17.4.04

Já dizia a minha avó

que eu tinha que me decidir. Coitada, ela bem teimava, "filha, mas tens que saber o que é que queres, não se pode ter tudo, a vida custa muito, e blá, blá. blá", enquanto, na soleira da porta do monte, sentada numa cadeira de buinho, desembaraçava os longos cabelos branco-acinzentados, até os enrolar graciosamente na parte de trás da nuca, com ganchos finos de arame preto que, como por milagre, ela fazia desaparecer, ficando à mostra apenas um rolo de cabelo. Sempre me maravilhou aquela espécie de magia...

Eu, é claro, fazia ouvidos moucos, enquanto brincava com um boneco, para, logo a seguir, o desprezar em prol de um pássaro que debicava o chão da horta e, esquecê-lo logo que, mais além, me chamava o ribeiro que fazia escadinhas de água onde, com pedrinhas e paus, eu construía casas e pontes.

Tudo isto para vos dizer que sou uma eterna construtora de opções. E que, há sempre algo, que me faz mudar de vontade de fazer uma coisa, para passar a fazer outra.
Bela retórica para me chamar a mim própria de indecisa e e insatisfeita...

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