13.6.05

Perda




Que palavras chegam para descrever tamanha perda?
As inevitáveis e batidas homenagens post-mortem que caem sempre bem fazer nestas alturas?
Não. Prefiro as deles, as suas próprias e inimitáveis, que em determinada altura proferiram, aos seus estilos pessoais, com calor e convicção, ou com serenidade e filosofando sobre o mundo.

As de Vasco Gonçalves, o general do povo que fez história, quando diz que "as maiores conquistas que o povo português alcançou ao longo dos seus oito séculos de história, se verificaram em 74-75 e nelas desempenharam um papel fundamental os militares do MFA" (pg. 184 do livro «Vasco Gonçalves — um general na Revolução»).

Ou as do Eugénio, como um cristal que prenda para sempre, no seu interior, a limpidez dos sorrisos de cada um, nestas imagens?

Talvez as de Álvaro Cunhal, sempre no sentido da participação do Homem na transformação da sociedade, mesmo que de arte falasse "um apelo à arte que intervém na vida social (...) um apelo à liberdade, à imaginação, à fantasia, à descoberta e ao sonho." (Álvaro Cunhal, 1996)

Ou quem sabe o silêncio.
Pela perda de três homens ímpares, três figuras que enriqueceram a história deste país, pela tristeza vezes três.
Guardo silêncio por eles, neste momento, os três que, de uma forma ou outra, fazem parte das minhas referências enquanto pessoa. Do meu crescimento. Do meu apego às causas e ás lutas, ao sonho e à utopia.
Fica o silêncio e a memória.

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