Alguém me perguntou de onde tinha eu extraído um post antigo, publicado no newsgroup.
Foi há tanto tempo que não me lembro bem, no meio de todos os livros do Eugénio de Andrade que devorei nessa altura. Hei-de decobrir mas, por agora, quero deixá-lo aqui, neste cantinho que é meu, guardado, à mão de ler, porque adoro este texto.
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Se o vento vier
Eugénio de Andrade
De repente, sem saber por onde entrara, eu tinha a lua comigo. Não era a primeira vez, não, não era. A primeira vez havia sido há muitos anos: adormecera na eira sobre o feno, e quando acordei a lua estava a meu lado e fizera da noite um interminável e azul lago de prata. Eu flutuava no luar espesso, pesava menos que uma folha de papel. Todo o esforço que fazia era para não me desprender do solo, como se a acção da gravidade não me dissesse respeito, e flutuar no espaço fosse a minha vocação. Se o vento vier, não tenho mais remédio que abandonar-me e ver até onde me levam os seus espíritos.
~~Mar~~
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