24.8.04

Constatação Final

Olhem...afinal, não vale mesmo a pena.
A condição de leitora é muito mais confortável e magoa menos.
Obrigado a todos os que se tornaram cúmplices sem me conhecer de lado nenhum, apenas pelo pouco que viram de mim e gostaram. A gente encontra-se por aí.

Há blogs

que nos tornam seus reféns .
À primeira leitura.

Sem título

As coisas escritas têm um peso diferente, acabo de concluir na resposta a um comentário que alguém me fez. A mesma expressão, usada de forma humorística (talvez mesmo levianamente, admito...) numa conversa entre amigos, já não é tão inócua se a escrevermos. Levanta fantasmas, associações de idéias, de situações reais, casos, rostos, pessoas.
A escrita (cantiga) é uma arma, onde é que eu já ouvi isto??
É uma grande verdade.
E a puta da espontaneidade de novo a fazer das suas, como um ente autónomo da minha pessoa, daquilo que, na realidade, sou e que, quem não me conhece, não sabe. E sim, importo-me com isso, qual é o mal em assumir? Importo-me apenas que pensem o que não corresponde à realidade, de resto estou-me nas tintas, entenda-se.

Terras do Nunca


A magia da história do menino que não queria crescer nunca e da sua inseparável e resmungona amiga Sininho (resmungona faz-me lembrar algo...), que sempre me encantou, levou-me a este título .
Eu sei que é uma vergonha, que ele não é um desconhecido qualquer na blogocoisa (assim aqui como a je), que já lá devia ter ido e ler com mais atenção e blá, blá (dizem vocês), mas a verdade é que, até há uns dias, não fazia parte das minhas incursões diárias a esta "NeverLandesfera" que não acaba nunca.

Até que comento, por mail, que ele resolve publicar!!, um post que me tocou particularmente.
E amigos, não sou de alimentar polémicas desnecessárias, mas também não fujo se se trata de "comprar uma boa briga", e não é que houve um senhor que, por mail, responde ao meu mail?? .

Estou agora em dúvida sobre o que fazer, pelo que deixo as seguintes hipóteses para votação:

Hipótese um: Reajo como uma lady e ignoro o atrevido-que-não-tinha-nada-que-se-meter-onde-não-era-chamado-na-conversa-entre-outras-duas-pessoas.

Hipótese dois: Alço da saia e faca na liga e respondo à letra ao abelhudo, através do mail do jmf-que-não-tem-culpa-nenhuma-pedindo-muita-desculpa-porque-não-esquecer-!!-sou-mesmo-uma-lady-apesar-da-peixeirada. (oooops...)

Hipótese três: Vou cortar os pulsos porque o-outro-senhor-até-parece-que-é-assim-uma-figura-conhecida-e-respeitada-na-blogocoisa (ao contrário de mim, mas que, continuo a ser lady, atenção!), e a primeira vez que vou ao blog do jmf arranjo logo uma destas e não consigo enfrentar tamanha vergonha...

Hipótese quatro: Nenhuma das anteriores mas-também-não-me-lembro-de-mais-nenhuma-agora-e-vou-mas-é-dormir-que-isto-deve-ser-sono-e-como-sou-uma-lady-o melhor-mesmo-é-não-me-afundar-mais.

Agardo ansiosamente a vossa votação para desenrolar este embróglio (não é contigo, Kalvin).



23.8.04

Absurdo

Ser possível sentir saudade de algo que nunca chegou sequer a acontecer...

Derretam-se

de inveja e água na boca:
fiz uma enorme tarte de legumes e frango, suavemente envolvidos em molho bechámel, recheio este que foi delicadamente introduzido (não, isto não é um post erótico...) num envelope de estaladiça massa areada, a qual, depois de um aquecimento de 20 minutos (não é! já disse) em forno a 200º, cheira divinalmente...

Descobri

isto num folheto antigo, de promoção de uma qualquer iniciativa cultural e como adoro lançar a confusão quando se trata de reflexões, aqui vos deixo:

"Há cinco mistérios que contêm as chaves do invisível: o acto do amor, o nascimento de uma criança, a contemplação de uma obra de arte, a presença da morte ou de uma catástrofe e ouvir a voz humana numa canção. Essas são as ocasiões em que os portões do universo se entreabrem e nos é dado a espreitar um instante aquilo que está oculto..."

Salman Rushdie

Alguém quer acrescentar mais algum mistério?

