de Jorge de Sena, em 1970 ao livro do Eugénio As Mãos e os Frutos:
(...)
"Uma poesia nem alegre nem triste, nem apaixonada nem fria, nem próxima nem distante, nem confessional nem reticente, nem intelectual nem sentimental, nem pura nem impura - em versos musicais, fluidos e firmes, a que a rima dá por vezes, menos que a pontuação do canto, a marcação da dança, uma poesia do ser e do amar, entre a carne e o espírito, lá onde as almas não existam para torturar-se e os corpos não saibam o que seja trairem-se."(...)
"As mãos e os frutos...as mãos que se estendem, que tocam, que acariciam...Os frutos que, maduros, tombam e se entregam...Não as mãos que suplicam, ou que receiam ou desistem. Não "os frutos de sombra sem sabor", como o poeta diz. Mas as mãos e os frutos do poeta que, aos vinte e cinco anos, podia serenamente dizer:
Se vens à minha procura
eu aqui estou. Toma-me, noite,
sem sombra de amargura,
consciente do que dou"
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