram a falta um do outro que descobriram o amor. Sim, porque o amor também é uma descoberta.
O senhor que havia folheado o livro, voltou a fechá-lo, comprou-o e levou-o para casa. Colocou-o numa estante e eles voltaram a estar muito juntinhos, fazendo tudo o que o amor pede.
Um dia, e nestas "estórias" há sempre um dia, o senhor tirou o livro da estante e sentou-se, a lê-lo. Passado algum tempo, pôs o livro em cima da secretária, aberto na página 212, saiu para o trabalho e nunca mais voltou. Tinha morrido atropelado.
A mulher, em sua memória, decidiu não mexer em nada, deixar tudo como estava. E assim, a rodapé e o pé de página ficaram separados para sempre.

in, Rodapé, revista da Biblioteca municipal de José Saramago, Primavera de 2001, com o seguinte comentário do Director : "Quando ouvi esta estória", pensei que talvez a Rodapé não seja mais que o secreto desejo de voltar a unir aquelas duas páginas. Aquelas ou outras".

13.3.04

Pequenos nadas

E porque foi com a A. que primeiro conversei, neste mundo de confidências que descobri com o Azul Cobalto aqui fica o link. Por ser azul, pelas coisas lindas que elas têm para nos dizer, pela paciência e altruísmo com que me ensinou tantos pequenos nadas, obrigado A.!


BASTA YA!



No telemóvel, bips sucessivos indiciavam actividade extraordinária. Apreensiva, abro as SMS recebidas. Em todas, um só texto:"Esta noche una vela encendida en la ventana de cada casa por todos aquellos a los que han matado em Madrid. BASTA YA! Pasa el mensage por favor. Gracias."

Na minha janela, uma frágil luz tremula agora ao vento.

A propósito de fanatismos


Descobri esta imagem num ensaio sobre fanatismo religioso e outros e também a seguinte frase:
"O diabo empalidece comparado a quem dispõe de uma única verdade" (Emil Cioran).
Mais palavras para quê?

Inconformismos

Perguntavam-me, há pouco, se pertenço ao clube dos eternos insatisfeitos.
Isto, a propósito de colocarmos fasquias baixas ou demasiado altas, quando definimos os objectivos que queremos atingir.
E a resposta que dei, de entender que o inconformismo e a busca da perfeição é que têm feito evoluir a humanidade, deixou-me a pensar que é isso que sou; Inconformada.
O exercício de uma actividade política só pode ser feito por alguém que não se conforma, que não desiste, que não recua ou perde a esperança de atingir uma meta. E ainda mais quando é na oposição...
Os relacionamentos afectivos em que a rotina se instala e o sangue deixa de circular com força como reacção à simples vista do outro, só terminam quando somos inconformados. Quando não desistimos de procurar a perfeição.
Talvez por isso tenha passado todos estes anos em busca. De algo. Da perfeição? Dir-me-ão que não existe. E que o óptimo é inimigo do bom e todos esses chavões.
Mas será preferível viver sem sentir o brilho no olhar só de imaginar? Sem a nitidez que aguça os sentidos no estado de paixão e permite ver cores que mais ninguém vê e sentir cheiros que mais ninguém sente? Sem o sonho?
Eu penso que não. Penso que a procura deve existir sempre.

12.3.04

Espelhos...

Tentativa gorada de criar um Template que ilustre o título do blog.
Mas não posso deixar de vos mostrar isto

Anonimato

Manda a ética bloguística que sejam colocados links na nossa página, referentes a outras que visitemos e de que gostemos. E aqui os links teriam que ser muitos. Tantos quantos os amigos que visito diáriamente e a quem deixo uma flor em casa às vezes, noutras não. E mais os desconhecidos que têm aqui casas de porta aberta e por onde espreito, meio tímida, sem dizer nada.
Mas uma espécie de pudor tem-me impedido de ir colocando os links que gostaria de aqui ter. Pudor por poder vir a ser descoberta pelos amigos (o julgamento por estranhos não é problema), por aqueles a quem, pela admiração que me merecem, também me inibem. Porque escrevem infinitamente bem e eu sinto-me como que a invadir um território que não me pertence. Porque foi através deles e por causa deles que aqui me encontro hoje. Porque não sei se vou continuar por aqui e temo defraudá-los na altura em que sentir necessidade de fazer as malas e rumar a paragens distantes, qual D. Quixote perseguindo moinhos de vento. Por tudo e por nada, mas como os sei verdadeiramente AMIGOS, também sei que no dia em que entrarem por esta minha casa dentro, por me ter esquecido de fechar a porta, sentar-se-ão no sofá, e falaremos de tudo e de nada como só os amigos sabem fazer. Mas ainda me sinto meio envergonhada pela desarrumação e vou limpar mais alguns recantos antes de chamar os amigos mais antigos. E é por isso que a
Gotika é a primeira a ser convidada a entrar. Porque sem me conhecer me ajudou a carregar alguns móveis cá para dentro e daí que dela não tenha vergonha. Obrigado pela ajuda e...considera esta casa como tua. Aos outros, prometo uma grande festa quando estiver tudo no lugar.

