5.3.05

Hoje

(Este post foi parcialmente removido.
Houve quem me dissesse que seria muito chocante se o post fosse lido por quem estava a viver situações semelhantes à que referi. Que estava escrito com demasiada carga dramática.
Não liguei muito, por achar que a pessoa a quem dediquei o post, nem sabia sequer da existência deste blog. Confirmei há pouco, por acaso, via pessoas amigas, que existe uma probabilidade de, afinal, o poder vir a ler. E removi sem hesitações a parte do texto que é personificada por alguém de carne e osso, uma amiga, real.
O que se mantém é apenas a parte genérica, o meu posicionamento pessoal face à morte, nada mais.)


seria talvez um dos dias mais improváveis para eu falar de morte.
Foi um dia cheio de luz, a trazer um cheirinho a Primavera. E, estranhamente, é hoje que sinto que tenho de o fazer.
Falar da morte. As palavras duras que trago presas na garganta há algum tempo.

(...)custa-me encarar esta efemeridade, esta incógnita e acho que há tanto para viver, tanto sol para sentir na pele, tanto mar para nos deslumbrar e é tão injusto que tudo isso acabe antes do tempo, que seria apenas no dia em fôssemos já velhinhos e olhássemos para os nossos filhos já maduros e os netos já crescidos e sentíssemos então que já tínhamos feito tudo o que havia para fazer e que era chegada a hora do descanso e fecharíamos voluntáriamente os olhos como num sono interminável e outros ficariam cá a cumprir esse mesmo ciclo.

Se eu fosse Deus seria assim que determinaria que acontecesse.
Mas não sou e tenho tanta pena.

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