Manhã

Dou-me conta, em certos momentos, do quanto gosto da vida.
Nas manhãs nubladas e frescas em que, meio estremunhada, me apercebo dos cheiros e sons familiares de um prédio que desperta aos poucos, os ruídos de àgua a correr, uma porta que bate, alguém que dá uma resposta no andar de baixo (estas construções modernas...), o cheiro das torradas, o aroma da casa ainda adormecida, quente, aconchegada a fugir pelas janelas que escancaro para deixar entrar o ar que renova todo este ciclo.
Saio de casa e apanho de frente com este ar, limpo ainda, antes das emissões gasosas da vida na cidade terem tido tempo de o contaminar.
Gosto de conduzir de manhã com as janelas do carro abertas e a música ligada, num despertar gradual que se prolonga até depois do primeiro café do dia. Em chávena grande.
Gosto do ritual de entrar no café do costume, ouvir os bons dias dos proprietários, de mistura com uma laracha relativa ao meu estado do dia: ensonado, enjoado (mais própriamente "enjoadinha" no tom carinhoso da dona do café), mal-humorado...só alguém com o conhecimento de 6 anos a partilhar as minhas manhãs se pode dar ao luxo de tecer este tipo de comentários. E é também disto que eu gosto. Desta cumplicidade assente numa base de respeito em que posso resmungar que me ponham à frente o habitual café e depressa, e sentar-me silenciosa sem que ninguém interfira porque sabem que uns 15 minutos depois as coisas mudam, o humor melhora e a conversa já flui em torno que um qualquer assunto da actualidade local.
Sinto-me priveligiada por sair em direcção ao trabalho, do outro lado da rua, cumprimentar meia dúzia de pessoas e chegar ao meu gabinete, sossegado, silencioso enquanto não decido ligar o rádio, com uma vista linda da janela. É um previlégio fazer-se o que se gosta. Falo de alto porque também sei o que é o reverso da medalha. E não há dinheiro que pague gostarmos do trabalho que temos pela frente, a cada dia.
É nestes dias, cinzentos e frescos que a lucidez me ataca e me leva a tomar consciência clara de tudo isto.
Apesar de muito resmungar, barafustar, queixar-me como uma menina mimada de tudo e mais alguma coisa, sei que sou uma priveligiada. E sinto-me grata por isso.

22.8.04

Caminhando

em direcção ao sol nascente.


Imagem daqui

este post refere-se aos anteriores. São os amigos que nos impelem a ultrapassar obstáculos, a subir, escalar pela vida acima, em busca do sol.
Apesar de muitas escorregadelas, o arnês-amigo prende-nos e não nos deixa esborrachar no fundo do abismo.
A seguir é só começar a escalar de novo. Devagar, "sem angústia (esta parte é que é mais difícil...) e sem pressa".
E o desafio da escalada é, sem dúvida, apesar de difícil, sempre Aliciante.

21.8.04

Tou

...sem apetite.

Um comentário

que é muito mais que isso. Que é, em si, um post.
E como ele me pediu que corrigisse a palavra actriz, aqui fica:

Plagiando o post:

Inventei um palco
e construí um cenário:
cortinas de veludo, véus de tule,
lantejoulas, arco-iris de holofotes
e música, a eterna música.
Vivi nele a representar
para mim e para mais alguém,
a sorrir, a sorrir sempre.
Cansei-me.
No camarim arranquei o supérfluo:
a peruca, as pestanas e o rímel
e fiquei só interrogando o espelho.
Só eu, sem palco nem artefactos.
Para quem representei
não aplaudiu porque não entendeu
o esforço da actriz.
Com mágoa, confesso
que só representei aquilo que não sou.
Corri as cortinas e afastei os adereços.
Plantei-me, hirta e confiante,
e gargalhei ao espelho.
Embrenhei-me na chuva de Agosto
e prometi às pedras que pisava
que os meus passos serão decididos
como quem caminha,
todos os dias,
para o mistério do sol nascente.


Um grande beijo para a única pessoa que poderia "plagiar" o meu post desta forma. ;-)

20.8.04

Vazio

Quizera haver esquecido o que é a mágoa...
Enganei-me durante muito tempo, dizendo-me que sim, num palco que inventei para existir, no meio de um empolgante cenário que construí, feito de cortinas de pesados veludos púrpura, véus de tule azul transparente, lantejoulas brilhantes, holofotes de todas as cores...e música, sempre a música.
Ali a mágoa não entrava porque o guião do espectáculo não continha essa palavra.
E o espectáculo tem que continuar.
Enganei-me durante muito tempo, representando o papel de actriz principal, rímel nas pestanas, boca carmim sempre a sorrir, vénias aos aplausos do público. E depois o camarim. Uma estrela na porta, já desbotada, a descolar-se num canto. O espelho rodeado de lâmpadas redondas, brancas.
Sentada, tirando lentamente a peruca e limpando com grossos rolos de algodão as camadas de pintura, olho-me no espelho e vejo a verdade que a luz crua não deixa mais esconder.
A mágoa. No fundo dos olhos. No peito. Em cada músculo deste corpo franzino. A mágoa por alguém, por mim, por nada. Pelo vazio.

