ou de como o serviço doméstico é inspirador inesgotável de postas altamente transcendentes e metafísicas (ou algo assim parecido, que esta palavra agora parece-me que fica aqui lindamente)
Sim porque, embora estupidamente repetitivo e rotineiro, o facto de ser inesgotável (tão a ver, capisce? Inesgotável? lá em cima no título? dahh! perceberam o trocadilho? chiça, é preciso explicar tudo...), permite que haja sempre motivo para falar dele e pensar em utilizá-lo para produzir um post baril, enquanto se varre pela enésima vez a cozinha ou se retira a louça lavada do escorredor para, imediatamente a seguir, o tornar a encher de louça acabada de lavar. (coisa mais estúpida, apenas superada em estupidez pela necessidade convencionada de fazer a cama mal nos levantamos, quando, horas depois, temos que voltar a desfazê-la...já afugentei o que restava de homens casadoiros a frequentar este blog, mas adiante)
Bom mas dizia eu que – ou melhor, ia dizer quando fui interrompida pelo meu próprio pensamento - enquanto esmagava, de forma automática, as garrafas de plástico para reciclar, “ocorreusse-me”, assim de repente, que a maior parte das pessoas não viu, in loco, um aterro sanitário e, dentro deste, o funcionamento de uma estação de triagem de resíduos sólidos urbanos. E que, se o tivessem feito, assim tal como moizinha, nunca, mas nunca mais, teriam a coragem de atirar, pura e simplesmente, com as embalagens plásticas para dentro dos plasticões e regressar às suas lides com a consciência tranquila de quem já fez a sua quota para a salvação do planeta.
Olhamésta, aqui a pregar aos peixinhos, a dar palpites até parece que é engenheira ó o caneco, pensam vocês enquanto fingem com toda a delicadeza que me ouvem e que se interessam realmente pelo que estou a dizer.
Eu ignoro e continuo, olímpicamente.
Olhando, assim de longe, para uma operação de depósito do conteúdo dos ecopontos numa destas unidades de triagem, verificamos que 80% das embalagens, que pressurosamente separámos para reciclar, sai intacta de dentro do contentor, ocupando, em volume, o quádruplo do espaço que ocuparia se...estivesse esmagada e de tampinha posta para não regressar à forma original. O contentor receberia quatro vezes mais plástico para reciclar, se todos nos lembrássemos de fazer essa mecânica operação de esmagamento com o pé, enquanto pensamos no arroz branco que iremos fazer a seguir, ou gritamos aos miúdos, Kátia Vanessa tira-me já esses ouvidos do telefone que me desgraças, rapariga!, ou cogitamos que raio é que aquela meia desirmanada faz ali dentro do vaso da flor...ou enquanto afloramos outros temas mais, hum, interessantes, que nos vossos cérebros mandam vocês e já são crescidinhos o suficiente para poderem sacar de um rol atractivo de actividades, hum, lúdicas, enquanto executam tarefas mecânicas, sem precisarem que faça aqui nenhum desenho. Er...este post era sobre quê, afinal? Ah, reciclagem!
Pronto, ora nem mais e agora, adeus, adeus, que vou ali esfregar os azulejos da cozinha...
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