uma história para contar.
Preciso que me ouçam, em silêncio, como se fingissem não ouvir, para que não me falte a coragem e me trema a voz.
Apenas vos quero saber ali.
Começarei por rodear a questão central. Vou falar-vos de uma praia perdida por entre a floresta luxuriante, do caminho que desce em ziguezague até à areia branca e fina.
Que a mulher percorreu de sandálias na mão, um chapéu de palha no cabelo e o azul no olhar. Talvez vos conte das pedrinhas lisas e coloridas que a maré foi trazendo com o tempo. E do búzio grande que encerra a voz do Mar...
Para ganhar um pouco mais de tempo, peço-vos que a imaginem sentada na imensidão do areal deserto. Uma forma humana a perturbar a Natureza. Ou em comunhão com ela. O vento a despentear-lhe os cabelos, fios longos e soltos com cheiro a maçã verde, como cordas de seda que lhe fustigam o rosto. Partículas brilhantes de areia vão cobrindo a figura imóvel, como que a querer transformá-la em parte integrante do cenário. Para que não destoe, para que se entranhe na paisagem tal como se fosse uma pedra ou uma onda de espuma. Para que, aos poucos, o equilíbrio perfeito que veio perturbar seja reencontrado, como acontece com um qualquer organismo vivo que reaje ao invasor até o eliminar ou assimilar no sistema.
Passará muito tempo ali, o olhar fixo no horizonte. Só.
Ninguém saberá o que pensou, que emoções lhe aceleraram o sangue e ruborizaram o rosto, que mágoa lhe humedeceu o olhar ou que lembrança lhe curvou os lábios num sorriso.
Para que não se perca o vosso interesse, irei descrever a grande vaga que lhe beijou a pele em gotas de frescura. Os reflexos prateados na superfície da água, sob a luz do final do dia.
Sómente quando vos sentir impacientes, um frémito súbito e fugaz a percorrer os corpos imóveis à minha frente, apenas aí, quando não possa mais fugir do final inevitável, voltarei à história que vos prometi. Um segredo guardado numa caixinha de âmbar, no fundo da gruta mais perdida do mundo. Um mistério que apenas os sábios podem conhecer.
Pedir-vos-ei, olhando as vossas cabeças baixas, que sejam fiéis guardiões da magia e da esperança. De céus azuis e aves brancas de longas asas, em liberdade.
E só depois de ter a certeza que nada os travará, que ficará em segurança, vos direi então que olhem aquela onda em que desaparece o dorso brilhante desse ser, meio Homem meio peixe, que naquela praia deserta, ao entardecer mergulhou em direcção à vida.
Preciso que me ouçam, em silêncio, como se fingissem não ouvir, para que não me falte a coragem e me trema a voz.
Apenas vos quero saber ali.
Começarei por rodear a questão central. Vou falar-vos de uma praia perdida por entre a floresta luxuriante, do caminho que desce em ziguezague até à areia branca e fina.
Que a mulher percorreu de sandálias na mão, um chapéu de palha no cabelo e o azul no olhar. Talvez vos conte das pedrinhas lisas e coloridas que a maré foi trazendo com o tempo. E do búzio grande que encerra a voz do Mar...
Para ganhar um pouco mais de tempo, peço-vos que a imaginem sentada na imensidão do areal deserto. Uma forma humana a perturbar a Natureza. Ou em comunhão com ela. O vento a despentear-lhe os cabelos, fios longos e soltos com cheiro a maçã verde, como cordas de seda que lhe fustigam o rosto. Partículas brilhantes de areia vão cobrindo a figura imóvel, como que a querer transformá-la em parte integrante do cenário. Para que não destoe, para que se entranhe na paisagem tal como se fosse uma pedra ou uma onda de espuma. Para que, aos poucos, o equilíbrio perfeito que veio perturbar seja reencontrado, como acontece com um qualquer organismo vivo que reaje ao invasor até o eliminar ou assimilar no sistema.
Passará muito tempo ali, o olhar fixo no horizonte. Só.
Ninguém saberá o que pensou, que emoções lhe aceleraram o sangue e ruborizaram o rosto, que mágoa lhe humedeceu o olhar ou que lembrança lhe curvou os lábios num sorriso.
Para que não se perca o vosso interesse, irei descrever a grande vaga que lhe beijou a pele em gotas de frescura. Os reflexos prateados na superfície da água, sob a luz do final do dia.
Sómente quando vos sentir impacientes, um frémito súbito e fugaz a percorrer os corpos imóveis à minha frente, apenas aí, quando não possa mais fugir do final inevitável, voltarei à história que vos prometi. Um segredo guardado numa caixinha de âmbar, no fundo da gruta mais perdida do mundo. Um mistério que apenas os sábios podem conhecer.
Pedir-vos-ei, olhando as vossas cabeças baixas, que sejam fiéis guardiões da magia e da esperança. De céus azuis e aves brancas de longas asas, em liberdade.
E só depois de ter a certeza que nada os travará, que ficará em segurança, vos direi então que olhem aquela onda em que desaparece o dorso brilhante desse ser, meio Homem meio peixe, que naquela praia deserta, ao entardecer mergulhou em direcção à vida.
Sem comentários:
Enviar um comentário