6.4.04

Brazelton

É o nome do "pai da pediatria moderna", Berry Braselton, que baptiza o Centro, hoje inaugurado com pompa e circunstância pelo nosso Primeiro (ministro, entenda-se...), na Unidade de Pediatria do Hospital de Santa Maria em Lisboa.
Este especialista congratulava-se com o facto de ser o primeiro centro a ser inaugurado fora dos Estados Unidos da América - e logo em Portugal!

O nosso Primeiro, dizia que este centro representava o "pilar importante para uma verdadeira política de apoio à infância"...

E o que faz o dito (Centro, entenda-se), perguntarão alguns de vós??

Pois, estuda.
Nem mais. Estuda os recém-nascidos "a 100 por cento", com os pais dos ditos, tentando desta forma evitar que, destes bébés, 700 por ano (dados referentes a 2003) sejam abandonados pelos seus progenitores.
E, portanto, estuda-se.
Não todos, é claro, que não haveria financiamento para tanto, estudam-se os que, por sorte, calharem a nascer naquela unidade hospitalar, pois claro.

Assustador, não é?
Num país onde as leis da adopção são as mais burocratizantes da Europa, onde as Comissões de Protecção de Crianças e Jovens, ao abrigo da actual Lei de Protecção de Crianças e Jovens em Risco, numa qualquer cidade de província, têm entre mãos mais de 150 processos de situações de perigo real de menores.
Assustador que estas Comissões, nos seus relatórios de avaliação, desde 2000, supliquem ao Governo mais meios, mais técnicos a tempo inteiro, que lhes permitam o acompanhamento destes menores e destas famílias, onde se deve, sempre priveligiar a manutenção, intervindo no sentido da eliminação do risco, ou seja, educando a família.

Num país onde não se combate o que leva à situação de risco do menor, fatalmente, em 90% dos casos a falta de emprego de ambos os pais, que arrasta para situações de marginalidade, cujo fim último, irónicamente, tantas vezes, é encontrar um meio para que aquele mesmo menor subsista, sobreviva (não, não estou a fazer a apologia do roubo, estou sim a dizer que devem ser criadas as condições de emprego e desenvolvimento neste país, que levem à redução do roubo e da marginalidade).
Onde estes bébés abandonados são, em larga percentagem, fruto de uma gravidez adolescente, escondida dos pais, porque essa jovem não teve acesso à educação sexual na escola ou ao planeamento familiar, ou a uma interrupção voluntária da gravidez em condições de legalidade e segurança, porque este Governo e o anterior assim o decidiram!

Assustador, reafirmo.
Que, para o primeiro-ministro, "o pilar para uma verdadeira política de apoio à infância", seja este centro de estudos.

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