30.9.04

O que me lixa

quando leio as parvoíces que aqui escrevo quando estou sem inspiração, mal-humorada ou furiosa com alguém, é depois ir ali abaixo ao coiso das entradas para esta página e descobrir que pessoas como o Leonel Vicente , ou pelo menos a partir do seu Memória Virtual, vieram aqui espreitar. Estão a ver a responsabilidade? É que, se não estão, leiam-no.
E, já agora, podem começar por este post dele para quem anda com dúvidas sobre o que é isto de ser blogger...

29.9.04

Se

todo o folhetim da colocação de professores no nosso país foi (e continua a ser) anedótico (para não dizer trágico, mas agora não me apetece pensar em coisas tristes porque estou demasiado furiosa), então aquela "coisa" que agora temos a pseudo-desempenhar as funções de nossa Ministra da Educação é a palhaça-mor!
Quando se pensa em convidar alguém para desempenhar um cargo público deve, no mínimo, ter-se em conta se esse alguém é bem-educado, para não ser demasiado ambiciosa e dizer que deverá ser bem-formado, sensível, flexível, justo, honesto e, e, e por aí fora.
Acabo de ver a dita senhora responder a um jornalista com um (um não, VÁRIOS!) encolher de ombros displicente, ar de enfado total (que, aliás, tem sempre colado no frontispício...), às perguntas que este lhe fazia. Terminou, a despachar o pobre, com a resposta "olhe, ser Ministra da Educação dá muito trabalho, serve?", quase como se estivesse a vomitar por estar ali misturada com aquela-ralé-de-gente-que-tem-que-trabalhar-para-viver-pamordeus-menino-pedro-tire-me-deste-filme!
A gente até "pecébe" que a senhora seja muito linha, assim muito bem, boas famílias e tal, agora terem-lhe dito que a menina agora vai ser Ministra só para aparecer na TV e na Flash e assim tudo muito in durante uns meses tá a ver rica? é que tá mal!
É que está só nas mãos desta senhora a vida de uns milhares valentes de gente que escolheu abraçar a profissão docente, que é gente bem-formada, que faz os possíveis por bem-formar os filhos de gente como a senhora ministra, sabe Deus quantas vezes com que sacrifícios, e que não merece ter a vida à mercê da sua ignorância, incompetência, arrogância e estupidez .
Haja vergonha neste país!

28.9.04

Post

só para vos dizer que não tenho nada de interessante para dizer mas que me apetece dizer-vos que não tenho nada para vos dizer.
Fim de post.

26.9.04

A esperança

como uma borboleta de asas brilhantes e coloridas.
Volteando em círculos ao seu redor, mágicos, enfeitiçantes, cada vez mais largos e mais longos, mais largos e distantes até que, num último esforço, finalmente se agarrou a ela e, voando com as suas asas coloridas e brilhantes, desapareceu no horizonte para não mais serem vistas, as duas.

25.9.04

Uff...

demasiada emoção para dormir...
Uma rua feita mar. Mar de gente. Gente da minha terra. Gente bonita, sorridente. Gente de fora. Sorridente também. Convidados do mundo que durante três dias fizeram desta cidade a sua casa. A Casa da Palavra. A sua cidade. A cidade dos Contos.

Uma rua feita mar de gente a ouvir contos.
Marina Colasanti, ali, ao vivo, de olhos a brilhar. De voz doce e histórias de encantar.

Marina, uma Senhora. Que ao dizerem-lhe que ia ser apresentada a uma sua patrícia pergunta com um jeito desarmante "De qual dos meus países?"
Esta pergunta não é à toa. Nasceu na Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Uma Mulher do Mundo.
Que escreve sobre coisas da vida . Coisas assim

Quarto de Pensão

Sou pensionista da vida.
Na mesma tábua em que durmo
Escrevo meu trabalho
E ela farfalha, embora já sem folhas,
Só da lembrança de ter sido tronco.
Tenho uma pia no canto,
Que goteja
E é meu lago, meu rio, meu
Fundo mar.
Tenho um rijo cabide
À cabeceira
Para dependurar a pele
A cada noite.
Me dão café com pão, e às vezes
Algum vinho.
Dizem que só paguei meia pensão.

Há uma fome indistinta que me habita
Enquanto o medo
Com felpudos passos
Percorre o labirinto das entranhas.
Mas agradeço essas quatro paredes
E que me tenham dado uma janela.
Pois sei que a qualquer hora
Sem possibilidade de recurso
E talvez mesmo sem aviso prévio
Serei intimada
A devolver o quarto.


