25.1.05

Ainda sobre

as palavras.
Sobre elas ferirem mas não matarem, diz Frei Tomás.
E sobre feridas que nunca saram. Ficam cobertas por uma fina camada de pele, pele nova, que renasce, e cobre o vermelho inicial, do primeiro choque que rasgou a primeira pele mas, por dentro, não saram.
Julgamos que está curada porque não se vê, mas basta um toque, um acto, uma palavra para que a dor recomece.
Há momentos que ficam marcados a ferro em brasa na alma. Uns bons, como o primeiro beijo, o nascimento de um filho, outros que ferem...como a queda de um castelo contruido sobre nuvens ou o olhar que desejámos e...que, afinal, não nos foi dirigido.

Ferro em brasa devia cauterizar as feridas. Mas não. Ou talvez sim, só que a marca, essa, fica lá.

Sem comentários: