29.11.04

Uma trabalheira

a vasculhar nos arquivos daqui da chafarica, para ver se encontrava um texto que prometi à Agatha aqui há uns dias.
Encontrei, finalmente! e cá vai ele em repost porque...olhem, porque sim. Porque gosto de vocês. E de muitos outros que não eram tecidos no fio naquela altura e que agora já o são. E porque de outros não gosto.

O fio que nos une

Tive saudades vossas.
Enquanto apanhei sol, olhei para o céu e vi, junto às árvores, pequenos fios brilhantes, unindo ramos distantes. Muito finos, quase transparentes, mas sólidos, fortes o suficiente para prender uma mosca ou outro incauto insecto, que ali vá embater durante um voo mais distraído. Achei que é um desses fios que nos une. A nós, que aqui estamos juntos, nos blogs uns dos outros, nos grupos de conversa, neste mundo virtual que é a net. É um fio muito fino, tanto, tanto que é quase invisível. Mas que nos une, um por um.
Sai daqui, a brilhar sob o sol quente e percorre quilómetros de planície até que tropeça no Oldman. Atravessa o rio e vai colar-se nos cabelos da Vertigem, no chapéu da Duende, enlaça uma pulseira da Gotika, e prende-se numa das flores do Azul Cobalto. Dali flutua, de leve que é, até chegar ao Outro lado da Lua, dá-lhe uma volta completa e desce a pique para acariciar, ao de leve, o ombro da Puta de Vida, que entretanto acha que afinal já nem é tanto. (É que o fio que nos une também é mágico e tem o poder de fazer felizes as pessoas em quem toca)...De repente ganha velocidade e segue para Norte, cada vez mais para cima, sobre o mapa, saltando penhascos e subindo montanhas com um pouco de neve no cume, passando pelo pórtico de um antigo convento onde se enrola no hábito de um Frei e lhe pede a benção. Depois, sai por uma das torres mais altas, voa ainda mais para Norte ao encontro de uma Gotinha de água, que corre sem parar, levando-o consigo até encalhar na linha de um pescador que se chama Xerxes e tem dotes para a culinária. ;-)))
Está cansado, o fio que nos une, mas ainda tem força para atravessar o Atlântico, luta contra ventos e marés até chegar a uma Memória Inventada que está em terras do Tio Sam. Cumprimenta-a num abraço e regressa, mais sossegado, desce e atravessa o Equador e deita-se numa rede da quente Ma-Shamba para descansar da longa viagem...que irá recomeçar de seguida. Este fio que nos une é persistente e teimoso. E muito forte. Nunca se parte embora por vezes estique tanto, mas tanto que dá a sensação de ir estoirar, desfazer-se ali em mil bocados. Mas não. Porque a vontade de nos unir é mais forte que todas as vontades que o tentam partir. E aqui estamos nós, longe mas perto, Amigos, unidos, num grande abraço, selado por um fio fino, tão fino que é quase invisível, mas que brilha quando lhe bate o sol.

BTW: sou mas é uma lírica do caraças...

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