4.4.04

Esconderijo

Seria lugar-comum dizer que está uma noite espectacular. Sempre gostei de estender roupa à noite. Manias. Mas a verdade é que, na varanda, em silêncio, com o cheiro de roupa lavada no ar, aproveito sempre para olhar a lua e pensar. Podem ser breves minutos mas, por vezes, a cumplicidade da lua traz pensamentos importantes.
E hoje foi sobre esconderijos.
Acusaram-me há pouco (acusar de afirmar, atenção, não no sentido recriminatório), de me estar a esconder. E olhando agora a lua, com a sua leitosa luz, difusa, escondida hoje detrás de um manto de nuvens pareceu-me um pouco verdade.

Sabemos que ela está lá, a luz espalha-se suavemente em redor de si própria, mas há algo que a tapa. Um véu pouco visível para uns, mais fácil de detectar para outros.
E, no entanto, ela não fez nada por isso. Por se esconder. Apenas os ventos lhe colocaram aquelas nuvens entre si e os outros. E os ventos as tornarão a levar. Quando? Isso são mistérios da Natureza. Não os queiramos decifrar.

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