O record de comments ali em baixo vou contar uma história que não tem nada a ver com os 40:
Adoro música.
Dirão vocês: E que temos nós com isso? E será bem dito, concerteza.
Mas como diz a minha amiga Cat, o blog é meu e ponho aqui o que me apetecer e quem não quiser que se ponha a mexer e mainada (não é assim Cat? A malta parece que tem que os tratar mal, que eles gostam), vou contar a acabou a conversa aí desse lado, ok?
E repito, adoro música.
Talvez seja uma coisa que vem inscrita nos genes, algures lá por dentro daquele entrançado em código, mas acho que a grande maioria dos putos tem a coisa no sangue e eu não fui excepção, podendo depois alguns deles, dependendo das circunstâncias e da conjuntura que rodear o seu crescimento, nomeadamente "cheta" e pais e educadores presentes e incentivadores, vir a requintar o dito gosto transformando-o, nalguns casos, em mania (melo), noutros em verdadeira prática, nascida de alguma vocação escondida.
Isto para dizer o quê? Perguntarão vocês, apesar de já vos ter mandado calar!
Fiz parte duma banda de garagem! Pronto. Já disse!
Pois foi. Nos meus 14 aninhos, achando que tinha jeito para a coisa, depois de ter passado por umas aulas de viola e piano no FAOJ (Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis), o vetusto antecessor do actual IPJ, eu e mais uns quantos achámos que íamos ser músicos!
Como cantar nunca foi bem o meu forte, ainda tentaram pôr-me como vocalista mas, face á onda de protestos e ameaças de demissão dos restantes elementos todos, menos o que tinha tido a idéia, foi necessário encontrar uma nova estratégia.
Então desistiram da carinha laroca, passando-me para um confortável segundo plano com a minha viola ritmo, enquanto o "Jantareta" que até se safava mas não era tão bonito como eu, lá ficou o vocalista.
Agora o nome da banda era requintado..."Lutos D'Alma"...Acho que, na época, corresponderia áquilo que o meu filho hoje classifica de "dread"... Eu não sei, mas foi um sucesso! Pelo menos na garagem da vivenda de um dos membros da banda. E o facto de, na vizinhança já todos sermos conhecidos e de ficarem a comentar nas costas quando passávamos, envergando vestes de ganga negra e lenços à xutos, também deve ter querido dizer alguma coisa...
Bom, mas o certo é que a banda lá se desfez por razões que não vem agora ao caso explicar (seus cuscos!) e, anos mais tarde, já em Lisboa, por ironia do destino (ou não, não sei se o gajo existe), acabo por vir a conhecer de perto os elementos de uma banda hoje famosa e com um percurso musical já consolidado no nosso país.
Na altura eram apenas uns putos de 18, 19 anos, com jeito para a música (ao contrário dos anteriores, incluindo eu...) e que tinham tido a sorte de já ter feito alguns concertos, na Festa do Àvante e no Rock Rendez Vous. A verdadeira qualidade da sua música, encarregou-se depois, de fazer o resto.
Morando próximo (eu no Cacém, eles no Algueirão), através de um amigo comum, cedo nos começámos a relacionar com a regularidade normal de uma amizade entre pessoas da mesma idade. Escusado será dizer que eu passava a vida no Algueirão e lá ia mantendo as notas 16 na faculdade (não sei bem como, a bem dizer...).
Foram tempos bonitos. De utopia. Do acreditar num sonho e lutar por ele, à custa de muita provação mas que não matou a força e a vontade de continuar (lembras-te das casinhas de barro, Xana?)
Durante uns tempos fiz parte da vida deles e acompanhei-os em quase tudo, comíamos juntos, passávamos noites em claro juntos, eles tocavam em concertos que eu nunca perdia, sempre nos camarins a servir de apoio para o que fizesse falta, amanhecíamos juntos. Um grupo de putos com jeito para a música e os amigos do peito que os seguiam.
Há pouco tempo, 20 anos depois, tive a sorte de poder aceder de novo aos camarins, onde eles descansavam depois do concerto. E foi bonito recordar aqueles putos que fomos e que, como disse o Alex "envelhecemos juntos", embora separados no espaço, mas partilhando memórias e afectos.
Obrigado por terem feito de mim, nesse dia, uma míuda (com quase 40...grrrr) famosa por ter sido vossa amiga!
E por ainda permanecermos amigos, apesar da vossa fama. Há coisas que não mudam. Está prometido o jantar da próxima vez!