Nas Andarilhas, confirmámos que a melhor forma de amar um escritor é dar a conhecer as suas palavras-lendo ou contando.
Mas o melhor de tudo é quando o ouvimos contar.

22.9.04

Admito

mesmo que sou uma info...coiso...analfabeta é o que é.
Sonho que consigo descobrir aquelas coisas misteriosas de que ouço falar, como IPs não sei de onde, que permitem identificar não sei o quê, saber de onde nos visitam, quem são os nossos mais fiéis leitores, ou o que guarda aquela verdadeira caixa de Pandora que é uma tal de cash do Google(os nomes eu sei, não sei é como usar estas maravilhas...), por que palavras de pesquisa no Google alguns cá vieram parar, tal como vejo e invejo em tantos blogs que visito.
Mas não consigo, não sou capaz, não sei e admito-o, prontos!
O meu sitemeter bem me diz que, às tantas horas o #oo000000 esteve aqui pespegado durante 20 minutos. E eu pergunto: E o que me interessa isso?? Pois se eu sei lá quem é o dito #oo000000!
E depois ouço alguns falar e maravilho-me com a sua sabedoria ao ver que eles SABEM! em pormenor isto que a mim me transcende...
Alguém para me dar umas luzes ?

19.9.04

Pois...

Assim como assim ele , já regressou ao espelho, andou hoje a dar um passeio por aqui e, por muito que um certo pudor me iniba, não há como negar que gosto de o ter por cá!

18.9.04

Não sei que dia é hoje

Não sei.
É apenas mais um dia que passas,imerso numa vida que não é a minha.
Que não é comigo.
Mais um dia vazio, em que apenas os olhares se tocam, suavemente, como uma carícia, velada, em engenhosos e complicados jogos de reflexos de espelhos.
"Isto vai. Vamos levando...", mais este dia, como o de ontem e o de antes. E todos os anteriores. E ainda os que virão.
Não sei por que razão tal como não sei que dia é hoje ou qual será o de amanhã.

2ª moral da história

Mar encapelado, bravio, enfurecido...não há diques que o contenham.

Dou por mim

a pensar sobre a falsidade.
Em como se tivesse que lhe atribuir uma côr, seria o amarelo, doentio, pegajoso...
Em como, para alguns, por conveniência, preguiça, ou cegueira temporária apenas, basta que se grite aos sete ventos o que se é ou deixa de ser, para que isso se transforme em verdade absoluta.
Curiosamente, os "verdadeiramente verdadeiros" não necessitam de o gritar a ninguém - isso transpira-lhes dos poros e é visível à vista desarmada.
Paradoxalmente o falso profissional, até se convence a ele próprio de que o não é. E isso torna-se perigoso porque faz com que esqueça
factos importantes que outros detém na sua posse e atestam a sua falsidade.
Enfim...moral da história, mais depressa se apanha um mentiroso...
E não, esta mensagem não tem destinarário. Ai, ai, deixa-me lá ir à vidinha...

16.9.04

Reflexões...

Na vida há momentos em que nos sentimos esgotados, com necessidade absoluta de parar, de nos sentarmos no chão, encostados ao tronco de uma árvore, junto de um riacho, tirar os sapatos e deixar que a água nos refresque e a cabeça se esvazie...
Há momentos em que nada parece fazer sentido, em que um conjunto de circunstâncias se conjuga para nos fazer ter dificuldade em acreditar que valha a pena tanta coisa que tínhamos, até então, por certa.

Nessas alturas deveríamos poder agarrar no carro e conduzir sem destino, para longe.
Deveria ser possível largar tudo, rebentar com cadeias ou amarras e abrir as asas.
Talvez parássemos no pico de uma montanha e de lá nos sentássemos a observar o mundo cá em baixo, a humanidade como formiguinhas atarefadas e insensíveis ao maravilhoso espectáculo que se nos oferecia, só a nós.
Ou chegássemos a uma floresta virgem, luxuriante, ainda não descoberta pelo homem mais a sua batalha por aquilo que faz girar o mundo: dinheiro, ganância, ânsia de poder, de palco, de status...
Ou quiçá o nosso voo, livre, nos levasse até alto mar, e lá, o azul intenso e profundo nos acolhesse,
E aí nos transformaríamos em sereia que só tornaria a aparecer em noites de luar.

Nessas noites, o mais belo cântico salvaria os marinheiros perdidos e chegaria até ao cais. E todos os que o ouvissem teriam o irreprimível impulso de querer tranformar o ódio, a mesquinhez, a inveja, o rancor, em pássaros brancos esvoaçantes.


