Fiquei muito tempo a olhar a noite na janela das traseiras.
A que dá para um parque infantil cheio de risos de crianças e uma esplanada com ruídos de chávenas à mistura com conversas. Que agora não se ouvem porque é de noite e o silêncio cobre os lugares como um manto sereno. Tal como a chuva, fina, que molha as pedras de calçada, os baloiços, as tábuas da esplanada.
Concentro-me nos pingos de chuva para rever o tempo em que a linguagem era apenas a dos gestos e do olhar. O tempo das promessas nunca ditas, da esplanada deserta num fim de tarde de verão. O tempo de chegar e sorrir. Apenas.
Reconheço-me nos locais por onde passei, na cadeira onde me sentei, no jornal que li. No cheiro de relva molhada e no halo leve de perfume que agora sinto quando movo o cabelo e que tocou quem comigo partilhou esses lugares. Pergunto-me se o terão sentido...ou se terá passado ao lado, como tantas outras coisas. Detalhes. Pequenos. Demasiado pequenos e, por isso, tão preciosos.
Concentro-me num pingo de chuva como se fosse um diamante, puro, na palma da minha mão.
Devagar, com a ponta da língua, lambi essa breve gota de água, como se fosse esse o beijo que nunca te dei.
A que dá para um parque infantil cheio de risos de crianças e uma esplanada com ruídos de chávenas à mistura com conversas. Que agora não se ouvem porque é de noite e o silêncio cobre os lugares como um manto sereno. Tal como a chuva, fina, que molha as pedras de calçada, os baloiços, as tábuas da esplanada.
Concentro-me nos pingos de chuva para rever o tempo em que a linguagem era apenas a dos gestos e do olhar. O tempo das promessas nunca ditas, da esplanada deserta num fim de tarde de verão. O tempo de chegar e sorrir. Apenas.
Reconheço-me nos locais por onde passei, na cadeira onde me sentei, no jornal que li. No cheiro de relva molhada e no halo leve de perfume que agora sinto quando movo o cabelo e que tocou quem comigo partilhou esses lugares. Pergunto-me se o terão sentido...ou se terá passado ao lado, como tantas outras coisas. Detalhes. Pequenos. Demasiado pequenos e, por isso, tão preciosos.
Concentro-me num pingo de chuva como se fosse um diamante, puro, na palma da minha mão.
Devagar, com a ponta da língua, lambi essa breve gota de água, como se fosse esse o beijo que nunca te dei.
Sem comentários:
Enviar um comentário