3.7.04

Sophia

Disse, como só ela o saberia fazer, que

A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.

A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.

Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.


Chegou hoje de tarde, para ela, essa hora.
Fica em nós a candura dos seus poemas, a forma como viu a vida, o mar, o amor.
Até sempre, Sophia.

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