18.5.05

Tempestade

num copo de água.
(já agora, se não fosse pedir muito e tal e coiso, ó fáxavôr não podia antes ser assim num copo de algo alcoólico, q'isto de emoções fortes afogam-se é num ganda lago de vapores etílicos que a malta até fica é a flutuar e esquece-se logo, em menos que um fósforo, não, um fósforo não, que ainda pego fogo a esta merda toda, mais vale ser um palito, pois, num palito desaparecem logo as preocupações e, por isso, sei lá, um gin tónico, pois calhava muito bem agora, por obséquio, pede deferência e assim)

Sou uma gaja emotiva comó caneco.
Não há nada a fazer, quando, algures lá no meio do emaranhado da trança e daquelas bolinhas todas, azuis e vermelhas, um must, que determinam que temos os olhos assim e o cabelo assado e a pele frito e o sexo (pois, esse) cozido, ou melhor, o sexo, sexo e pronto, se encontra uma porra de um códigozito que diz que tu, desde que nasças até que os vermes te comam, hás-de dar um trabalhinho do caraças aos que, em primeiro lugar, coitados, os santos, te puseram cá, em cima desta esfera azul e depois, pelo caminho que, alegre e inconsequentemente percorras, nos anos todos que vivas, e oxalá sejam muitos, já agora, aos que tiverem a cruz de se atravessar, algures no meio do percurso, no teu caminho.

Sou assim e pronto.
Alguém que fala com o coração ao pé da boca como soi (xi, soi é mesmo in, fantástico diria eu, já viram as palavras que eu sei?) dizer-se, alguém capaz de, no meio da explosão de uma qualquer emoção, deixar sair num repente tudo o que lhe enche o peito e a alma.
É claro que, isto tanto dá para o bem como para o mal.
Pois tá claro, o reverso, sempre o reverso da medalha (também, quem é que se lembraria de inventar esta treta da medalha e dar a outra face e estas cenas amaricadas de, no meio é que está a virtude e a moderação e o caraças? um gajo tem é que desabafar o que lhe apetece e pedir desculpa depois e o resto é conversa)

No caso do Bem, uma gaja que diz na cara de outra pessoa que é a mais linda do mundo, e que a adora, e que aos meus olhos és inexcedível, e o olhar incendeia-se no meio destas declarações todas e, já se sabe, olhar incendiado dá logo azo a outras coisas que se põem logo de orelha arrebitada, eu também quero, eu também quero, coméqueé, só o olhar é que pode, vou já fazer uma birra que eu também gosto de incêndios, e pronto, lá fica o caldo todo entornado porque, claro, se há fogo tem que se apagar e aí, como nem sempre há bombeiros nos arredores, a malta tem que se amanhar como pode e depois, pronto, ele é, ai tá aqui mais um bocadinho a arder!, olha, agora é mais ali em cima, depressa, não, não, ali ao lado, traz cá a mangueira, isso, aí mesmo e...er...pois...se calhar é melhor mudar de assunto.

Ora, dizia eu então que, no caso do Bem a coisa até nem corre mal de todo.
O pior é quando dá para o torto.
Uma gaja vê qualquer coisa de que não gosta ou acha que aquilo que ali está até pode nem ser aquilo que parece que ali está, e há logo uma reacção qualquer, que os meus escassos conhecimentos anatómico-fisiológicos não permitem ter a capacidade de aqui explicar, e pimba, lá está o sangue a ferver, uma tragédia do caraças, lágrimas à beirinha da pálpebra de baixo, o que vale ainda são as pestanas, e um chorrilho de impropérios a sair dos castos, puros, carnudos lábios. (quem é que aí há tempos falava na cena do abuso de adjectivos? Não devia ser comigo, adiante)

Não é fácil.
Hipoteca-se uma série de coisas com este raio deste feitio.
E, das duas uma, ou os outros gostam de nós o suficiente para encaixar os nossos disparates, amuar um bocado porque não são de ferro, claro, mas depois passar-lhes depressa e enquanto fingem que não vêem o nosso arrependimento e a luta que travamos com o parvo do código, viste o que fizeste e agora? pois, lá tenho eu que pedir desculpa, é sempre assim, tu fazes a asneira e depois sobra é para mim, também, que diabo de código me havia de calhar, não podia ter sido ali o do vizinho do 4º direito, tão calmo, nem se ouve, mal se dá por ele, um senhor, aquilo é que é, ó diabo, a cruz que eu tenho que carregar a vida toda contigo código parvalhão, já me perdi, ah, dizia que os que gostam mesmo de nós ficam tão ansiosos por fazer as pazes quanto nós, ou então, e esta hipótese é que me lixa, não gostam assim tanto e pensam que não têm nada que aturar isto e viram-nos as costas enquanto pensam, vou-me já embora procurar outro/a amigo/a que não me dê tantas dores de cabeça, tipo ali assim o vizinho do 7º direito, que a minha vida não é isto e assim não vivo 100 anos.

É isto. Mais ou menos. Quer dizer, se é que se percebeu alguma coisa do que está para trás. Não é fácil.

Mas, ainda assim, prefiro mil vezes ser uma gaja que sente as coisas ao extremo, lágrimas e risos em profusão, volume no máximo e ala que aí vamos nós, voando quilómetros de alcatrão fora, até ao objectivo final, do que ser o vizinho do 9º esquerdo. Ou seria direito?

(se tiveram paciência de ler este monte de atoardas sem nexo até aqui, é pá, é porque são meus amigos de verdade!)

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