Comi geléia de marmelo, semi-caramelizada, um daqueles doces caseiros, feito por mão experiente, podem durar anos guardados no fundo de uma despensa fresca, tudo no ponto certo, frasco esterilizado em enormes panelões de água a ferver, um tecido às florzinhas sobre a tampa, atado com fio de ráfia...o doce é escuro e translúcido e quando se mergulha a colher, vem agarrado a ela, deixando atrás de si fios finos e dourados que fazem lembrar aqueles pirolitos que comíamos em crianças, açúcar queimado espetado num palito e os fios a sairem-nos da boca e o caramelo a colar-se aos dentes...hummm...bem, adiante, dizia-vos eu que comi geleia de marmelo semi-caramelizada, mas o que na verdade, verdadinha, isto quer dizer mesmo, é que mergulhei os cabelos na geleia de marmelo, quer dizer, não foram só os cabelos é que depois, a tentar tirar os cabelos da geleia, os fios da dita colaram-se todos na camisola, para além de ter as mãos completamente peganhentas enquanto tentava que os cabelos besuntados de geléia não se me colassem ao pescoço. O problema, a seguir foi que, não querendo desperdiçar nem um niquinho da maravilhosa geleia de marmelo, tentei lamber os cabelos enquanto tentava decidir se os lavava na torneira do lavatório, se o melhor mesmo seria meter-me de uma vez dentro da banheira, situação ligeiramente desaconselhável visto que a geleia de marmelo foi assim a modos que a sobremesa do almoço, que provávelmente estaria a entrar em processo digestivo...e encontrando-me nestes devaneios assaz interessantes tocou o telemóvel...adivinhem...pois, claro, o chefe!!
Encontrava-me então eu a braços com a interessante tomada de decisão entre atender e besuntar o telemóvel todo - mas se o chefe chama numa altura destas só pode ser urgente, e depois se não atendo, primeiro que eu consiga lavar esta peganhice toda já ele está furioso comigo (chefe, não leia esta) - ou entre não atender de todo, lavar tudo e só depois, uma verdadeira lady, impávida e serena, vestida de lavado e perfumada, ligar de volta ao chefe, meia-hora depois, perguntando se precisa de algo, com o maior dos desplantes (ih, ih, ih, mais uma para não ler), estava eu, dizia, nestes preparos, quando...toca a campainha! e era o senhor do gás, de quem eu já me tinha esquecido por completo, a quem abri a porta com o dedo mindinho da mão esquerda, fiz sinal para entrar com a cabeça de lado como se tivesse um torcicolo, segurando no cabelo cheio de geléia com a mão direita e agora pergunto eu: com que raio de mão vou eu passar o cheque?!!
Como é que era mesmo aquela associação assim para os mais desastrados, azarados coiso e tal??
Encontrava-me então eu a braços com a interessante tomada de decisão entre atender e besuntar o telemóvel todo - mas se o chefe chama numa altura destas só pode ser urgente, e depois se não atendo, primeiro que eu consiga lavar esta peganhice toda já ele está furioso comigo (chefe, não leia esta) - ou entre não atender de todo, lavar tudo e só depois, uma verdadeira lady, impávida e serena, vestida de lavado e perfumada, ligar de volta ao chefe, meia-hora depois, perguntando se precisa de algo, com o maior dos desplantes (ih, ih, ih, mais uma para não ler), estava eu, dizia, nestes preparos, quando...toca a campainha! e era o senhor do gás, de quem eu já me tinha esquecido por completo, a quem abri a porta com o dedo mindinho da mão esquerda, fiz sinal para entrar com a cabeça de lado como se tivesse um torcicolo, segurando no cabelo cheio de geléia com a mão direita e agora pergunto eu: com que raio de mão vou eu passar o cheque?!!
Como é que era mesmo aquela associação assim para os mais desastrados, azarados coiso e tal??
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