uma espécie de estranheza, nestes dias.
Sem tempo quase nenhum para "extras", nos quais se inclui a net, com dias cheios de trabalho e obrigações familiares, tenho andado arredada de blogues, quase sem dar conta do tempo passar, tal o ritmo alucinado dos dias.
Mas no meio dos compromissos, das conversas, reuniões, telefonemas, compras, salas de espera, sinais vermelhos, há algo de estranho a pairar, um sentimento de faltar algo, uma peça qualquer indefinida, para encaixar algures. Depois, vem a confirmação, inesperada, por vezes em alturas improváveis, um reflexo quase inconsciente, "o que é que o X terá escrito hoje?", "será que a Y já se decidiu?", enquanto se responde com ar neutro para o outro lado, "concerteza senhor engenheiro", "não se preocupe doutora, assim que tiver a resposta envio-lhe as indicações", "ora essa" "obrigado" "faz favor" e por aí fora e em paralelo a este mundo real em que nos movemos, está a lembrança do outro, o virtual, a que também pertencemos e que partilhamos com gente diferente da que temos ali á nossa frente ou do outro lado do telefone. Engraçado, isto. Acho que não se despe esta pele. A de blogger. Falando com um amigo sobre o encontro das mantas perguntava-me ele, recém-viciado na blogosfera, "mas vocês conhecem-se?", estranhando a forma como eu falava de vocês, que estão aí desse lado, a intimidade de quem parece ser amigo há anos, o inusitado de irmos encontrar-nos para jantar, como fazem os amigos que combinam uma patuscada ao fim-de-semana. Respondi-lhe que não. Não nos conhecemos visualmente, falamos por mail, alguns de nos, agora mais assíduamente, desde que se tornou necessário acertar os detalhes para que nada falhe no encontro - esse sim - ao vivo e a cores, destes 10 ou 15 "caramelos" que se habituaram a fazer parte da vida uns dos outros, dentro de um quadradinho branco onde se expõem, se desvendam mais ou menos, onde se têm aprendido a conhecer entre si, a confiar (é preciso uma boa dose de confiança) que é verdade o que cada um mostra e que decidiram que estava na hora, enfim, de se olharem de frente e continuar a conversa à roda de um lume e de um petisco.
Decididamente, não deve ser fácil de entender, para quem não ande por aqui.
Sem tempo quase nenhum para "extras", nos quais se inclui a net, com dias cheios de trabalho e obrigações familiares, tenho andado arredada de blogues, quase sem dar conta do tempo passar, tal o ritmo alucinado dos dias.
Mas no meio dos compromissos, das conversas, reuniões, telefonemas, compras, salas de espera, sinais vermelhos, há algo de estranho a pairar, um sentimento de faltar algo, uma peça qualquer indefinida, para encaixar algures. Depois, vem a confirmação, inesperada, por vezes em alturas improváveis, um reflexo quase inconsciente, "o que é que o X terá escrito hoje?", "será que a Y já se decidiu?", enquanto se responde com ar neutro para o outro lado, "concerteza senhor engenheiro", "não se preocupe doutora, assim que tiver a resposta envio-lhe as indicações", "ora essa" "obrigado" "faz favor" e por aí fora e em paralelo a este mundo real em que nos movemos, está a lembrança do outro, o virtual, a que também pertencemos e que partilhamos com gente diferente da que temos ali á nossa frente ou do outro lado do telefone. Engraçado, isto. Acho que não se despe esta pele. A de blogger. Falando com um amigo sobre o encontro das mantas perguntava-me ele, recém-viciado na blogosfera, "mas vocês conhecem-se?", estranhando a forma como eu falava de vocês, que estão aí desse lado, a intimidade de quem parece ser amigo há anos, o inusitado de irmos encontrar-nos para jantar, como fazem os amigos que combinam uma patuscada ao fim-de-semana. Respondi-lhe que não. Não nos conhecemos visualmente, falamos por mail, alguns de nos, agora mais assíduamente, desde que se tornou necessário acertar os detalhes para que nada falhe no encontro - esse sim - ao vivo e a cores, destes 10 ou 15 "caramelos" que se habituaram a fazer parte da vida uns dos outros, dentro de um quadradinho branco onde se expõem, se desvendam mais ou menos, onde se têm aprendido a conhecer entre si, a confiar (é preciso uma boa dose de confiança) que é verdade o que cada um mostra e que decidiram que estava na hora, enfim, de se olharem de frente e continuar a conversa à roda de um lume e de um petisco.
Decididamente, não deve ser fácil de entender, para quem não ande por aqui.
E, no fundo, é tão simples como termos sido apresentados uns aos outros por algum amigo comum, no meio de um encontro de trabalho, num café, na esplanada da praia e termos passado umas horas a conversar. É assim que começam as amizades.
A nossa, começou apenas ao contrário.
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