ser capaz de dar de mim a essência.
Essa estranha substância imaterial que preenche os espaços vazios entre aquilo que, de material, nos compõe, músculos, osso, sangue, lágrimas.
Queria que a minha verdade enquanto pessoa saísse de mim pelo gesto, etérea, a mão aberta estendida, e possuísse apenas aqueles que os meus olhos tocassem com um certo brilho, a verdade sob a forma de halo quase invisível, aspirado pelos outros como se de um perfume se tratasse.
Que permanecesse, tal como um perfume, preso na memória e no coração de quem ma tivesse lido - a essência - e que fosse indelével, como a linguagem gravada na rocha no princípio dos tempos.
Não queria que a reacção afogasse a emoção, que a palavra afrontasse a intenção, que Amor rimasse, às vezes, com Dor.
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