Aqui

15.9.04

Absolutamente

confrangedor! Inacreditável, espantoso e, pior, mesmo patético...Há coisas não dá para entender. Nem acredito como o conseguem...e fico triste...por um deles.

este post não é para entender, só tinha que desabafar por algum lado!

14.9.04

Não consigo evitar

andar para aqui a babar-me de orgulho pelo facto de a minha cidade ser a primeira do país a cumprir o planeado no Programa Polis.
Foi considerado o Polis modelo em termos nacionais, por ter concluido todas as intervenções sem exceder os custos previstos no Plano Estratégico e sem ultrapassar muito os prazos definidos e ser a primeira de entre as 22 sociedades Polis a ter a obra terminada
Agora vamos à festa! Sua Excelência o Presidente da República a presidir, os Adiafa e a Mariza a animar, mas acima de tudo, a cidade toda convidada a participar e usufruir dos novos espaços urbanos recém-qualificados.
Polémicas à parte, instrumentalizações políticas com a importância que merecem, opções estéticas a agradar ou não ao gosto de cada um, não há como contornar a realidade: a cidade está melhor, mais moderna, mais arejada, com espaços de lazer ao nível das melhores cidades europeias.
E eu gosto de viver aqui.


13.9.04

Azul Cobalto

Regressei hoje a este blog, o primeiro de todos quantos vim depois a conhecer neste mundo fascinante, como faço regularmente, de tempos a tempos. E apeteceu-me contar a história.
O Azul Cobalto atraiu-me primeiro pelo nome: azul, a minha cor favorita, cobalto; a definição ainda maior do tom...
Curioso como na altura nem sonhava que viria um dia a estar aqui.
Um primeiro mail que enviei, por impulso, (como é apanágio de quase tudo o que faço...) trouxe-me a resposta da A. Os seus ensinamentos desinteressados naqueles que foram os primeiros passos que dei na net, revelaram a nobreza do seu carácter. Depois desse trocámos muitos mails, idéias e algumas confidências.
Apesar de termos deixado de o fazer, a minha amizade por ela mantém-se, bem como a admiração pelo blog das várias m's.
Um sítio de muita qualidade e sem pretenciosismos bacocos, este Azul . Obrigada.

Bem, ao menos

dá-me para isto, destruir templates. Podia ser pior...

Ahhhhhhhhhhhhh.....

(som acompanhado do gesto de abrir muito os braços, vulgo espreguiçar...), como é bom regressar à normalidade - leia-se, trabalho, os problemas e os chatos do costume, as pequenas vitórias, a batalha pela sobrevivência (do mais forte??), a falta de tempo para pensar na merda dos meus problemas existenciais. (Credo, estou a falar deles, será que é sinónimo de estar a pensar? Ai, ai...dúvidas, só dúvidas)

12.9.04

O dia

não seria diferente de todos os anteriores. Duche, água quente a escorrer pelo corpo para afugentar de vez o sono e os medos. De quê? De tudo e de nada em particular. A roupa formal, inerente às tarefas do dia, o relógio Gucci de aros de metal, única peça de acessório a que, geralmente, se permitia. O perfume, sempre. Fresco mas, ao mesmo tempo, desprendendo alguma sensualidade, à medida que passam as horas e a nota de fundo permanece enquanto o resto se evapora. Olhou-se no espelho e a imagem reflectida não lhe desagradou. Tentou imaginar como apareceria essa imagem a outros olhos. Os únicos que importavam.
Uma ponta de insegurança não deixou que fizesse um juízo isento. Sabia do que lhe diziam outros, do elogio verbalizado ou apenas pressentido no modo de a olharem com ar apreciador. Mas nada disso contava. O olhar que queria que permanecesse estava ausente, quase sempre, desse quotidiano. Saíu para o ar fresco da manhã, colocando os óculos escuros.
O café do costume, o telemóvel a iniciar a rotina normal, o jornal folheado com distracção.
E a presença indelével de outros momentos, naquele mesmo lugar, de risos e confidências, de um calor morno no peito, agora oprimido por um peso indefinido e persistente.
Passara já muito tempo. Tempo demasiado para manter uma expectativa. Os sonhos também precisam de alimento ou então enfraquecem, definham aos poucos como uma flor sem àgua.
O olhar claro perdeu-se em direcção à porta do café.
O dia não seria muito diferente de todos os anteriores.

Mais um re-post da Cortina e que se mantém, infelizmente, muito actual...

