8.8.04

Extemporânea

a chuva.
Mas talvez por isso mais doce que nunca, no cheiro a lavado que deixou pelas ruas, no ar, nos cabelos dos meus filhos que andaram a dançar debaixo dela, como camponeses que celebrassem o fim de uma longa seca.

Da minha janela admiro o brilho das pedras da calçada, as gotículas a pender na ponta de um fio de relva, a ar leve e fresco que inspiro profundamente, uma e outra vez em busca de um lavar de alma que me acalme.
Estou estranhamente ansiosa. Não gosto de meios-termos, inquietam-me as indefinições, sou impaciente, admito-o. E isto aplica-se tanto aos outros como a mim própria.
Um sabor a pouco, hoje. A ausência do beijo que adoçaria o travo amargo na boca.

Sem comentários: