16.9.04

Reflexões...

Na vida há momentos em que nos sentimos esgotados, com necessidade absoluta de parar, de nos sentarmos no chão, encostados ao tronco de uma árvore, junto de um riacho, tirar os sapatos e deixar que a água nos refresque e a cabeça se esvazie...
Há momentos em que nada parece fazer sentido, em que um conjunto de circunstâncias se conjuga para nos fazer ter dificuldade em acreditar que valha a pena tanta coisa que tínhamos, até então, por certa.

Nessas alturas deveríamos poder agarrar no carro e conduzir sem destino, para longe.
Deveria ser possível largar tudo, rebentar com cadeias ou amarras e abrir as asas.
Talvez parássemos no pico de uma montanha e de lá nos sentássemos a observar o mundo cá em baixo, a humanidade como formiguinhas atarefadas e insensíveis ao maravilhoso espectáculo que se nos oferecia, só a nós.
Ou chegássemos a uma floresta virgem, luxuriante, ainda não descoberta pelo homem mais a sua batalha por aquilo que faz girar o mundo: dinheiro, ganância, ânsia de poder, de palco, de status...
Ou quiçá o nosso voo, livre, nos levasse até alto mar, e lá, o azul intenso e profundo nos acolhesse,
E aí nos transformaríamos em sereia que só tornaria a aparecer em noites de luar.

Nessas noites, o mais belo cântico salvaria os marinheiros perdidos e chegaria até ao cais. E todos os que o ouvissem teriam o irreprimível impulso de querer tranformar o ódio, a mesquinhez, a inveja, o rancor, em pássaros brancos esvoaçantes.


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