11.9.04

Os Grandes

Que são verdadeiramente grandes, não precisam de se pôr em bicos dos pés para que reparem neles. O simples facto de serem genuínos atrai todos os holofotes.
Sempre me comoveu a humildade. É um traço de carácter que faço por ter, que bebi de alguém que me ensinou a nunca tratar ninguém com superioridade, a nunca querer ser mais que ninguém. O meu pai.
E daí admirar tanto este homem, que me faz lembrar ele:

(...)Escrevo para o povo, mesmo que ele não possa
ler a minha poesia com seus olhos rurais.
Virá o instante em que uma linha, o ar
que alterou minha vida tocará seus ouvidos,
e então o camponês levantará os olhos,
o mineiro sorrirá partindo pedras,
o ferreiro limpará a fronte,
o pescador verá melhor o brilho
dum peixe que a palpitar lhe queima as mãos,
o mecânico, limpo, recém-lavado, cheio
de aroma a sabão, olhará meus poemas,
e dirão talvez: "Foi um nosso camarada".

Isso é bastante; é a coroa que busco.(...)

Pablo Neruda, in Canto General, 1904-1973,
A Grande Alegria, (extracto)

Re-post da Cortina (porque me apetece ter aqui as coisas que por lá fui deixando)

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