7.2.05

De repente

o que era um comentário de resposta à Vague, no post abaixo, ganhou asas, tornou-se independente da sua inicial condição de simples comentário (imposta por mim, a sua dona contra quem ele se insurgiu) e ganhou estatuto de post, de direito próprio, quer pelo facto de, em si, conter outros temas que me parecem merecer destaque, quer pela extensão que, inevitávelmente, acabou por conquistar.
Por isso (e ainda por cima, calha que nem gingas, para quem não estava inspirada e não lhe apetecia escrever nada...) cá vai ele:

Vague...ufff...os teus comentários são sempre tipo murro no estômago (acho que tb devemos ter sido qualquer coisa uma à outra, noutro lado e tempo quaisquer ;-).

"O amor é em si uma coisa pura. Não tem culpa de nascer no terreno mais árido", aqui não acrescento nem uma letra, acho que isto diz tudo e já me habituaste a ler-te, em frases simples e meia dúzia de palavras, reflexões profundas que eu própria tenho mas não consigo verbalizar assim..

Depois, quando falas do teu melhor amigo ter sido no início uma grande paixão, é curioso que também comigo se passou uma coisa assim, há muito tempo.
Costumo dizer que, quando conheço alguém a quem me sinto de imediato ligada por qualquer razão, me parece termos sido amigos toda uma vida. Será que não o fomos? Noutra encarnação qualquer? E este é outro tema que eu gostava de debater porque não sei se acredito ou deixo de acreditar que podemos viver muitas vidas...

Mas adiante, o facto de eu me sentir assim, ligada, próxima de uma pessoa, leva-me por vezes a avançar depressa demais, a abrir-me e expôr-me imensamente, partindo do pressuposto de que o outro é igual a mim.
E, muitas vezes, não o é. Concluo, por vezes da forma mais dura, que as pessoas são muito diferentes umas das outras e esta mania de achar que todos pensam e sentem como eu dá, por vezes, o resultado contrário àquele que eu quereria: afastar as pessoas, assustadas com a minha abertura, confusas e até desconfiadas em relação a mim.
Embora, para dizer a verdade, também me aconteça o contrário: se embirro à primeira com alguém, em função de uma primeira apreciação negativa do seu comportamento ou carácter, muito difícilmente venho a aproximar-me dessa pessoa.
São extremos de ser, de sentir, aqueles de que sou feita.
Pergunto-me, muitas vezes, se estarei mal e os outros bem. Se a desconfiança e a precaução serão a actuação correcta quando se conhece alguém. Se devemos confiar a nossa vida, a nossa amizade, os nossos segredos, apenas ao fim de muito tempo, depois de termos a prova provada de que a outra pessoa os merece e não irá desiludir-nos. Talvez essa seja a forma de nunca nos magoarmos mas será dessa forma que se sente a vida intensamente?
Embora este pareça um comportamento meio "naif" de uma adolescente a descobrir o mundo, não é disso que se trata. Não sou adolescente nem tão pouco o mundo terá já grandes coisas que me dar a descobrir, mas apesar das mágoas e trambolhões que a vida me tem proporcionado ainda não consegui mudar esta faceta de carácter. Nem sei bem se a quero mudar. Aliás, acho que não quero.

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