19.8.04

Nem estou em mim...

Fui ali dar uma volta à listinha do lado, para afogar umas mágoas das que nem dá vontade de levantar a cabeça da almofada e, oh espanto! descubro que este senhor e ele, o verdadeiro refrigerante, tinham linkado esta espelunca, no primeiro caso como um postulado e no segundo enquanto uma droga dura .
Agora não sei que posts devo escrever que se enquadrem nestas duas categorias simultâneamente e, sim, isto é dramático! Vou ali cortar os pulsos e já volto.

Mas

Q'ésta m****! de me espetarem ali em cima com o coiso do Blogger outra vez, hein??
E sem minha autorização! E agora como é que eu tiro dali aquilo novamente? Já viram o trabalhão? Não chega já ter coisos de blogger por tudo quanto é sítio, ele é na sidebar, ele é em baixo (tá bem...não se conseguem ver lá muito bem, etc, mas adiante, não chega?? Quem é que manda? Humm??!

18.8.04

É desta

Praça que eu gosto.
Serena, durante a canícula ou ao entardecer. Os pássaros a fazer um barulho ensurdecedor nas árvores, o vento que corre sempre, ali, quer seja Verão ou Inverno. Quase parada num tempo que escorre devagar por estas bandas.
Um ou outro turista.
A amplitude de um espaço que foi, entre outras coisas, o centro de negócios da cidade há muitos anos.
Onde a diminuição do volume de trânsito e o recente arranjo urbanístico, permitem que estes solitários velhotes, aproveitem o sossego da tarde, enquanto esperam. Esperam à sombra (das tílias), que cheguem as últimas horas do dia.
Ou talvez das suas vidas...
Trocam novidades de um banco para o outro, de um para o outro lado da Praça, "Atão sabe que o X se matou? Pois foi, enforcou-se, o raio do homem....".
Talvez virem devagar a cabeça à passagem de um jovem vestido de preto e cheio de piercings e comentem: "Veja lá aquilo, compadre...todo furadinho."Poças" que estes "moços" de hoje são mesmo esquisitos...", ou algo parecido. Em dias de sorte ainda são capazes de ir beber um copito de três ali ao "Túnel"...



Sim, gosto da Praça, agora muito mais e da Praça da República de agora o mesmo que gostava da anterior. E da anterior. E da anterior a essa (consultar Arquivo Fotográfico da CMBeja).
É por isso que vou passar a tê-las aqui.
Às duas.
Obrigado João pela foto .

O breve

momento de lamechice barata ali atrás já passou.
E só não o apago porque assumo todas as minhas parvoíces...
E não me digam nada se faz favor, isto hoje deve dar para destruir algo...talvez o template...hummm?....de novo.....vou ali beber um café sobre o assunto...

17.8.04

Ela

sentia-se ansiosa.
Era a primeira vez, depois de uma longa viagem, que iria de novo àquele local, o primeiro, o mais significativo, onde um dia, havia muito tempo, se tinham encarado de frente.
Muito próximos. Surpresos, disfarçando hábilmente o embaraço por tão inesperado encontro.

A partir desse dia tudo mudara. Tinha passado a haver um espaço, uma referência, um sítio onde, por "casualidade" se poderiam tornar a ver.
E isso aconteceu muitas e muitas vezes. Nesse e noutros sítios, que, por necessidade, tinham tido que inventar.
E viram-se, e olharam-se e sentaram-se à mesma mesa e falaram e trocaram confidências e riram de coisas sem sentido.
Nunca se tocaram. Nunca tiveram certezas. Apenas sinais disfarçados de que poderia ser...ou não.

Nesse dia ela iria voltar.
Disposta a um último olhar, uma certeza final.

Olhou-se no espelho que lhe reflectiu o cabelo ainda molhado, o olhar transparente, nublado de alguma insegurança, de dúvidas. Ajeitou o suave traço azul sobre as pestanas, sacudiu o cabelo e colocou no pescoço e nos pulsos o aroma que sempre a acompanhara desde o início da história. Havia coisas que gostava de manter fácilmente reconheciveis...