Flores



Como dizia uma amiga, nestes dias do terror, quase nos envergonhamos de existir como se nada fosse.

Luto

10.3.04

Sempre gostei de anjos...


...e de bombeiros. Ambos estão lá, quando são precisos, nos momentos de aflição. Embora na maior parte das vezes não os vejamos.

A propósito de igualdade entre homens e mulheres

Ora...ontem, deixa cá ver...programar trabalho, coordenar grupo de trabalho,
reunião de direcção, almoço de trabalho, ler blogs de amigos (e de
desconhecidos), gerir conflitos de pessoal no trabalho, responder emails de
amigos, ler (livros, em papel, não em écran), assistir a evento
sócio-cultural (em trabalho, não lazer), conviver com colegas no trabalho,
programar compras para casa, telefonemas de amigas, levar crianças ás
actividades extra-curriculares (dar-lhes atenção e mimos de caminho),
preparar temas para programa de rádio semanal, comentar temas duas horas
depois em programa de rádio, ir buscar crianças, (mais mimos) preparar
jantar, roupas para dia seguinte e lanches respectivos(mimos), deitar
crianças(mimos), mais telefonemas......sim, sobra tempo para newsgroups.



7.3.04

Noites mal dormidas

Já para não falar das noites sem pregar olho, graças à criança.
O trabalho que dá andar à pesca de sites que ensinem a compor a coisa...

6.3.04

Tenho lido

inúmeros artigos e posts que tentam analisar o fenómeno blog, participado até em encontros organizados em torno da reflexão sobre esta compulsão que leva alguém a ter e alimentar este quadradinho diáriamente.

Discutem-se as formas, os estilos, a finalidade dos mais de mil blogs existentes actualmente em Portugal.

Mas nunca ouvi ninguém a dizer aquilo que, de repente, me pareceu ser um blog. Pelo menos este.
Um blog é assim uma espécie de um filho. Uma paixão repentina que começa quando se vê pela primeira vez ou mesmo antes, quando ainda é uma promessa por concretizar.
Depois disso, começa um processo de crescimento, evolução, em tudo semelhante ao de um filho. O orgulho pelos primeiros passos, a euforia por pequenas vitórias como conseguir colocar o sistema de comentários, ou descobrir como mudar a cor de fundo.

Também há arrelias e tristezas que, no entanto, não fazem com que o amor diminua. E depois há esta necessidade de alimento diário, de conforto (mas como diabo é que eu consigo dar um visual mais giro e original, sem se parecer com nada que já exista?), de proporcionar um crescimento feliz e equilibrado.
E a vaidadezinha inerente ao instinto maternal (o meu é mais bonito que o teu), a que já ouvi alguém chamar umbiguismo. E não será normal – um pai/mãe ter orgulho naquilo que produziu?

Digam lá o que disserem – este “filho” faz-me muito feliz.


E, por isso, um pouco mais de magia.


A magia só se obtém com a experimentação.

5.3.04

E

esta grande senhora também me guia e dá alento...

Duas citações

hoje, que me parecem importantes. Não sei se são para mim, ou para quem as apanhar. Mas sejam para quem forem, acredito que tenham algum efeito.

"No limite do sofrimento
há sempre uma janela aberta,
uma janela iluminada"


Paul Elouard

E o meu poema-fetiche do momento:

"Recomeça, se puderes,
Sem angústia e sem pressa
E os passos que deres
Nesse caminho duro, do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses
De nenhum fruto queiras só metade".


Miguel Torga

4.3.04

Um post sobre...