Adoro música.
Dirão vocês: E que temos nós com isso? E será bem dito, concerteza.
Mas como diz a minha amiga Cat, o blog é meu e ponho aqui o que me apetecer e quem não quiser que se ponha a mexer e mainada (não é assim Cat? A malta parece que tem que os tratar mal, que eles gostam), vou contar a acabou a conversa aí desse lado, ok?
E repito, adoro música.
Talvez seja uma coisa que vem inscrita nos genes, algures lá por dentro daquele entrançado em código, mas acho que a grande maioria dos putos tem a coisa no sangue e eu não fui excepção, podendo depois alguns deles, dependendo das circunstâncias e da conjuntura que rodear o seu crescimento, nomeadamente "cheta" e pais e educadores presentes e incentivadores, vir a requintar o dito gosto transformando-o, nalguns casos, em mania (melo), noutros em verdadeira prática, nascida de alguma vocação escondida.
Isto para dizer o quê? Perguntarão vocês, apesar de já vos ter mandado calar!
Fiz parte duma banda de garagem! Pronto. Já disse!
Pois foi. Nos meus 14 aninhos, achando que tinha jeito para a coisa, depois de ter passado por umas aulas de viola e piano no FAOJ (Fundo de Apoio aos Organismos Juvenis), o vetusto antecessor do actual IPJ, eu e mais uns quantos achámos que íamos ser músicos!
Como cantar nunca foi bem o meu forte, ainda tentaram pôr-me como vocalista mas, face á onda de protestos e ameaças de demissão dos restantes elementos todos, menos o que tinha tido a idéia, foi necessário encontrar uma nova estratégia.
Então desistiram da carinha laroca, passando-me para um confortável segundo plano com a minha viola ritmo, enquanto o "Jantareta" que até se safava mas não era tão bonito como eu, lá ficou o vocalista.
Agora o nome da banda era requintado..."Lutos D'Alma"...Acho que, na época, corresponderia áquilo que o meu filho hoje classifica de "dread"... Eu não sei, mas foi um sucesso! Pelo menos na garagem da vivenda de um dos membros da banda. E o facto de, na vizinhança já todos sermos conhecidos e de ficarem a comentar nas costas quando passávamos, envergando vestes de ganga negra e lenços à xutos, também deve ter querido dizer alguma coisa...
Bom, mas o certo é que a banda lá se desfez por razões que não vem agora ao caso explicar (seus cuscos!) e, anos mais tarde, já em Lisboa, por ironia do destino (ou não, não sei se o gajo existe), acabo por vir a conhecer de perto os elementos de uma banda hoje famosa e com um percurso musical já consolidado no nosso país.
Na altura eram apenas uns putos de 18, 19 anos, com jeito para a música (ao contrário dos anteriores, incluindo eu...) e que tinham tido a sorte de já ter feito alguns concertos, na Festa do Àvante e no Rock Rendez Vous. A verdadeira qualidade da sua música, encarregou-se depois, de fazer o resto.
Morando próximo (eu no Cacém, eles no Algueirão), através de um amigo comum, cedo nos começámos a relacionar com a regularidade normal de uma amizade entre pessoas da mesma idade. Escusado será dizer que eu passava a vida no Algueirão e lá ia mantendo as notas 16 na faculdade (não sei bem como, a bem dizer...).
Foram tempos bonitos. De utopia. Do acreditar num sonho e lutar por ele, à custa de muita provação mas que não matou a força e a vontade de continuar (lembras-te das casinhas de barro, Xana?)
Durante uns tempos fiz parte da vida deles e acompanhei-os em quase tudo, comíamos juntos, passávamos noites em claro juntos, eles tocavam em concertos que eu nunca perdia, sempre nos camarins a servir de apoio para o que fizesse falta, amanhecíamos juntos. Um grupo de putos com jeito para a música e os amigos do peito que os seguiam.
Há pouco tempo, 20 anos depois, tive a sorte de poder aceder de novo aos camarins, onde eles descansavam depois do concerto. E foi bonito recordar aqueles putos que fomos e que, como disse o Alex "envelhecemos juntos", embora separados no espaço, mas partilhando memórias e afectos.
Obrigado por terem feito de mim, nesse dia, uma míuda (com quase 40...grrrr) famosa por ter sido vossa amiga!
E por ainda permanecermos amigos, apesar da vossa fama. Há coisas que não mudam. Está prometido o jantar da próxima vez!
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