Saiu para a rua (como diria o Rui Veloso...) finalmente confiante.
Fez alguns kms, estacionou e inspirou fundo, quando saiu do carro e olhou para o seu destino.
Tudo se mantinha igual. A disposição das mesas e cadeiras, o cheiro característico, o vai-vem dos funcionários, o relógio na parede, com os ponteiros a parecer voar, sempre que se tratava de esperar e ele não aparecia.
Até as velhas flores de plástico, em vasos de plástico, numa desesperada tentativa de imitação de vida, se mantinham nos mesmos pontos estratégicos. Talvez com um pouco mais de pó...

Ele não a viu.
De costas, parecia conversar com alguns companheiros de mesa.

Aproximou-se, passo a passo, observando-o discretamente, como sempre fizera...os olhos castanho-dourado, os braços esguios, morenos, as mãos de pintor...de dedos longos, o cabelo onde nunca tinha encostado a sua face...

Quando contornou a mesa e se colocou na sua frente, olhando-o em silêncio, percebeu que ele sabia que ali estava. No olhar cego um lampejo de brilho e nas narinas um frémito quase imperceptível denunciaram aquilo por que ela sempre esperara: tinham passado muitos anos e nenhum tinha desistido.

Foi quando ele lhe estendeu a mão e puderam, por fim, sentir a faísca na pele um do outro.
Abraçaram-se e seguiram em direcção ao horizonte, à Utopia, até ao fim das suas vidas.

Um AMIGO

dos grandes, aqueles em que mesmo as maiúsculas são pequenas para descrever a sua dimensão, de AMIGO, de HOMEM, de SER HUMANO, entrou agora nesta blogocoisa, a medo, como se não soubéssemos todos do que ele é capaz, da sua inspiração criativa nestas coisas da escrita ( e noutras...), como se, ao pé dele , não fôssemos, nós todos, uns maçaricos...
Deixou-me um comentário que me emocionou, pela preocupação que encerra com o meu bem-estar.
Aqui lhe retribuo a amizade e vos digo que o sigam com atenção. Vai surpreender-vos...
Um beijo muito grande, Nocturno .

E porque

não consigo deixar-lhe estas mariquices nos comments, e acho que só um "Feliz aniversário, Prézinho" não chega, deixo-lhe aqui os meus parabéns, com uma frase de uma canção que diz tudo o que há para dizer.
Põe a mochila às costas e grita aos setes ventos:

Skank - Vou Deixar

Beijinhos!

16.8.04

Mudei

O controlador de referências (xi, os nomes que eu já sei...) lá de baixo. A cena dos frescos, ou lá o que é, andava-me a falhar e a ser tudo menos true.
Roubei aquela tabela giríssima (muito lili note-se) aos queridos do
Letras . Espero que não se importem.

15.8.04

Diálogos inventados

e impossíveis...

- Diz-me, incomoda-te a "rapidez", as conversas que dizes difíceis e...definitivas?
- Não...bem...inquieta-me o não saber o que esperas de mim, se quiseres, nesse sentido, sim, incomoda-me.
- Não espero nada de ti. Não quero nada de ti. E não sou assim, "rápida" como dizes, não sou assim com quase ninguém.
- E então, o que te levou a seres assim, comigo?
-...há coisas que não se explicam, a frase foi tua. Curiosidade, no início. Depois, querer saber mais e mais. E o defeito que eu tenho, de achar que, se a intuição não me engana e sinto empatia, é como se já conhecesse essa pessoa há séculos, sou capaz de lhe contar a vida toda, depois de meia hora de conversa.
- Repara, eu não disse que isso era uma coisa má...
- Não és tu, sou eu que digo, as pessoas não são assim e tens razão, assusto-as.


Um diálogo que não existiu. E que, se tivesse existido deveria ter tido como resposta, não espero de ti nada que não me possas dar. Não ando à procura de nada que possa prejudicar alguém. Não suportaria sentir-me responsável se isso acontecesse.
Mas perguntaste o que me tinha feito ser assim "rápida", em relação a ti.
E não fui capaz de te dizer que, fui assim porque o teu olhar no meu, das poucas vezes em que o deixaste ficar por mais algum tempo, me deu a vontade de saber se passar a minha mão no teu rosto, os dedos ao de leve nos teus lábios e no teu cabelo faria a mesma faísca. E continuo sem saber...


E a mim, o que me inquieta, é não chegar a saber se alguma vez sentiste o mesmo,
É muito fácil clarificar isto. Basta dizeres afinal, o que esperas, TU, de mim.

