Duma intensidade que talvez só consiga partilhar, quem sente e conhece de perto o significado das palavras que os compõem. Ou porque as sentiu na pele, ou porque conheceu quem o tivesse feito. E as palavras atingem-nos como um murro no estômago.
Este é um deles:
"A terra a quem a trabalha", como uma amora
que rompe o escuro das idéias.(...)
"A terra a quem a trabalha" e nela se depositou
para a vida e para a morte.
A terra aos que nascem sobre a terra, amam sobre a terra
morrem, de borco, sobre a terra lavrada.
Aqui há uma foice que se curva para o trabalho,
um martelo que se alevanta e poisa para o trabalho
num comunismo que começou em Cristo quando ele
entendeu que o pão tinha que ser multiplicado e repartido.
Aqui é Alentejo.
O lugar onde ninguém tem medo das palavras porque
elas correspondem à única maneira de viver a vida
com dignidade - de pé!
Eduardo Olímpio - "Uma porta para o Alentejo"
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