é fazer tábua rasa do que, socialmente, é considerado certo.
Todos de acordo.
Já não haverá, provávelmente, tanto consenso em torno do facto de ser ou não ser correcto transgredir.
É correcto transgredir a ordem instituída? Transgredir é cometer um crime? Ou é revolucionar, mudar, alterar algo, eventualmente para melhor?
Nenhuma revolução se fez sem transgressão. O 25 de Abril foi uma transgressão ao regime fascista. Foi libertar um povo inteiro. E não foi correcto?
No domínio dos sentimentos, dizia-se ali em baixo que os amores sem transgressão não inspiram poetas. Diz o povo, que é sábio, que o fruto proibido é o mais apetecido. Digo eu, que a intensidade do que se sente é inversamente proporcional ao que é certo e seguro. Os amores míticos, as paixões inflamadas e dilacerantes têm em comum a impossibilidade, a dificuldade, o desejo alucinado, os sentimentos intensos, a transgressão.
É correcto transgredir numa relação amorosa, conjugal? À luz dos principios judaico-cristãos, pelos quais a nossa sociedade se rege, não é correcto e é condenável. Transgredir é trair.
E reprimir, amordaçar o desejo de transgredir não será trair o nosso coração, trairmo-nos a nós? Trair a nossa emoção é socialmente menos condenável do que trair uma segunda pessoa?
E trair em pensamento é considerado transgredir? Ou, como não se vê, não faz mal?
Tema difícil este. Aceitam-se contribuições para esta reflexão.
Não sou apologista da transgressão por sistema. Por leviandade ou maldade. Não sou contestatária do socialmente correcto, por princípio. Mas também não me traio a mim própria nem aos meus sentimentos.
Todos de acordo.
Já não haverá, provávelmente, tanto consenso em torno do facto de ser ou não ser correcto transgredir.
É correcto transgredir a ordem instituída? Transgredir é cometer um crime? Ou é revolucionar, mudar, alterar algo, eventualmente para melhor?
Nenhuma revolução se fez sem transgressão. O 25 de Abril foi uma transgressão ao regime fascista. Foi libertar um povo inteiro. E não foi correcto?
No domínio dos sentimentos, dizia-se ali em baixo que os amores sem transgressão não inspiram poetas. Diz o povo, que é sábio, que o fruto proibido é o mais apetecido. Digo eu, que a intensidade do que se sente é inversamente proporcional ao que é certo e seguro. Os amores míticos, as paixões inflamadas e dilacerantes têm em comum a impossibilidade, a dificuldade, o desejo alucinado, os sentimentos intensos, a transgressão.
É correcto transgredir numa relação amorosa, conjugal? À luz dos principios judaico-cristãos, pelos quais a nossa sociedade se rege, não é correcto e é condenável. Transgredir é trair.
E reprimir, amordaçar o desejo de transgredir não será trair o nosso coração, trairmo-nos a nós? Trair a nossa emoção é socialmente menos condenável do que trair uma segunda pessoa?
E trair em pensamento é considerado transgredir? Ou, como não se vê, não faz mal?
Tema difícil este. Aceitam-se contribuições para esta reflexão.
Não sou apologista da transgressão por sistema. Por leviandade ou maldade. Não sou contestatária do socialmente correcto, por princípio. Mas também não me traio a mim própria nem aos meus sentimentos.
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