"Asas são para voar..."
Fácil de dizer, mais difícil de pôr em prática.
Amizade não devia pressupôr posse, sentimento de traição, tristeza ou revolta, quando algo não corre exactamente como planeámos, em relação ao objecto desse nosso sentimento.
Só porque amizade rima com exclusividade?
Pois se também rima com liberdade!
Amizade deveria ser um rio a correr, água límpida sobre pedrinhas, que corre sempre, umas vezes quase parada em leito plano, noutras em torrente, descendo veloz por falésias abruptas esculpidas na montanha. Mas que nunca pára.
Não há como comandar o rio...a não ser construindo um dique feito de cimento e argamassa, com pedras fortes e altas em que o rio se esmaga e pára e se desvia do seu caminho...e aí já não é o mesmo rio.
Amizade são pássaros a voar. Em que as asas, abertas ao sabor do vento, inventam o caminho. Asas sem grilhetas que as prendam, sem gaiolas douradas que são tanto prisões como as de latão.
Não há forma de possuir o vento ou a espuma do mar, a não ser fechando-os em sacos, em caixas, onde perdem a sua frescura e cor e morrem.
Para que os queremos assim, então?
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