Livros. Livros e mais livros. Mas porque é que eu não tenho tempo de ler como lia, uns atrás dos outros? Na minha mesa de cabeceira amontoam-se, numa escolha tão eclética como tentadora, "A obra ao negro" de Marguerite Yourcenar,"O meu poeta" de Germano de Almeida", "Bichos" e "A criação do Mundo-vol. I" do Torga, "O meu mundo não é deste reino" de João de Melo e "Terra Sonâmbula" do Mia Couto, e apenas porque o "Antídoto", do Peixoto, nem chegou a aquecer o lugar pois foi devorado, do princípio ao fim, numa tarde de Domingo soalheira mas a convidar manta sobre os joelhos e lume a crepitar. Amontoam-se, olhando para mim a prometer outros mundos, outras vidas, universos de sonho e magia só possíveis nos...livros. À espera. Que um dia eu tenha tempo. Ou que me transforme num novo Professor Marcelo Rebelo de Sousa.

3.3.04

Este blog

está a sair com algumas imperfeições. São erros de quem nunca viu HTML na vida e anda agora a explorar, a estudar afincadamente para descobrir como evitar que um post saia duas vezes, ou que côr fica melhor nas paredes da sala. Confiemos que, com tempo, tudo ficará no devido lugar.

Alguém

me disse para escrever, como uma libertação, uma terapia. Pode ser que resulte. Pelo menos hoje. Hoje, quando nem sei sequer se tenho algo a dizer. Ou se quero.
Hoje quando sonho e idealizo o que não tenho agora, o que nem sei se quereria ter...Puta de vida que me empederniste desta forma.
Ou será que apenas criei uma fina película de desilusão e defesas? À espera de serem quebradas, uma a uma? Não sei.

Mas sei que a escrita desde sempre me acompanhou. Desde tempos imemoriais. Desde as notas de rodapé ao lado da matéria, nos cadernos das diferentes disciplinas, no liceu. Até aos pequenos cadernos que coleccionávamos, eu e a minha melhor amiga, nos tempos da faculdade, para onde derramávamos mágoas e euforias, sempre, sempre, extremos.
Costumava dizer que era de extremos (aliás, devia ser esse o nome deste blog). E continuo a achar que é isso que sou. Um ser intenso, seja qual fôr o extremo em que me encontre. Nada mau, para quem também se gaba de dizer que, ou vive intensamente, ou então não vive. Bah...tretas. Palavras, nada mais que palavras.

Não sei se quero viver intensamente. Viver intensamente cansa.
Está-se melhor acomodado, sem sentimentos que exijam mais esforço do que aquele que me habituei aos poucos a fazer para me iludir que vivo. Um dia atrás do outro. Apenas. Sem pensar no que será, daqui a algo mais longe que uma semana.

Também costumo dizer que funciono melhor sob pressão. Mais tretas. Desculpas de quem não sabe, nunca soube, ser organizada. Mas também de quem se viu forçada a encarar o dia seguinte como uma incógnita. A morte de alguém muito querido faz-nos ficar assim, acho eu. Como fazer planos se, naquele dia também os tínhamos e, de repente, num segundo, tudo mudou? Ná, não faço planos.

Por isso me tem custado tanto começar um blog. Porque não sou boa em planos, nem em compromissos.
E um blog é, de certa forma, um compromisso, acima de tudo connosco próprios, mas também, com aqueles que, por um acaso, aqui vieram parar e vão voltando.
Não sei se conseguirei honrar este compromisso. Ou sequer se quererei fazê-lo, amanhã.
Mas disseram-me para escrever, como uma libertação.
E, pelo menos hoje, parece que funcionou.

2.3.04

Nascimento

Este é um poema que me dedicaram há muito tempo, dizendo "...que tem que continuar a acreditar que o instante é o presente":

É este o instante
de erguer a taça e derramar o vinho;
de abrir as asas ao sol
e pairar sobre os navios;
de afeiçoar pedaços da nuvem
para nela adormecer;
de inventar um arco-íris
com as cores que apetecer;
de dourar os sons da harpa
para o concerto das manhãs;
de me vestir de véus
e dançar na brisa da tarde;
de escancarar os portões dos templos
e expulsar os anjos;
de me perder no tempo líquido
do encanto do seu olhar.

Este é o instante
fugaz, irrepetível e secreto
que a ninguém permitirei que me subtraiam.

25 de Out. 2001

Parece-me um bom mote para começar um blog.