O lago redondo com a escultura de mármore rosado que parece uma folha e tem um pássaro lá pousado. Branco. O pássaro.
O ruído de água que corre, sem se ver, e que às vezes nem se ouve porque nem sequer corre. Aquele lago está muitas vezes avariado. Gosto de ouvir a água correr, das vezes em não está. Avariado. Há grandes chapéus de sol, de linho branco, que nos protegem da luz forte, quando nos sentamos, de frente para o lago a ouvir a água. Mas eu não quero ser protegida do sol, porque mo cobrem com esta espécie de telhado portátil? Quando aqui me sento, de pernas esticadas, em frente do lago, é para que os raios de sol me aqueçam e a luz me doure a pele e se reflicta nos cabelos. Quero que o sol me beije.
Gosto de cheirar o aroma de café, que sai de mansinho pela porta e se instala nas narinas, numa antecipação gulosa do que irão sentir as papilas. Na língua, as papilas e o café, em goles pequenos, muito quente, muito forte, muito bom. Continuo a tentar ouvir a água correr. Não quero que se sentem junto a mim, inventem uma desculpa, sorriam, Boa-Tarde, contornem o local onde me encontro, este é um momento escolhido por mim, ninguém tem o direito de o mudar. Trago um livro. É um livro pequeno, de páginas amarelecidas, que guardam o toque de muitas mãos. Com a minha, traço a textura do papel, passeio os dedos pelas páginas como se acariciasse um rosto, aqui estou, também, para sempre neste livro. Talvez possa ser um personagem daquela história. Será esse o momento supremo em que, deixo de ser quem está ali, sentada sob o toldo, de frente para o lago, e transponho esse limbo que nos separa do mundo dentro dos livros. Um mundo inventado em que também se pode existir. E amar.
Quando virou a página, viu que caminhava por um campo verde, cheio de papoilas. O sol na pele e um pássaro que, de vez em quando, lhe pousava no ombro. Branco. Parou de repente para ouvir melhor. Algures, o barulho de uma cascata de água a correr. Sorriu.
O ruído de água que corre, sem se ver, e que às vezes nem se ouve porque nem sequer corre. Aquele lago está muitas vezes avariado. Gosto de ouvir a água correr, das vezes em não está. Avariado. Há grandes chapéus de sol, de linho branco, que nos protegem da luz forte, quando nos sentamos, de frente para o lago a ouvir a água. Mas eu não quero ser protegida do sol, porque mo cobrem com esta espécie de telhado portátil? Quando aqui me sento, de pernas esticadas, em frente do lago, é para que os raios de sol me aqueçam e a luz me doure a pele e se reflicta nos cabelos. Quero que o sol me beije.
Gosto de cheirar o aroma de café, que sai de mansinho pela porta e se instala nas narinas, numa antecipação gulosa do que irão sentir as papilas. Na língua, as papilas e o café, em goles pequenos, muito quente, muito forte, muito bom. Continuo a tentar ouvir a água correr. Não quero que se sentem junto a mim, inventem uma desculpa, sorriam, Boa-Tarde, contornem o local onde me encontro, este é um momento escolhido por mim, ninguém tem o direito de o mudar. Trago um livro. É um livro pequeno, de páginas amarelecidas, que guardam o toque de muitas mãos. Com a minha, traço a textura do papel, passeio os dedos pelas páginas como se acariciasse um rosto, aqui estou, também, para sempre neste livro. Talvez possa ser um personagem daquela história. Será esse o momento supremo em que, deixo de ser quem está ali, sentada sob o toldo, de frente para o lago, e transponho esse limbo que nos separa do mundo dentro dos livros. Um mundo inventado em que também se pode existir. E amar.
Quando virou a página, viu que caminhava por um campo verde, cheio de papoilas. O sol na pele e um pássaro que, de vez em quando, lhe pousava no ombro. Branco. Parou de repente para ouvir melhor. Algures, o barulho de uma cascata de água a correr. Sorriu.
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