É isto mesmo, a vida. Tomarmos decisões e sermos honestos.
Foi assim que sempre fui em relação a ti. E gostei de cada minuto.
Mas se não se passou nada disto contigo, chegou o momento de eu saber, para podermos seguir em frente.
Como amigos. Ou apenas conhecidos, o que achares que consegues, depois desta conversa.
Mar


Não existiu, mas se tivesse existido, mereceria ao menos uma resposta...acho eu.

14.8.04

Lamento

mas quero imortalizar aqui os textos do Galeano que mais me tocam, que me assentam como uma segunda pele a cobrir esta minha, cansada, levemente bronzeada mas altivamente só, a não permitir o afago da mão que, apenas um pouco mais estendida lhe sentiria a maciez tépida e ficaria impregnada do subtil aroma a sabonete e perfume...mas não era nada disto, desculpem mas têm que levar com o Galeano. Porque ele diz coisas como esta:

Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém,
nem mesmo dono de minhas certezas, sou
minha cara contra o vento, a contra-vento, e
sou o vento que bate em minha cara.


A Ventania, em O Livro dos Abraços

12.8.04

Só porque

Não quero que o Pre fique triste...


mnham Posted by Hello

isto não é nenhuma loja de gelados óviram? Acabaram-se os pedidos! Closed

Eduardo Galeano



Uruguaio, autor de vários livros e de uma enorme obra jornalística. Recebeu diversos prémios literários.
Nada de novo se não fosse um pequeno pormenor: Galeano é um caçador de histórias. E um contador. Os editores do livro que tenho à minha frente dizem-nos que o abramos com cuidado: ele é delicado e afiado como a própria vida. Pode afagar, pode cortar. Mas seja como fôr, como a própria vida, vale a pena.

Para além de já ter tido o previlégio de o ouvir contar histórias, este livro que agora me chegou às mãos, não editado em Portugal, é uma delícia para deixar derreter lentamente na língua, como um torrão de açúcar (amarelo).
Apenas isto para vos mostrar, por agora:

Janela sobre a Memória (II)

Um refúgio?
Uma barriga?
Um abrigo onde se esconder quando estiver se afogando na chuva,
ou sendo quebrado pelo frio,
ou sendo revirado pelo vento?
Temos um esplêndido passado pela frente?
Para os navegantes com desejo de vento,
a memória é um ponto de partida.

(trecho do livro "As Palavras Andantes")


Há mais aqui e há-de haver muito mais neste blog, a uma hora qualquer de um destes dias.

11.8.04

Este

É para ti, Cat.



PS. "retocado" depois de o sabor anterior não me ter deixado abrir o blog toda a manhã. esta não tem chocolate mas tem rum...serve? Há mais aqui.

Não resisto, não resisto

Amigos, via Du já adicionei este site aos meus favoritos e não é que tem o tango a que me refiro há 4 ou 5 posts atrás(o do filme do Al Pacino...)?
Obrigado Du pelo excelente serviço público de divulgação de coisas boas!
Vão lá ouvir, vão.
Esta e muitas mais.

Via Bosque da Robina

Um VIP que não tem o coiso da publicidade do Blogger lá em cima e não anda em bicos dos pés em reportagens de jornal. E escreve bem. E tem sentido de humor. Se assim não fosse não constaria deste blog, que é do contra.

Ah...e porque também gosto de Cure ;-)

10.8.04

Antes de voltar para a concha

Du, como não consigo mostrar-to aí, é assim parecido mas a este falta-lhe a cancela e o jardim de flores vermelhas.

Alguém me disse

que me achava demasiado rápida, que andava rápido demais e assustava as pessoas com tanta velocidade.

Respondi que talvez fosse verdade mas que era a vida que me parecia demasiado rápida, e não eu.

A ânsia de viver um dia atrás do outro e fazer tudo o que se puder durante essas 24 horas, nasce apenas do medo de que possam não existir outras 24 a seguir a essas.
Por isso me parece um desperdício se deixamos de fazer algo de que gostamos ou que nos apetece, só porque...este porque abranje mil argumentos, pois também somos sempre capazes de encontrar razões para deixar de fazer algo...

