demasiada emoção para dormir...
Uma rua feita mar. Mar de gente. Gente da minha terra. Gente bonita, sorridente. Gente de fora. Sorridente também. Convidados do mundo que durante três dias fizeram desta cidade a sua casa. A Casa da Palavra. A sua cidade. A cidade dos Contos.
Uma rua feita mar de gente a ouvir contos.
Marina Colasanti, ali, ao vivo, de olhos a brilhar. De voz doce e histórias de encantar.
Marina, uma Senhora. Que ao dizerem-lhe que ia ser apresentada a uma sua patrícia pergunta com um jeito desarmante "De qual dos meus países?"
Esta pergunta não é à toa. Nasceu na Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Uma Mulher do Mundo.
Que escreve sobre coisas da vida . Coisas assim
Quarto de Pensão
Sou pensionista da vida.
Na mesma tábua em que durmo
Escrevo meu trabalho
E ela farfalha, embora já sem folhas,
Só da lembrança de ter sido tronco.
Tenho uma pia no canto,
Que goteja
E é meu lago, meu rio, meu
Fundo mar.
Tenho um rijo cabide
À cabeceira
Para dependurar a pele
A cada noite.
Me dão café com pão, e às vezes
Algum vinho.
Dizem que só paguei meia pensão.
Há uma fome indistinta que me habita
Enquanto o medo
Com felpudos passos
Percorre o labirinto das entranhas.
Mas agradeço essas quatro paredes
E que me tenham dado uma janela.
Pois sei que a qualquer hora
Sem possibilidade de recurso
E talvez mesmo sem aviso prévio
Serei intimada
A devolver o quarto.
Nas Andarilhas, confirmámos que a melhor forma de amar um escritor é dar a conhecer as suas palavras-lendo ou contando.
Mas o melhor de tudo é quando o ouvimos contar.
Uma rua feita mar. Mar de gente. Gente da minha terra. Gente bonita, sorridente. Gente de fora. Sorridente também. Convidados do mundo que durante três dias fizeram desta cidade a sua casa. A Casa da Palavra. A sua cidade. A cidade dos Contos.
Uma rua feita mar de gente a ouvir contos.
Marina Colasanti, ali, ao vivo, de olhos a brilhar. De voz doce e histórias de encantar.
Marina, uma Senhora. Que ao dizerem-lhe que ia ser apresentada a uma sua patrícia pergunta com um jeito desarmante "De qual dos meus países?"
Esta pergunta não é à toa. Nasceu na Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Uma Mulher do Mundo.
Que escreve sobre coisas da vida . Coisas assim
Quarto de Pensão
Sou pensionista da vida.
Na mesma tábua em que durmo
Escrevo meu trabalho
E ela farfalha, embora já sem folhas,
Só da lembrança de ter sido tronco.
Tenho uma pia no canto,
Que goteja
E é meu lago, meu rio, meu
Fundo mar.
Tenho um rijo cabide
À cabeceira
Para dependurar a pele
A cada noite.
Me dão café com pão, e às vezes
Algum vinho.
Dizem que só paguei meia pensão.
Há uma fome indistinta que me habita
Enquanto o medo
Com felpudos passos
Percorre o labirinto das entranhas.
Mas agradeço essas quatro paredes
E que me tenham dado uma janela.
Pois sei que a qualquer hora
Sem possibilidade de recurso
E talvez mesmo sem aviso prévio
Serei intimada
A devolver o quarto.
Nas Andarilhas, confirmámos que a melhor forma de amar um escritor é dar a conhecer as suas palavras-lendo ou contando.
Mas o melhor de tudo é quando o ouvimos contar.
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