Tomar decisões

que nos rasgam todos em prol do bem de alguém de quem se gosta.
Oscilar entre a vontade de fazer o que está certo e a de nos perdermos num sorriso onde nos apetece viver para sempre.
Duvidar do que (supostamente) está certo. Mas estará mesmo? Porquê? Porque é socialmente correcto? Bah...
Ouvi dizerem-me que "a vida tem variáveis difíceis de equacionar" e não percebi.
Disse, em troca, que não tornaria nunca a apaixonar-me por quem não me considerasse, no mínimo, a mulher da sua vida.

11.9.04

Os Grandes

Que são verdadeiramente grandes, não precisam de se pôr em bicos dos pés para que reparem neles. O simples facto de serem genuínos atrai todos os holofotes.
Sempre me comoveu a humildade. É um traço de carácter que faço por ter, que bebi de alguém que me ensinou a nunca tratar ninguém com superioridade, a nunca querer ser mais que ninguém. O meu pai.
E daí admirar tanto este homem, que me faz lembrar ele:

(...)Escrevo para o povo, mesmo que ele não possa
ler a minha poesia com seus olhos rurais.
Virá o instante em que uma linha, o ar
que alterou minha vida tocará seus ouvidos,
e então o camponês levantará os olhos,
o mineiro sorrirá partindo pedras,
o ferreiro limpará a fronte,
o pescador verá melhor o brilho
dum peixe que a palpitar lhe queima as mãos,
o mecânico, limpo, recém-lavado, cheio
de aroma a sabão, olhará meus poemas,
e dirão talvez: "Foi um nosso camarada".

Isso é bastante; é a coroa que busco.(...)

Pablo Neruda, in Canto General, 1904-1973,
A Grande Alegria, (extracto)

Re-post da Cortina (porque me apetece ter aqui as coisas que por lá fui deixando)

Gamei

ali da Ruiva e digam lá que não ficou um must??
Construam-se aqui

10.9.04

Isto é mesmo muito giro

Numa certa blogosfera que eu conheço - chamemos-lhe "blogocoisa regional" ou "sub-blogosfera" - a malta anda a aproveitar os blogs uns dos outros para deixar recadinhos de cariz mais ou menos politico-partidário aqui e acoli, para se alfinetarem uns aos outros consoante as facções mais de um ou do outro lado...ah e o mais interessante: sob o diáfano manto do anonimato.
Deixem-se disso, pá! Não são capazes de ver que isto da blogocoisa tem um alcance muito mais vasto que esse? Que se torna ridículo utilizarem este vosso recém-descoberto meio, para disputas picuinhas que, quando muito, deveriam ter lugar num qualquer auditório, com frontalidade, isenção e transparência?

Sou uma lírica, ai, ai...

Olhem

Querem saber? Acho que perdi o jeito. O jeito, o ritmo, o tempo, o vício, sei lá...
Estar refém disto deixou de fazer parte do meu quotidiano.

Ah

...e como convém sempre que uma casa está fechada há algum tempo, dei uma arejada nas coisas, limpei a poeira dos cantos e lavei as paredes...

9.9.04

Nopes

O que não vale mesmo a pena, como diz o Alex é condicionar a nossa vida por quem não merece.
Ou, de acordo com o Faroleiro , pensar que nos protegemos atrás de uma pesada cortina de veludo, quando ela é tão frágil que o mais pequeno rasgão acabará por nos expôr, de novo, à luz crua e fria dos holofotes.
Ou, como diz a maria , o melhor mesmo é voltar a casa.
Ou ainda, depois de reler este comentário

Queria ser poético, interpretar com luzes e holofotes, correr aos bastidores, ao camarim, voltar a colocar-te a peruca, pedir ao contraregra que mandasse subir as cortinas e gritar "Senhoras e senhores o espectáculo vai continuar! Convosco, a grande, a sublime, a diva...". Mas não posso fazê-lo porque não sei. A minha inspiração não chega a tanto. Mas eis-me aqui na útima fila, de uma sala já vazia e ainda com as mãos coladas uma á outra num quase eterno aplauso.


que o Pré me deixou num dos últimos posts que aqui escrevi, concluir que a vida continua ao som das últimas palmas.

E que não importam os que dirão que voltei atrás, que fiz bluff, que não assumo as minhas decisões. Muito pelo contrário. É de queixo bem erguido que estou aqui, de novo, em casa, e borrifando-me para tudo e todos os que não gostarem.
Escreverei o que me apetecer, quando e com a periodicidade que me der na real gana, com palavras inéditas ou mil vezes ditas noutros milhares de páginas destas que por aí encontramos aos pontapés.
Amigos, os de verdade, começou o Terceiro Acto!