12.1.05

Lembrei-me

de vos contar, a propósito dos comentários do post anterior que, numa das suas muitas passagens por esta terra, durante a Ovibeja 2004, o Zé Luis Peixoto veio dar uma entrevista a uma rádio local. Enquanto aguardávamos que terminasse, íamos conversando com a Margarida Cardeal que nos confidenciava (antes de as revistas terem descoberto), estar grávida, o que provocou os gracejos habituais sobre apetites e a disponibilidade para escolher de entre uma enorme variedade de gastronomia regional, presente no certame.
Acabámos em pleno restaurante de Mértola, a jantar calmamente, 4 pessoas - um escritor (dois!) premiado, uma actriz bem conhecida e uma cidadã mais ou menos anónima, sem causar maior reboliço ou curiosidade do que, talvez, os inúmeros pierciengs do Zé Luis e o reconhecimento ocasional da cara lavada da Margarida, que identificávamos nos olhares furtivos, acompanhados de cochichos.
O "miúdo", como lhe chamei ali em baixo nos comentários, sem ponta de vaidade, assumiu durante a animada conversa que mantivémos, que nunca em sonhos esperara ter o reconhecimento da sua escrita da forma como tem hoje e falou disso com uma espécie de espanto, como só as pessoas humildes são capazes de fazer quando se fala dos seus feitos mais geniais.
É também esta característica, creio eu, que o torna tão único e especial (reflexos do post ante-penúltimo), para além da extraordinária sensibilidade que deixa sair naquilo que escreve e da forma brilhante como o faz.

Um ano antes tinha-me escrito isto no livrinho que cito em baixo:

"Para a M, estes poemas que foram escritos a pensar num romance que foi escrito a pensar nestes poemas"

e no romance-gémeo isto:

"Para a M, a lua (desenho de uma lua) e as estrelas" (desenho de 3 estrelas)"

Como resistir a ser fã deste puto? Faço votos para que nunca mude, por mais fama que alcance.

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