A dita "rapidez" tem, no entanto, origem numa outra coisa à qual as pessoas que conheço ainda não estão habituadas: frontalidade, franqueza, falta de rodeios em dizer o que se pensa , sente e quer. Está institucionalmente convencionado nesta puta de sociedade, que devemos ser vagos, cautelosos, desconfiados, teatralizar um pouco, abrir uma porta e fechar uma janela...que só devemos ser sinceros e frontais com quem conhecemos bem, os amigos de longa data. Pode ser defeito mas se simpatizo com alguém e a intuição me diz que não estou enganada, depois de meia hora de conversa já sinto que conheço essa pessoa há imenso tempo. Ao que parece mais ninguém é assim. Pelo menos as pessoas com quem me relaciono, não são e desconfiam à partida de quem é, neste caso moi.

Não sou capaz de ser assim. Lamento.
Talvez seja melhor entrar para dentro da concha de onde saí. Aquela ali de cima parece-me acolhedora...

9.8.04

Diz

A Robina :

Como te chamas?
Se o teu nome começa por M
És: Emotivo e muito ligado à família, exageras nos teus cuidados e corres o risco de "sufocar" aqueles que amas. Mas isso é apenas porque tens muita energia e tens necessidade de manter a cabeça e as mãos sempre ocupadas com alguma coisa. Nas relações de amor e amizade, quando te magoas, fechas-te para dentro de ti mesmo e só sais depois de um pedido de perdão. Queres um conselho? Controla melhor o teu temperamento e deixa as pessoas amadas pensarem livremente.


e não é que está muito próximo...

A propósito

do post abaixo e de ter usado as palavras já escritas por alguém (neste caso a maria ) para exprimir um estado de espírito que me assentava como uma luva na altura, aliás, referindo expressamente de quem era o texto e pedindo licença, vou uns posts mais abaixo e reparo que a lénia me diz que eu copiei uma birra da Catarina e que não lhe parece bem.

Mas usar as palavras escritas por alguém antes de nós não é o que fazemos, todos os que gostamos de livros e de autores, sempre que escrevemos uma citação de uma obra de que gostámos muito? Ou quando postamos um poema que nos toca mais que outros? Parece-me idêntico se citamos excertos de posts, a única diferença é não estarem em papel ou livro, e apenas significa o apreço que tivémos por aquele texto em particular e o desejo de o ter "à mão".
No caso da "birra" acho que elas não se copiam, as pessoas é que podem senti-las da mesma forma, por serem muito parecidas (ao ponto de se dizerem irmãs-gémeas, lembras-te?).
E, por fim, tal como disse à lénia no comentário lá de baixo, não adianta pensarmos que escrevemos algo de novo, absolutamente original e criativo - pura ilusão, tudo já foi dito antes de nós o dizermos, basta procurar bem. A única coisa que podemos fazer, é dizer o mesmo mas de uma forma mais parecida connosco.

Há posts

Que nos tocam tanto porque poderíamos muito bem ter sido nós a escrevê-los.
Espero que a Maria não se importe de mo emprestar,

Sentir a tua ausência. Permanecer em silêncio com o pensamento apenas em ti, em como te sinto, te quero, te desejo perto de mim. Sinto tanto a tua ausência! sinto tanto a presença da memória de ti.
Imagino-te. Imagino o momento de te rever sem saber quando, onde ou como. Preciso de ti. Não para viver, mas para me sentir bem. Preciso espiritualmente de ti. Para sempre agora.

@ //Bloggado às 11:28 PM por Maria

8.8.04

Extemporânea

a chuva.
Mas talvez por isso mais doce que nunca, no cheiro a lavado que deixou pelas ruas, no ar, nos cabelos dos meus filhos que andaram a dançar debaixo dela, como camponeses que celebrassem o fim de uma longa seca.

Da minha janela admiro o brilho das pedras da calçada, as gotículas a pender na ponta de um fio de relva, a ar leve e fresco que inspiro profundamente, uma e outra vez em busca de um lavar de alma que me acalme.
Estou estranhamente ansiosa. Não gosto de meios-termos, inquietam-me as indefinições, sou impaciente, admito-o. E isto aplica-se tanto aos outros como a mim própria.
Um sabor a pouco, hoje. A ausência do beijo que adoçaria o travo amargo na boca.

O Professor

Será parecido com este, Du?

Estas

duas foram lembrar-me as sensações incríveis de uma noite de nevoeiro como esta



ou estas outras...

