11.1.05

Mais Um

Por alguma estranha razão, por vezes convencemo-nos de que somos especiais.
Seja porque confiamos em nós e na avaliação que fazemos da nossa forma de ser e agir, seja por uma palavra ou olhar de outrém, ou pelas atitudes que a maioria dos nossos concidadãos têm para connosco.
Porque nos sabemos, ou pelo menos fazemos por sê-lo, honestos, justos, verdadeiros, autênticos, julgamos que essas qualidades, aos olhos dos outros, garantem a conquista do reconhecimento, o simples reconhecimento de sermos pessoas de corpo inteiro, na difícil tarefa de Ser.
E depois a nossa auto-estima - a parva - iludida por aquilo que vê nos filmes de Hollywood, transmite-nos que um halo de brilho e cor rodeia o que somos e fazemos, como aquelas imagens em câmara lenta em que o mundo parece parado, suspenso de um único actor.
E convencemo-nos. Estúpidamente.

Vem um dia em que descobrimos que somos apenas mais um, anónimo, cinzento, na multidão.

Aviso à navegação: podem chamar-me "naif" ou outros nomes de que se lembrem, à vontade, até porque este post é mais uma experiência no divã do psicanalista...

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