10.1.05

Estava aqui

muito sossegadinha frente ao pc, a pensar que a vida de blogger não é fácil...
Tal como em tudo na vida há que fazer opções, sempre as inevitáveis opções, quantas vezes malditas, as ditas.
No caso vertente (xi, palavras mais "entelectuais", nunca pensei, deve ser por ter estado a ouvir uma conferência altamente académica...ando a aprender umas coisas), ora dizia eu, no caso vertente, ou escrevemos maravilhosas tiradas a propósito de tudo e de nada e vamos mantendo fiéis uns quantos visitantes que se habituam a seguir os nossos quotidianos ou entusiasmamo-nos com esse mundo imenso que está aí, do vosso lado, e acabamos por esquecer os nossos "deveres" bloguísticos, por entre tanto que há para ler e descobrir e reler e comentar e actualizar e adorar! cada minuto. É um vício do caneco, isto. Conciliar estes dois estados - o de escriba e o de leitor/comentador - não é fácil. Sem contar, sequer, todos os outros papéis ou "identidades" que assumimos na vida lá fora.

Tudo isto para dizer que não tenho escrito muito por aqui.
Apelos deveras interessantes têm surgido noutros blogues que me levam a passar grande parte dos poucos minutos que tenho livres durante o dia, por lá. Ir a outros "ver se já lá está alguma coisa de novo", consome o resto do tempo.
Sinto a falta de vir aqui, é certo, debitar análises profundas e filosóficas de mim e das minhas pequenas e privadas tragicomédias diárias.
Habituamo-nos fácilmente a este "divã" em que nos deitamos, de mãos cruzadas sobre o peito, olhando fixamente o tecto, enquanto nos saem palavras do pensamento, direitinhas para a tela branca ao invés de ser para os ouvidos do psicanalista. Pensando nisso, poupamos umas massas...psicanálise ao preço de uma ligação ADSL...
Como agora. Comecei a escrever sem saber o que ia dizer. É quase sempre assim, esta "química" com o papel, como se de um amigo se tratasse, com quem se pode, ao fim do dia despir a pele que vestimos para todos os outros, esticar as pernas frente a uma chávena de café e falar de tudo e de nada. Ou não falar e ficar apenas em silêncio a sentir. Sentir a presença do outro, com quem estamos bem, como se tivéssemos chegado a casa.

São assim, os amigos.
Como casas que nos aceitam de portas escancaradas, onde celebramos com risos e rolhas a saltar, as nossas alegrias e vitórias, onde choramos mágoas que por desaguarem nos amigos não nos afogam ou onde ficamos aninhados apenas, em silêncio, no quente de uma manta ou de um ombro.

É, é como um amigo, esta tela branca onde me acolho.

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