É quando vemos os detalhes que nos passam despercebidos durante a cegueira do dia, disseram-me.
Soou-me assim a Saramago...
Mas o certo é que sempre gostei da noite. A calma que se instala com o escuro é tranquila e repousa-me. E os detalhes são mesmo mais nítidos do que de dia. E os pensamentos.
Os ruidos são mais fácilmente perceptíveis, se estivermos atentos conseguimos ouvir os bichos roendo o interior de velhos móveis de madeira. Em miúda esse era um dos ruídos mais familiares nas minhas noites...
Há muito tempo que não o ouço. Seja porque adormeço tipo pedra, depois da canseira que são os meus dias, seja porque esses móveis moram hoje noutra casa, que não a minha.
Mas ouço as folhas da grande árvore que está junto à minha varanda, moverem-se ao sabor do vento. E os pássaros que nela fazem a sua cama, sobressaltarem-se, por vezes, quando um carro isolado passa na noite. E o piar solitário de uma coruja. E, ás vezes, ao longe, as cigarras, quando é Verão.
Há muito tempo que não ouço música à noite. Era um dos hábitos dos tempos de faculdade, a música a acompanhar baixinho as horas de estudo nocturno, a música, baixinho, no silêncio do quarto onde adormecia de madrugada, sem cansaço.
Mas ouço os meus filhos a respirar calmamente nos quartos lá ao fundo. E levanto-me quando ouço algo diferente, um gemido, início de choro de um deles, para os acalmar de um sonho mau ou para encontrar uma chucha perdida entre os lençóis...
Há muito tempo que não ouço o mar á noite.
Soou-me assim a Saramago...
Mas o certo é que sempre gostei da noite. A calma que se instala com o escuro é tranquila e repousa-me. E os detalhes são mesmo mais nítidos do que de dia. E os pensamentos.
Os ruidos são mais fácilmente perceptíveis, se estivermos atentos conseguimos ouvir os bichos roendo o interior de velhos móveis de madeira. Em miúda esse era um dos ruídos mais familiares nas minhas noites...
Há muito tempo que não o ouço. Seja porque adormeço tipo pedra, depois da canseira que são os meus dias, seja porque esses móveis moram hoje noutra casa, que não a minha.
Mas ouço as folhas da grande árvore que está junto à minha varanda, moverem-se ao sabor do vento. E os pássaros que nela fazem a sua cama, sobressaltarem-se, por vezes, quando um carro isolado passa na noite. E o piar solitário de uma coruja. E, ás vezes, ao longe, as cigarras, quando é Verão.
Há muito tempo que não ouço música à noite. Era um dos hábitos dos tempos de faculdade, a música a acompanhar baixinho as horas de estudo nocturno, a música, baixinho, no silêncio do quarto onde adormecia de madrugada, sem cansaço.
Mas ouço os meus filhos a respirar calmamente nos quartos lá ao fundo. E levanto-me quando ouço algo diferente, um gemido, início de choro de um deles, para os acalmar de um sonho mau ou para encontrar uma chucha perdida entre os lençóis...
Há muito tempo que não ouço o mar á noite.
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