29.1.05

Da inutilidade


de alimentar ilusões, contra factos.
Há momentos na vida em que temos de ser claros, nada de ambiguidades.
Uma vez, há muito tempo, disseram-me esta frase que, insistentemente, me tem acompanhado nos últimos tempos.
Saco mentalmente dela, quando um ramo de árvore deixa passar a luz de um jeito mais encantador que o normal. Ou quando uma música me enche o peito, a tal ponto de quase me levar a flutuar, como uma pétala ou borboleta, pelos céus acima.
Tento gravá-la, no pensamento e no coração a tinta indelével, de cada vez que o olhar me foge para lá da linha do horizonte e se perde na imaginação louca, à solta, ao admirar o sol a apagar-se suavemente, em orgias de fogo e azul.

Repito-a e repito-a e convenço-me e lembro-me que, como alguém dizia, algures nestas caixas de comentários onde andamos, o bom da vida (acho que era do amor, foste tu vague, não foi?) é isto mesmo: a imponderabilidade do que nos cerca.
E que, como há dias disse, o sol pode esconder-se mas não morre, está lá, sempre, no dia seguinte.
E que há sempre mais uma ponte para atravessar e descobrir o que está do lado de lá.

Entre o deve e o haver, mesmo quando morre uma ilusão, creio que ficamos a ganhar.

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