7.8.04

A Criação do Mundo



Todos nós criamos o mundo à nossa medida. O mundo longo dos longevos e curto dos que partem prematuramente. O mundo simples dos simples e o complexo dos complicados. Criamo-lo na consciência, dando a cada acidente, facto ou comportamento a significação intelectual ou afectiva que a nossa mente ou a nossa sensibilidade consentem. E o certo é que há tantos mundos como criaturas. Luminosos uns, brumosos outros, e todos singulares. O meu tinha de ser como é, uma torrente de emoções, volições, paixões e intelecções a correr desde a infância à velhice no chão duro de uma realidade proteica, convulsionada por guerras, catástrofes, tiranias e abominações, e também rica de mil potencialidades, que ficará na História como paradigma do mais infausto e nefasto que a humanidade conheceu, a par do mais promissor. Mundo de contrastes, lírico e atormentado, de ascensões e quedas, onde a esperança, apesar de sucessivamente desiludida, deu sempre um ar da sua graça, e que não trocaria por nenhum outro, se tivesse de escolher.

Miguel Torga, Julho de 1984, no prefácio à tradução francesa da obra que dá título a este post.

Podia muito bem ser a minha autobiografia, este texto...

Anda uma pessoa

aqui a esmifrar-se toda para matar a monotonia, arranja umas cores todas baris para o template (passa duas horas a fazer tentativas e previews), para depois NINGUÉM dizer nada! É injusto!
Vocês não gostam de mim, não me apaparicam, NADA! Buáááááááááá!

Em alternativa

a f**** alarvemente, num dia de calor aconselho vivamente



A única diferença é que a primeira hipótese queima as calorias que a segunda amavelmente nos proporcionou aumentar...

6.8.04

Andei

a saltitar de blog em blog através dos links de uns e de outros. Amigos, deixem-me que vos diga que, dos "colunáveis" por onde passei, muito poucos despertam o interesse de lá regressar. Não chegam aos calcanhares de um "vou fechar o blog!", ou de uma "penitência", ou de uma reflexão sobre "tigres", ou de mais um "episódio erótico", ou de "uma luzinha", ou de um "novo voo", ou de um "máin gósto de ti", ou de mais um "emaranhamento" ou de uma "folha seca no bosque" e mais! todos têm o coiso da publicidade do blogger lá em cima , bem-feito!

Não tenho pachorra para pôr os respectivos links mas vocês sabem quem sois vós. E desculpem os restantes ali do lado, estes exemplos foram só para ilustrar que prefiro, de longe, ter-vos ali a todos, do que a um qualquer "famoso" dos que li.

Apesar

de os amigos ali nos comentários de baixo serem uns queridos, a verdade é que quando abro isto e me aparecem estes rosas deslavados me sinto apaneleirada.
Vou ali procurar umas cores mais fortes e já volto...

5.8.04

Este blog

tá um bocado apaneleirado não acham??

(sem tempo, nem pachorra e demasiado cheia para mexer no template...)

Vá lá...

Parece que o coiso hoje já funciona...
Em todo o caso não lhe senti muito a falta que a cataplana de marisco ao jantar estava...ai, ai...agora é que ia a tal aguinha mas não era freeze que eu gosto mais da carvalhelhos sweet, sei lá, deve ser por eu ser assim, sweet...

Mas será

Que eu hoje consigo postar alguma coisa, caneco??!

4.8.04

Directamente de Alicante

Prontos! Já me f***ram o juízo! Atão anda um gajo aqui a fazer pela vida, trazendo estes carregamentos p'ra ver se não precisa de ir aos fins-de-semana encher-se de plumas e merdas pastosas pelo corpo todo fingindo que é a Carmen Miranda p'ráquele bando de panascas se babarem todos com os músculos cá do rapaz e as pernas bem torneadas, assim tipo aquele ali do post da Robina , e vem um sacana de um padreco e acaba-me aqui com o negócio da segunda personalidade que até dá assim uns trocos na bolsa daquela coisa com um nome esquisito de berloques ou lá o que é aquilo? Tás-me a gozar ó Santo?? Aguenta aí os cavais aqui com a Marzinha q'eu quando chegar desfaço-te todo, óvistes? Põe-te ao nível, meu, ó senão....Tenho q'ir q'ali o meu colega já comprou as sandes de torresmos.

Tóni (num cyber-café na Costa del Sol)

Considerando a penitência

Que eu e as minhas irmãs acabámos de ganhar, tenho a declarar que nos próximos dois dias não há posts.

“Eu invejosa me confessei e toda a maledicência, malícia e inveja reneguei.”

3.8.04

U

fa

Muros

Como destruir estes muros que ergui? Betão armado impenetrável, fechado a cadeados em que nenhuma chave serve...

Post-scriptum

Era só para ver se batia o record de post mais pequeno da blogosfera...

Não me apetece

almoçar.

Isto dos pecados

Tem que se lhe diga! Então não é que, depois de o danado do Frei me ter mandado lavar a boca com piripiri!, descobri este teste aqui e deu nisto?

Pride
You Are Pride !
You're competitive about most things. And feel
compelled
to constantly assure yourself of your greatness.
But hey,
It's not all bad - maybe you are that good! You
generally
look presentable, and are well educated because you
wouldn't let
yourself be any other way. People are intimidated
of you though,
so try and tone it down a bit - after all nobody is
perfect.

Congratulations ... You are the 'Best Kept' of the
7 deadly sins!


?? Which Of The Seven Deadly Sins Are You ??
brought to you by Quizilla

2.8.04

Perfume de mulher

O tango que acompanha esta imagem é assim qualquer coisa de fabuloso...



Só recentemente, aconselhada por um amigo, ouvi esta banda sonora em cd. E só depois vi o filme. Ver/ouvir aquele tango, dançado por um Al Pacino cego e cansado da vida, emocionou-me até às lágrimas. Muito bonito.

Fim de dia

Pena a qualidade da imagem, mais uma vez tirada com o telemóvel...só queria que vissem a grandiosidade deste sol a despedir-se lentamente por detrás da planície dourada. É um dos meus poisos favoritos ao fim do dia.


fim de dia Posted by Hello

Solidários

Via Theoldman tomei conhecimento desta campanha, a qual não posso deixar de apoiar, exclusivamente porque este triste não faz parte do grupo dos 4 que a notícia que a Du ouviu, divulgou .

1.8.04

Céu ou Mar?

Meus caros:
Tenho a informar que a foto que tentei publicar aí há uns 10 posts atrás era esta.
Não tenho bem a certeza de como é que a consegui fazer aqui aparecer mas, para os interessados, foi através de uma coisa chamada Hello, que descobri ali no Apdeites (aquilo tem para lá umas traquitanas que dão jeito, o pior é percebê-las... isto é o Tóni a falar).
Espero que, finalmente, percebam o post.
Obrigados
A gerência


ceu ou mar? Posted by Hello

Filosofia rasca

Mais vale sonhar com o impossível do que não ter nada com que sonhar...

Identidades bloguísticas

Depois de ter lido esta extraordinária prova de coragem em assumir a verdadeira identidade por detrás do nome que assina os posts , resolvi, eu também, fazer o mesmo. Assim, amigos e amigas deixo-vos aqui a prova suprema da minha amizade, que é saberem quem, verdadeiramente, sou. Transcrevo o que deixei nos comments do Cidadão (já corrigido, ai as pressas...)

Pronto, aceito o desafio.
É claro que apesar de toda a gente achar que Mar é uma mulher, não sou nada. Chamo-me Toni e sou camionista. Quer dizer, faço biscates quando posso q'isto tá mau e é para todos.
Nas alturas em que não há serviço porque aqueles pacotes que eu costumo levar escondidos dentro das caixas de papel higiénico (assim como assim é tudo branco e disfarça, tão a ver?), trabalho como travesti num bar gay e sou conhecido por Nina, a Doce. Tenho um bocado de dificuldade em esconder as tatuagens, Amor de mãe e Guiné és a minha vida, respectivamente nos bíceps esquerdo e direito, mas agora há uns produtos novos que chegaram ao Salão da minha amiga Irina e que, bem espalhados, tapam aquilo. Também não me endireito lá muito bem nos saltos de 10 cm, aqueles tipo plataforma do Cristo-Rei mas os gajos não me deixam usar botas da tropa, dizem que não fica sexy com as plumas. Bah...paneleiros, vá-se lá percebê-los.
Vivo sózinho desde que a minha santa mãezinha bateu as botas e tenho uma rapariga que, de vez em quando me vai lavar as meias e, se lhe pagar mais qualquer coisinha, também me deixa dar-lhe uma. Coitada, também quem é que lhe pega com aquele bigode farfalhudo e o cheiro a queijo debaixo do sovaco...adiante. Gosto muito de vir aqui e sonhar que sou uma rapariga fina de olhos azuis e caracóis loiros suavemente cacheados, deve ser uma coisa qualquer que chamam fetiche, não sei mas o que é certo é que cada vez que começo ali (leia-se: aqui) a escrever dá-me logo um calor no baixo-ventre...
E prontos, estou apresentado quero agora ver se os outros que dizem que são este e aquele aí das televisões e da política têm-nos no sítio e pretos para virem aqui dizer quem são. Deixem-me lá ir que tenho que ir rapar as pernas.


Afixado por Mar em julho 31, 2004 06:43 PM