Não ouvi o outro a declamar, mas ouvi esta noite uma amiga a fazê-lo, noutro contexto.
O engraçado é que este "Cântico Negro", sempre me deu coragem para ir por onde queria. De dizer sempre
Não, não vou por aí! Só vou por onde
me levam meus próprios passos...
e recusar os braços estendidos dos que pretenderam que fosse por onde não queria.
Porque
Eu amo o Longe e a Miragem,
amo os abismos, as torrentes, os desertos... e sonho sempre com o que não tenho e não posso mas quero ter.
E
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou.
É uma onda que se alevantou.
É um atomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou,
-Sei que não vou por aí!
(há, nos meus olhos, ironias e cansaços)
mas há ainda lampejos de estrelas e sol a brilhar nas ondas do mar.
Enquanto esses não morrerem, sem saber por onde irei, caminharei por aqui e por ali, até chegar onde sonhei.
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