19.5.04

Eu sei que

Não tenho escrito assim muito.
Esta vida de super-executiva, armada em Lili, mãe de família, dona de casa dá-me cabo dos nervos.

Bem mas o que vos queria contar é que hoje deu-me um vipe, larguei tudo e fui para a cabeleireira, entregar-me nas mãos duma menina para que fizesse o que lhe apetecesse ao meu cabelo, enquanto eu relaxava durante a massagem, lavagem e mais creme e mais massagem e àgua morninha de mais lavagem, bem...o paraíso, (não o único, eu sei, mas aqui não é sítio para se estar a falar de outros paraísos mais ou menos terrenos e.....adiante).
Como sabem, esta actividade é a ideal para deixar o espírito vagar e planar e pensar em tudo e em nada e fui dar por mim a pensar que realmente, tenho muita sorte! E ainda ando sempre a queixar-me...
É que há mulheres que não têm a possibilidade de lhes dar um vipe e fazerem o que eu fiz. Tão sómente. Decidirem que querem ir arranjar o cabelo e ir!
Não é para parecer lamechas mas, na minha àrea de trabalho, contacto e conheço muitas dessas mulheres.
Sem dinheiro, sem casa, sem família de suporte, sem marido ou companheiro (ou com ele o que nalguns casos é pior do que não terem...). Com filhos, a maioria. A contar os tostões para lhes pôr comida na mesa.

Enquanto divagava nisto, entre uma toalha lavada e um secador, decidi que ia deixar de ser resmungona e mal-humorada.
Que era uma injusta do caraças para com quem não tem nada e, ainda assim, encontra alegria na vida. Que tinha que me transformar e ser mais justa, solidária, agradecer a sorte que tenho todos os dias, ajudar quem puder, ser simpática, não refilar, não explodir com quem nem tem culpa de nada e depois ter que ir atrás a correr pedir desculpa, enfim, numa palavra, mudar.

Quando, finalmente, olhei para o espelho e vi uma mancha de cor arruivada, percebi que tinha mudado...que era, efectivamente, uma nova mulher...




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